Acontecendo agora

Bernie Sanders – Estou concorrendo à presidência 19/02/2019 – 10min (Legendado)

O pronunciamento de Sanders e a visão de outro futuro para os EUA. O futuro do Brasil depende muito fortemente do futuro político dos Estados Unidos. O que abre esperanças, em particular, é que as eleições de 2020 podem constituir um poderoso refluxo político para o bem, a justiça social e a democracia. E isso poderá abrir muitas esperanças no Brasil, cujo governo é muito dependente, até de forma humilhante, do governo americano. Além de Sanders, surge nos EUA uma safra de candidatos que vão muito além dos tímidos avanços do partido democrata, e o essencial aqui não é a preferência por um ou outro, mas o tamanho da onda. A fala do Sanders resume de forma poderosa uma nova visão para o país, vale muito a pena.

Stefano Quintarelli – A revolução digital e transformações sociais – fev. 2019 – 10p.

Stefano Quintarelli - A revolução digital e transformações sociais -  fev. 2019 - 10p.
O capitalismo está mudando em profundidade. As características essenciais do capitalismo industrial estão sendo deslocadas. Na base das rupturas está a evolução para a economia imaterial, que gera novos tipos de controle (da informação mais do que das máquinas), de organização empresarial (mais plataformas do que fábricas), mais empregos fragmentados do que trabalhadores assalariados formais. Um denominador comum é que toda a máquina que passou a controlar o sistema hoje não está mais na mão de produtores, mas de intermediários dos mais diversos tipos, em particular dos sistemas digitais e financeiros. Um outro mundo está nascendo, e o presente artigo, de Stefano Quintarelli, com amplos traços gerais, constitui um esboço particularmente interessante do nosso futuro. Estamos nas mãos de intermediários.

Boaventura de Sousa Santos – A Nova Guerra Fria e a Venezuela – Sul 21 – 3p.

Como sempre Boaventura nos apresenta uma análise fria e tranquila sobre os problemas quentes da atualidade.

Rutger Bregman – Utopia para realistas: como construir um mundo melhor – Sextante, 2018 – 250 p. (original em inglês, 2016)

Rutger Bregman – Utopia para realistas: como construir um mundo melhor –  Sextante, 2018 - 250 p. (original em inglês, 2016)
O sucesso mundial do livro do Bregman se deve à forma prática e direta de tratar os nossos grandes dilemas. O que fazer com a desigualdade, com a jornada de trabalho, com as migrações, com o sistema financeiro que desarticula os processos econômicos, sociais e políticos. Enfim, vai direto para onde dói o calo e mostra como, no essencial, sabemos muito bem o que fazer, temos os meios, mas nos envolvemos desnecessariamente em inventar narrativas para evitar de mexer no absurdo que nos cerca. Eu tenho chamado isso de impotência institucional. Mas Bregman não apenas aponta os problemas chave e os rumos, como escreve de maneira prazerosa e direta. Em suma, é um ótimo livro, particularmente para os que se veem atolados em preconceitos e dramas ideológicos.

Eduardo Fagnani – Explicitando a Previdência – Projeto Brasil Popular – 21min.

Eduardo Fagnani, da Unicamp, um dos melhores conhecedores da previdência no Brasil, explicita o absurdo das propostas atuais. É aritmética. Paulo Guedes quer recuperar, com a reforma da previdência proposta, 1 trilhão em 10 anos. E quem vai pagar a conta não será quem deve, mas os idosos e outros que não têm armas para se defender. Faça as contas: só de isenções fiscais, estamos dando presentes de 350 bilhões de reais ao ano. A sonegação fiscal é da ordem de 500 bilhões. Os juros sobre a dívida pública, cerca de 350 bilhões. Só aqui já vamos bem além de 1 trilhão. E em paraísos fiscais as nossas elites têm cerca de 520 bilhões de dólares, quase dois trilhões de reais: nem investem nem pagam impostos. Afirmar que "sem a reforma da previdência, o Brasil quebra" é uma farsa. Aliás, só lembrando, Paulo Guedes é co-fundador do Banco BTG Pactual, que tem 38 filiais em paraísos fiscais. Paraísos fiscal serve para especulação financeira, evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

