Mural de recados
(149)
(149) tcarlotti
01 - 04 - 2020
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Dicas do Dowbor - Abril - 2020

Estamos agora todos sob o impacto do Coronavírus. Tanto previram tragédias de alienígenas vindos de mundos avançados, ou do impacto de um meteoro destrutivo, mas estamos todos enfrentando um mecanismo biológico microscópico, de casa mesmo, por nós transmitido e que transformou as nossas vidas. O homo sapiens tinha esquecido que pertence à frágil natureza. Temos de nos concentrar no combate, mas também repensar os nossos rumos. Os privilegiados se sentiam confortáveis com os seus planos privados de saúde, e não viram problema em fragilizar o SUS. O vírus não foi informado da diferença, e hoje nos debatemos frente ao desastre com poucos meios e caos político. Enfrentamos simultâneamente a tragédia ambiental, a desigualdade explosiva, o caos financeiro e o travamento das economias. Mas estamos frente a uma crise civilizatória, e a crise está trazendo novas visões. Reorganizar o sistema é questão de sobrevivência.

Aproveito para comunicar que, a partir deste mês, todas as quintas-feiras, às 19 horas, eu estarei comentando o pano de fundo dos nossos desafios no Seu Jornal da Rede TVT. É mais uma ponte entre academia e jornalismo. O primeiro vídeo está disponível em https://youtu.be/4aKwLoSyyoM Ajudem a divulgar!


1. Ladislau Dowbor – Além do coronavírus – 5p.

Não sou médico para comentar os aspectos epidemiológicos do vírus que nos assola. Mas algumas implicações sociais e políticas são óbvias. O primeiro ponto é que desde o golpe há uma fragilização generalizada das políticas sociais e a inversão de prioridades, a partir de 2014, favorecendo o sistema financeiro. O teto de gastos, a perda de direitos trabalhistas, o retrocesso na Previdência, os ataques às organizações da sociedade civil, o congelamento do salário mínimo e do Bolsa Família e outras medidas tiveram como denominador comum o travamento da renda e do acesso aos bens de consumo coletivo pelo grosso da população, enquanto se expandia radicalmente o lucro dos bancos e dos grandes aplicadores financeiros. Leia mais: http://dowbor.org/2020/03/ladislau-dowbor-alem-do-coronavirus-5p.html/


2. Capital e ideologia, de Thomas Piketty: uma visão de conjunto dos nossos desafios

O novo livro de Thomas Piketty é essencialmente sobre desigualdade, o mal estrutural maior do nosso planeta. Essa polarização mundial está se tornando explosiva, na medida em que alguns grupos sociais se apropriam de maneira radicalmente desproporcional dos resultados do que a sociedade produz, inclusive fora de qualquer relação de merecimento. Trata-se de mecanismos econômicos de apropriação, mas também de poder político, de monopólio do exercício da violência, do controle das leis, e em particular de construções ideológicas que geram uma aparência de legitimidade. Daí o título da obra, Capital e Ideologia, ou seja, a riqueza das sociedades por um lado, e as justificativas de sua apropriação desequilibrada por outro. Veja a resenha em: http://dowbor.org/2020/04/thomas-piketty-capital-et-ideologie-seuil-paris-2019-1200-p.html/ e acesse a introdução, último capítulo e conclusão da obra em: http://piketty.pse.ens.fr/files/ideologie/Piketty2019Extraits.pdf


3. Ann Pettifor – The case for the Green New Deal – Verso, London, 2019, 185 p.

Muito mais do que escapar da ditadura financeira, é preciso organizar um sistema que permita que o dinheiro volte a ser produtivo, e que a economia volte a nos servir. Num livro agora indispensável, a economista Ann Pettifor sistematiza um conjunto de propostas que estão despontando em vários países e meios científicos ou políticos, que hoje se juntam em torno ao conceito de Green New Deal, um novo pacto social. As velhas fórmulas já não servem. Uma visão sistêmica como o Green New Deal ajuda muito no debate e na construção de alternativas. Aqui as propostas vão no sentido de um resgate da nação e dos sistemas colaborativos.

Leia mais: http://dowbor.org/2020/03/ann-pettifor-the-case-for-the-green-new-deal-verso-london-new-york-2019-185-p.html/


4. L.Dowbor – El Capitalismo Improductivo en Brasil – 13min.

Presentamos aqui los efectos de la inversión de modelo economico en Brasil, de las politicas distributivas hacia la austeridad. Más allá del Covid-19, seguimos con los desafios estructurales. La desiguald é el principal reto de nuestras sociedades. Brasil tuvo uma fase distributiva entre el 2003 y 2013, llamado “golden decade” por el Banco Mundial, y uma vuelta a políticas de concentración de ingreso que paralizaron el país desde el 2014 hasta hoy. La comparación de los dos modelos és muy intructiva. És una discusión que nos interesa a todos en América Latina (En mi razonable español, 13 min.). http://dowbor.org/2020/03/18737.html


5. L. Dowbor – Nada se compara ao parasita brasileiro – Outras Palavras – 2p. – fev.2020

Os dados básicos da polarização econômica e social no Brasil são escandalosos, e vamos de mal a pior. Desde 2014, quando de fato os banqueiros assumem a economia, estamos paralizados. Somando os 41 milhões de informais e 13 milhões de desempregados, é a metade da força de trabalho que é subutilizada. A fome voltou e os sem-teto estiram-se nas calçadas. Os 206 bilionários aumentaram as suas fortunas, entre 2018 e 2019, em 230 bilhões, 23% de aumento em 12 meses, com uma economia parada. Trata-se essencialmente de intermediários financeiros, acionistas e outros donos de papéis que rendem dividendos, que por sua vez são isentos de impostos. O vírus é uma tragédia, mas invade um país economicamente e políticamente caótico. http://dowbor.org/2020/02/18676.html/


6. Pronunciamento do Presidente de El Salvador – Nayib Bukele – combate ao coronavírus – março 2020 – 6 min.

Aprendermos uns com os outros é muito útil. El Salvador não é nenhuma potência, evidentemente, mas o seu presidente está demonstrando uma visão realmente excepcional de como podemos nos organizar frente ao coronavírus. Em pouco minutos, expõe as diversas dimensões, sanitária, econômica, politica e sobretudo humana do que podemos fazer. Estamos todos juntos nesse barco, e bom senso organizado ajuda muito. Com legendas em espanhol, muito compreensível. Leia mais em http://dowbor.org/2020/03/pronunciamento-do-presidente-de-el-salvador-nayib-bukele-combate-ao-coronavirus-marco-2020-6-min.html/


7. Roberto Noritomi – Você não estava aqui. Comentário sobre o novo filme do cineasta inglês Ken Loach – A terra é redonda – 15-03-2020

O novo filme do cineasta inglês Ken Loach, Você Não Estava Aqui (Sorry we missed you), além da excelente qualidade como filme, é muito rico para entender a transformação das relações de trabalho, o engôdo que representa a ideia de que você vai ser seu próprio patrão. Você fica preso num emaranhado de dependências e controles opressivos, em particular com o uso das tecnologias mais modernas de vigilância. Faz parte dos filmes que pelo rigor levam a uma compreensão profunda dos novos rumos do emprego. Veja excelente análise de Roberto Noritomi, da USP, publicada no blog A Terra é Redonda. Leia mais: http://dowbor.org/2020/03/roberto-noritomi-voce-nao-estava-aqui-comentario-sobre-o-novo-filme-do-cineasta-ingles-ken-loach-a-terra-e-redonda-15-03-2020.html/



(148) tcarlotti
01 - 04 - 2020
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Dicas do Dowbor - Fev. 2020

O denominador comum que aparece, neste início dos anos 20, é que estamos todos procurando novos rumos. As quatro décadas de neoliberalismo geraram o caos atual. A iniciativa Economia de Francisco, as surpreendentes cartas de compromisso das grandes corporações, o teor dos debates em Davos, as críticas abertas ao sistema, a busca de alternativas marcam um novo horizonte que se abre, ou como o chama Felícia Wong na resenha que apresentamos abaixo, “an emerging worldview”, uma visão de mundo que emerge. Abaixo, material de apoio para essa discussão.



1. Ladislau Dowbor – São Paulo: um desenvolvimento humano para o século XXI – 13p.


O presente texto não é um programa ou lista de propostas. Antes constitui uma reflexão sobre o futuro da cidade frente às transformações profundas que vive nossa sociedade. No horizonte complexo que se desenha, com tantas tensões políticas, sociais, econômicas e ambientais, vale a pena tomar um pouco de recuo, buscando inclusive repensar as simplificações ideológicas que nos perseguem. O raciocínio econômico, em particular, é amplamente insuficiente para abarcar os desafios do desenvolvimento. Leia em http://dowbor.org/2020/01/ladislau-dowbor-sao-paulo-um-desenvolvimento-humano-para-o-seculo-xxi-12-01-2020-13p.html/



2. Ladislau Dowbor – Para onde está indo o nosso dinheiro? – Jornal dos Economistas – fev 2020 (p.12-13)


Neste mês, participo do especial "Impactos da redução da Selic", na revista do Corecon-RJ (Conselho Regional de Economia - Rio), com o artigo "Para onde está indo o nosso dinheiro?" (p.12-13) sobre como o sistema atual multiplica parasitas improdutivos. Que a nossa economia continue parada não é mistério, basta ver para onde vai o dinheiro. Leia em http://dowbor.org/2020/01/l-dowbor-para-onde-esta-indo-o-nosso-dinheiro-jornal-dos-economistas-corecon-rj-n-366-fev-2020-p-12-13.html/


3. Felicia Wong – The emerging worldview: how new progressivism is moving beyond neoliberalism – A landscape analysis – Roosevelt Institute, January 2020 – 56p.


