São Paulo, 02/09/2010

Pílulas Informativas

Você encontrará abaixo pequenos itens de informação, de diversas fontes, que me parecem significativos para entender tendências do desenvolvimento. Considere isto como um tipo de blog científico.

2050 Vision: The new agenda for business in brief - World Business Council for Sustainable Development - ago 2010

Um conjunto de 29 grandes empresas transnacionais, no quadro do World
Business Council for Sustainable Development, desenhou os nossos
desafios para o ano 2050. Vale a pena dar uma olhada. São projeções
interessantes e mostram o nível de preocupação que começa a chegar em
lugares onde antes só existia o “bottom line”. O relatório deverá ser
proximamente disponibilizado em português, no quadro do CEBDS. No link
abaixo está o resumo executivo, mas o documento completo pode também
ser acessado no mesmo site.

“We have what is needed to live well, within the limits of the planet:
the scientific knowledge, proven and emerging technologies, financial
assets and instant communications. Nevertheless, today our societies
are on a dangerously unsustainable track. The story is one of growth
in populations and consumption (in most countries) compounded by
inertia stemming from inadequate governance and policy responses
necessary to manage this growth. The result is degradation of the
environment and societies.”

http://www.wbcsd.org/web//projects/BZrole/Vision2050_Summary_Final.pdf

International Integrated Reporting Committee (IIRC) - ago 2010

A iniciativa de criar o IIRC, sistema integrado de informações que permitam uma governança adequada dos países e das corporações, é muito importante. Faz parte da evolução planetária para adequar as nossas contas nacionais, tão deformadas pela conta PIB. São 33 organizações que participam inicialmente. A visão é integrar informações sociais, ambientais, econômicas, financeiras e de governança. Hazel Henderson desempenha um papel importante nesta iniciativa. A nota abaixo é um “release” sobre a fundação do IIRC, que se deu no início de agosto de 2010. No site de Hazel Henderson há mais informações.

http://www.integratedreporting.org/

Dr. Henderson, creator of the GREEN TRANSITION SCOREBOARD™ (GTS), stressed its vision and purpose, "Our mission of fostering ethical markets and growing the green economy worldwide is shared by millions of entrepreneurs, inventors, scientists, engineers, venture capitalists, investors, pension funds, as well as civic groups, academics, students and employees of incumbent industries in the fossilized sectors in many countries.  This requires the revolution in corporate and national accounts we have long advocated – now underway by the new International Integrated Reporting Committee (IIRC) steered by 33 organizations, including the Global Reporting Initiative, the UN Principles of Responsible Investing and many other pension funds and accounting bodies worldwide, with the backing of the International and US Accounting Standards Boards."

Dr. Drug Rep - Daniel Carlat
Uma carta publicada no New Scientist de 29 de maio de 2010, por Joanna Jastrzebska, chamou a minha atenção: “Muitas vezes os mais recentes produtos produtos das empresas biomédicas são apenas a mesma velha pílula em nova embalagem, então precisam gastar bilhões de dólares em marketing, publicidade de lobbies para assegurar as vendas. A controversia em torno do Big  Pharma (as grandes empresas farmacêuticas) inclui  acusações de comportamento antiético em cada estágio do marketing dos seus produtos, de não relatar pesquisas que apresentaram resultados negativos, até publicidade pesada em revistas de medicina, financiamento de encontros educacionais para profissionais da saúde, sem mencionar o fato de “empurrar” doenças (disease-mongering)”. Joanna “acordou” para como são empurrados os medicamentos a partir da leitura de um artigo no New York Times, de 25 de novembro de 2007, escrito por Daniel Carlat, que tinha sido “conferencista” para a empresa farmacêutica Wyeth. Curioso, busquei o artigo, veja o link abaixo. Está em inglês, mas vale a pena, um excelente relato de experiência com empresas por parte de um médico psiquiatra. Aliás, é bom lembrar que a Pfizer está pagando a multa de 2,3 bilhões de dólares nos Estados Unidos, por propaganda enganosa (Pfizer’s 2.3 billion settlement with the US government over charges of illegal drug marketing, NS 1 May 2010). Veja o artigo:http://www.nytimes.com/2007/11/25/magazine/25memoir-t.html?pagewanted=1&_r=2

Petroleira dos EUA deu US$ 50 mi a céticos do clima

A campanha dos grandes responsáveis pela mudança climática para convencer as pessoas que o assunto é “sujeito a controvérsias” – pois não dá para negar – continua firme. Veja também em Dicas de Leitura neste site a resenha do livro de Hoggan sobre como está organizada a campanha mundial, os grupos que participam, quem financia etc. (LD)

Petroleira dos EUA deu US$ 50 mi a céticos do clima
http://www.portaldomeioambiente.org.br/denuncias/3732-petroleira-dos-eua-deu-us-50-mi-a-ceticos-do-clima.html
Seg, 05/Abr/2010 02:18

Um relatório divulgado na terça-feira passada (30/3) pela ONG Greenpeace acusa umas das maiores companhias de petróleo dos EUA, a Koch Industries, de canalizar discretamente quase US$ 50 milhões em uma década (metade disso só entre 2005 e 2008) a uma rede de estudiosos e "think tanks" para "minar a confiança na ciência do clima e promover oposição à energia limpa, nos EUA e internacionalmente".

Entre os grupos que mais receberam fundos da Koch estão os influentes Instituto Cato (mais de US$ 5 milhões de 1997 a 2008), Heritage Foundation (US$ 3,3 milhões no período), Mercatus Center (US$ 9,2 milhões de 2005 a 2008) e Americanos pela Prosperidade (US$ 5,2 milhões de 2005 a 2008), segundo o Greenpeace.

No total, segundo o texto, a Koch ajudou a pagar operações de mais de 20 organizações que "repetidamente reproduziram e espalharam a história do chamado "climagate" [divulgação de e-mails de climatólogos, revelando tentativa de negar informação a céticos do clima]".

Também financiaram um estudo "suspeito" que nega que ursos polares estão em perigo e um instituto dinamarquês que produziu material usado como crítica à energia eólica.

O relatório indica que o conglomerado, baseado no Kansas, gastou quase três vezes mais do que a petrolífera ExxonMobil entre 2005 e 2008 --US$ 25 milhões contra US$ 9 milhões-- no financiamento de grupos antimudança climática. Também empregou US$ 43,7 milhões com lobby direto e campanhas políticas.

"É hora de a Koch Industries abandonar sua campanha suja e de bastidores contra a ação para combater a mudança climática", disse ontem Kert Davies, diretor de pesquisas do Greenpeace nos EUA.

Demonização

O conglomerado não nega os números, mas afirma que o relatório oferece uma representação incorreta de suas atividades e "distorce o histórico ambiental de suas empresas".

"As companhias Koch há muito apoiam a pesquisa e o diálogo científicos sobre a mudança climática e as propostas de resposta [ao fenômeno]. Tanto a sociedade livre quanto o método científico exigem um debate aberto e honesto de todos os lados, não a demonização e o silêncio daqueles com os quais você discorda", disse a Koch em comunicado à imprensa.

Sem nenhuma empresa operando com o nome, mas dona de marcas como a Lycra e os copos de plástico Dixie, a Koch tem operações em mais de 60 países, que rendem US$ 100 bilhões anuais em vendas. Emprega cerca de 70 mil pessoas --é atualmente o segundo maior grupo privado dos EUA, atrás da Cargill.

No Brasil, o grupo tem quatro subsidiárias em operação: três em São Paulo (Koch Chemical Technology Group, Georgia-Pacific e Invista) e uma no Rio de Janeiro (Koch Exploration, de petróleo e gás natural).

Procurado pela Folha, o presidente do Instituto Cato, Ed Crane, disse em nota que "o Greenpeace parece mais interessado em nossas fontes de financiamento do que na precisão das pesquisas sendo financiadas".

"O "Climagate" fala por essa precisão. Dito isso, 95% de nosso orçamento vem de fontes não relacionadas [aos irmãos] Charles Koch e David Koch [controladores do conglomerado], e nenhuma verba dos Koch jamais foi designada para um projeto específico."

O Cato tem em seu time o climatologista Pat Michaels, um dos mais célebres céticos, que esteve no Brasil nesta semana.