Dowbor – Como eu me informo – fev. 2019 – 5p

Temos de enfrentar uma impressionante indústria com capacidade de nos fazer pensar qualquer bobagem, e nos fazer acreditar que pessoas com “bom senso” pensam como nós. É legítimo não aceitarmos que tantas pessoas sejam transformadas em zumbis, repetindo o que aparece nesses diversos instrumentos de manipulação. O que me interessa aqui é dar, através do testemunho de como eu organizo a minha informação, indicações de excelentes fontes de análises, internacionais e nacionais, que apresentam não só boa informação, mas informação com facilidade de verificação.
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Entrevista – “Legislação atual permite que bancos cobrem 400% de juros” – Seu Jornal – Rede Brasil Atual – 13.02.2019

No Brasil, 64 milhões de pessoas estão com o nome sujo. Ladislau Dowbor, professor da pós-graduação em economia na PUC-SP, alerta que essa situação é provocada principalmente pelos juros abusivos do sistema financeiro.
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Transnational Institute – TNI – State of Power 2019

Transnational Institute – TNI – State of Power 2019
O conjunto de quadros e tabelas que constitui o State of Power 2019 permite visualizar o universo da alta finança que hoje domina o mundo, de maneira extremamente didática. O poder é analisado nas suas dimensões reais, e não apenas no sentido político-decorativo. Considero uma ferramenta de primeira linha, que tem a vantagem de poder ser livremente consultada e difundida entre pesquisadores e movimentos sociais.
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OIT – Comisión Mundial para el Futuro del Trabajo – Trabajar para um futuro más prometedor – OIT, Ginebra, 2019 – 75p.

OIT – Comisión Mundial para el Futuro del Trabajo – Trabajar para um futuro más prometedor – OIT, Ginebra, 2019 – 75p.
A Comissão Mundial para o Futuro do Trabalho realizou, no quadro da Organização Internacional do Trabalho, um estudo sobre como “trabalhar para um futuro mais promissor”. Sem apresentar soluções milagrosas, a pesquisa permite identificar os grandes desafios e sugere eixos de ação. O documento é um quadro síntese da situação do emprego e do desemprego no mundo.
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Abolish Billionaires – Farhad Manjoo – New York Times – 06/02/2019 – 1p.

Abolir os bilionários? Importante aparecer no New York Times essa visão ao mesmo tempo assustadora e óbvia. Assustadora porque conhecemos o poder que os bilionários manejam. E óbvia porque se trata de muito dinheiro, inclusive, para que possam usar -- até esbanjamento tem limites --, e para que possam dizer que mereceram.
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Public Banking Made Easy – Public Banking Institute – 2019 (2min.)

Não somos sociedades pobres, e sim sociedades que usam mal os seus recursos. Onde os sistemas funcionam, as comunidades têm razoável controle sobre o que se faz com as suas poupanças. Veja no desenho animado abaixo, de 2 minutos, o essencial da transformação necessária: as chamadas finanças de proximidade. Funcionam, e bem, em muitos países, como por exemplo França (placements éthiques) e Alemanha (sparkassen). É em inglês, mas muito óbvio.
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Dowbor, Ladislau – Além do PIB: medir o que importa e de forma compreensível – 2019 – 14p.

Dowbor, Ladislau - Além do PIB: medir o que importa e de forma compreensível -  2019 - 14p.
O objetivo da economia, o cuidado com a nossa casa, consiste essencialmente em assegurar o bem-estar das famílias sem prejudicar as gerações futuras. Isso exige inteligência no uso dos recursos que, por sua vez, exige formas adequadas e transparentes de fazer as contas. O PIB, como todos devem saber, é o produto interno bruto. Para o comum dos mortais, que não faz contas macroeconômicas, trata-se da diferença entre aparecerem novas oportunidades de emprego (PIB em alta) ou ameaças de desemprego (PIB em baixa). Para o governo, é a diferença entre ganhar uma eleição e perdê-la: não à toa o governo britânico acrescentou ao PIB as estimativas do comércio de drogas e da prostituição, para poder dizer que “estamos crescendo”. Para os jornalistas, é uma ótima oportunidade de dar a impressão de que entendem do que se trata, mas reduzir a questão do desenvolvimento a uma cifra escancara a porta para “interpretações”. Para os que se preocupam com a destruição do meio-ambiente, é uma causa de desespero, já que a nossa principal conta esqueceu este detalhe. Para o economista que assina o presente artigo, é uma oportunidade para desancar o que é uma contabilidade clamorosamente deformada, e apresentar algo que funcione. Este artigo é uma versão atualizada e expandida de "O Debate sobre o PIB: estamos fazendo a conta errada".
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BTG Pactual – Valor Grandes Grupos – 2015

