Artigos recebidos

Unesco – Concentration of media ownership – 2017, 32p. 

A Unesco publica uma excelente e sintética análise da concentração do controle da mídia no mundo, com a erosão da democracia que isto implica: uma sociedade desinformada ou manipulada fica desorientada. Citação divertida do Economist dá uma ideia do conteúdo:"O semanário britânico The Economist, por exemplo, tem chamado a mídia local brasileira de "mini-Berlusconis'"(p.13) O documento traz excelentes dados nesta área tão deformada e tão vital para a nossa democracia. A América Latina muito presente nesta análise. (em inglês, 32p.)
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Thomas Piketty, Emmanuel Saez and Gabriel Zucman – A tale of two countries – 6 December 2016 – Washington Center for Economic Growth (3p)

Um texto curto e de excepcional qualidade traz o estudo de três pesquisadores importantes sobre as formas de irmos além da cifra grosseira que representa o PIB, construindo o que chamaram de 'distributional national accounts', metodologia que permite avaliar não só os fluxos brutos mas como evolui a renda dos 50% mais pobres, do 10% mais rico e dos 40% no meio que qualificam de classe média. Além de mostrar o absurdo dos ganhos de renda sobre aplicações (e não de produção) no topo da pirâmide social e a consequente desigualdade, aponta para as mudanças necessárias na contabilidade nacional.
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Joseph E. Stiglitz e Mark Pieth – Superando a Economia Paralela – Friedrich Ebert Stiftung – Fev. de 2017 – 36 p.

Um artigo demolidor e muito bem documentado sobre os paraísos fiscais, por parte de dois especialistas, tanto Mark Pieth por seus estudos, como Joseph E. Stiglitz que começou a luta com os fluxos ilegais quando era economista-chefe no Banco Mundial. O ponto de partida é simples:enquanto houver territórios onde os recursos ficam em sigilo e não pagam impostos, ou não precisam explicar origem, os recursos financeiros fluirão naturalmente nesta direção. A desorganização é compreensível: "A globalização resultou em uma economia global, mas não em um governo global." O estudo mostra que não se trata de dinheiro que escapa do sistema e se esconde, e sim de um mecanismo que deforma o conjunto do sistema que passa a trabalhar na opacidade. Leitura essencial, a Friedrich Ebert presta um excelente serviço ao apresentar este estudo em português. Lembremos que o Brasil tem em paraísos fiscais mais de 500 bilhões de dólares.
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Previdência: reformar para excluir? Contribuição técnica ao debate sobre a reforma da previdência social brasileira – Brasília: DIEESE/ ANFIP; 2017, 48p.

Finalmente temos um bom texto de referência sobre a reforma da previdência, construção que contou com a colaboração de numerosos especialistas, com sistematização final de Eduardo Fagnani da Unicamp. É uma ferramenta para todos nós. No caso, permite também uma melhor compreensão do quadro macro-econômico, pois "a reforma da Previdência proposta recentemente deve ser compreendida nesse contexto de aprofundamento das políticas de austeridade econômica, sendo a Previdência peça central do ajuste das contas primárias que se almeja com a instituição do “Novo Regime Fiscal”.
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OXFAM – Uma Economia para os 99% – 2017 (13p.)

Desigualdade parece tema batido. Mas não se trata apenas de injustiça: é um mecanismo que trava a economia, gera explosões sociais, desarticula a sociedade como um todo. Estamos muito além da mais-valia tradicional nas empresas produtivas. A mais-valia financeira permite explorar tanto governos com a dívida pública, quanto empresas e pessoas físicas, gerando uma classe de intermediários financeiros que não só não financiam a produção, o consumo e os investimentos públicos, os motores da economia, como os paralisam. Estamos na era da acumulação improdutiva de patrimônio, descapitalização da sociedade. É uma desorganização sistêmica. A reforma do sistema financeiro global (e nacional no Brasil) constitui o desafio central. Enriquecimento sem a contrapartida produtiva, "unearned income" na terminologia inglesa, gera rentistas ricos e economias travadas.
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Guia ilustrado da privatização da democracia no Brasil – Vigência, IIEP, apoio Oxfam – 2016, 35 p.

privatizacaodademocraciaNo nosso sistema educacional nunca tivemos uma aula sobre a moeda, sobre como funciona a economia. E no oligopólio da mídia, aparecem apenas fragmentos distorcidos em função de interesses. Um grupo de pesquisadores elaborou um folheto de 35 páginas, com ilustrações, visando trazer uma visão sistêmica, elencando alguns dos principais desafios: alimentos, biossegurança, educação, finanças, juros, meio ambiente, mídia, segurança e setor imobiliário. Com apresentação gráfica transparente, o folheto ajuda a entender o conjunto, a formar uma informação embasada. Excelente material para trabalhar no sistema de ensino ou em movimentos sociais. Disponível online, gratuito. Os capítulos são assinados por pessoas reais, pesquisadores, e não por uma máquina de interesses corporativos. No mínimo, ajuda como contrapeso às bobagens divulgadas na grande mídia.
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Austeridade e retrocesso – Outubro 2016 – 50 p.

austeridade_capaO governo atual navega numa farsa relativamente tanto às causas da crise quanto às medidas necessárias. Austeridade, que reduz a demanda, vai recuperar a economia? Os gastos sociais quebraram o governo? Aqui uma excelente sistematização das informações básicas sobre as dinâmicas reais. "Esse documento procede a uma análise das finanças públicas e política fiscal no Brasil, procurando esclarecer as principais causas da atual crise fiscal, assim como desconstruir simplificações e mitos, muitos dos quais baseados em argumentos econômicos supostamente técnicos que sustentam a austeridade." Um documento essencial, nada que um leigo informado não possa acompanhar.
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Leonardo Boff – Onde está o poder hoje no mundo? – outubro 2016 (4p.)