FCC envia ao Congresso norte-americano seu Plano Nacional de Banda Larga - Instituto Telecom - 2p. - mar.2010

A liberação geral do acesso à banda larga internet - por enquanto ainda cheia de pedágios e restrições de empresas telefônicas instaladas no Brasil - é uma condição vital para o desenvolvimento futuro, e em particular para a transformação que deve sofrer o mundo da educação, no sentido da gestão integrada do conhecimento. A lei proposa nos Estados Unidos pode ser um ponto de referência (não necessariamente de cópia) para nós, vale a pena acompanhar. Andar na rua é uma atividade livre, e o conhecimento circular nas ondas eletromagnéticas, também públicas, também deve ser livre e público. (LD)


FCC envia ao Congresso norte-americano seu Plano Nacional de Banda Larga

Escrito por João Carlos Fonseca, da Telebrasil, quarta-feira, 17 de março de 2010   
Sex, 19 de Março de 2010 14:08

A FFC – Federal Communications Commission –, que trata das telecomunicações nos EUA – enviou, em 16 de março último, ao Congresso norte-americano o que chamou de "road map" para o século XXI. O plano prevê alcançar todos os recantos do país com uma Internet "robusta", a que todos possam ter economicamente acesso. A previsão é de conectar, na década, 100 milhões de residências, com um serviço a 100 Mbit/s.

Segundo a FCC, o plano, cujo o nome ("Connecting America: The National Broadband" ou "Conectando a América – a banda larga nacional") já diz quase tudo e se destina a transformar a economia norte-americana e a dotar a sociedade do país do norte com a "rede de telecomunicações do futuro".

Numa espécie de "mea culpa" – que bem poderia servir de exemplo a outros países –, admite a FCC que a nação falhou na utilização do poder da banda larga para prestar serviços governamentais nas áreas da saúde, educação, segurança pública, conservação de energia, desenvolvimento econômico e outras prioridades nacionais. Mesmo nos EUA, 100 milhões de americanos não possuem ainda banda larga em casa e 14 milhões não têm acesso a este meio, ainda que assim o desejassem.

Maior mercado de banda larga do mundo

O megaplano prevê criar, até 2020, o maior mercado de banda larga do mundo, gerando novos empregos e empresas. Prevê conectar nada menos que 100 milhões de residências, com serviços a 100 Mbit/s. As comunidades dos EUA terão a altíssima velocidade de 1 Gbit/s, conectando sua principais instituições como escolas, hospitais e instalações militares.

Toda criança norte-americana deverá ser, ao deixar o ensino médio, um alfabetizado digital. Leia-se, aqui, utilizar computador ou equivalente e navegar na Internet. Escolas, bibliotecas e populações vulneráveis das comunidades rurais não foram esquecidas. O plano prevê prover banda larga a custos acessíveis e reorientar o Fundo de Serviço Universal – o Fust de lá – para passar da tecnologia analógica de ontem para a infraestrutura digital de amanhã.

A FCC também recomenda que haja competição no "ecossistema da banda larga", dando-lhe maior transparência e removendo barreiras para novos entrantes. As análises de mercado deverão levar em conta preço, velocidade e disponibilidade da banda larga.O item segurança não foi esquecido pelos norte-americanos. Ela deverá ser melhorada pelo provimento do acesso imediato a uma rede nacional pública sem fio destinada para este fim.

Setenta e cinco mil páginas de comentários públicos

O plano, fruto do American Recovery and Reinvestmente Act of 2009, foi produzido com rigor, abertura e transparência – os interesses são muitos e variados – pelo grupo de trabalho da FCC, relata a própria comissão.

A FCC cumpriu exaustivamente o dever de casa e fez questão de divulgar as estatísticas de seu trabalho. Foram 36 workshops, nove audiências e 31 avisos, tudo aberto ao público. Foram produzidas ainda 75 mil páginas de comentários públicos. O debate prosseguiu on-line, com 131 blogs com 1,5 mil comentários. Ideias foram debatidas e votadas na Internet e angariaram 6,1 mil participações.

As redes sociais – YouTube e Twitter – contribuíram fortemente para aumentar o volume de informações, numa demonstração de democracia eletrônica. Além disso, o grupo de trabalho da FCC também conduziu pesquisa e levantamento de dados independentes.Metade das recomendações do plano – um vasto documento que pode ser acessado em http://www.broadband.gov/download-plan/ – é voltado para a própria FCC e as restantes para o Congresso, para o poder executivo do presidente Barack Obama e para os governos estaduais e locais. O plano também leva em consideração o setor privado e o setor sem fins lucrativos. Mais informações podem ser obtidas em http://www.broadband.gov/.

 

Velocidade média do trânsito de SP cai para 15 km/h; veja pontos de medição - Folha de S.Paulo - 05/03/2010

05/03/2010 - 03h01

ALENCAR IZIDORO
EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo

A velocidade média do trânsito na cidade de São Paulo caiu no ano passado. No pico da tarde (17h às 20h), passou de 18 km/h em 2008 para 15 km/h.

Na prática, os veículos têm circulado no rush mais devagar do que um corredor campeão da São Silvestre e num ritmo tão lento que se assemelha ao que uma galinha pode atingir.

Os números de redução da velocidade na capital constam do "Relatório de Atividades Operacionais" da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), concluído em fevereiro.

No pico da manhã (7h às 10h), os veículos circularam a 29,75 km/h na média das principais avenidas da cidade aferidas pela companhia --queda de 4% em relação aos 31 km/h do ano anterior. No pico da tarde, a queda foi de 16%.

Os resultados foram verificados mesmo após medidas mais severas e polêmicas de limitação ao tráfego de veículos em São Paulo de dois anos para cá.

Em 2008, a gestão Gilberto Kassab (DEM) ampliou a restrição aos caminhões e, em 2009, aos ônibus fretados --nesse caso, recebendo críticas pelo risco de migração dos usuários para os carros.

Nos últimos dois anos, também houve a retirada de vagas de estacionamento da via pública em diversos bairros, para melhorar a fluidez do trânsito.

A principal explicação para a queda da velocidade é a expansão da frota. Só no ano passado, a cidade ganhou mais de 335 mil veículos, quase mil por dia. Para amortizar os impactos seria necessário construir uma avenida como a Paulista por semana --solução considerada impossível por especialistas.

Interdições e chuva

A CET defende a eficácia das restrições aos caminhões e aos fretados e relativiza os dados que mostram que os veículos passaram a andar mais devagar.

Ela avalia que a redução da velocidade foi influenciada por fatores como as novas interdições no trânsito (devido às obras do metrô e da marginal Tietê) e a elevação de 20% nas interferências (quebra de carros e caminhões, por exemplo).

Cita também os impactos do "aumento excepcional" no volume de chuva (alta de 42% no índice de precipitação pluviométrica). Essa explicação, aliás, é citada como justificativa para a queda ter sido mais acentuada no pico da tarde.

A CET exalta os resultados de outro parâmetro de avaliação: a quantidade de quilômetros de congestionamentos nos 835 km de vias monitoradas.

Isso significa que, nas medições da CET, a quantidade de ruas e avenidas com trânsito parado nos horários mais críticos diminuiu, embora os motoristas estejam circulando a uma velocidade média mais baixa.

Os cálculos de velocidade são baseados em dez medições diárias, em frente a 27 PACs (Postos Avançados de Campo), dos 31 que existem na cidade (veja abaixo). Ao todo, 18,2 km são monitorados.

A partir do mês que vem, especialistas esperam uma melhoria no trânsito devido a inaugurações de três empreendimentos de grande porte: a alça sul do Rodoanel, a primeira fase da ampliação da marginal Tietê e a linha 4 do metrô.

21 hours - NEF, New Economics Foundation - 33p. (jan. 2010)

Um estudo do NEF, New Economics Foundation de Londres, sugere que seria muito mais racional evoluirmos da semana de 40 horas para uma semana de 21 horas. Lembremos que Keynes sugeria, numa simbólica “carta aos netos”, que neste fim de século, com as novas tecnologias, não precisaríamos trabalhar mais de 15 horas por semana.

Não se trata de sonhos, e sim de uma evolução inevitável, exigida tanto pela proteção dos recursos naturais, como pelo direito de acesso de todos a ganharem a sua vida, e pela necessária evolução da economia para setores mais centrados no conhecimento – além evidentemente da qualidade de vida no trabalho e fora dele.

Vale a pena ver o estudo, está em inglês, o link é http://www.neweconomics.org/sites/neweconomics.org/files/21_Hours.pdf O artigo não é longo, 33 páginas, e abre perspectivas. Lembremos que a redução da jornada está se tornando um dos focos mais importantes de uma agenda de mudanças sociais.
 
 
Executive summary

This report sets out arguments for a much shorter working week. It proposes a radical change in what is considered ‘normal’ – down from 40 hours or more, to 21 hours. While people can choose to work longer or shorter hours, we propose that 21 hours – or its equivalent spread across the calendar year – should become the standard that is generally expected by government, employers, trade unions, employees, and everyone else.
 
