Os desmandos dos grandes bancos já não estão por demonstrar. Uma coisa é a crise de 2008 e a imensa pressão para se cobrir rombos especulativos com dinheiro público, ação que até hoje trava as economias desenvolvidas. Os Estados Unidos se safam em parte irrigando a economia com dólares emitidos, eles que estão protegidos do impacto de desvalorização pelo fato da moeda deles ser internacional e o impacto de impressão do papel se diluir pelo planeta afora. Mas indo além desta crise, temos a manipulação do Libor e do Euribor, lavagem de dinheiro em grande escala do HSBC, a gestão de dinheiro de evasão fiscal (20 trilhões de dólares segundo o Economist, cerca de um terço do PIB mundial) pelos 28 bancos "sistêmicamente relevantes", indo até fraudes generalizadas com cartões de crédito e semelhantes. Gar Alperovitz participa aqui de um debate no New York Times, em que se coloca o problema que vai além do "too big to fail": são grandes demais, têm vínculos políticos demasiado poderosos e extensos para que sequer sejam regulados. Manejam inclusive um volume de recursos que ultrapassa largamente a sua capacidade de gestão racional e de uso produtivo para a sociedade. As nacionalização dos gigantes financeiros mundiais, já operada com ótimos resultados em numerosos países, está colocada na ordem do dia neste debate no New York Times. Impressionante também, nos comentários de leitores, a que ponto a necessidade de mudanças estruturais de fundo no mundo financeiro está se tornando politicamente natural. (L. Dowbor)
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