O que está surgindo com muita força no mundo das ciências sociais, e em particular da economia, é a busca de novos rumos. O vale-tudo que chamamos de mercado está saindo rapidamente de cena. Com quase 8 bilhões de habitantes, tecnologias extremamente poderosas e agressivas, e gigantes corporativos descolados das realidades que vivem as populações, nós estamos frente a um desafio de civilização, muito além de estreitas teorias econômicas. Uma nova visão de mundo, com o resgate da economia na sua dimensão de economia política, está emergindo. O texto de Felicia Wong é muito bom, simples (nada de economês) e muito bem sistematizado. E a bibliografia, como mencionei, constitui uma excelente ferramenta, em particular para os que como eu ensinam economia. Leia em

http://dowbor.org/2020/01/felicia-wong-the-emerging-worldview-how-new-progressivism-is-moving-beyond-neoliberalism-a-landscape-analysis-roosevelt-institute-january-2020-56p.html/






4 - Ladislau Dowbor – Economia de Francisco – 11 min.


A economia no mundo está a procura de novos rumos. Os desastres ambientais, a desigualdade explosiva, o caos político e dreno financeiro se tornaram insustentáveis. No quadro da Economia de Francisco, foi organizada uma vídeo-conferência com Joseph Stiglitz, envolvendo numerosos países, e no Brasil muitas instituições. Aqui, 11 minutos de comentários sobre as ideias discutidas, com um denominador comum: precisamos repensar como concebemos e ensinamos o que chamamos exageradamente de Ciência Econômica. Veja em http://dowbor.org/2020/01/ladislau-dowbor-economia-de-francisco-11-min-12-12-19.html/


5. Ladislau Dowbor – Rumos da Educação – 23 min.


Continuamos a ver a educação essencialmente como aquisição de conhecimentos básicos na fase inicial da vida, com professor, lousa e sala de aula. Precisamos mudar essa visão. Vivemos numa era em que o conhecimento se tornou o principal fator de produção, e está na linha de frente das transformações econômicas, necessariamente articulado com as transformações tecnológicas e culturais do planeta. Não é mais uma "fase", mas uma dimensão cada vez mais presente nas nossas vidas. E a conectividade geral nos permite avançar para um sistema planetário de construção participativa e colaborativa do conhecimento. Proponho aqui uma reflexão sobre os novos horizontes. (23 minutos). Veja em http://dowbor.org/2020/01/ladislau-dowbor-rumos-da-educacao-23-min.html/

6. Davos e os impostos: a bandidagem legalizada – Davos, 43 min. (em inglês)


Davos discutiu abertamente a evasão fiscal, hoje gigantesca, em grande parte organizada por bancos, e diretamente ligada à corrupção. A frase de Bruno Lemaire, ministro francês de finanças, chama a atenção: “Quanto maior é a corporação, menos impostos paga: isso não é aceitável”, lembrando que esses grupos pagam algo como 0,02% sobre os seus lucros. Na era do dinheiro digital e da globalização, como cobrar? Eu, professor, pago 27,5%, os bilionários estão isentos. O debate é em inglês, mas muito compreensível, e o conteúdo é excelente, em particular sobre a busca de um acordo internacional para frear a sangria. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=0iK6rbUTwyY

(147) Ladislau Dowbor
20 - 01 - 2020
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Dicas do Dowbor - Novembro 2019


Car@s, 

Vivemos tempos estranhos, com o agravamento acelerado da crise climática e de outros dramas ambientais, desigualdade crescente e consequente caos político, enquanto se ampliam ganhos financeiros impressionantes. Surgem críticas e propostas de diversos lados, e reviravoltas amplas de corporações, bancos e até do FMI, buscando se distanciar agora dos impactos negativos do neoliberalismo. A proposta do Papa de se buscar uma outra economia atraiu de pronto nomes como Joseph Stiglitz, Jeffrey Sachs, Amaartya Sen e semelhantes. Como escreve Paulo Kliass, há um cheiro de mudanças no ar. Bem, no Brasil, estamos nos afundando no que se comprovou que não dá certo, com espantoso enriquecimento das elites financeiras nos últimos anos. O capital improdutivo está rendendo mais do que nunca, para os bilionários, fragilizando a economia. Aqui alguns textos que ajudam:   

1. Ladislau Dowbor – A economia desgovernada: novos paradigmas – 14 de outubro de 2019 – 19p.

Com a caótica globalização, a financeirização generalizada e tecnologias transformadoras, estamos todos à procura de novos caminhos. A destruição ambiental e a desigualdade explosiva demandam uma reorganização dos processos decisórios da sociedade. Aqui apontamentos sobre novos rumos. http://dowbor.org/2019/10/ladislau-dowbor-a-economia-desgovernada-novos-paradigmas-14-de-outubro-de-2019.html/


2. Ladislau Dowbor – O desastre latino-americano – outubro, 2019 – 7p.

É tempo de pararmos de apenas comentar os irresponsáveis no poder, e pensar de maneira mais ampla sobre o que está acontecendo nos países latino-americanos, verdadeiro subcontinente das desigualdades, onde as elites não aceitam reduzir seus privilégios, e as populações não aceitam mais a miséria e humilhação a que são submetidas. É o nosso interminável braço-de-ferro. http://dowbor.org/2019/10/ladislau-dowbor-o-desastre-latino-americano-outubro-2019-7p.html/


3. TV Contee entrevista o economista Ladislau Dowbor – 28.10.2019 – vídeo 16 min.

Nesta entrevista de 16 minutos, abordamos de maneira didática o núcleo dos nossos desafios econômicos: trata-se do ciclo que envolve as famílias, as empresas e o Estado. Tentar justificar os desmandos atuais exige construções teóricas complexas, e narrativas enganadoras. Mas entender como fazer a economia funcionar para o bem de todos é simples, e exige apenas bom senso. Esta entrevista é uma boa ferramenta para entender o mecanismo central da economia, sem precisar ser economista. http://dowbor.org/2019/10/tv-contee-entrevista-o-economista-ladislau-dowbor-28-10-2019-video-16-min.html/


4. Mariana Mazzucato – The Entrepreneurial Sate: debunking public vs. private sector myths – Anthem Press, New York, 2015

Um dos melhores antídotos para a farsa da privatização é a leitura do livro de Mariana Mazzucato, que mostra, no seu O Estado Empreendedor, que o reforço das capacidades de gestão pública constitui a melhor garantia de um desenvolvimento equilibrado. Os imensos avanços na biotecnologia e na economia digital, por exemplo, surgem sobre a base de décadas de pesquisa fundamental desenvolvida no quadro do setor público: “Em biotecnologia, nanotecnologia e internet, o capital de risco chegou 15-20 anos depois de que os investimentos mais importantes tivessem sido feitos com fundos do setor público". Um livro cheio de bom senso, veja aqui uma curta resenha. http://dowbor.org/2019/10/mariana-mazzucato-the-entrepreneurial-sate-debunkiong-public-vs-private-sector-myths-anthem-press-new-york-2015.html/


5. Piketty propõe “socialismo participativo” – Outras Palavras – 2019 – 3p.

Piketty é um autor que precisamos ler. É um dos poucos que trabalham com gestos amplos as nossas opções econômicas, políticas e sociais. Precisamos deste tipo de trabalho, pois o mundo está indo para o brejo em termos ambientais, sociais, políticos e econômicos. Estamos à procura de novas opções, não por interesse acadêmico, mas por instinto de sobrevivência. Aqui, algumas propostas que aparecem no último livro do Piketty. http://dowbor.org/2019/10/piketty-propoe-socialismo-participativo-outras-palavras-2019-3p.html/


6. Eduardo Moreira – A lista de bilionários da Forbes e a destruição do Brasil – canal EM youtube – 23 min.

Enquanto a economia continua paralisada já no sexto ano, as fortunas dos bilionários explodem. Não há como não ver como uma coisa causa a outra. Em vídeo de 23 minutos, Eduardo Moreira mostra como o sistema funciona. http://dowbor.org/2019/11/eduardo-moreira-a-lista-de-bilionarios-da-forbes-e-a-destruicao-do-brasil-em-youtube-23-min.html/



(146) Ladislau Dowbor
16 - 07 - 2019
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Dicas do Dowbor - Julho

Car@s,

As instituições são essenciais, constituem as regras do jogo da sociedade. O arcabouço institucional que herdamos ainda da II Guerra Mundial nos deu os 30 anos de ouro. A partir de 1980, com Reagan e Thatcher, iniciou-se uma fase de globalização e financeirização, e a apropriação da política pelas corporações, fase que temos chamado de neoliberalismo. Joseph Stiglitz, um dos pensadores mais importantes da atualidade, é direto: “Depois de décadas de renda estagnada ou mesmo em queda para aqueles abaixo dos mais ricos, o neoliberalismo deve ser declarado morto e enterrado”. Em termos econômicos, sociais, políticos e éticos, estamos buscando um novo pacto, um tipo de New Deal global. Uma onda conservadora avança, mas demonstra os seus limites: as soluções não estão no retorno ao passado, que é o que muitos desorientados e inseguros buscam. Temos de construir novas regras do jogo, que correspondam às profundas transformações que vivemos, em particular na dimensão tecnológica. Enfrentar o futuro é mais produtivo do que buscar nichos do passado, mas não há modelos disponíveis para as novas realidades. Os textos abaixo buscam inovações.