Planet, people, and markets: reasons for change
 
A much shorter working week would change the tempo of our lives, reshape habits and conventions, and profoundly alter the dominant cultures of western society. Arguments for a 21-hour week fall into three categories, reflecting three interdependent ‘economies’, or sources of wealth, derived from the natural resources of the planet, from human resources, assets and relationships, inherent in everyone’s everyday lives, and from markets. Our arguments are based on the premise that we must recognise and value all three economies and make sure they work together for sustainable social justice.
 
Safeguarding the natural resources of the planet. Moving towards a much shorter working week would help break the habit of living to work, working to earn, and earning to consume. People may become less attached to carbon-intensive consumption and more attached to relationships, pastimes, and places that absorb less money and more time. It would help society to manage without carbon-intensive growth, release time for people to live more sustainably, and reduce greenhouse gas emissions.

Social justice and well-being for all. A 21-hour ‘normal’ working week could help distribute paid work more evenly across the population, reducing ill-being associated with unemployment, long working hours and too little control over time. It would make it possible for paid and unpaid work to be distributed more equally between women and men; for parents to spend more time with their children – and to spend that time differently; for people to delay retirement if they wanted to, and to have more time to care for others, to participate in local activities and to do other things of their choosing. Critically, it would enable the ‘core’ economy to flourish by making more and better use of uncommodified human resources in defining and meeting individual and shared needs. It would free up time for people to act as equal partners, with professionals and other public service workers, in co-producing well-being.

A robust and prosperous economy. Shorter working hours could help to adapt the economy to the needs of society and the environment, rather than subjugating society and environment to the needs of the economy. Business would benefit from more women entering the workforce; from men leading more rounded, balanced lives; and from reductions in work-place stress associated with juggling paid employment and home-based responsibilities. It could also help to end credit-fuelled growth, to develop a more resilient and adaptable economy, and to safeguard public resources for investment in a low-carbon industrial strategy and other measures to support a sustainable economy.

EUA: o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar - Hazel Henderson - (Jan.2010)

A nota de Hazel Henderson sobre financiamento corporativo das campanhas tem grande importância. Hoje no Brasil, com o financiamento empresarial, terminamos por ter uma bancada ruralista, outra das empreiteiras, outra dos bancos e assim por diante, e só não temos bancada do cidadão. E cidadãos são pessoas físicas, não pessoas jurídicas. O que por sua leva a que tenhamos deputados e senadores que votam em grande parte obedecendo a quem os financia, e não aos interesses do país. Isto deforma o processo política na sua própria base, e não adianta se queixar de “políticos corruptos” se na raiz já são adquiridos. É essencial assegurar o financiamento público e igualitário das campanhas. A tendência que Hazel Henderson denuncia no presente artigo, vai no sentido inverso: as corporações nos EUA conseguiram a liberação geral de financiamento dos políticos, não corrompendo depois, mas já os comprando antes. E não sai mais barato: o financiamento público sairia do nosso bolso via impostos, o financiamento privado sai do nosso bolso via preços dos produtos, só que passamos a ter políticos sem vínculos com a cidadania. Que há também os íntegros, não há dúvida, mas o sistema é estruturalmente viciado. Artigo publicado no site Carta Maior em jan.2010. (LD)

EUA: o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar
Hazel Henderson

A visão fantástica dessa mais alta Corte dos Estados Unidos defende que o dinheiro é equivalente à livre expressão sob a Primeira Emenda, e que a corporações são “pessoas” equivalentes a seres humanos. A irrealidade dessa visão também equipara corporações com sindicatos, sem reconhecer que sindicatos representam pessoas reais, enquanto corporações são entidades legais com o propósito de fazer dinheiro para os seus acionistas.

Os efeitos dessa apertada decisão por 5 a 4 na Suprema Corte incluem a permissão de acesso à Política do país através de vários investidores internacionais que detêm ações em corporações estadunidenses. Por exemplo, o Príncipe Alaweed bin Talal da Arábia Saudita é um dos maiores investidores do Citibank e da New Corporation, que tem o Wall Street Journal, a Rede de Televisão Fox, a Sky News e uma outra mídia global. Os Fundos Soberanos da Noruega, da China, de Cingapura, do Kuwait e de outros países podem agora influenciar a política dos EUA como jamais ocorreu antes.

Advogados constitucionalistas estão assombrados, inclusive o Presidente Obama, que observou: “A Suprema Corte deu luz verde para a avalanche de interesses especiais do dinheiro em nossa política. Essa é uma grande vitória do Petróleo, dos banqueiros de Wall Street, das companhias de seguro de saúde e de outros interesses que manobram diariamente o poder em Washington e abafa, cotidianamente, as vozes dos americanos”.

Muitos projetos de lei foram apresentados no Congresso para passar por cima da decisão da Corte, a maior parte com foco no direito corporativo e na governança. Eles incluíram o reforço das regulações e o controle pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC – Securities and Exchange Comission). Tais projetos exigiriam a aprovação dos acionistas pelos conselhos diretores das corporações antes que elas liberassem seus fundos de ações para apoiar ou se opor a questões políticas e candidatos. Limitariam os gastos pelas corporações que sejam substancialmente de propriedade de grupos de investidores internacionais e cidadãos não-estadunidenses. Muitos críticos acrescentaram que os políticos cujas eleições se devem aos fundos corporativos deveriam ser convocados para tornarem públicos as logomarcas dessas corporações em suas roupas e em todas as suas manifestações públicas, por exemplo, como o senador da Microsoft, da Halliburton, do Citibank ou do Goldman Sachs.

Outros críticos apresentaram detalhadamente a idiotia da equiparação entre corporações e seres humanos reais. Eles disseram: “se isso é verdade, não seria uma forma de escravidão ter uma corporação?”. Poderiam as corporações agora, então, também usarem armas e votarem? Corporações já têm muitos dos direitos de cidadania estadunidense, só que muito menos responsabilidades do que o têm as pessoas reais. Corporações são protegidas por leis que limitam suas dívidas; desfrutam de vida perpétua e ainda carregam um poder imenso – evidenciado por sua captura dos reguladores e políticos.

Os insípidos debates no Fórum Econômico de Davos sobre a questão capitalismo versus socialismo foram suplantados pela conquista da democracia das corporações. Os lobistas das corporações dos grandes bancos estão lutando contra reformas financeiras necessárias. Lobistas de seguros de saúde e das companhias farmacêuticas conduziram os projetos da reforma da saúde para novas traições substanciais. Lobistas das companhias de energia distorceram os projetos sobre clima e energia, tornando-os novas frutas podres, em defesa do carro-chefe do combustível fóssil e das companhias de energia nuclear. Em todo o planeta, o lobby das corporações militares dirige a compra de armas.

À opinião absurda do juiz da Corte Suprema John Robert, de que as corporações são em vários aspectos “amordaçadas” ou de que necessitam de mais dos direitos garantidos na Primeira Emenda somou-se a divergência do juiz Stevens, em nome dos juízes Ginsberg, Sotomayor e Breyer: “A democracia americana é imperfeita, mas poucos fora desta Corte teriam pensado que ela definha até a morte, com o dinheiro corporativo na política”.

De fato, um grupo de corporações dos EUA respondeu com uma Carta Aberta ao Congresso, opondo-se à ameaça de tirar dinheiro dos candidatos de ambos os partidos políticos e optando pela destinação desse dinheiro para a corrida armamentista. Tomara que esse tipo de liderança socialmente responsável das companhias progressistas possa ser apoiada por investidores institucionais, como aqueles dos Princípios para o Investimento Responsável, da ONU (representando portfolios de $19 trilhões em ações das companhias). Eles podem, juntos, com as 3000 companhias signatárias do Pacto Global da ONU, desenvolver proteções para impedir o investimento nessas companhias que tomam as decisões da Suprema Corte como licença para jogar ainda mais dinheiro em lobies e para arrancar o poder do processo democrático.

O efeito cascata do dinheiro adicional na política dos EUA e na propaganda acelerará a sinistra tomada do governo, bem como da mídia de massa, pelas corporações – a definição clássica de fascismo. Uma resposta é o Mercado Ético para a propaganda ética e a campanha do Mercado Ético com a Academia Mundial de Negócios (http://www.worldbusiness.org/) para parar o neuromarketing e sua manipulação de consumidores.

Como essa conquista corporativa dos Estados Unidos da América afeta seu padrão de mundo? A ganância e a cultura da obsessão pelo dinheiro de Wall Street já danificaram todo o mundo e causaram milhões de vítimas inocentes da fome, das adversidades, de perdas de empregos, meios de vida e infligiu um enorme dano ambiental.

Essa decisão da Suprema Corte causará uma perda futura de critério e autoridade moral, no mundo. A arrogância do unilateralismo dos EUA vêm causando danos desde a queda do Muro de Berlim. Esse momento unipolar acabou. Para a sorte da comunidade internacional, outros países, Índia, Brasil e a União Européia estão assumindo a liderança democrática. A irresponsável decisão da Suprema Corte dos EUA sobrepujou os esforços do Presidente Barack Obama para restaurar o multilateralismo. Foi um golpe na democracia dos EUA e fornece um mau exemplo ao avanço da democracia mundo afora.