BTG Pactual - Valor Grandes Grupos - 2015
Organograma publicado em Valor Grandes Grupos - 2015 sobre o grupo BTG Pactual.
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Arun Sundararajan – Economia compartilhada: o fim do emprego e a ascensão do capitalismo de multidão. Senac, São Paulo, 2018, 301p.

Arun  Sundararajan - Economia compartilhada: o fim do emprego e a ascensão do capitalismo de multidão. Senac, São Paulo, 2018, 301p.
Arun Sundararajan publica uma das melhores análises abrangentes da economia do compartilhamento, agora em português, publicado pelo Senac, Economia do Compartilhamento, livro tão essencial para entender as novas dinâmicas como por exemplo A sociedade de custo marginal zero de Jeremy Rifkin. Trata-se de um conjunto de atividades que aproveitam a conectividade ampla das pessoas e agentes econômicos, com uma grande variedade de arquiteturas organizacionais. A grande vantagem aqui é que o autor sistematiza de forma muito legível o que são as atividades, os desafios econômicos, culturais e legais, os impactos no emprego, as formas de regulação. O fato de dar numerosos exemplos explicando como funcionam ajuda muito. A economia criativa, as redes de colaboração, a economia solidária, o princípio do compartilhar e outras iniciativas trazem sem dúvida vento fresco ao opressivo sistema corporativo que nos empurra em correrias incessantes para ter mais dinheiro para comprar mais coisas que teremos cada vez menos tempo ou paciência para apreciar.

Entrevista Dowbor – Reinventando Freire – Paulo Padilha – Instituto Paulo Freire – 14 min. – jan. 2019

O Instituto Paulo Freire divulga uma entrevista minha, 14 minutos, sobre Pedagogia da Economia. Gerar compreensão de mecanismos básicos da economia tem tudo a ver com apropriação do mundo. Confira a íntegra.

Curso “A Economia ao Alcance de Todos” – Instituto Paulo Freire – início: 05.02.2019 – Inscrições abertas

Curso "A Economia ao Alcance de Todos" - Instituto Paulo Freire - início: 05.02.2019 - Inscrições abertas
O Curso ‘A Economia ao Alcance de Todos’ – Por uma Pedagogia da Pergunta tem por objetivo contribuir para esclarecer e fazer chegar a todas as pessoas como a riqueza do mundo, produzida pelo trabalho, é capturada pelos bancos e seus intermediários financeiros para investir apenas em capital especulativo. Ao participar deste curso, o(a) cursista tem a compreensão sobre o funcionamento da economia; passa-se a entender seus conceitos fundamentais que estão presentes na nossa vida cotidiana, mas que quase nunca são explicados nas escolas e na sociedade em geral. Inscreva-se já: www.unifreire.online
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Dowbor, Ladislau – The Age of Unproductive Capital: New Architectures of Power – Cambridge Scholars, UK, 2019

Dowbor, Ladislau - The Age of Unproductive Capital: New Architectures of Power – Cambridge Scholars, UK, 2019
This book offers a very direct and readable analysis of the main challenges facing our societies today, such as reducing inequality, protecting the planet, and in particular mobilizing our financial resources which linger in tax havens and feed speculation, instead of funding the sustainable development we need. It precisely considers the most important factors, including corporate governance, financialization, capturing political power, and the limits to adequate national economic policies in a world dominated by global finance. The Brazilian experience has been highlighted. The book’s presentation of how sensible and productive policies are dismantled will be highly interesting for the international community, whether in the academic, corporate or government spheres.
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Paywall: the business of scholarship – filme de Jason Schmitt (1h04) – set. 2018

