Dicas de Leitura

Frans De Waal – Our inner ape: a leading primatologist explains why we are who we are – Riverhead Books, New York, 2005

Tem gente que estuda o comportamento humano nos primatas, Frans De Waal decidiu estudar “o primata dentro de nós”. Aliás, a capa é ótima: um homem todo arrumado lendo um jornal e comendo uma banana. Parece que andamos esquecidos das nossas origens. Somos essencialmente primatas. Primatas inteligentes, sem dúvidas; mas uma coisa é constatar a inteligência, outra é avaliar com que fins a utilizamos. E aí vamos na profundidade das emoções, dos instintos, das nossas raízes primitivas. Não necessariamente para o mal, obviamente, temos poderosos instintos que nos levam a colaborar, a manter relações amorosas, a defender a justiça. Mas também para o mal, e aí estão as guerras, a mesquindade, a violência absurda. Como o homo sapiens pode cair tão baixo? Analisar os primatas nos fornece um espelho perturbador do nosso próprio comportamento.
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Dowbor – Livros que apontam rumos – fev. 2018 – 3p.

É legítimo que estejamos centrados nos nossos dramas nacionais. Mas é igualmente importante entendermos como o mundo está mudando, inclusive porque as dinâmicas globais estão presentes nas nossas transformações. Para facilitar a vida, veja resenhas de livros recentes que me pareceram importantes.
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Guilherme Estrella – “Empresas favorecida pelo governo golpista devem ser tratadas como receptadoras de roubo” – Marco Weissheimer / Portal Sul 21 – 18.12.2017 – 3p.

Um retrato curto e contundente do processo da Petrobrás, além da fachada, na entrevista de Guilherme Estrella para o jornalista Marco Weissheimer (Sul 21): ‘Empresas favorecidas pelo governo golpista devem ser tratadas como receptadoras de roubo’ dezembro 18, 2017 Sul 21 Guilherme Estrella: “Há 30 anos, Kissinger disse que os… Leia mais

Tereza Campello – Faces da desigualdade no Brasil. Um olhar sobre os que ficam para trás – FLACSO Brasil – 2017 – 80p.

A desigualdade constitui de longe a grande questão nacional. Com toda a riqueza desse país, deixar tanta gente de fora, tantas famílias sofrendo por não ter acesso ao básico, é simplesmente desumano. Essa nossa oligarquia, que pensa que seus privilégios são merecidos e que o povo é vagabundo, precisa se civilizar. É o povo trabalhador que sustenta os privilégios dessa oligarquia que matou Vargas, que derrubou Jango e Dilma. O que o Brasil produz hoje equivale a 11 mil reais de bens e serviços por mês, por família de quatro pessoas, o suficiente para todos viverem de maneira digna e confortável. Todo brasileiro tem esse direito. Para nós que trabalhamos por um Brasil melhor e não por elites mais ricas, é muito importante dispor dos dados básicos sobre como está a desigualdade no Brasil e como ela evoluiu nos anos recentes, entre 2002 e 2015. O trabalho organizado por Tereza Campello e outros nos traz um instrumento básico organizado de maneira extremamente didática, indo direto ao que importa.
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George Lakey – Viking economics: how the Scandivians got ir right – and how we can too – (Economia dos Vikings: como os escandinavos acertaram, e como nós também podemos) Melville House, London 2017, 303 p. – ISBN 978-1-61219-621-3

Viking Economics é uma belíssima leitura para não economistas, inclusive porque os economistas ou já sabem, ou já estão tão convencidos do contrário: que não vão querer saber. Digamos democraticamente que é um livro para todos e para curar qualquer um de falsos economicismos. O que funciona, afinal, é quando os esforços econômicos se orientam o mais diretamente possível para o bem-estar das famílias.
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Tânia Bacelar – “Nossa elite é interessante: todos liberais e dependentes do Estado” – Saiba Mais – 22.10.2017

A cientista social e economista pernambucana Tânia Bacelar priorizaria investimentos em infraestrutura e Educação para reduzir os efeitos da crise no Nordeste. Para ela, o impacto negativo só não foi maior em razão da pujança econômica do governo Lula na região, o que ainda segurou alguns indicadores.
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A distância que nos une – Oxfam Brasil, setembro de 2017, 94p.

Saiu finalmente o esperado estudo da Oxfam sobre desigualdade no Brasil: "A distância que nos une", Oxfam Brasil, setembro de 2017 (94p). Seis brasileiros dispõem de mais riqueza do que a metade mais pobre da população, e 5% dispõem de uma fatia de renda maior do que os 95% seguintes. O relatório cobre renda, riqueza e acesso aos serviços essenciais. A desigualdade para nós não é apenas uma vergonha em termos éticos, como é insustentável em termos políticos (os sucessivos golpes sempre tiveram esta origem), e é absurda em termos econômicos pois nada estimula a economia como a inclusão do andar de baixo. Leitura essencial para entendermos tanto os nossos dramas como os nossos rumos.
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Kate Raworth – Doughnut Economics: 7 ways to think like a 21st Century Economist – Chelsea Green Publishing, 2017

Chegou um livro para mudar como pensamos a ciência econômica. Exagero? Pois essa britânica de Oxford alia simplicidade e clareza na exposição com uma revisão em profundidade de como vemos, analisamos e contabilizamos as atividades econômicas. Inclusive faz a ponte com as teorias herdadas, avaliando os seus aportes e fragilidades frente a um mundo que mudou profundamente. Ela não descarta as teorias herdadas, mas organiza a transição.
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Dicas do Dowbor – junho 2017