Hazel Henderson é presidente do Ethical Markets Media (EUA e Brasil) e da Green Transition Scoreboard, companhia signatária dos Princípios do Investimento Responsável, da ONU. É fundadora e co-diretora da Academia Mundial de Negócios MercadoÉtico para a propaganda ética, autora de vários livros e co-criadora do Indicadores de Qualidade de Vida Calvert-Henderson www.ethicalmarkets.com

Fundos Rotativos Solidários - Clarício dos Santos Filho – 21p. - jan 2010

Clarício dos Santos Filho - Fundos Rotativos Solidários: dilemas, avanços e esperanças de uma política pública inclusiva nos marcos da economia solidária no Nordeste do Brasil – janeiro de 2010, 21 p.  (BNB, ETENE)

Um estudo sobre políticas de crédito do Banco do Nordeste: O estudo de Clarício dos Santos Filho sobre as políticas de crédito do Banco do Nordeste é particularmente importante, pois mostra que é perfeitamente viável gerar uma política de inclusão produtiva, via crédito, para uma grande massa de pobres. O conjunto de “tecnologias de crédito” envolve não só o acesso aos recursos, como a difusão de tecnologias sociais, a diferenciação de políticas segundo os territórios, a capilarização das atividades, a formação de capital social nas comunidades ao associá-las à gestão de recursos.

Lembremos que se trata de uma área geográfica duas vezes maior que a França, que se trata da maior massa de famílias em situação crítica do país. O volume de recursos aplicados foi de 1,4 bilhões em 2002, passando para 18 bilhões em 2009, expansão impressionante. Em 2009 foram 2,1 milhões de operações de crédito. Para nós que pesquisamos opções de organização prática para usar as poupanças de forma inteligente, trata-se de um dos vetores mais importantes de democratização da economia. Constatar que funciona, e bem, e em grande escala, podendo ser expandido tanto nacionalmente como em outros países, com os devidos ajustes, nos ajuda a montar uma agenda. Aliás, a confrontação da produtividade econômica e social do dinheiro bem gerido por uma instituição pública, com o caos e elitização gerados pelos grandes bancos privados e fundos especulativas, constitui uma lição importante.

A lógica é diferente do crédito comercial tradicional, onde se visa não o desenvolvimento do território, mas o crescimento do próprio intermediário financeiro. Um trecho do artigo resume bem esta reviravolta: “Em seu desenho e metodologia o papel atribuído aos Fundos não é de prover o crédito segundo uma lógica financeira tradicional e/ou segundo uma lógica clientelista presente em comunidades rurais, mas sim, político-pedagógica que viabiliza a emancipação das comunidades beneficiárias a partir da lógica da solidariedade.” (20)

Pontos que me pareceram mais significativos:

Tecnologias de crédito: Aplicação a partir de 2003 de uma nova abordagem das tecnologias de crédito, incorporando uma visão territorial do financiamento do desenvolvimento: o próprio conceito de desenvolvimento de uma política de crédito específica para este nível de renda é muito significativo. Capilaridade de crédito, no Brasil, os bancos privados só conhecem em termos de um aspirador que chupa até as menores poupanças. Tecnologia não é apenas máquina, e sim organização adequada às necessidades da população.(7)
 
Critérios de regionalização: A opção não é apenas territorial: ao trabalhar essencialmente no semiárido, com índice pluviométrico menor de 800 mm ao ano, o que representa dois terços do território nordestino, atinge as regiões de agricultura de baixa produtividade e importantes bolsõess de pobreza e exclusão social. O banco comercial, em contrapartida, buscará o cliente que dispõe  de maiores recursos, onde os lucros podem ser maiores.(6)

Geração de capital social: “A articulação político-institucional inserida em redes, possibilita o acesso aos mercados de bens, produtos e serviços, enquanto construções sociais. Assim, valoriza-se as formas de coordenação e governança territoriais, que pode ser tanto uma associação ou cooperativa de agricultores familiares, ou uma ONG, ou uma agência de desenvolvimento local . Associar a rede de organizações da sociedade civil ASA (Articulação do Semiárido) e de organizações religiosas, por exemplo, pode ser crucial.(7)

Fomento tecnológico: Através do FUNDECI, Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, investe-se na pesquisa e difusão de tecnologias inovadoras de convivência com o semiárido. Tecnologia não é só, nem principalmente, registrar patentes internacionais e obter citações em revistas científicas. O processo é associado ao Fundo de Apoio às Atividades Socioeconômicas do Nordeste (FASE), com programas de formação, feiras etc.(8)

Co-responsabilização: “Os Fundos Rotativos Solidários são formas de poupança coletivas no meio popular, na forma dinheiro e/ou produtos, geridos por entidades da sociedade civil ou organizações  comunitárias, e destinados ao apoio de projetos associativos e comunitários de produção de bens e serviços”...”Desta forma, a responsabildide da condução e sucesso do Programa é de responsabilidade tanto da própria comunidade e suas entidades que vão gerir os recursos, quanto do Comité Gestor Nacional, que seleciona os projetos a serem apoiados”. A formação de Comités Gestores Locais completa a arquitetura organizacional. (14, 15, 18).

Tirar gente do buraco negro da miséria é notoriamente difícil, não é só um processos econômico, envolve uma mudança cultural, e um conjunto de processos de apoio que se complementam. Não à toa cunhou-se a expressão “debt-trap”, a armadilha da pobreza, de onde é tão difícil sair. As políticas aqui descritas não saem na grande imprensa, mas se trata de mudanças essenciais para o nosso futuro.

Disponível em: http://dowbor.org/ar/clariciotextofrs.doc

(L. Dowbor, 21 de janeiro de 2009)

A “fúria” dos financistas - Bresser Pereira - 1p. - (dez.09)

Sempre está na moda falar mal de impostos. Ouvimos o tempo todo que temos os “mais altos do mundo”, coisa que é fácil dizer no rádio pois ninguém tem a mínima idéia de como é “no mundo”. O problema não é o nível dos impostos, e sim de quem é cobrado, a transparencia nos mecanismos de cobrança, e como é utilizado. A nota do Bresser-Pereira sobre o imposto de 50% sobre os bônus de especuladores é muito simpática. A questão da reforma tributária no Brasil está sempre no horizonte, e aqui está um bom exemplo. (L. Dowbor)

A “fúria” dos financistas
Luiz Carlos Bresser-Pereira

Folha de S. Paulo, 21.12.2009

O que o governo britânico faz ao taxar os bônus ganhos pelos financistas não é nada mais do que a sua obrigação

A leitura do sisudo "Financial Times" do dia 10 estava até engraçada. Sua manchete de primeira página era "Fúria dos banqueiros com o superimposto sobre os bônus". A fúria refere-se ao imposto de 50% sobre todos os bônus obtidos por financistas acima do ganho anual de 25 mil libras que foi anunciado pelo ministro das Finanças do Reino Unido, Alistair Darling.

Fiquei curioso em saber como se manifestaria na prática a fúria ou o ódio desses senhores que não são apenas dirigentes de bancos são principalmente operadores financeiros ("traders") que ganham bônus. Eles dominaram o mundo durante 30 anos, definiram as regras da "nova" racionalidade econômica baseada no velho "laissez-faire", enriqueceram-se e tornaram ainda mais ricos os rentistas a quem estavam associados, provocaram um enorme aumento da desigualdade em toda parte, aumentaram a instabilidade financeira mundial e, afinal, provocaram a crise global de 2008, que obrigou os governos a gastarem cerca de 5% do PIB mundial para salvá-los.

A decisão do governo britânico foi surpreendente, porque até há pouco era esse governo e o dos Estados Unidos que mais resistiam à pressão dos demais países ricos, principalmente os demais países da União Européia, para que o sistema financeiro fosse mais fortemente regulado, e os bônus dos financistas, taxados. Resistiam porque Londres e Nova York são os dois maiores centros financeiros do mundo e medidas restritivas a suas atividades poderiam promover a migração do sistema financeiro para outras praças.

Essa preocupação é legítima e salienta a necessidade de coordenação das ações regulatórias entre as maiores economias mundiais. Está claro, porém, que essa cooperação existirá. Haverá sempre aqueles tentados a agir como caronas ("free ride’t), mas os demais países dispõem de poder suficiente para neutralizá-los. O que definitivamente não é razoável é deixar de regular o sistema com a desculpa de que não haverá cooperação internacional é manter incentivos para que um grupo relativamente grande de jovens e brilhantes profissionais ou tecnoburocratas formados nas melhores universidades inventem inovações financeiras que dão lucro aos rentistas e bônus para eles próprios, mas prejudicam os demais é permitir que adotem práticas arriscadas que levam os países à crise e obrigam seus governos a gastar bilhões e bilhões dos contribuintes para salvar suas economias de crise sistêmica.

