L. Dowbor – Brazylia: System Finansowy versus Rozwój Gospodarczy Kraju – 2016
Nierówności gwałtownie rosną. Oxfam ten fakt nagłaśnia i podaje dane liczbowe, Crédit Suisse ukazuje w czyich rękach kumuluje się bogactwo, Thomas Piketty tłumaczy działanie tego mechanizmu w krajach rozwiniętych. Skąd pochodzą te pieniądze? Niniejsze opracowanie próbuje odpowiedzieć na to pytanie poprzez prezentację brazylijskiego wariantu ogólnej finansjalizacji systemu. Duży wysiłek rządów Luli i Dilmy na rzecz promowania inkluzji, zwiększania miejsc pracy oraz przekazywania bezzwrotnych transferów pieniężnych dla biednych dał znakomite rezultaty. Jednak system finansowy, umożliwiający przepływ dochodu i koncentrację dobrobytu, zniwelował efekty tych programów i hamuje brazylijską gospodarkę – główną przyczyną są wysokie stopy procentowe nakładane
na konsumentów, inwestorów oraz dług publiczny. Poniższa krótka analiza ukazuje działanie tego mechanizmu oraz prezentuje dane liczbowe wraz z odniesieniem do łatwo dostępnych źródeł.
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Você provavelmente se sente perplexo frente à situação econômica do país. Está em boa companhia. Quem é que entende de resultado primário, de ajuste fiscal e outros termos que povoaram os nossos noticiários? A imensa maioria balança a cabeça de maneira entendida, e faz de conta. Pois vejam que realmente não é complicado entender, é só trocar em miúdos. E com isso o rombo fica claro. Aqui vai a conta explicitada, não precisa ser economista ou banqueiro. E usaremos os dados do banco central, a partir da tabela original, pois confiabilidade, nesta era melindrada, é fundamental.
Trudno powstrzymać się od myśli, że żyjemy w wielkim cyrku. Kiedy siedzimy na kanapie po dniu ciężkiej pracy oraz wielu godzinach dojazdu do pracy i powrotu z pracy, surrealistyczne opery mydlane na ekranie telewizora przynoszą nam przegląd globalnej gry: tyle a tyle bomb spadło na Syrię, jeszcze więcej uchodźców na granicach, kłopoty z wielką finansjerą, najnowsze gole, które strzelił Lewandowski, dyskusja o tym, jak Rosja powinna brać udział w olimpiadzie w Brazylii lub czy w Rio de Janeiro wszystko się udało. Ach tak – i kto po Wielkiej Brytanii, Węgrzech, Grecji lub Polsce grozi opuszczeniem UE w imię najwyższych ideałów narodowych. (Artykuł ukazał się w Culture Report, tom 8: EUNIC Yearbook 2016, A Global Game – Sport, Culture, Development and Foreign Policy. Oryginał po angielsku http://dowbor.org/2016/08/l-dowbor-the-rules-of-the-global-game-culture-report-eunic-2016-isbn978-3-95829-198-0.html/ )
Às vezes precisamos de um espelho. Com o grau de deformação ideológica dos argumentos quando se trata da realidade brasileira, é bom dar uma olhada como todo o debate sobre o resgate do sistema financeiro está se dando no resto do mundo. Não somos uma ilha, e muito menos o nosso sistema financeiro, ainda que aqui algumas deformações sejam muito maiores. Hoje já não podemos ignorar o sólido acervo de pesquisas, que deslancharam após a crise de 2008, e que mostram a que ponto o sistema financeiro se distanciou dos seus objetivos iniciais de financiar o investimento e o crescimento econômico. Aqui apresentamos a excelente pesquisa de Epstein e Montecino sobre o sistema americano, organizando as ideias chave, e este espelho gera um impressionante efeito de ver na imagem refletida a sombra dos nossos dramas.
Pela perspectiva do professor da PUC–SP Ladislau Dowbor, é possível concluir que o atual sistema democrático não é mais “puro sangue”. É algo que surge a partir da solidificação do capital dentro desse sistema, uma espécie de “capitalismo democrático”.