1) Joseph Stiglitz – Hora de enterrar um sistema fracassado – Outras Palavras tradução – jun. 2019 – 3p.

Outras Palavras traz a tradução do artigo de Joseph Stiglitz, "Nobel" de economia e ex-economista chefe do governo Clinton e do Banco Mundial, com posição dura sobre o desastre do neoliberalismo. Texto curto muito importante, considerando de onde vem. http://dowbor.org/2019/06/stiglitz-hora-de-enterrar-um-sistema-fracassado-outras-palavras-traducao-jun-2019-3p.html/ . Anexei o link do original inglês, pela importância do texto: http://dowbor.org/2019/06/joseph-stiglitz-after-neoliberalism-project-syndicate-may-30-2019.html/





2) Roosevelt Institute – New rules for rthe 21st century – 2019 – 77 p.

Na mesma linha, mas de forma muito mais ampla, o Roosevelt Institute produziu um excelente relatório de 70 páginas, sistematizando as principais propostas para que o sistema que vivemos volte a funcionar. Apresento aqui minha resenha de 4 páginas com os pontos mais relevantes, mas acho que a leitura do próprio relatório é muito importante. http://dowbor.org/2019/04/roosevelt-institute-new-rules-for-the-21st-century-2019-77p.html/



3) New Left Economics: how a network of thinkers is transforming capitalism – Andy Beckett – Guardian 25-06-2019, 5p.

Com a acumulação dos desastres ambientais, a tragédia da desigualdade e o caos da financeirização, constatamos uma necessidade de repensar a economia de maneira criativa. De certa forma, a complexa sociedade do século 21 não pode ser gerida com as simplificações do neoliberalismo. A articulação dos interesses econômicos, sociais e ambientais, e um outro equilíbrio entre corporações, estado e sociedade civil organizada estão no centro deste repensar das teorias econômicas. O artigo de Andy Beckett apresenta algumas das principais discussões na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, mas a discussão hoje é muito mais ampla. A própria economia que ensinamos está profundamente desatualizada, e novas ideias são bem-vindas. Reformulando Margareth Thatcher, há sim alternativas. http://dowbor.org/2019/06/new-left-economics-how-a-network-of-thinkers-is-transforming-capitalism-andy-beckett-guardian-25-06-2019-5p.html/


4) Ziegler: assim as corporações alimentam a ultradireita – Outras Palavras – 2p.

O suíço Jean Ziegler é um dos melhores conhecedores das nossas transformações econômicas e sociais, uma autoridade mundial. As suas análises ajudam muito na compreensão dos desafios que enfrentamos. Quando relatou a situação social no Brasil, no quadro das Nações Unidas, há alguns anos, causou indignação do governo ao denunciar o nível de violência atingido, comparável a países em guerra. Não tem papas na língua, e vai direto ao essencial. Sobre a Suíça, escreveu um livro de grande impacto chamado "La Suisse lave plus blanc", sobre o papel dos bancos. http://dowbor.org/2019/05/ziegler-assim-as-corporacoes-alimentam-a-ultradireita-outras-palavras-2p.html/



5) Ivo Lesbaupin, Mauri Cruz (Orgs) – Novos Paradigmas para Outro Mundo Possível – Usina Editora-Abong – São Paulo, 2019 – ISBN 978-85-88502-17-8

No Brasil também surgem muitas análises inovadoras, visões estratégicas. Os nossos paradigmas de análise se deslocam, e este livro que pensa as dinâmicas sociais e econômicas, questões básicas do bem-estar das pessoas, do meio-ambiente e dos valores que nos orientam, ajuda muito. Organizado por Ivo Lesbaupin e Mauri Cruz, traz nomes fortes como Leonardo Boff, Roberto Malvezzi, Marcos Arruda, Pablo Solón e vários outros. O meu artigo, A Burrice no Poder, (páginas 9 a 34) aborda os vários desafios: as soluções vão muito além da economia. https://drive.google.com/file/d/1kQL6xXYSpPJMzXxTkbGo0H4Ykh0AKLw1/view


6) Entrevista Dowbor – A emergência da inversão: menos glorificação dos bilionários e mais bem-estar das famílias – IHU On-Line – Edição 537 – 11.06.2019 – 5p.

O capitalista de antigamente explorava os trabalhadores mas produzia, gerava produto e pagava impostos. A destruição do planeta é obra de uma minoria planetária que é improdutiva, desvia os recursos necessários para a reconversão das nossas economias para a sustentabilidade ambiental e a inclusão social. A fragilidade do atual sistema dominante consiste precisamente no fato de ser economicamente, socialmente e ambientalmente disfuncional. Como muitos economistas importantes que nada têm de esquerda hoje proclamam, de Joseph Stiglitz no Roosevelt Institute até Martin Wolf no Financial Times, este sistema perdeu a sua legitimidade. http://dowbor.org/2019/06/entrevista-dowbor-a-emergencia-da-inversao-menos-glorificacao-dos-bilionarios-e-mais-bem-estar-das-familias-ihu-on-line-edicao-537-11-06-2019.html/


7) Maria Amélia Corá e Rodrigo Motta (Orgs.) – Intersetorialidade e Redes: A trajetória do intelectual Luciano Prates Junqueira – Labrador Universitário, São Paulo 2019 – ISBN 978-85-87740-92-2

Luciano Junqueira pensa organizações sociais de maneira integrada. Intersetorialidade, potencial das redes horizontais, impactos das novas tecnologias, sistemas participativos de gestão social, inovações no terceiro setor fazem parte desse universo de pesquisa sobre uma sociedade que busca novos rumos. “Intersetorialidade e Redes” é uma bela iniciativa que reuniu vários pesquisadores que trabalham na mesma linha de Luciano e decidiram prestar esta homenagem da melhor forma: apresentando pesquisas. Meu texto é uma curta nota (2p.) com toda simpatia pelo colega que sempre foi, veja em: http://dowbor.org/wp-content/uploads/2019/06/19-Luciano-Junqueira-Artigo.docx



8) Esther Dweck – Quando a economia é vista como ciência exata, saídas para crises são restritas a dados numéricos – IHU On-Line – 573 – 11.06.2019 – 3p.

Esther Dweck é professora e pesquisadora, e tem amplo conhecimento de economia aplicada, adquirido no Ministério de Planejamento, onde foi secretária do orçamento federal. Nesta entrevista ao IHU, ela vai direto ao ponto: “É preciso colocar no centro de um novo modelo de desenvolvimento a redução da desigualdade de renda e aumento do investimento social, ambos fundamentais para acelerar o crescimento econômico de forma mais inclusiva e ambientalmente sustentável.” Conhecimento e bom senso. http://dowbor.org/2019/06/esther-dweck-quando-a-economia-e-vista-como-ciencia-exata-saidas-para-crises-sao-restritas-a-dados-numericos-ihu-on-line-573-11-06-2019.html/


9 ) Ladislau Dowbor e Zysman Neiman – Um Brasil sustentável: redução da desigualdade – Unifesp, Rasp, Um Brasil – 2018 – 47 min.

A desigualdade constitui o principal desafio e vetor de deformações da nossa sociedade. Permeia a nossa política, a economia, a educação, a segurança, e gera um clima de guerra permanente. Somos país onde a polícia mata 14 pessoas por dia. Não dá para esconder o sol com a peneira. Enfrentar a desigualdade é o ponto de partida para a construção de um país civilizado. Estou disponibilizando esse debate, de 47 minutos, porque entender quais são a principais dimensões da desigualdade, e os mecanismos da sua reprodução, é essencial. E evidentemente as medidas a tomar. http://dowbor.org/2019/06/ladislau-dowbor-e-zysman-neiman-um-brasil-sustentavel-reducao-da-desigualdade-unifesp-rasp-um-brasil-2018-47-min.html/



10) Veinte años – Isaac et Nora – 2019 – 3min.