Leonardo Boff: "Há um fato que deve preocupar todos os cidadãos do mundo: o deslocamento do poder dos Estados-nações para o lado do poder de uns poucos conglomerados financeiros que atuam a nível planetário, cujo poder é maior que qualquer Estado tomado individualmente. Estes de fato detém o poder real em todas as suas ramificações: financeira, politica, tecnológica, comercial, mediática e militar".
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Leonardo Boff – Dónde está hoy el poder en el mundo – octubre 2016

Leonardo Boff: "Hay un hecho que debe preocupar a todos los ciudadanos del mundo: el desplazamiento del poder de los estados-nación hacia el de unos pocos conglomerados financieros que operan a nivel global, cuyo poder es mayor que el de cualquiera de los Estados tomados individualmente. Estos realmente detentan el poder real en todas sus ramas: financiera, política, tecnológica, comercial, medios de comunicación y militar."
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Dilip Hiro – US power at the crossroads: a snapshot of a multipolar world in action – (publicado em Truthout 11.10.2016, em inglês, 4p.)

Uma sucinta mas rica avaliação dos rearranjos em curso em termos de poder international, impactando em particular a supremacia americana. Dilip Hiro analisa a presença geopolítica da Russia, com a atuação na Crimeia e o papel desempenhado no Oriente Médio, tornando-se interlocutor necessário. A RT Rússia coloca o país pela primeira vez na comunicação mundial, com RT América, RT UK e outras linguas internacionais. A aproximação com a China faz parte deste redesenho. A China por sua ultrapassa pela primeira vez os EUA em volume de comércio exterior (US$3,9 tri), mostra presença ao abrir transporte ferroviário de carga (Yiwu-Madrid 16 mil milhas!) e conexões dutoviárias e marítimas em expansão, além dos acordos comerciais e políticos com a Rússia. Reservas internacionais: US$3,3 trilhões. Sucesso do AIIB (Asian Infrastructure Investment Bank). Aqui uma excelente análise da geração de novos equilíbrios multipolares.
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Eleonora de Lucena – Truculência – Folha de São Paulo – 22.08.2016

Falar de luta de classes e de projeto nacional deixou alguns leitores ouriçados. Mas, apesar da operação de marketing em curso, os objetivos do atropelo à Constituição são claros: concentrar riqueza, liberar mercados, desnacionalizar a economia, desmantelar o Estado.
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Eleonora de Lucena – Escracho – Folha de São Paulo – 26.07.2016

O impeachment trouxe a galope e sem filtro a velha pauta ultraconservadora e entreguista, perseguida nos anos FHC e derrotada nas últimas quatro eleições. Privatizações, cortes profundos em educação e saúde, desmanche de conquistas trabalhistas, ataque a direitos.
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Pierre Salama, Entrevista, Afrânio Garcia Jr et al., Cadernos do Desenvolvimento, Rio de Janeiro, v. 10, n. 17, pp.92-111, jul.-dez. 2015

Ampla entrevista de Pierre Salama, que aponta com força a dimensão estrutural dos nossos desafios - e a falta de reformas estruturais, em particular do sistema tributário - bem como a deformação radical que significa o capitalismo rentista, onde se ganha dinheiro não produzindo mas intermediando, na área comercial e em particular na área financeira: "Estamos vendo uma sociedade que se torna cada vez mais uma economia rentista." Estamos na mesma linha do Piketty, um capitalismo onde se ganha dinheiro sem produzir não faz muito sentido. (L. Dowbor)
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Paulo Sérgio Pinheiro – Direitos Humanos: O pior ainda está por vir – maio – 2016, 3p.

Importante artigo de Paulo Sérgio Pinheiro, publicado no Estadão, sobre o retrocesso geral nos duramente conquistados direitos humanos no Brasil, neste governo surrealista que inventaram. (L.Dowbor)
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George Monbiot – Neoliberalism: the ideology at the root of all our problems – The Guardian, 15 April 2016 – (cerca de 5 p., em inglês)

Uma das melhores análises que já li sobre como funciona o sistema que nos rege, e que criou o caos político e econômico a que estamos hoje submetidos. Esta compreensão sistêmica é muito importante, e o texto é muito elucidativo, sem complicações. Na análise do autor, "as últimas quatro décadas se caracterizaram não só pela transferência dos pobres para os ricos, mas dentro da esfera dos ricos: dos que ganham dinheiro produzindo novos bens ou serviços para os que ganham dinheiro controlando ativos existentes e colhendo renta, juros ou ganhos de capital. O ganho produtivo foi suplantado pelo ganho improdutivo." (Earned income has been supplanted by unearned income). É um sistema de financeirização que privilegia a remuneração do capital improdutivo, que gera "renta" e não "lucros", que consiste em aplicações financeiras em vez de investimento produtivo, e desequilibra todo o sistema econômico, além de invadir a esfera política. Uma leitura que abre janelas sem complicar, aqui fragmentos do livro que está por sair. Vale a pena. ( L. Dowbor)
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