Vivemos no capitalismo do conhecimento ou no capitalismo tecnoburocrático -um tipo de capitalismo caracterizado por cooperação e conflito entre a velha classe capitalista e a relativamente nova classe profissional ou tecnoburocrática. Sei que os membros da nova classe terão uma participação crescente na renda do país porque detêm o monopólio do conhecimento técnico, organizacional e financeiro. Mas isso não significa que devamos deixá-los livres para agir como quiserem.

As sociedades modernas se caracterizam por um sistema econômico flexível e dinâmico -o capitalismo tecnoburocrático- que lembra um tigre e que, por isso mesmo, é cego à justiça e à ordem ou à estabilidade e por um sistema político -o Estado democrático- que tem o papel de regular ou domar esse perigoso mas insubstituível animal. O que o governo britânico está fazendo é apenas isso. Nada mais do que a sua obrigação. Os financistas podem ficar furiosos mais indignados estão os cidadãos que foram prejudicados por sua irresponsabilidade e cobram agora dos governos as medidas regulatórias necessárias.

Pondo a mesa (Setting the Table) - Shivani Reddy e outros - Dezembro de 2009

Todos estamos começando a nos preocupar mais com a nossa dimensão individual, como consumidores, frente aos problemas ambientais. Um estudo britânico, da Universidade de Oxford e da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, traz indicações interessantes sobre a convergência entre comer de maneira mais saudável, proteger o meio-ambiente e ter impactos sociais positivos.

"No conjunto (o estudo) trouxe mais provas de sinergias positivas (o "ganha-ganha", ou "win-win") entre os impactos em termos de sustentabilidade do que tensões (tipo "win-lose"). Por exemplo, reduzir o cnsumo de alimentos e bebidas de baixo valor nutritivo (alimentos e bebidas de alto teor em gordura e açucar) mostrou ter impactos essencialmente positivos sobre a saúde, o meio-ambiente e na redução de desigualdades sociais". O resumo executivo, das páginas 2 a 6, oferece uma visão de conjunto. Consumo saudável pode ser também consumo inteligente. (L. Dowbor)

Acesse o documento em http://www.sd-commission.org.uk/publications.php?id=1033

MIT abra acesso livre e gratuito aos textos, na íntegra - Dez 09

Na busca de lucros mais elevados, as editoras perderam de vista os valores da academia”, declara Ann Wolpert, diretora de bibliotecas do MIT. A questão da propriedade intelectual gera um amplo debate entre a corporação dos suportes materiais (grandes editoras de livros “adotados”, empresas de discos, donos de patentes etc.) e os que querem ver o conhecimento circular para o enriquecimento de todos. No plano do conhecimento tecnológico, é essencial a democratização do acesso. A iniciativa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) de disponibilizar a totalidade da produção científica do corpo de professores e pesquisadores, gratuitamente e online para uso em qualquer parte do mundo, reveste-se de grande importância, e abre um caminho claro e decente nesta área cheia de ideologias, preconceitos e apelos à ética por parte de quem quer justificar monopólio. A nota anexa, de 2 páginas, explicita a posição da instituição, sendo que Harvard e outras de primeira linha estão seguindo na mesma linha. Nós é que continuamos nas trevas da leitura de capítulos xerocados. Acesse o site: http://web.mit.edu/newsoffice/2009/open-access-0320.html (L. Dowbor)

MIT faculty open access to their scholarly articles

March 20, 2009
CAMBRIDGE, Mass., March 20

In a move aimed at broadening access to MIT's research and scholarship, faculty at the Massachusetts Institute of Technology have voted to make their scholarly articles available to the public for free and open access on the Web.

The new policy, which was approved unanimously at an MIT faculty meeting on Wednesday, March 18 and took immediate effect, emphasizes MIT's commitment to disseminating the fruits of its research and scholarship as widely as possible.

"The vote is a signal to the world that we speak in a unified voice; that what we value is the free flow of ideas," said Bish Sinyal, chair of the MIT Faculty and the Ford International Professor of Urban Development and Planning.

Under the new policy, faculty authors give MIT nonexclusive permission to disseminate their journal articles for open access through DSpace, an open-source software platform developed by the MIT Libraries and Hewlett Packard and launched in 2002. The policy gives MIT and its faculty the right to use and share the articles for any purpose other than to make a profit. Authors may opt out on a paper-by-paper basis.

MIT's policy is the first faculty-driven, university-wide initiative of its kind in the United States. While Harvard and Stanford universities have implemented open access mandates at some of their schools, MIT is the first to fully implement the policy university-wide as a result of a faculty vote. MIT's resolution is built on similar language adopted by the Harvard Faculty of Arts & Sciences in 2008.

"Scholarly publishing has so far been based purely on contracts between publishers and individual faculty authors," said Hal Abelson, the Class of 1922 Prof. of Electrical Engineering & Computer Science and chair of the Ad-Hoc Faculty Committee on Open Access Publishing. "In that system, faculty members and their institutions are powerless. This resolution changes that by creating a role in the publishing process for the faculty as a whole, not just as isolated individuals."

In the current scholarly publishing system, individual authors are required to transfer all or most of their rights to the publisher. Typically publishers will strictly limit access to the work through licensing and charge increasingly high subscription rates back to universities to access the articles. University libraries have faced subscription rates rising at a rate far outpacing inflation. The MIT Libraries, for example, spend more than three times as much on journal subscriptions today than they did in 1986.

"Through this action, MIT faculty have shown great leadership in the promotion of free and open scholarly communication," said MIT Director of Libraries Ann Wolpert, who worked closely with Abelson and others to move the resolution forward. "In the quest for higher profits, publishers have lost sight of the values of the academy. This will allow authors to advance research and education by making their research available to the world."

MIT has long focused on projects and initiatives that encourage the open sharing of knowledge, with the goal of advancing learning and education worldwide. MIT's DSpace repository contains the digital research materials of MIT faculty and researchers and allows them to be saved, searched and shared worldwide. MIT OpenCourseWare (OCW) was  launched in 2001 with the goal of making all MIT course materials available, free of charge, to anyone over the World Wide Web. Since then, OCW has shared MIT course materials with more than 50 million visitors worldwide and inspired hundreds of other universities to do the same. The new open access resolution will now remove barriers to making all of MIT's research openly available to the world.

A faculty committee will work with the MIT Libraries to oversee implementation and determine a workflow for adding articles to DSpace. Under the new open access model, potentially thousands of papers published by MIT faculty each year will be added to DSpace and made freely available on the web and accessible through search engines such as Google.

Science and the Corporate Agenda - Nov 09

Stuart Parkinson, Chris Langley – SGR, Resumo executivo, 4 p.

A organização não governamental Scientists for Global Responsibility (SGR) realizou um estudo aprofundado sobre as relações entre a pesquisa científica e o mundo corporativo. O que aparece com clareza, é que as pesquisas que interessam à expansão das corporações são dinamizadas, e as que são de interesse mais amplo da sociedade são travadas.

“Uma marca fundamental da ciência é que está sofrendo erosão na sua liberdade de definir a agenda da pesquisa pública de maneira a que sirva ao interesse público...Como resultado, a agricultura de “baixo-insumo”, que requer uso mínimo de fertilizantes químicos e de pesticidas, e é mais barata e mais útil para agricultores mais pobres, encontra-se amplamente abandonada. Da mesma forma, pesquisa sobre como melhorar a distribuição de alimentos recebe apoio inadequado... Para dizê-lo de maneira direta, grande parte da ciência financiada publicamente já não se faz segundo o interesse público.” 

O estudo recomenda a apresentação transparente dos arranjos financeiros entre a academia e as empresas, uma mudança das políticas governamentais que priorizam a pesquisa com retorno comercial de curto prazo acima de tudo e outras providências. A apropriação da ciência pelas corporações já não se dá apenas através da apropriação dos resultados (ver o artigo Da propriedade intelectual à sociedade do conhecimento, sob “Artigos Online” em dowbor.org) mas também através da apropriação da própria agenda de pesquisa, financiada com recursos públicos, e depois apropriada através de patentes.