Mesmo num blogue que se quer sério e científico como este, cabe um pouco de arte e poesia. Escutem esta ingênua canção, são dimensões que nos fazem cada vez mais falta. http://dowbor.org/2019/06/veinte-anos-isaac-et-nora-2019-3min.html/


(145) Ladislau Dowbor
16 - 07 - 2019
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Dicas do Dowbor - Maio 2019

Querids@s, estamos no meio de uma zona política, econômica e financeira. E estou sendo comedido. É tempo sem dúvida de enfrentar a desorganização geral e o entreguismo vergonhoso, o mal profundo que está sendo feito ao país, mas também de pensar de forma mais ampla. Na minha convicção, nenhum país pode funcionar com a desigualdade que temos. E estamos nos aproximando rapidamente de uma catástrofe ambiental generalizada. Temos de sair do raciocínio pendular entre privatização e estatização, da engrenagem do ódio, e difundir as pesquisas que abrem novos caminhos. Precisamos que muito mais gente entenda o que está acontecendo. Abaixo, mensagens que me parecem relevantes. E queria lembrar que o meu livro A Era do Capital Improdutivo está agora disponível também em 15 videos de cerca de 10 minutos cada. Não dá para deixar a economia na mão de economistas. O bolso é de todos nós.

1. Roosevelt Institute – New Rules for the 21st Century – 2019 – 77p.

Um choque impressionante de realismo caracteriza esta excelente síntese dos novos caminhos que os Estados Unidos precisam trilhar para que a economia volte a servir à sociedade, revertendo a tendência geral. Não se trata de “mais um estudo” de economia, e sim de uma sistematização dos principais desafios e das medidas a tomar. O eixo central do relatório está centrado no duplo movimento necessário: reduzir o poder das corporações, e resgatar o papel das políticas públicas. O Roosevelt Institute, a começar por Joseph Stiglitz, se caracteriza pela seriedade das suas pesquisas e o bom senso das propostas.
http://dowbor.org/2019/04/roosevelt-institute-new-rules-for-the-21st-century-2019-77p.html/

2. Dowbor – Economia para quem? – Jornal dos Economistas – Corecon RJ e Sindecon-RJ – maio 2019/ n.357 – ISSN 1519-7387)

Aumentar a exclusão num país onde o eixo crítico estrutural é a desigualdade é muito mais que injusto, é burro. O que funciona é orientar a economia para o bem-estar da população. Isso não é populismo, é democracia econômica. O que os agentes efetivamente produtivos no país precisam não é mais discurso ideológico liberal ou neoliberal, é uma demanda forte e crédito barato. Ou seja, retomar as políticas sociais e os investimentos e reorientar o sistema financeiro para que fomente a economia, em vez de drená-la. https://dowbor.org/2019/04/dowbor-economia-para-quem-jornal-dos-economistas-corecon-rj-e-sindecon-rj-maio-2019-n-357-issn-1519-7387.html/

3. L. Dowbor – Our Global Mess – Ethical Markets – April 2019 – 6p

In case you haven’t noticed, our challenges are ridiculously simple. We are destroying this only planet we have, for the benefit of the happy few, and the resources to do something about it are lingering in tax havens and other speculative drains. As the global structural crisis deepens, we have to ensure our financial resources are used to promote technological change that will reduce the environmental impact, and to organize social and economic inclusion of billions of excluded. We have the money, we have the technologies, we know the problems and the solutions. The 2030 Agenda is explicit enough. But our global decision-making process is a mess. We do not only have the problems: we have a problem-solving capacity problem. http://dowbor.org/2019/05/l-dowbor-our-global-mess-ethical-markets-april-2019-6p.html/

4. Ellen Brown – Bank on the People Instead of Wall Street Parasites – Truthout – may 2019

Ellen Brown explicita o mecanismo que faz o governo dar dinheiro aos bancos para que emprestem para ele, dando então mais dinheiro aos bancos sob forma do serviço da dívida. É a ciranda financeira oficial, apropriação legal mas improdutiva dos nossos impostos. Ellen Brown é uma das melhores especialistas mundiais na luta pelo resgate do sistema financeiro. http://dowbor.org/2019/05/ellen-brown-bank-on-the-people-instead-of-wall-street-parasites-truthout-may-2019.html/

5. Mapa exibe devastação de milhões de hectares na floresta Amazônica – NG – maio 2019 – 2p.

Muito importante este balanço do recrudescimento do desmatamento da Amazônia. Em 2002 foram destruídos 2,8 milhões de hectares. Em 2010 o governo havia conseguido baixar para 400 mil, um desastre ainda mas um imenso avanço. Agora voltamos para 1,6 milhões, o governo Temer conseguiu rapidamente multiplicar o desmatamento por quatro. O Bolsonaro incorporou o meio-ambiente no Ministério da Agricultura. Abriu ainda mais a porteira, o agronegócio anda solto, o preço ambiental, social e econômico a pagar é imenso, e o prejuízo para a imagem deste governo irresponsável também. É criminoso. http://dowbor.org/2019/05/mapa-exibe-devastacao-de-milhoes-de-hectares-na-floresta-amazonica-ng-maio-2019-2p.html/


6. Sanders, Ocasio-Cortez want to cap credit card interest rates at 15 percent – The Washington Post – 2p.

Nos Estados Unidos estão escandalizados com os 21% ao ano que os bancos cobram de juros sobre cartão de crédito. Com razão, há dez anos eram 12%. No Brasil, é acima de 300%. Agiotagem legal. Proposta nos EUA é retomar a lei anti-agiotagem e limitar a 15% ao ano. http://dowbor.org/2019/05/sanders-ocasio-cortez-want-to-cap-credit-card-interest-rates-at-15-percent-the-washington-post-2p.html/

7. Ivo Lesbaupin – Paulo Guedes nos levará ao fundo do poço – Iser Assessoria – Maio 2019, 3p.

"Paulo Guedes nos levará ao fundo do poço" afirma Ivo Lesbaupin em excelente artigo. Sim, a verdade é bem simples. Confiram.
http://dowbor.org/2019/05/ivo-lesbaupin-paulo-guedes-nos-levara-ao-fundo-do-poco-iser-assessoria-maio-2019-3p.html/


8. Protesto de Medea Benjamin no Hudson Institute, Washington, DC - 1,5 min.

Os EUA baterem tambores de guerra não é novo. Para o Oriente Médio o conflito com o Irã seria mais uma tragédia na série que já produziram. Que pretextos vão inventar desta vez? A fala da ativista Medea Benjamin, co-fundadora do movimento feminista e pacifista Code Pink e do grupo de defasado comércio justo Global Exchange, é cheia de bom senso, vale a pena escutar e difundir. Aliás a Venezuela é aqui pertinho. https://dowbor.org/2019/05/protesto-de-medea-benjamin-no-hudson-institute-washington-dc-15-min.html/


(144) Ladislau Dowbor
10 - 07 - 2019
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Dicas do Dowbor - Abril 2019

Caros,

Aproveitando a Semana Santa, trago aqui para vocês algumas análises muito pertinentes, e surpreendentes, de gente que se deu conta do absurdo que estamos gerando no mundo, ao orientarmos as economias para o enriquecimento dos mais ricos e austeridade para as massas. Isso não funciona. Aliás, como escreve Joseph Stiglitz, nunca funcionou. Ver o Delfim Netto, o do bolo que devia crescer para os ricos antes de distribuir para os pobres, desancar o rentismo e os bancos, francamente, me anima. Veja esses 5 vídeos curtinhos e muito instrutivos. E no Brasil, evidentemente, a intensificação das políticas do Temer com um governo irresponsável, coloca-nos desafios sobre as alternativas. Praticamente todos os indicadores econômicos mais significativos estão no vermelho. Há quatro anos estão “consertando”. Estamos brincando de quê?

Como sempre, o “Dicas do Dowbor” que aqui apresentamos apenas reúne diversos materiais que já estão no meu blog, alguns também divulgados no Face. Lembre-se que no Mural do http://dowbor.org colocamos estas listagens a cada mês, o que facilita a busca também de sugestões de leitura dos meses anteriores. Aliás, recomendaria também um pequeno texto sobre “Como eu me informo”, sobre fontes confiáveis e formas de organização. No dilúvio das narrativas, precisamos aprender a nadar. Um abraço, boas leituras.

1. Aqui cinco vídeos curtos, todos colocados no meu blog sob “Happy Hour”, que mostram como se amplia o leque de gente que começa a se dar conta dos absurdos. O bom-senso está começando a chegar no andar de cima.

