O governo federal americano  quer criar uma super rede WiFi de livre acesso, abrangendo todo seu território. A proposta, revolucionária, acaba de ser formulada pela FCC, a comissão federal de comunicações, por meio de relatório assinado por seu chairman, Julius Genachowski. A noticia completa, de autoria da repórter Cecila Kang, pode ser lida (em inglês), no Washington Post. O texto relata algo previsível: embora extremamente benéfica para a população, a medida já enfrenta resistência das operadores de telecomunicações…

O conceito de rede de livre acesso já é utilizado em muitas cidades pelo mundo, mas está avançando para escalas nacionais. O raciocínio é simples. Não pagamos para andar nas ruas, ainda que elas custem mais caro do que as infovias, onde se navega em ondas eletromagnéticas. A circulação livre da informação aumenta a produtividade de todos. O fato de podermos transitar livremente pelas ruas é que assegura que sejam economicamente viáveis a farmácia, o posto de gasolina e assim por diante. São as aplicações do conhecimento que devem render, não os pedágios sobre a sua movimentação.

A proposta gerou naturalmente indignação das grandes empresas de telefonia, que estão entre as mais lucrativas do planeta, justamente porque cobram pedágio. Pela internet, podemos nos comunicar gratuitamente. Nas cidades de livre trânsito da informação, em vez das pessoas se deslocarem, ou de massacrarmos motoboys, são os bits que viajam: é mais rápido, não polui. Dizem que os brasileiros jogam bem porque em vez de eles correrem, é a bola que corre. Tem lógica. Bem, talvez seja mais o caso do Barcelona.

Como o artigo está em inglês, traduzo um segmento para os anasaxônicos: “O governo federal quer criar redes de super WiFi através da nação, tão poderosas e amplas na cobertura que os consumidores poderão utilizá-las para fazer chamadas telefônicas ou surfar na internet sem pagar a conta do celular a cada mês.”

“A proposta da Comissão Federal de Comunicações balançou a indústria do sem-fio, que rende US$178 bilhões de dólares, e que lançou um violento esforço de lobby para levar os responsáveis pelas políticas a reconsiderar a ideia, dizem os analistas. Isto foi confrontado por uma campanha igualmente intensa de Google, Microsoft e outros gigantes da tecnologia, que dizem que a liberação geral dos serviços WiFi permitiria  uma explosão de inovações de produtos que beneficiariam a maioria dos americanos, em particular os pobres”. (L. Dowbor)

Esse artigo também está publicado no site Outras Palavras

Vejam o artigo completo do Washington Post  aqui