O impacto particularmente dramático na área farmacêutica é bem conhecido, mas o presente relatório vai muito além. É um aporte muito significativo e bastante esperado. Tanto o resumo executivo como o relatório completo estão disponíveis online em: http://www.sgr.org.uk/SciencePolicy/SGR_corp_science_summary.pdf  (L. Dowbor)

Encontros transformadores: Caco Barcellos e Ladislau Dowbor - Out 09

O vídeo abaixo é a respeito de um encontro muito agradável, proposto pela revista TRIP, que tive com o jornalista Caco Barcellos, um dos parceiros de indicação do Prêmio Trip Transformadores 2009.

http://www.youtube.com/watch?v=YYfKb54HAvM

Fundo comum de patentes para baratear antirretrovirais - out 09

O problema das patentes da indústria farmacêutica constitui uma tragédia. A nota abaixo, de Andréa Borde, é muito útil para sentir o tamanho do desafio. Os preços cobrados pelos medicamentos não têm limite, pois uma pessoa ameaçada raspa as gavetas e paga, e se for um filho vende até a alma. A nota abaixo mostra o drama dos medicamentos para Aids, doença que já matou 25 milhões de pessoas, mais de quatro vezes o holcausto do judeus durante toda a segunda guerra mundial, enquanto se discute a rentabilidade das ações das empresas. Como as empresas alegam que têm gastos com pesquisa, vale a pena ler “A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos”, de Marcia Angell (veja neste site a resenha sob “Dicas de Leitura”), sobre os gastos reais em pesquisa e em publicidade. Os lucros que as empresas obtêm graças às patentes são muito grandes, mas incomparavelmente maiores são os custos para a sociedade de sustentar dezenas de milhões de pessoas que vão definnhando. O que temos aqui é uma indústria da doença, em vez de uma política de saúde. Ver também, neste site, sob “Artigos”, o nosso “Da propriedade intelectual à sociedade do conhecimento”. (L. Dowbor)

Acesse o artigo de Andréa Borde no portal Envolverde


 

The Dollar's Fate - Aug 09

O papel do dólar, simulteamente moeda nacional e moeda mundial, colocou os Estados Unidos numa posição confortável - desde os acordos de Bretton Woods e a rejeição pelos americanos das propostas de Keynes - de emitir à vontada papéis que outros terão de aceitar. O artigo de Paul Kennedy, traz o peso específico do autor, muito respeitado pela amplitude das suas visões, e constitui ótima leitura pela clareza do raciocínio: "Vivemos hoje num mundo onde um único país, possuidor de apenas 5% da população mundial, tem certa 20% do seu PIB, gasta quase 50% do orçamento militar global, e imprime livremente notas que somam entre 65 e 70% das reservas globais em moeda externa". Este debate, segundo Paul Kennedy, "é realmente sobre se iremos presenciar um outro deslocamento global no equilíbrio de poder "antes" ou "mais tarde" e não sobre "se" ocorrerá". De toda forma, segundo o autor, os americanos precisam parar de "considerar a redução do papel mundial do dólar como um tipo de ameaça à sua masculinidade". Leia The Dollar's Fate, publicado em International Herald Tribune (28.08.2009) através do link: http://www.nytimes.com/2009/08/29/opinion/29iht-edkennedy.html?pagewanted=2&_r=1&sq=Paul%20Kennedy&st=cse&scp=1 (em inglês).

The Dollar's Fate
Paul Kennedy
(28.08.09)

There is a most interesting debate going on at present about the longer-term fate of the U.S. dollar as the supreme reserve currency for foreign-exchange transactions and, more importantly, for the currency holdings of national governments, global companies and the producers of oil, gas and other raw materials.

This attracted attention at the time of the G-20 meeting in London this past April, when the International Monetary Fund received a fresh allocation of $250 billion in special drawing rights (SDRs).

Two months later, the issue came up again at Yekaterinburg, Russia, where the meeting of the BRICs — Brazil, Russia, India and China — suggested to commentators that a coalition of rising states might pull Uncle Sam down to size, in part by shifting their currency holdings from the dollar into these I.M.F. units of account.

A generous interpretation of all of this talk is that it actually is rather better for the world to have its monetary exchanges based upon some international “spread” of currencies rather than upon a single one that, if it toppled due to domestic mismanagement, could bring ruin to many innocent players. Had not the great economist John Maynard Keynes proposed this with the creation of the “bancor” in 1944, to head off a dollar-denominated world that would in the end meet its fate of carrying too much on its shoulders?

This would have been good for the international community and, actually, good for America. Why should the Weary Titan have to stagger under the too-vast weight of its single-currency burden? But Washington vetoed Keynes’ scheme. It’s nice to feel you are Top Dog. Besides, if you possess the world’s leading foreign currency, you can run enormous trade and current-account deficits without being punished for it.

The nastier interpretation of this move toward ending the dollar’s preeminence is, let there be no doubt, an anti-American one. It seems to be in the nature of things that the leading power in world affairs is always resented by countries further down the totem pole, even when that hegemon is fairly successful at distributing what economists term “public goods.”

If, therefore, the rising economies of Brazil, Russia, India and China decide to have their own get-together, it is scarcely surprising that they would discuss the international trading and financial system, and how to become less dependent on America’s capacity (through sub-prime mortgages, lousy banks, currency dominance) to wreak damage upon it.

To some, a weakened dollar might also be good as a blow to U.S. arrogance, and a reminder that even top dogs can be tripped up. Removing the dollar’s “unfair” advantage as the primary reserve currency has always seemed agreeable to French intellectuals and, the record shows, to French presidents from de Gaulle to Sarkozy.

So why not, then, push for a more equitable “basket of currencies” to grease the world’s commercial exchanges or, as a variant of that, try to arrange trade through the medium of the I.M.F.’s special drawing rights?

It turns out that there all sorts of reasons why those SDRs cannot at present function as a common currency — that is, as something you would price a Toyota car in, or as a wad of bills you could withdraw from a cash machine. Their function is intergovernmental by nature and not at all like, say, Barclay’s foreign-currency departments.

This was well explained recently by the financial writer Swaminathan S. Anklesaria Aiyar of the Cato Institute, in Washington (see www.cato.org/pub_display.php?pub_id=10331). It should be noted that Aiyar is not like certain nationalist American commentators on this topic who seem to regard a reduction in the dollar’s world role as something like a threat to one’s masculinity.

In fact, Aiyar cold-bloodedly argues that the dollar’s relative fall will much more likely come as a result of the continued growth of China’s G.D.P. and the future arrival of the yuan as a fully convertible currency — and not as a recourse by the governments of the world to some artificial I.M.F. instrument like the special drawing rights. With the yuan joining the euro, the yen and the dollar as the four biggest foreign currencies by far, there will be even less pressure and logic for substitution of the traditional means of money exchange.

Just a short time before reading Aiyar, my eye was caught by a rather extraordinary article, “The World Supremacy of the Dollar at the Rendering (1917-2008),” by the superb Italian scholar Antonio Mosconi of the Einstein Centre for International Studies (CESI). The title itself is so intriguingly biblical that I immediately wanted to know what it said.

For those with less time on their hands than university professors, it said this: The U.S dollar has lived two lives, the first as the currency of a powerful creditor country from the 1920s to the 1960s, the second as the currency of an “empire of debt” from the 1970s until today, with much more international indebtedness to come, simply from the wretched fire sale of Treasury bonds every week.

It is impossible to summarize in a few sentences Mosconi’s devastating and elegant description of the U.S. government’s exploitation of its domestic paper-printing capacity upon the international fiscal scene, but his general conclusion is blunt: “This crisis is not like the others, but it is the last convulsion of the international role of the dollar.” At some time in the future, much of the world will take steps to avoid having its fate rest upon the autistic decisions of the U.S. Treasury and the Federal Reserve Bank. And then will come the rendering….

Well, we shall see. Given the nervousness of world markets at present, it is as possible that we could see an improvement in the dollar’s exchange value as watch a sudden slump.

Overall, though, these academic papers make some basic sense. We live in a world right now where one single country, possessing only about 5 percent of the earth’s population, has roughly 20 percent of its G.D.P., spends almost 50 percent of its total defense expenditures, and freely prints bills that account for 65-70 percent of global foreign-currency reserves.

If one believes in the economists’ theory of “convergence” — that is, the coming closer together of the product and income of companies, regions and countries — then the conclusion is clear: As China, India, South Korea, Brazil, Mexico and Indonesia all “catch up,” the American share of things will relatively shrink. Sooner or later — and this debate really is about “sooner” or “later,” not about “if” — we are going to witness another major shift in the global balances of power.

Even in the shorter term, I guess I would be looking a little more keenly at the current distribution of my portfolios, just to ensure that when I had to come to “render my accounts,” I would not look awfully out of date. And, as an international author, I am happy to take my fees and royalties in many currencies, just to be on the safe side.

Paul Kennedy is Dilworth Professor of History and director of International Security Studies at Yale University. His books include “The Rise and Fall of the Great Powers.”