- “Até tu, Brutus”?
Pela fala (3 min.) durante o Programa Roda Viva (08.04.2019), o Delfim Netto está abandonando o barco dos irresponsáveis no poder. Se até ele entendeu, temos esperanças... Leia em: http://dowbor.org/2019/04/ate-tu-brutus.html/

- Ray Dalio: “Capitalismo falhou e precisa de uma reforma” – Infomoney – abril 2019 – 1p.
Não é só Delfim Netto, até o Ray Dalio, um dos grandes do mundo da especulação financeira - chamados educadamente de hedge funds - se deu conta que enriquecer só os de cima não funciona. Confira reportagem e links para vídeo e texto de Ray Dalio. Leia em: http://dowbor.org/2019/04/capitalismo-falhou-e-precisa-de-uma-reforma-ray-dalio-infomoney-abril-2019-1p.html/

- Nick Hanauer – Income Inequality – TED Talk – (5,5min).
Mais um milionário que assume as suas fortunas mas explica porque colocar mais dinheiro para os mais ricos não funciona: o que as empresas produtivas precisam é de consumidores. Leia em: http://dowbor.org/2019/04/nick-hanauer-income-inequality-ted-talk-55min.html/

- Rutger Bregman – Davos 2019 e Fox News
Convidaram Rutger Bregman, um jovem historiador, para falar em Davos, na linha de “também ouvimos pessoas progressistas”, numa reunião paralela e mais discreta, mas que foi gravada. O objetivo era ilustrar o lado simpático dos ricos, como eles querem ajudar os pobres. Em vez de se entusiasmar com a filantropia, Bregman desmontou a farsa. A fala de poucos minutos teve repercussão internacional. A Fox, para mostrar espírito esportivo, chamou-o para uma entrevista, dando lugar a um bate-boca extremamente divertido, também com grande impacto na internet. Leia em: http://dowbor.org/2019/04/rutger-bregman-davos-2019-37-min.html/

- Pedagogia do Opressor – George Carlin – Who owns you (youtube) – 3 min – legendado
Confira também o vídeo “Who owns you”, comentário de apenas três minutos do comediante norte-americano George Carlin, e entenda como funciona a pedagogia do opressor. Sim, ele é bastante mal-educado, mas está dizendo verdades nuas e cruas. Leia em: http://dowbor.org/2019/04/pedagogia-do-opressor-george-carlin-who-owns-you-youtube-3min-legendado.html/

2. L. Dowbor – De onde vem o nosso super-ministro da economia? - 6p.
Ninguém se reinventa. E ninguém é chamado para dirigir a 8ª economia do mundo sem ser apoiado por um conjunto de interesses. Neste país onde se cobra ao mês juros que no resto do mundo se cobra ao ano, e em que se afundou em dívidas 64 milhões de adultos, mas também as pequenas e médias empresas, e até o Estado com a dívida pública, vale a pena lembrar de quem se trata. Leia em: http://dowbor.org/2019/04/l-dowbor-de-onde-vem-o-nosso-super-ministro-da-economia-6p.html/


3. Ladislau Dowbor – Os péssimos cálculos sobre a previdência – 3p. - março 2019
Os grandes programas da nossa oligarquia são empurrados por fórmulas simples marteladas exaustivamente. É o que modernamente se chama de narrativas. Com o uso em escala industrial das redes sociais direcionadas, isso pega. Para derrubar Dilma, inventou-se um déficit que nunca foi significativo, e como ninguém entende das grandes contas, explicou-se que uma boa dona de casa só gasta o que tem. E pegou. Um discurso semelhante se faz hoje para tentar emplacar a desarticulação da previdência. A população está envelhecendo e, portanto, teremos menos pessoas em idade ativa sustentando os idosos, aumentando a “razão de dependência”. Há mais absurdos ditos sobre esta questão, aqui queremos apenas focar o fato de que temos uma gigantesca subutilização da nossa força de trabalho, e não idosos demais. Leia em: http://dowbor.org/2019/03/ladislau-dowbor-os-pessimos-calculos-sobre-a-previdencia-3p-marco-2019.html/

4. Dowbor – Dia da mulher? – março 2019 – 3p.
“Os resultados da PNAD Contínua, de 2012 a 2017, evidenciam que, até 2014, o mercado de trabalho brasileiro apresentou incremento de ocupação, sobretudo do emprego formal. Redução da desocupação, que atingiu sua menor taxa na série; e aumento dos rendimentos do trabalho. Nos três anos seguintes, entretanto, tais resultados positivos foram parcial ou completamente revertidos” (18). Esse é o quadro geral, a partir de Temer e companhia a situação piora drasticamente para todo mundo. As mulheres, os idosos, os negros, os pobres em geral sempre sofrem o maior impacto. A briga é de todos nós. Boas informações ajudam, pinçamos aqui algumas aberrações. Leia em: http://dowbor.org/2019/03/dowbor-dia-da-mulher-marco-2019-3p.html/

5. Dowbor – O culpado é você! – março 2019 – 3p.
A obesidade atinge grande parte da população mundial, diabetes está explodindo por toda parte, milhões morrem por ingestão de partículas produzidas pelos carros, novas bactérias resistentes surgiram com a generalização dos antibióticos colocados na carne que comemos, o câncer mata cerca de 10 milhões de pessoas, e quase ninguém consegue regular os agrotóxicos. Bem, a culpa, naturalmente, seria nossa. Ou seja, nós como indivíduos, como consumidores. Até quando vamos pensar que devemos mudar o nosso consumo, sem pensar que as corporações devem mudar o que nos empurram? Você tem tempo de ler as etiquetas? Leia em: http://dowbor.org/2019/03/dowbor-o-culpado-e-voce-marco-2019-3p.html/

6. Entrevista Dowbor – Vale: Os verdadeiros culpados da tragédia – Marcelo Menna Barreto / ExtraClasse – 3p.
O Brasil tem ampla tradição da extração mineral, tem excelentes engenheiros que sabem perfeitamente como fazer represas. Assim, tanto a tragédia de Mariana como a de Brumadinho apontam para um desajuste sistêmico nos processos decisórios empresariais: não são os técnicos que mandam, e sim gestores apontados pelos grandes acionistas que de mineração (ou de matadouros, ou de madeireiras etc.) não entendem nada. Entendem apenas de quanto vai render. E se o técnico dá um alerta, o conselho de administração vai seguir defendendo os acionistas, porque com os bônus ligados ao rendimento das ações, os gestores são solidários dos acionistas, o que explica inclusive os seus salários nababescos. E a corrupção vai servir para assegurar o apoio dos que assinam o laudo técnico. Esses desastres mostram a deformação profunda do sistema empresarial privado na era do capital financeiro. Leia em: http://dowbor.org/2019/03/entrevista-dowbor-vale-os-verdadeiros-culpados-da-tragedia-marcelo-menna-barreto-extraclasse-3p.html/


7. Ivo Lesbaupin, Mauri Cruz (Orgs) – Novos Paradigmas para Outro Mundo Possível – Usina Editora-Abong – São Paulo, 2019 – ISBN 978-85-88502-17-8
Neste momento crucial da humanidade onde o limite do atual modelo de desenvolvimento coloca a existência da raça humana em perigo é fundamental refletir e apontar caminhos que possam mudar de forma radical e urgente os rumos de nossas práticas predatórias do meio ambiente e das condições que sustentam nossa vida na terra. O Projeto Novos Paradigmas para um outro mundo possível se insere neste esforço que, sabemos, não é só nosso. O capítulo de Dowbor, “A Burrice no Poder” (páginas 9 a 34) pode ser acessado em http://dowbor.org/2018/11/dowbor-a-burrice-no-poder-nov-2018-13p.html/

8. An Ocean of Lies on Venezuela: Abby Martin & UN Rapporteur Expose Coup – 39 min. 2019
Venezuela é claramente a bola da vez. Não podemos esquecer que as intervenções no Afeganistão, Iraque, Líbia, Panamá e tantos outros sempre foram em nome de restaurar a democracia. Isso sem falar do ciclo de ditaduras latino-americanas no século passado. Alfred de Zayas, jurista americano com larga experiência em direitos humanos, apresentou o seu relatório sobre a crise na Venezuela na qualidade de enviado das Nações Unidas. O relatório destoa radicalmente do que a imprensa internacional e a nossa mídia apresentam. O vídeo é em inglês, mas muito compreensível, e vale muito a pena. Leia em: http://dowbor.org/2019/04/an-ocean-of-lies-on-venezuela-abby-martin-un-rapporteur-expose-coup-39-min-2019.html/


(143) Ladislau Dowbor
03 - 03 - 2019
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Dicas do Dowbor - Março 2019

Muy querid@s,

Gente da minha geração lembra do FEBEAPA, Festival de Besteiras que Assola o País, assinado por Stanislaw Ponte Preta, uma publicação que nos anos 1960 comentava os absurdos políticos e econômicos. Era muito divertido, mas muito trágico. Parece que voltamos ao ponto de partida. Recebo hoje as análises do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial): “Em 2018, a recuperação não ganhou vigor e o PIB cresceu ao mesmo ritmo de 2017, isto é, apenas +1,1%. A esta velocidade não vamos muito longe, ainda mais diante do elevado desemprego e da alta capacidade produtiva ociosa que ainda temos. Por sua vez, setores como a indústria manufatureira, ao invés de ganharem robustez, perderam ímpeto em 2018. Ou seja, enquanto o crescimento do PIB estancou, a reação da indústria retrocedeu.” (www.iedi.org.br).

