58 milhões de adultos com nome sujo na praça – janeiro 2017 – 1p.
Interessante o dado de 58 milhões de adultos com nome sujo na praça, resultado direto dos juros extorsivos. Aliás, não é mais "nome sujo", é "negativado", mais simpático. Mas travaram o principal motor da economia, o consumo das famílias. E sem consumo das famílias, as empresas param. Travou o segundo motor. Quanto ao motor representado pelas políticas públicas (infraestruturas e políticas sociais), a taxa Selic há tempos gerou curto-circuito para os bancos. Link: (1 página)
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O livro "Swimming with sharks", de Joris Luyendijk, realiza uma façanha impressionante. Consegue que você – sim você – entenda como funciona o sistema financeiro. O autor foi convidado pelo Guardian para escrever um livro que as pessoas possam ler e entender sem sofrimento. A vantagem de Luyendijk é que ele não entendia do assunto, e alerta logo no início o leitor de que vai proceder passo a passo na construção da pesquisa: você o acompanha, de capítulo em capítulo, conforme vai construindo o conhecimento que ele próprio ganha. Francamente, é um passeio. E como você, como tantos outros infelizes, está atolado neste sistema, vale a pena a leitura.
Kroeber não é mais uma pessoa que passou um tempo na China e escreveu um livro. Vivendo em Beijing e Nova Iorque, editor do China Economic Quarterly, reúne tanto conhecimento técnico como vivência e familiaridade cultural num livro de excepcional qualidade. Quase uma pessoa em cada cinco no planeta é chinesa. O pouco que sabemos sobre como funciona este país, em particular considerando os seus impressionantes avanços, é simplesmente uma vergonha. Vergonha aliás em particular para a nossa mídia, onde a editoria internacional se resume basicamente à última explosão no oriente médio e à foto do dia do presidente dos EUA. Não é possível continuarmos com este grau de desconhecimento. Eu já estive três vezes na China, acompanho as suas transformações, e o presente livro me convence.
Às vezes precisamos de um espelho. Com o grau de deformação ideológica dos argumentos quando se trata da realidade brasileira, é bom dar uma olhada como todo o debate sobre o resgate do sistema financeiro está se dando no resto do mundo. Não somos uma ilha, e muito menos o nosso sistema financeiro, ainda que aqui algumas deformações sejam muito maiores. Hoje já não podemos ignorar o sólido acervo de pesquisas, que deslancharam após a crise de 2008, e que mostram a que ponto o sistema financeiro se distanciou dos seus objetivos iniciais de financiar o investimento e o crescimento econômico. Aqui apresentamos a excelente pesquisa de Epstein e Montecino sobre o sistema americano, organizando as ideias chave, e este espelho gera um impressionante efeito de ver na imagem refletida a sombra dos nossos dramas.
Joseph Stiglitz organizou um documento muito forte, que representa uma agenda para os Estados Unidos, hoje presos numa armadilha de elites que insistem em combater políticas sociais, promover mais desigualdade e atacar políticas ambientais. Invertendo radicalmente as velhas visões, o amplo grupo de economistas que participam deste relatório rejeita "os velhos modelos econômicos". Segue uma ampla agenda prática de desenvolvimento inclusivo. O documento coincide praticamente com o "The Next System", lançado em março 2015 por Gar Alperovitz, Gus speth, Jeffrey Sachs e outros. Os economistas americanos estão acordando e construindo novos rumos. Aqui estamos tentando voltar ao que eles estão abandonando. Os dois documentos constituem instrumentos preciosos para repensarmos a economia política.
Arun Sundararajan publica uma das melhores análises abrangentes da economia do compartilhamento, The Sharing Economy, livro tão essencial para entender as novas dinâmicas como por exemplo A sociedade de custo marginal zero de Jeremy Rifkin. A internet das coisas constitui em geral uma atividade comercial que aproveita a conectividade ampla das pessoas e agentes econômicos, com uma grande variedade de arquiteturas organizacionais. A grande vantagem aqui é que o autor sistematiza de forma muito legível o que são as atividades, os desafios econômicos, culturais e legais, os impactos no emprego, as formas de regulação. O fato de dar numerosos exemplos explicando como funcionam ajuda muito.








