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The Age of Access (Era do Acesso)

The new culture of hypercapitalism where all of life is a paid-for experience

Jeremy Rifkin, Penguin Putnam (no Brasil, Makron Books), New York – São Paulo, 2001, 1-58542-018-2 (edição em inglês)

O argumento básico é que estamos passando de uma era em que havia produtores e compradores, para uma era em que há fornecedores e usuários. A mudança é profunda. Na prática, não compramos mais um telefone (ou a compra é simbólica). Mas pagamos todo mês pelo direito de usá-lo, de nos comunicarmos. Pagamos também para ter acesso a uma televisão um pouco mais decente. Já não pagamos uma consulta médica: pagamos mensalmente um plano para ter direito de acesso a serviços de saúde. Muitos já conhecem os primeiros passos desta tendência, quando em vez de se comprar uma copiadora Xerox, pagava-se o seu uso.

Os exemplos são inúmeros. Rifkin define esta tendência como caracterizando “A era do acesso”. No nosso “A Reprodução Social” já analisamos esta tendência, que caracterizamos com o conceito de “capitalismo de pedágio”. Basta ver o montante de tarifas que pagamos para ter direito aos serviços de um banco, ou como os condomínios de praia fecham o acesso a um pedaço de mar, e nas publicidades nos “oferecem” (!) , como se as tivessem criado, as suas maravilhosas ondas. O acesso gratuito ao mar não enche os bolsos de ninguém. Fechemos pois as praias.

Assim o capitalismo gera escassez, pois a escassez eleva os preços. Nesta lógica do absurdo, quanto menos disponíveis os bens, mais ficam caros, e mais adquirem valor. Nada como poluir os rios para nos obrigar a um “pesque-pague”.

Com isto, vão desaparecendo todos os espaços gratuitos, e ficamos cada vez mais presos na corrida pelo aumento da nossa renda mensal, sem a qual nos veremos privados de uma série de serviços essenciais, inclusive a participação na cultura que nos cerca. Viver deixa de ser um passeio, ou uma construção que nos pertence, para se transformar numa permanente corrida de pedágio em pedágio. Onde antes as pessoas tinham o prazer de tocar um instrumento, hoje pagam um disco. Onde antes jogavam uma pelada na rua, hoje assistem um espetáculo esportivo, enquanto mastigam salgadinhos no sofá, tudo graças ao “pay-per-view”.

O livro de Rifkin é gostosíssimo de se ler. Na minha opinião, é dos poucos livros que vale realmente a pena comprar. No Brasil, já está disponível pela editora Makron Books, São Paulo, 2001.

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