Nos últimos tempos têm aparecido trabalhos de fundo repensando o sistema. Queria aqui fazer um tipo de comentário de leitura sobre textos que têm em comum a convicção de que não se trata mais apenas do problema de Trump nos EUA, de Temer no Brasil, de Macri na Argentina, de Erdogan na Turquia, do Brexit na Inglaterra, do fato dos dois grandes partidos (socialista e republicano) que repartiram o poder na França não terem chegado, nem um nem outro, sequer ao segundo turno.
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Judson Nascimento – Gestão situada de incubadoras sociais: o caso da Incubadora Afro Brasileira – Ed. Luminaria Academia, out, 2016 – 302 p.

É possível termos maior controle e iniciativa sobre as nossas atividades econômicas? O mundo está assolado por gigantes corporativos, e nos tornarmos consumidores passivos de identidades globais. Mas cada cidade pode tomar em suas próprias mãos uma série de aspectos do seu desenvolvimento, respondendo de maneira participativa às necessidades locais. Ao analisar o caso da Incubadora Afro Brasileira, Judson Nascimento apresenta neste estudo a possibilidade de se liberar potenciais de um desenvolvimento enraizado nos sentimentos de identidade e de pertencimento comunitário. Com bibliografia particularmente rica, este trabalho abre perspectivas para quem quer dinamizar a sua comunidade.
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Hudson, Michael – Killing the Host: how financial parasites and debt destroy the global economy – Islet, Baskerville, 2015

O livro de Michael Hudson, Killing the Host (matando o hospedeiro), constitui uma análise de primeira linha sobre os sistemas financeiros dos Estados Unidos e de outros países, e com um enfoque que fica claro desde o próprio subtítulo: Como parasitas financeiros e a dívida destroem a economia global. Somando-se aos estudos recentes de Ellen Brown, de Epstein e Montecino, bem como de Joseph Stiglitz, esta pesquisa nos permite entender esta estranha arquitetura que o capitalismo financeiro gerou no nível planetário. E como Hudson analisa os formatos de enraizamento e apropriação do poder que os sistemas financeiros adotam nos diversos países, começamos entender este animal estranho em que o global não está “lá fora”, mas dentro das dinâmicas nacionais. E não há como não ficar impressionado com a semelhança do modelo financeiro imposto à sociedade americana com os nossos próprios dramas.
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58 milhões de adultos com nome sujo na praça – janeiro 2017 – 1p.

Interessante o dado de 58 milhões de adultos com nome sujo na praça, resultado direto dos juros extorsivos. Aliás, não é mais "nome sujo", é "negativado", mais simpático. Mas travaram o principal motor da economia, o consumo das famílias. E sem consumo das famílias, as empresas param. Travou o segundo motor. Quanto ao motor representado pelas políticas públicas (infraestruturas e políticas sociais), a taxa Selic há tempos gerou curto-circuito para os bancos. Link: (1 página)
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A Enorme Taxa de Juros do Brasil: Será que os brasileiros conseguem suportá-la? – CEPR – dezembro 2016

Este relatório olha para as excepcionalmente altas taxas de juros brasileiras. O Brasil possui o quarto maior encargo no mundo com o pagamento de juros da dívida pública (em meio a 183 países). O relatório indica que isso não é um resultado de conhecidos fatores de risco, mas sim decorrente da incomum alta taxa de juros estabelecida pelo Banco Central — as taxas de juros estabelecidas por política econômica também têm estado entre as mais altas no mundo — e do poder político e de mercado de um altamente concentrado setor bancário.
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Joris Luyendijk – Swimming with sharks : my journey into the world of the bankers – Guardian Books, London, 2015

swimming-with-sharks-cover-xlargeO livro "Swimming with sharks", de Joris Luyendijk, realiza uma façanha impressionante. Consegue que você – sim você – entenda como funciona o sistema financeiro. O autor foi convidado pelo Guardian para escrever um livro que as pessoas possam ler e entender sem sofrimento. A vantagem de Luyendijk é que ele não entendia do assunto, e alerta logo no início o leitor de que vai proceder passo a passo na construção da pesquisa: você o acompanha, de capítulo em capítulo, conforme vai construindo o conhecimento que ele próprio ganha. Francamente, é um passeio. E como você, como tantos outros infelizes, está atolado neste sistema, vale a pena a leitura.
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Arthur R. Kroeber – China’s Economy – Oxford, Oxford University Press, 2016 ISBN 978-0-19-023903-9 – 320 p.

51wby-ceaql-_sx331_bo1204203200_Kroeber não é mais uma pessoa que passou um tempo na China e escreveu um livro. Vivendo em Beijing e Nova Iorque, editor do China Economic Quarterly, reúne tanto conhecimento técnico como vivência e familiaridade cultural num livro de excepcional qualidade. Quase uma pessoa em cada cinco no planeta é chinesa. O pouco que sabemos sobre como funciona este país, em particular considerando os seus impressionantes avanços, é simplesmente uma vergonha. Vergonha aliás em particular para a nossa mídia, onde a editoria internacional se resume basicamente à última explosão no oriente médio e à foto do dia do presidente dos EUA. Não é possível continuarmos com este grau de desconhecimento. Eu já estive três vezes na China, acompanho as suas transformações, e o presente livro me convence.
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