O ponto crítico da civilização - Ago 09

Muito importante a nota que Lester Brown está divulgando sobre o "tipping point", o ponto de não retorno de uma série de crises que se aproximam (energia, alimentação, clima etc.).

O ponto crítico da civilização
Lester Brown
27/08/2009

Tem aumentado a preocupação com os pontos críticos da natureza. Cientistas já questionam, por exemplo, a capacidade de recuperação das espécies em risco de extinção. Biólogos marinhos, por sua vez, estão preocupados com o fato de que a pesca excessiva dará início ao colapso dessa indústria.

Sabemos que existiram pontos críticos em civilizações antigas, pontos em que a população foi dominada pelas forças naturais que as ameaçavam. Por exemplo, em algum ponto, o acúmulo de sal relacionado à irrigação do solo esgotou a capacidade agrária dos Sumérios. Com os Maias, os efeitos danosos do desmatamento associados à perda da fertilidade do solo tornaram-se irreversíveis.

Porém, os pontos críticos que levam ao declínio e ao colapso de uma sociedade nem sempre são facilmente previstos. De forma geral, os países desenvolvidos podem lidar com novas ameaças de forma mais efetiva do que os países em desenvolvimento. Por exemplo, enquanto os governos de países industriais têm sido capazes de manter os índices de infecção do HIV entre adultos abaixo de 1%, muitos governos de países em desenvolvimento têm falhado nesse controle e agora estão lutando com altos índices de infecção. Isto é mais evidente em alguns países sul-africanos, onde 20% ou mais adultos estão infectados.

Uma situação semelhante existe com o crescimento populacional. Enquanto a taxa se mantém estável em quase todos os países industrializados, exceto os Estados Unidos, observa-se o contrário em quase todos os países da África, Oriente Médio e do subcontinente indiano - onde a taxa populacional é crescente. Esses 80 milhões de pessoas a mais no mundo por ano nascem, exatamente, em países onde os sistemas naturais já estão se deteriorando, em face da excessiva pressão populacional. Nestes países, o risco de falência do Estado também está crescendo.

No entanto, alguns assuntos parecem superar até mesmo as habilidades de governança das nações mais avançadas. Quando alguns poucos países detectaram a redução nos níveis de água dos lençóis subterrâneos, era lógico esperar que seus governos rapidamente elevassem a eficiência racional do recurso e estabilizassem o crescimento da população, para estabilizar os aqüíferos. Infelizmente, nenhum país - desenvolvido ou em desenvolvimento - o fez. Dois Estados em falência, onde o resultado da extração excessiva da água soma-se à falta de uma política de segurança hídrica, são o Paquistão e o Iêmen.

Embora a necessidade de cortar as emissões de carbono seja evidente já há algum tempo, nenhum país conseguiu se tornar uma nação “carbono-neutra”. Até mesmo as sociedades tecnologicamente mais avançadas enfrentam muita dificuldade política para isso. Poderiam, assim, os crescentes níveis de dióxido de carbono na atmosfera, provarem-se tão incontroláveis para a nossa civilização quanto os níveis de sal no solo foram para os Sumérios no ano 4.000 A.C.?

Outro ponto de pressão sobre os governos é a redução da oferta de combustível fóssil. Embora a extração mundial de petróleo tenha excedido, em 20 anos, a descobertas de novas reservas, somente a Suécia e a Islândia possuem algo que remotamente assemelhe-se a um plano para lidar efetivamente com uma retração da oferta.

Este não é um inventário exaustivo de problemas não resolvidos, mas apresenta uma noção da quantidade deles. Analiticamente, o desafio é avaliar os efeitos de pressionar cada vez mais o sistema natural global. O resultado desse estresse ficou evidente na atual questão da segurança alimentar, o ponto fraco de muitas civilizações antigas que entraram em colapso.

Além da dificuldade de adaptação ao crescimento constante da demanda por alimentos, várias tendências convergentes estão tornando as coisas ainda mais difíceis para agricultores ao redor do mundo. Os pontos críticos delas são a queda dos níveis dos lençóis freáticos, o uso indevido de terras cultiváveis e ocorrências climáticas extremas, incluindo ondas de calor, secas e enchentes. Como os problemas não resolvidos se acumularam, os governos mais fracos estão começando a sucumbir.

Para agravar a situação, os Estados Unidos, maiores produtores mundiais de trigo, aumentaram dramaticamente sua participação na safra de grãos utilizando o etanol como combustível - saltando de 15%, em 2005, para mais de 25% em 2008. Esse esforço mal orientado para reduzir a dependência do petróleo ajudou a conduzir os preços mundiais de grãos a elevações constantes até meados de 2008, criando uma insegurança alimentar mundial sem precedentes.

Os riscos desses problemas acumulados (e suas conseqüências) dominarão cada vez mais os governos, levando à falência generalizada do Estado e, finalmente, ao fim da civilização. Os países que estão no topo da lista de Estados em falência não são particularmente uma surpresa. Incluem, por exemplo, Iraque, Sudão, Somália, Chade, Afeganistão, República Democrática do Congo e o Haiti. E a lista cresce cada vez mais a cada ano, levantando questões perturbadoras: quantos Estados em falência serão submetidos a isso antes do fim completo da civilização? Ninguém sabe a resposta, mas é uma pergunta que precisamos fazer.

Estamos numa corrida entre os pontos críticos da natureza e nossos sistemas políticos. Podemos desativar poderosas usinas de carvão antes que o derretimento da calota de gelo da Groelândia se torne irreversível? Podemos reunir vontade política pelo fim do desmatamento na Amazônia antes que as crescentes queimadas cheguem a um ponto sem retorno? Podemos ajudar os países a estabilizarem a população antes que se tornem Estados em falência?

Temos tecnologias para restaurar os sistemas naturais de suporte da Terra, para erradicar a pobreza, para estabilizar a população, para reestruturar a economia energética mundial e o clima. O desafio agora é construir vontade política para fazê-lo. Salvar a civilização não é um esporte para espectadores. Cada um de nós possui um papel de liderança a representar.

Adaptado do Capítulo 1, “Entering a New World”, Lester R. Brown, Plano B 3.0: Mobilizing to Save Civilization (Nova Iorque: W.W. Norton & Company, 2008), disponível para download gratuito e para compra no site do Earth Police Institute.

*Tradução: Leticia Freire, do Mercado Ético

Lester R. Brown é considerado um dos mais influentes pensadores mundiais. Formado em ciências agrícolas, dedica-se à pesquisa e ao debate dos grandes temas ambientais e econômicos desde os anos 70, quando fundou o World Watch Institute. É também fundador do Earth Policy Institute.

Publicado em:
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/o-ponto-critico-da-civilizacao/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje 

O original em inglês, pelo Earth Policy Institute:
http://www.earthpolicy.org/Books/Seg/PB3ch01_ss5.htm

Empregos Verdes - OIT - Ago 09

A OIT lançou uma cartilha sobre o seu programa de Empregos Verdes, A cartilha é muito sumária, mas a iniciativa tem imensa importância, pois o enfrentamento dos dramas ambientais e da tragédia social pode simultâneamente assegurar uma alocação racional de recursos financeiros e promover empregos decentes. Um resumo da proposta pode ser encontrado na cartilha em português em http://www.oitbrasil.org.br/topic/green_job/doc/cartilha_empregos_verdes_15.pdf  e uma visão já mais completa no resumo executivo da proposta, em inglês (disponível também em espanhol), em
http://www.ilo.org/global/What_we_do/Publications/Booksandpublications/lang--en/docName--WCMS_098487/index.htm

A Profile of America's 'Top-Heaviest' Year

O texto abaixo apresenta a impressionante concentração de renda nos Estados Unidos, em particular das 14.588 famílias que têm uma renda média da ordem de 35 milhões de dólares por ano. Além do absurdo do nível de remuneração, a apropriação deste tipo de renda envolve uma grande concentração de poder político, desequilibrando o processo. Os excessos de riqueza e de pobreza são igualmente patológicos em termos de sociedade. (LD)

A Profile of America's 'Top-Heaviest' Year

Concentração de renda no topo do topo nos EUA - Texto de www.toomuchonline.org  (17 agosto de 2009)

Emmanuel Saez, the Berkeley economist who many now consider the world’s top authority on the incomes of the super rich, has never been one for sweeping statements. He tends to let his data do the talking. But his latest data — from the crunching of just-released IRS tax records for 2007 — have wowed even Saez.

America’s most affluent, those data show, have never grabbed a greater share of the nation’s income than they did in 2007. The nation’s top .01 percent of income-earners in 2007 — taxpayers who made over $11.5 million — pulled in 6.04 percent of all income, the highest top .01 percent share of the nation’s income since the IRS started keeping records back in 1913. 

