Ignacio Ramonet é um dos jornalistas mais respeitados no mundo, hoje aposentado do Le Monde. O artigo é sobre Chavez. Estamos incluindo aqui porque traz informações muito importantes sobre a Venezuela, que batem com uma série de pesquisas, inclusive americanas, que tenho visto sobre os resultados das políticas sociais (a pobreza foi reduzida de 28 para 8%). Mas há uma segunda parte mais interessante, na denúncia que ele faz da criminalização do Chavez, da imagem de ditador, caudilho etc. que dele se faz. O interesse está no fato que hoje entrou como instrumento político fundamental a demonização de uma pessoa. Ou seja, refuta-se não a política, mas a pessoa. “Pega” muito jogar o ódio contra uma pessoa concreta. Evita de precisar discutir os dados. mas sobre tudo funciona na psicologia de massas. Lembro de Stédile apresentado na capa da Veja com o rosto em vermelho, e o cabelo levantado para parecer Lúcifer. Ou a demonização do José Dirceu. Ou, em diferentes épocas, de Fidel Castro  de Sadam Hussein, de Khaddafi que foi demonizado, depois virou amigo, e depois demonizado de novo. Para quem leu 1984 de Orwell, onde as pessoas são reunidas nas empresas para um minuto de ódio frente a uma imagem de Goldstein, o  “inimigo público”, o paralelo é impressionante. A indústria do ódio funciona, a destruição de pessoas funciona, e é tão mais fácil do que explicar os argumentos. A política norte-americana, por exemplo, há décadas funciona com ódio canalizado para um personagem simbólico em algum lugar do mundo. O Bin Laden foi um achado. Como satisfaz o nosso ego odiar à vontade, porque o personagem odiado “merece”. Sem entrar em detalhes, evidentemente. (L. Dowbor)

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