Há 4 anos que estão “recuperando a economia”. Com as desastrosas políticas relativas aos direitos trabalhistas, à previdência e ao sistema tributário, reduz-se ainda mais a capacidade de compra das famílias, principal motor da economia. Como se não bastasse o endividamento em massa que resulta da agiotagem generalizada! O que funciona é rigorosamente o inverso: aumentar o consumo das famílias, o que estimula as empresas (hoje com capacidade ociosa elevada), o que aumenta o fluxo de receitas do Estado pelos impostos sobre o consumo e sobre a produção. Melhora a situação das famílias e das empresas, gera empregos e equilibra as contas do Estado. Precisa fazer um desenho? O título do meu artigo A Burrice no Poder, do mês passado, hoje me parece muito comedido. Bom carnaval. E para os momentos de sobriedade, recomendo:


1. Ladislau Dowbor – Além do PIB: medir o que importa e de forma compreensível – 2019 – 14p.


O objetivo da economia, o cuidado com a nossa casa, consiste essencialmente em assegurar o bem-estar das famílias sem prejudicar as gerações futuras. Isso exige inteligência no uso dos recursos que, por sua vez, exige formas adequadas e transparentes de fazer as contas. O PIB, como todos devem saber, é o produto interno bruto. Para o comum dos mortais, que não fazem contas macroeconômicas, trata-se da diferença entre aparecerem novas oportunidades de emprego (PIB em alta) ou ameaças de desemprego (PIB em baixa). Para o governo, é a diferença entre ganhar uma eleição e perdê-la: não à toa o governo britânico acrescentou ao PIB as estimativas do comércio de drogas e da prostituição, para poder dizer que “estamos crescendo”. Para os jornalistas, é uma ótima oportunidade de dar a impressão de que entendem do que se trata, mas reduzir a questão do desenvolvimento a uma cifra escancara a porta para “interpretações”. Para os que se preocupam com a destruição do meio-ambiente, é uma causa de desespero, já que a nossa principal conta esqueceu este detalhe. Para o economista que assina o presente artigo, é uma oportunidade para desancar o que é uma contabilidade clamorosamente deformada, e apresentar algo que funcione. Este artigo é uma versão atualizada e expandida de "O Debate sobre o PIB: estamos fazendo a conta errada".

http://dowbor.org/2019/02/dowbor-l-alem-do-pib-medir-o-que-importa-e-de-forma-compreensivel-2019-14p.html/


2. Ladislau Dowbor – Como eu me informo – fev. 2019 – 5p.

Temos de enfrentar uma impressionante indústria com capacidade de nos fazer pensar qualquer bobagem, e de nos fazer acreditar que pessoas com “bom senso” pensam como nós. É legítimo não aceitarmos que tantas pessoas sejam transformadas em zumbis, repetindo o que aparece nesses diversos instrumentos de manipulação. O que me interessa aqui é dar, através do testemunho de como eu organizo a minha informação, indicações de excelentes fontes de análises, internacionais e nacionais, que apresentam não só boa informação, mas informação com facilidade de verificação. Trata-se de um tipo de vacina contra a besteira com a qual tentam nos contagiar.

http://dowbor.org/2019/02/dowbor-como-eu-me-informo-fev-2019-5p.html/


3. Stefano Quintarelli – A revolução digital e transformações sociais – fev. 2019 – 10p.


O capitalismo está mudando em profundidade. Características essenciais do capitalismo industrial estão sendo deslocadas. Na base das rupturas, está a evolução para a economia imaterial, que gera novos tipos de controle (da informação mais do que das máquinas), de organização empresarial (mais plataformas do que fábricas), mais empregos fragmentados do que trabalhadores assalariados formais. Um denominador comum, é que toda a máquina que passou a controlar o sistema hoje não está mais na mão de produtores, mas de intermediários dos mais diversos tipos, em particular dos sistemas digitais e financeiros. Um outro mundo está nascendo, e o presente artigo, do italiano Stefano Quintarelli, constitui um esboço particularmente interessante do nosso futuro. Estamos nas mãos de intermediários. Eu vejo muito convergência deste artigo com o meu ensaio Além do Capitalismo, também disponível online.


http://dowbor.org/2019/02/stefano-quintarelli-a-revolucao-digital-e-transformacoes-sociais-fev-2019-10p.html/


4. Rutger Bregman – Utopia para realistas: como construir um mundo melhor – Sextante, 2018, 250p.

O sucesso mundial do livro do Bregman se deve à forma prática e direta de tratar os nossos grandes dilemas. O que fazer com a desigualdade, com a jornada de trabalho, com as migrações, com o sistema financeiro que desarticula os processos econômicos, sociais e políticos. Enfim, vai direto para onde dói o calo e mostra como, no essencial, sabemos muito bem o que fazer, temos os meios, mas nos envolvemos desnecessariamente em inventar narrativas para evitar de mexer no absurdo que nos cerca. Eu tenho chamado isso de impotência institucional. Mas Bregman não apenas aponta os problemas chave e os rumos, como escreve de maneira prazerosa e direta. Em suma, é um ótimo livro, particularmente para os que se veem atolados em preconceitos e dramas ideológicos. Aqui minha resenha do livro.

http://dowbor.org/2019/02/rutger-bregman-utopia-para-realistas-como-construir-um-mundo-melhor-ed-sextante-rio-de-janeiro-2018-250-p-original-em-ingles-2016.html/


5. Eduardo Fagnani – Explicitando a Previdência – Projeto Brasil Popular – 21min.


Eduardo Fagnani, da Unicamp, um dos melhores conhecedores da previdência no Brasil, explicita o absurdo das propostas atuais. É aritmética. Paulo Guedes quer recuperar, com a reforma da previdência proposta, 1 trilhão em 10 anos. E quem vai pagar a conta não será quem deve, mas os idosos e outros que não têm armas para se defender. Faça as contas: só de isenções fiscais, estamos dando presentes de 350 bilhões de reais ao ano. A sonegação fiscal é da ordem de 500 bilhões. Os juros sobre a dívida pública, cerca de 350 bilhões. Só aqui já vamos bem além de 1 trilhão. E em paraísos fiscais as nossas elites têm cerca de 520 bilhões de dólares, quase dois trilhões de reais: nem investem nem pagam impostos. Afirmar que "sem a reforma da previdência, o Brasil quebra" é uma farsa. Aliás, só lembrando, Paulo Guedes é co-fundador do Banco BTG Pactual, que tem 38 filiais em paraísos fiscais. Paraísos fiscal serve para especulação financeira, evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

http://dowbor.org/2019/02/eduardo-fagnani-explicitando-a-previdencia-projeto-brasil-popular-21min.html/



6. Boaventura de Sousa Santos – A Nova Guerra Fria e a Venezuela – Sul 21 – 3p.


Como sempre Boaventura nos apresenta uma análise fria e tranquila sobre os problemas quentes da atualidade. Aqui não é questão de simpatia ou raiva do governo Venezuelano, ou a caricaturização do Maduro. Entre as elites tradicionais que sempre viveram de royalties sobre o petróleo sem produzir porra nenhuma e que querem voltar aos bons tempos, o óbvio interesse norte-americano que sempre busca restabelecer a democracia onde há petróleo, e o saco cheio de uma população à procura de uma sobrevivência digna, a realidade tornou-se ingovernável. Sem democracia econômica não haverá democracia política. Voltar ao passado não vai resolver.

http://dowbor.org/2019/02/boaventura-de-sousa-santos-a-nova-guerra-fria-e-a-venezuela-sul-21-3p.html/


7. Transnational Institute – TNI – State of Power 2019


O conjunto de quadros e tabelas que constitui o State of Power 2019 permite visualizar o universo da alta finança que hoje domina o mundo, de maneira extremamente didática. O poder é analisado nas suas dimensões reais, e não apenas no sentido político-decorativo. Considero uma ferramenta de primeira linha, que tem a vantagem de poder ser livremente consultada e difundida entre pesquisadores e movimentos sociais.

http://dowbor.org/2019/02/transnational-institute-tni-state-of-power-2019.html/


8. O pronunciamento de Sanders e a visão de outro futuro para os EUA

O futuro do Brasil depende muito fortemente do futuro político dos Estados Unidos. O que abre esperanças, em particular, é que as eleições de 2020 podem constituir um poderoso refluxo político para o bem, a justiça social e a democracia. E isso poderá abrir muitas esperanças no Brasil, cujo governo é muito dependente, até de forma humilhante, do governo americano. Além de Sanders, surge nos EUA uma safra de candidatos que vão muito além dos tímidos avanços do partido democrata, e o essencial aqui não é a preferência por um ou outro, mas o tamanho da onda. A fala do Sanders resume de forma poderosa uma nova visão para o país, vale muito a pena.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=pwN2EJg_mYs


(142) Ladislau Dowbor
06 - 12 - 2018
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Dicas do Dowbor - Dezembro

Querid@s,

Deixem-me dizer que com os meus 77 anos, um desastre político e a eleição de um representante vergonhoso não é novidade, e me desperta mais combatividade do que desespero. Em nome da luta contra a corrupção levaram Vargas ao suicídio, derrubaram João Goulart, tiraram Dilma do poder sem crime, prenderam Lula sem provas. No Brasil as fases democráticas aparecem como momentos de recreio. Só nos permitem ter democracia se não a usamos. Teremos um presidente que é fraco, mas apoiado por forças poderosas prontas para aproveitar para se apropriar do petróleo, desmatar a Amazônia, vender as terras, generalizar a agiotagem, derrubar direitos. Essas são as forças reais que teremos de enfrentar. Tomaram o poder, mas o Brasil tem uma grande massa de pessoas equilibradas e de bom senso, e o nosso papel é organizar, informar, resistir, e trazer o país de volta para um mínimo de normalidade. Vejam o documentário Driblando a Democracia, abaixo, para compreender como se organizou a máquina de tomada do poder. No mais, como sempre nestas mensagens, bons textos, ferramentas para todos nós. Boa leitura, boas brigas.