Paywall: the business of scholarship – filme de Jason Schmitt (1h04) – set. 2018
O sistema de controle das publicações científicas no mundo se tornou um obstáculo maior à difusão da ciência. Hoje é um negócio de 25 bilhões de dólares, ganhos por parte de grupos como Elsevier que não têm trabalho senão o de negociar preços, apoiando-se na obrigação dos pesquisadores ganharem pontos (impact factor). É um oligopólio que a pretexto de excelência científica trava o acesso. Em excelente documentário, veja como funciona a indústria da publicação científica.
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Dowbor, Ladislau. O Papel do Economista – Economistas: Revista do Conselho Federal de Economia (COFECON) – ano IX, n. 30 – out. a dez. 2018

Dowbor, Ladislau. O Papel do Economista - Economistas: Revista do Conselho Federal de Economia (COFECON) - ano IX, n. 30 - out. a dez. 2018
Você já pensou para que serve um economista? Aqui, em poucas páginas, uma reflexão sobre o seu papel. Não é artigo para economistas apenas, pois se trata dos recursos de todos nós, do nosso trabalho, do nosso futuro. A análise econômica precisa parar de se esconder atrás de equações, de pretensos sofisticados embates entre ortodoxos e heterodoxos, de falsas neutralidades ideológicas sob pretensão de serem "técnicas". É preciso resgatar o foco, que são as questões essenciais da desigualdade, da destruição ambiental e do capital improdutivo. E a informação econômica tem de gerar análises adequadas e com linguagem clara para que a população entenda o que acontece com os seus recursos. É tempo de nos atualizarmos e de resgatar, como economistas, a nossa utilidade social.

Shenzhen’s silent revolution – The Guardian – 12.12.2018 (1p.)

Shenzhen's silent revolution - The Guardian - 12.12.2018 (1p.)
Shenzhen, na China, 12 milhões de habitantes, tem 16 mil ônibus elétricos, e neste ano ainda serão elétricos os 13 mil taxis da cidade. Empregos na produção dos veículos, avanços tecnológicos, redução de emissões e redução radical do barulho. Custos? Mais gente utilizando transporte de massas reduz custos. É uso inteligente de recursos que aqui desviamos para cobrir agiotagem do sistema financeiro. Confira a íntegra do artigo em inglês (1p.)
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Nova geração vem com força

Este país tem futuro, a nova geração vem com força. Confira o vídeo de Renanzinho Batuqueiro, tocando Tantan, publicado no Canal do Youtube "A Resenha do Samba".

The Age of Unproductive Capital: interview presenting the main ideas – 39 min., with English subtitles.

So many people around the world are trying to understand whatever happened in Brazil. There is the rigged election of a far-right candidate, of course, who was only elected because they jailed ex-president Lula, favorite in the polls. The judge who condemned Lula without evidence of guilt was named as future minister of Justice. But all the electoral circus is based on much more serious transformations, namely the emergence of a powerful political and economic organization around the main banks and other financial institutions. This financialization which brought down a very positive experience – “the golden decade of Brazil” according to the World Bank – is analyzed in a powerful overview.
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Documentário “Driblando a democracia – Como Trump venceu” – Thomas Huchon (FRA, 2018) – 57min. legendado em português

Documentário “Driblando a democracia – Como Trump venceu” - Thomas Huchon (FRA, 2018) - 57min. legendado em português
Hoje o processo eleitoral se transformou numa indústria de construção de consensos, de mobilização de ódios, de generalização das práticas de manipulação frente às quais nos encontramos em grande parte indefesos. O documentário apresenta uma excelente sistematização, análise internacional em profundidade de como grandes grupos se apropriam do processo eleitoral, por meio das novas tecnologias, mas também de uma nova escala de atuação. São hoje grandes empresas cujo produto é, justamente, a manipulação da opinião pública.
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