Não bastando isso, os poucos suspiros de democracia que se tem ainda são sufocados por uma espécie de cercamento. Sem ter para onde crescer ou ir, sucumbir passa a ser a única ação. É como se a lógica das corporações que visam encher os bolsos dos donos através da exploração transbordasse para as esferas políticas. “A conta é simples: elegemos os políticos, mas segundo regras das corporações. Nas corporações mandam pessoas que não são eleitas, mas têm dinheiro”, conclui, ao lembrar do “patrocínio” das corporações a determinadas campanhas eleitorais.
Confira a versão em português do artigo "The Rules of the Global Game", publicado (em inglês e em alemão) na Culture Report anual (EUNIC), em agosto de 2016. Com tradução de Inês Castilho, a tradução foi publicada no site Outras Palavras.
Para quem gosta dos Jogos Olímpicos, e para quem não gosta, escrevi um artigo curto e bem humorado sobre como funciona o circo muito mais amplo, a chamada sociedade humana. E é permanente, não se limita a uma vez a cada quatro anos. A competição é pela política mais idiota, a corporação mais poderosa, o paraíso fiscal mais generoso, a publicidade mais invasiva. Divirta-se. O artigo circula em inglês e em alemão em mais de 100 países, através do Culture Report anual da União Européia. Pelo menos o senso de humor eles não perderam: "When sport has been reduced to watching great guys doing great things on TV, while we munch some goodies and have a beer, it is not only sport, but culture in its wider sense that has become a producer and consumer affair, not something we create ourselves."
A financeirização está no centro dos debates econômicos, porque aprofunda a desigualdade e sobretudo porque trava o desenvolvimento. Este último aspecto é alvo de numerosos estudos internacionais, e aqui abordamos o mecanismo como se manifesta no Brasil. Basicamente, os crediários, cartões de crédito e juros bancários para pessoa física travam a demanda, pois tipicamente o comprador paga o dobro do valor do produto, endivida-se muito comprando pouco, o que esteriliza o impacto de dinamização da economia pela demanda. Os juros elevados para pessoa jurídica travam por sua vez o investimento, isto que o empresário efetivamente produtivo já enfrenta a fragilidade da demanda e pode simplesmente aplicar na dívida pública. E a taxa Selic elevada, ao provocar a transferência de centenas de bilhões dos nossos impostos para os bancos e outros aplicadores financeiros, trava a capacidade do Estado expandir políticas sociais e infraestruturas. Esta dinâmica no contexto de uma carga tributária que onera desproporcionalmente o consumo popular, e de um sistema de evasão dos impostos através de preços de transferência e paraísos fiscais, gera um dreno insustentável de recursos. Assim temos esta estranha situação de um PIB que estagna e de lucros financeiros que se agigantam. As recomendações vão no sentido de uma reforma financeira no sentido amplo, muito além das propostas de ajuste fiscal.
Você já comeu no Sujinho? Um ótimo restaurante na Consolação, aqui em São Paulo. Fora de série. Mas o que me deixou mais contente foi este aviso aos clientes: “Não aceitamos nenhum cartão de crédito, nem de débito, motivo: altas taxas cobradas pelas administradoras, que no caso de aceitarmos, teremos que repassar no nosso cardápio, prejudicando os nossos clientes, não achamos justo, estamos negociando.” Imagina colocar um aviso deste na mesa de um economista com apetite. Jantei muito bem, com ótimos amigos, e tirei a foto do aviso. Em casa pedi a ajuda de Marcos do Espírito Santo, mestrando em economia, que me localizou a tabela básica que explica o pedido da gerência do Sujinho e o meu contentamento. Leitor, não se assuste com a quantidade de números, em dois minutos você vai entender como é jantado, e porque o pessoal do Sujinho tem excelentes razões para a sua manifestação.
A expansão dos lobbies, a compra dos políticos, a invasão do judiciário, o controle dos sistemas de informação da sociedade e a manipulação do ensino acadêmico representam alguns dos instrumentos mais importantes da captura do poder político geral pelas grandes corporações. Mas o conjunto destes instrumentos leva em última instância a um mecanismo mais poderoso que os articula e lhe confere caráter sistêmico: a apropriação dos próprios resultados da atividade econômica, por meio do controle financeiro em pouquíssimas mãos. As dinâmicas de poder político, econômico e cultural estão sendo reorientadas, gerando uma nova configuração que se trata de estudar. É o pano de fundo de uma sociedade em busca de novos caminhos de gestão. (L. Dowbor)