1. Dowbor – Além do Capitalismo: uma nova arquitetura social – novembro 2018 – 86p.

"Além do Capitalismo: uma nova arquitetura social" é um ensaio que propõe uma mudança radical de como pensamos as transformações atuais do capitalismo. Em vez de acrescentar adjetivos ao capitalismo industrial que conhecemos - global, financeiro etc - que tal pensar que tipo de novo animal está nascendo? Em vez de olhar como o antigo se deforma, procurar desenhar o novo que se forma. Um outro modo de produção está emergindo? O conhecimento tornou-se o principal fator de produção, abrindo espaço para a economia imaterial, a fábrica perde protagonismo frente às plataformas, a apropriação da riqueza migra para os sistemas financeiros, as relações de emprego se desarticulam, o espaço da economia tornou-se planetário, a democracia aparece como dispensável. A mudança é sistêmica, apontando tanto para novas ameaças como para novas oportunidades. Coloco este esboço do futuro para a sua reflexão e comentários.

http://dowbor.org/2018/11/dowbor-alem-do-capitalismo-novos-rumos-em-construcao-novembro-2018-86p.html/


2. The Age of Unproductive Capital: interview presenting the main ideas – 39 min., with English subtitles.

So many people around the world are trying to understand whatever happened in Brazil. There is the rigged election of a far-right candidate, of course, who was only elected because they jailed ex-president Lula, favorite in the polls. The judge who condemned Lula without evidence of guilt was named as future minister of Justice. But all the electoral circus is based on much more serious transformations, namely the emergence of a powerful political and economic organization around the main banks and other financial institutions. This financialization which brought down a very positive experience – “the golden decade of Brazil” according to the World Bank – is analyzed in a powerful overview.

https://www.youtube.com/watch?v=IFbZQejDSFY


3. Dowbor – A Burrice no Poder – nov. 2018 – 13p.

Escrito para próxima publicação do Projeto Novos Paradigmas, o título "A burrice no poder" pode parecer um pouco provocador, mas pense um pouco: a desigualdade está explodindo no mundo, e as propostas vão no sentido de austeridade não dos que esbanjam, mas dos que mal sobrevivem. O planeta está sendo destruído e o que se vislumbra não é consumo mais inteligente e sim expansão do consumismo irresponsável. A violência se espraia, e a solução seria disseminar mais armas. O homo demens transforma a burrice em bandeira. Uma visão construtiva é fácil de identificar: é só fazer o contrário. Divirta-se.

http://dowbor.org/2018/11/dowbor-a-burrice-no-poder-nov-2018-13p.html/


4. Entrevista Dowbor – “Ladislau Dowbor vê a pauta econômica de Bolsonaro” – Outras Palavras – Antonio Martins – 13.11.2018 – 24min.

"Um presidente fraco e incapaz é tudo o que a aristocracia financeira mais quer. É preciso evitar o desmonte do país -- e reconstruir alternativas", afirma Dowbor em entrevista sobre a pauta econômica de Bolsonaro, concedida ao jornalista Antônio Martins do Outras Palavras, em 13 de novembro de 2018.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=263&v=d_tomvPx0Fg


5. Dowbor – La Era del Capital Improductivo – traducción al espanõl de Pep Valenzuela – 173p.


Presentamos aqui las recientes transformaciónes económicas, políticas y sociales en Brasil, pero partiendo de la dinámica más amplia de cambios en la esfera mundial. El capitalismo actual funciona según nuevas reglas, con los mecanismos financieros, la llamada financiarización, jugando un papel central. Eso nos afecta a todos. Tuvimos, en América Latina, unos pocos años de democracia transformadora, en el sentido de permitir una reducción significativa de nuestro principal desafio, la desigualdad. Fueron años en que además de democracia formal en el plan político, hubo también avances en términos de democracia económica. Al que todo indica, nuestras oligarquias no lo soportaron. Solo tenemos derecho a la democracia, si no la utilizamos.

http://dowbor.org/2018/11/dowbor-la-era-del-capital-improductivo-traduccion-al-espanol-de-pep-valenzuela-173p.html/


6. Ladislau Dowbor – The governance gap – Culture Report Eunic Yearbook – 2017/2018 – v. 9 – IFA / Eunic – ISBN 978-3-95829-542-1

Western democracy has a credibility problem. A study of 17 Latin American countries showed that half the population doubts the practice of democracy and is actually convinced that democracy is a system organised for the rich. The author believes that, given the socio-economic disparities, we cannot afford to ignore this slow motion catastrophe. The problems will not disappear unless we organise ourselves to solve them. A plea for a 'Global New Deal'.The paper by prof. Dowbor is on pages 22-27. A short but strong message.

http://dowbor.org/2018/10/ladislau-dowbor-the-governance-gap-culture-report-eunic-yearbook-2017-2018-v-9-ifa-steidl-isbn-978-3-95829-542-1.html/


7. Barbara W. Tuchman – The March of Folly: from Troy to Vietnam – Random House, New York, 2014 (A marcha da insensatez) – 470 p.

A minha idade e a minha confiança na racionalidade do ser humano têm evoluído em sentidos inversos. Como somos animais sofisticados, quanto mais absurdo o que defendemos, mais argumentos racionais inventamos. E, sobretudo, uma vez que já nos identificaram com uma posição ou atitude política completamente absurda, apenas conseguimos nos aprofundar na burrice. Segundo as sábias palavras de Barbara Tuchman, a propósito de como os americanos foram se afundando no Vietnã, ao custo de imenso sofrimento daquele povo, e desgaste político de quatro sucessivos presidentes, “uma vez que uma política foi adotada e implementada, toda atividade subsequente se transforma num esforço para justificá-la.” (263) Qualquer semelhança com o golpismo no Brasil insistir numa política que empurra o país para trás, mesmo depois de 4 anos de desastre, não é evidentemente uma coincidência, é a regra. No túnel da burrice, os que a perpetram sempre imaginam que logo adiante surgirá a proverbial luzinha. Se a política sacrifica em vez de ajudar, dirão que o sacrifício não foi suficiente, é só aprofundar um pouco mais.

http://dowbor.org/2018/10/barbara-w-tuchman-the-march-of-folly-from-troy-to-vietnam-random-house-new-york-2014-a-marcha-da-insensatez-470-p.html/


8. Documentário: Driblando a Democracia – Thomas Huchon - 57min., legendado em português

Hoje o processo eleitoral se transformou numa indústria de construção de consensos, de mobilização de ódios, de generalização das práticas de manipulação frente às quais nos encontramos em grande parte indefesos. O documentário apresenta uma excelente sistematização, análise internacional em profundidade de como grandes grupos se apropriam do processo eleitoral, por meio das novas tecnologias, mas também de uma nova escala de atuação. São hoje grandes empresas cujo produto é, justamente, a manipulação da opinião pública.

https://www.youtube.com/watch?v=PIvwbtPCSac&index=1&list=PL3WvyBv1NKu_AkujrfDvInO-5gYDRoIgS



(141) Ladislau Dowbor
08 - 10 - 2018
email

Dicas do Dowbor – outubro

Car@s, agora é respirar fundo e ir para a luta. Dá sim para mobilizar o país em defesa de um futuro democrático e mais humano. É ir além do conceito de esquerda, pois trata-se da defesa de valores básicos, da mais elementar decência social, política e econômica. Raramente enfrentamos tanta baixeza, tanta imbecilidade. E vamos nos mobilizar não só para vencer no segundo turno, como para sustentar a luta que virá em seguida. Trata-se de retomar o caminho civilizatório cujo acerto foi demonstrado durante os anos 2003 a 2013 no Brasil, mas também em tantos países que priorizaram o bem-estar das famílias e a sustentabilidade. Sabemos sim o que deve ser feito, a batalha é pelo espaço político para implementar as políticas necessárias. A todos um imenso abraço solidário. Boa luta.

