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O número 44 de Manière de Voir traz uma excelente apresentação da problemática do gênero, conhecido para não especialistas como o problema da luta da mulher pelos seus direitos. São 32 artigos, muito bem selecionados, de especialistas de diversos países.

Dados concretos, no texto introdutório de Ignacio Ramonet: mais de 70% da população mundial que vive na extrema miséria são meninas ou mulheres. Os salários das que trabalham remuneradas representam entre 50 e 80% do salário masculino, no mundo. Segundo as regiões do mundo, entre 24 e 50% das mulheres foram vítimas de violência física ou sexual masculina. Dos 900 milhões de adultos analfabetas no planeta, dois terços são mulheres.(Ignacio Ramonet, “La Cause des Femmes”, p. 6)

Michèle Aulagnon, no seu artigo “Tirs Croisés contre la Pilule Abortive”, lembra que o número de abortos situa-se na ordem de 50 milhões por ano, dos quais a metade nos paises em vias de desenvolvimento. Um aborto sobre dois é clandestino, levando à morte de cerca de 200 mil mulheres por ano, sem falar das mutilações com diversas sequelas. A pílula RU486, cujos efeitos secundários já foram controlados, e que permitiria à mulher escapar da indústria do aborto (o aborto deixa de exigir meios cirúrgicos), está sendo tirada do mercado pelo gigante alemão Hoeschst, que comprou a empresa que desenvolveu a tecnologia, e destivou a produção. (Michèle Aulagnon, p. 27 e 28).

Muito interessante também o artigo de Agnès Callamard, “Le Sexisme à Fleur de Mots”, que analisa como a discriminação entra discretamente na linguagem. Assim, por exemplo, a Declaração dos Direitos do Homem da revolução francesa (1789), hoje interpretada como direitos humanos, significava na origem exatamente direitos do homem, no masculino. O direito da mulher ao voto só chegaria à França da Liberté, Egalité, Fraternité em 1944. Detalhes sobre a dominação do masculino na gramática (escrevemos “Os legumes e as flores são frescos”, enquanto Racine escreve no século 17º “Estes tres dias e tres noites inteiras”) resulta da decisão do papa da gramática Vaugelas, que em 1647 declara que “a forma masculina tem preponderância sobre o feminino, porque mais nobre”. (Agnés Callamard, p. 10)

Outras “pérolas” interessantes podem ser encontradas no artigo de Yves Géry, “Ces Filières de l’Est”, que analisa como a indústria globalizada da prostituição de mulheres e crianças progride na era do liberalismo: mulheres do Leste europeu são vendidas entre 1500 e 5000 marcos no mercado alemão, para um trabalho de 12 horas por dia, com 70% da renda para os proprietários. Na Alemanha, 75% das prostitutas são estrangeiras. As mulheres ou meninas são introduzidas clandestinamente nos diferentes países, e ficam na mão dos proxenetas, por não ter documentos. A Interpol calcula que a renda de um proxeneta vivendo de uma prostituta é da ordem de 720 mil francos por ano (cerca de 120 mil dólares).

Florence Montreynaud, em “La Prostitution, un Droit de l’ Homme?”, mostra como “os cidadãos americanos constituem 24% dos ocidentais presos na Asia por seviciar crianças sexualmente, os outros sendo alemães (15%), britânicos (13%), australianos (11%), franceses (7%), japoneses (3%) etc.” É a economia global. Os Estados Unidos estão tranquilos, pois proibem a prostituição, que passa a se exercer (em pequena parte!) em outro lugar. A Suécia foi o primeiro país a condenar, em 1995, um homem de 69 anos por relação sexual paga com criança na Tailândia, enquanto em geral fecha-se os olhos conquanto os atos sejam praticados em outro país.

Enfim, é um manancial de informações sobre uma área que é um continente, pela inportância na luta por uma sociedade mais humana. Havendo interessados, posso deixar uma cópia para xerox no Programa de Pós Graduação em Administração da Puc (ver com Shirley, tel 3670.8400 à tarde e à noite.) O Monde Diplomatique tem home-page: http://wwwmonde-diplomatique.fr – Boa leitura…