As sugestões que seguem constituem boa munição para o embate:


1. Jessé Souza e Rafael Valim (Org.). Resgatar o Brasil. Contracorrente e Boitempo, 2018. ISBN – 9788569220466

Neste momento dramático da história nacional, as editoras Contracorrente e Boitempo lançam a coletânea Resgatar o Brasil, coordenada pelos professores Jessé Souza e Rafael Valim. Além deles, Gilberto Maringoni, Ladislau Dowbor, Maria Lucia Fattorelli, André Horta e Luis Nassif contribuem com artigos inéditos que dissecam, de maneira franca e acessível, os problemas centrais do Brasil e apontam os verdadeiros inimigos do povo brasileiro. O falso discurso contra a corrupção, o cínico estado de exceção jurisdicional implantado no país, as consequências geopolíticas do golpe de Estado de 2016, a rapinagem do sistema financeiro, o esquema espúrio da dívida pública, o injusto sistema tributário nacional que beneficia 1% da população e penaliza os outros 99% e a cartelização da mídia são analisados como parte da mesma engrenagem cujo resultado é o eterno atraso de nosso país e a exclusão social, econômica e política da maioria de sua população. Confira a íntegra do capítulo de Dowbor, O fim da farsa: o fluxo financeiro integrado (páginas 43 a 58), em http://dowbor.org/wp-content/uploads/2018/10/18-O-fim-da-farsa.docx



2. Paulo Cannabrava Filho – A Governabilidade Impossível – Alameda Editorial (2018) – 316p. – ISNB 978-85-7939-565-9
A ampla retrospectiva que Paulo Cannabrava traz neste livro nos permite ter um recuo relativamente ao caos e gritaria que hoje caracterizam a política no Brasil. Em nome de “consertar o país”, estão destruindo a democracia, entregando petróleo, terras e empresas, liquidando direitos dos trabalhadores, desarticulando políticas sociais básicas nas áreas de saúde e educação – enfim, gerando uma grande farra que articula oligarquias nacionais e interesses transnacionais, não mais contidos pelas instituições, por regras do jogo democráticas. Daí o título do livro se referir à governabilidade e à ruptura institucional. Quando se violam instituições, prevalece apenas a lei do mais forte. A máfia sempre soube se vestir com ternos elegantes, mas os procedimentos são simplesmente mafiosos. Os discursos são de ordem, mas o efeito é o caos. Confira o prefácio de Ladislau Dowbor em: http://dowbor.org/2018/10/paulo-cannabrava-filho-a-governabilidade-impossivel-alameda-editorial-2018-316p-isnb-978-85-7939-565-9.html/

3. Sam Pizzigati – The case for a maximum wage – Polity Press, Cambridge, UK – 2018 – 133p. (em defesa de uma renda máxima)

A pergunta básica que Sam Pizzigati coloca é “se necessitamos, e se o progresso demanda, grandes fortunas privadas". Os muito ricos dos Estados Unidos, por exemplo, possuem em média 9 residências fora do país. Essas residências ficam vazias durante a maior parte do ano, gerando bairros-fantasmas de luxo (luxury ghost-towns). É tempo de olharmos um pouco melhor para a irracionalidade e inoperância da grande riqueza. E Pizzigati tem currículo para esta análise, ele dirige há tempos o excelente site sobre desigualdade inequality.org e ensina no Institute for Policy Studies de Washington. Confira resenha sobre o livro em http://dowbor.org/2018/10/sam-pizzigati-the-case-for-a-maximum-wage-polity-press-cambridge-uk-2018-133p.html/

4. Ladislau Dowbor – A sociedade dos nossos sonhos – SindSaúde-SP – Vídeo de 43 min.

A palestra aqui apresentada resume boa parte da minha visão sobre os desafios atuais e as respostas possíveis. Ajuda a entender a crise e as alternativas. São 45 minutos bem humorados e ricos, no quadro de um evento importante dos trabalhadores públicos da área da saúde. São pessoas que se defrontam diariamente com os as dificuldades reais da população e que buscam respostas concretas. Nada como economia com o pé no chão, descomplicada. O conjunto das palestras está disponível no youtube, minha participação segue abaixo. Ela aconteceu no dia 14 de agosto, em São Paulo, durante o 12º Congresso SindSaúde-SP. Confira em http://dowbor.org/2018/09/adislau-dowbor-a-sociedade-dos-nossos-sonhos-sindsaude-sp-43-min.html/

5. Banks Are Becoming Obsolete in China—Could the U.S. Be Next? - Ellen Brown (em inglês, 2p.)

Os bancos são realmente necessários? Emitem moeda sob forma de crédito com juros absurdos, cobram tarifas surrealistas e travam a economia. A China está desintermediando os pagamentos, tirando os atravessadores do campo. Segundo Ellen Brown, só nos cartões os consumidores americanos economizariam 43 bilhões de dólares. A era do pedágio financeiro tem os dias contados, com as novas tecnologias. O dinheiro, afinal, é hoje apenas um sinal magnético, e os bancos vão precisar reinventar a sua utilidade social e econômica. Para nós no Brasil, em que entre juros e tarifas os intermediários financeiros chupam uma imensa parcela do PIB, estas perspectivas de desintermediação são muito importantes. Confira artigo de Ellen Brown em http://dowbor.org/2018/08/banks-are-becoming-obsolete-in-china-could-the-u-s-be-next-alipay-in-the-u-k-alibabas-proprietary-payment-platform-alipay-has-shown-up-in-advertisements-overseas-such-as-this-one-in.html/

6. Desafios do próximo presidente – entrevista com Amir Khair – IHU – 17.09.2018

Amir Khair é das pessoas que mais entendem do sistema financeiro no Brasil. Tem clara a agiotagem generalizada que trava a economia, com o endividamento das famílias, das empresas e do Estado. Hoje temos 64 milhões de adultos negativados, sem acesso ao crédito. O déficit do governo é gerado em 82% pelos juros pagos sobre a dívida pública. As medidas propostas estão na linha de se tirar a Caixa e o BB do cartel bancário, reduzir os juros e desonerar em parte o consumo. No conjunto, a visão é de se dinamizar a economia para aumentar as receitas, em vez de travar as políticas públicas para "reduzir gastos". Confira entrevista de Amir Khair em http://dowbor.org/2018/09/desafios-do-proximo-presidente-entrevista-com-amir-khair-ihu-17-09-2018.html/

7. Pedro Fernando Saad – Empresas e ODS: priorizando as ações sustentáveis de maior retorno econômico, social e ambiental para a humanidade – Tese de doutorado em Administração pela PUC-SP, defendida em 11 de setembro de 2018 (orientador: Ladislau Dowbor)

Todos acompanhamos com crescente preocupação a degradação ambiental do planeta e a explosiva desigualdade. Em sua tese, Pedro Saad partiu de uma constatação simples: os recursos financeiros significativos estão na mão das corporações, e estas buscam essencialmente maximizar a renta financeira no curto prazo. O problema central é como trazer as corporações para o barco da sustentabilidade. A tese (disponível online) é propositiva, no sentido de aproximar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, o Blueprint for Business Leadership e o Copenhagen Consensus para identificar as ações empresariais que poderiam ter os maiores efeitos multiplicadores em termos de retorno social e ambiental sobre o investimento. De certa forma, uma tradução dos ideais mais amplos em iniciativas práticas capazes de aproximar o lucro empresarial e os interesses da sociedade. Uma boa leitura, texto muito bem apresentado e ótima bibliografia. Confira comentário sobre a tese em http://dowbor.org/2018/09/pedro-fernando-saad-empresas-e-ods-priorizando-as-acoes-sustentaveis-de-maior-retorno-economico-social-e-ambiental-para-a-humanidade-tese-de-doutorado-em-administracao-defendida.html/

8. Prêmio Personalidade Econômica do Ano 2017 – CONFECON – 19.09.2018

Recebi em setembro o Prêmio de Personalidade Econômica do Ano 2017, pelo Conselho Federal de Economia (COFECON). É uma grande honra, e ao mesmo tempo um reconhecimento dos avanços na compreensão dos mecanismos financeiros atuais, de como deformam e travam os esforços de desenvolvimento do país. Para quem leu "A Era do Capital Improdutivo", as transformações necessárias tornam-se evidentes. Trata-se de economia aplicada, de pés no chão, em linguagem simples e direta. O livro também está disponível em videos curtos, da ordem de 10 minutos cada: é a Pedagogia da Economia, desenvolvida junto com o Instituto Paulo Freire. Veja em http://dowbor.org/2018/08/curso-pedagogia-da-economia-com-ladislau-dowbor-instituto-paulo-freire-2018-15-aulas.html/

(140) Fernando D. Rosenthal
01 - 10 - 2018
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Ref.:Marxismo-leninista na União Soviética e Leste Europeu

Por que perdeu o poder para o capitalismo?


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