The year 2007, a rather awestruck Saez noted earlier this month, “was an incredibly good year for the super rich.”

The 14,588 families who made up 2007’s top .01 percent averaged $35,042,705 in income, 1,080 times the $32,421 average income of America’s bottom 90 percent. The gap between the top .01 percent and the bottom 90 percent, before 2007, had never stretched over 1,000 times.

Was 2007 the most unequal, top-heavy year in American history? That depends on how you define the top. If you’re looking at only the tippy-top of the income distribution — families in the richest tenth or hundredth of 1 percent — 2007 “wins” the inequality honors hands down.

But if you define rich a bit more broadly, as the top 1 percent, the rich of 2007 don’t quite match the sticky fingers of their awesomely affluent counterparts back in the late 1920s.

In 1928, the last full year before the Great Depression, America’s most affluent 1 percent took in 23.94 percent of the nation’s income. The comparable figure for 2007's top 1 percent: 23.5 percent.

Those 1928 wealthy would see their share of the nation’s income drop sharply as the Depression deepened. Economic shocks to the system, as Berkeley's Emmanuel Saez notes, almost always cost the rich income share, since profits from businesses and stock market wheeling and dealing tend to “fall faster than average income” during economic downturns.

But what happens next can vary enormously. After the Great Depression, the super rich share of America’s income stayed down — for over a generation. The quarter of the nation’s income that the top 1 percent collected in 1928 actually shrank all the way down to 10 percent in the early 1950s and didn’t start rising appreciably again until after Ronald Reagan’s 1980 election.

After the recession early in the 1990s and the downturn in the early 2000s, a totally different story. The super rich income share did dip after each of these recessions, but only momentarily.

Why did the super rich share of the nation's income go down and stay down after the Great Depression and come right back up after the recessions of recent years?

No mystery here. During the 1930s and early 1940s, as Saez points out, the New Deal put in place financial regulations and progressive tax rates that prevented “income concentration from bouncing back.” In the 1990s, by contrast, Congress and the White House deregulated financial markets. In the 2000s, the two joined to cut taxes on the rich.

So what will happen after our current Great Recession ends? That remains the $64,000 question of our time. In the 1980s, we let market fundamentalists dismantle a huge chunk of the New Deal legacy. The institutions that had kept America's super rich less than super — most notably, progressive taxation and strong trade unions — begin to go by the wayside.

In their place came the record inequality that the new Saez figures so dramatically document — and, over the last year, the worst economic times that Americans under 70 have ever seen.

“We need to decide as a society whether this increase in income inequality is efficient and acceptable,” says Emmanuel Saez, reverting back to his customary eminently sober academic tone, “and, if not, what mix of institutional reforms should be developed to counter it.”

The rest of us can’t afford to be so understated. Those reforms, starting with higher progressive tax rates on high incomes, can’t begin too soon.

A Civilizational tipping point - Lester R. Brown (aug 2009)

Lester R. Brown

Earth Policy Institute
Plan B 3.0 Book Byte
August 12, 2009
http://www.earthpolicy.org/Books/Seg/PB3ch01_ss5.htm

In recent years there has been a growing concern over thresholds or tipping points in nature. For example, scientists worry about when the shrinking population of an endangered species will fall to a point from which it cannot recover. Marine biologists are concerned about the point where overfishing will trigger the collapse of a fishery.

We know there were social tipping points in earlier civilizations, points at which they were overwhelmed by the forces threatening them. For instance, at some point the irrigation-related salt buildup in their soil overwhelmed the capacity of the Sumerians to deal with it. With the Mayans, there came a time when the effects of cutting too many trees and the associated loss of topsoil were simply more than they could manage.

The social tipping points that lead to decline and collapse when societies are overwhelmed by a single threat or by simultaneous multiple threats are not always easily anticipated. As a general matter, more economically advanced countries can deal with new threats more effectively than developing countries can. For example, while governments of industrial countries have been able to hold HIV infection rates among adults under 1 percent, many developing-country governments have failed to do so and are now struggling with much higher infection rates. This is most evident in some southern African countries, where up to 20 percent or more of adults are infected.

A similar situation exists with population growth. While populations in nearly all industrial countries except the United States have stopped growing, rapid growth continues in nearly all the countries of Africa, the Middle East, and the Indian subcontinent. Nearly all of the 80 million people being added to world population each year are born in countries where natural support systems are already deteriorating in the face of excessive population pressure, in the countries least able to support them. In these countries, the risk of state failure is growing.

Some issues seem to exceed even the management skills of the more advanced countries, however. When countries first detected falling underground water tables, it was logical to expect that governments in affected countries would quickly raise water use efficiency and stabilize population in order to stabilize aquifers. Unfortunately, not one country--industrial or developing--has done so. Two failing states where overpumping water and security-threatening water shortages loom large are Pakistan and Yemen.

Although the need to cut carbon emissions has been evident for some time, not one country has succeeded in becoming carbon-neutral. Thus far this has proved too difficult politically for even the most technologically advanced societies. Could rising carbon dioxide levels in the atmosphere prove to be as unmanageable for our early twenty-first century civilization as rising salt levels in the soil were for the Sumerians in 4000 BC?

Another potentially severe stress on governments is the coming decline in oil production. Although world oil production has exceeded new oil discoveries by a wide margin for more than 20 years, only Sweden and Iceland actually have anything that remotely resembles a plan to effectively cope with a shrinking supply of oil.

This is not an exhaustive inventory of unresolved problems, but it does give a sense of how their number is growing as we fail to solve existing problems even as new ones are being added to the list. Analytically, the challenge is to assess the effects of mounting stresses on the global system. These stresses are perhaps most evident in their effect on food security, which was the weak point of many earlier civilizations that collapsed.

Several converging trends are making it difficult for the world’s farmers to keep up with the growth in food demand. Prominent among these are falling water tables, the growing conversion of cropland to nonfarm uses, and more extreme climate events, including crop-withering heat waves, droughts, and floods. As the stresses from these unresolved problems accumulate, weaker governments are beginning to break down.

Compounding these problems, the United States, the world’s breadbasket, has dramatically increased the share of its grain harvest going to fuel ethanol--from 15 percent of the 2005 crop to more than 25 percent of the 2008 crop. This ill-conceived U.S. effort to reduce its oil insecurity helped drive world grain prices to all-time highs by mid-2008, creating unprecedented world food insecurity.

The risk is that these accumulating problems and their consequences will overwhelm more and more governments, leading to widespread state failure and eventually the failure of civilization. The countries that top the list of failing states are not particularly surprising. They include, for example, Iraq, Sudan, Somalia, Chad, Afghanistan, the Democratic Republic of the Congo, and Haiti. And the list grows longer each year, raising a disturbing
question: How many failing states will it take before civilization itself fails? No one knows the answer, but it is a question we must ask.

We are in a race between tipping points in nature and our political systems.
Can we phase out coal-fired power plants before the melting of the Greenland ice sheet becomes irreversible? Can we gather the political will to halt deforestation in the Amazon before its growing vulnerability to fire takes it to the point of no return? Can we help countries stabilize population before they become failing states?

We have the technologies to restore the earth’s natural support systems, to eradicate poverty, to stabilize population, and to restructure the world energy economy and stabilize climate. The challenge now is to build the political will to do so. Saving civilization is not a spectator sport. Each of us has a leading role to play.

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Adapted from Chapter 1, “Entering a New World,” in Lester R. Brown, Plan B
3.0: Mobilizing to Save Civilization (New York: W.W. Norton & Company, 2008), available for free downloading and purchase at www.earthpolicy.org/Books/PB3/index.htm.

 

Inaugurados mais quatro bancos comunitários - Ago 09

Boletim Acontece Senaes - 5a. edição
Ministério do Trabalho e Emprego

Movimentos sociais em parceria com a SENAES inauguram quatro bancos comunitários na cidade de São Paulo

"O crédito faz a ponte entre o presente e o futuro”. Essa frase de John Maynard Keynes foi utilizada pelo Secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer, no dia 5 de junho durante ato de lançamento, na Câmara Municipal de São Paulo, de quatro bancos comunitários. A frase reflete a importância dessa iniciativa em comunidades que, em muitos casos, não tem acesso ao crédito, nem tampouco aos serviços bancários. Os bancos comunitários são projetos de apoio à economia popular de municípios de baixo Indíce de Desenvolvimento Humano e prestam serviço financeiro solidário em rede de natureza associativa e comunitária. Além disso, os bancos comunitários atuam para a geração de trabalho e renda promovendo a economia solidária. Os bancos comunitários são de propriedade da comunidade, que também é responsável por sua gestão.

Nos dias 6 e 7 de junho foram inaugurados quatro bancos comunitários em São Paulo. Esse lançamento faz parte do projeto Moradia Solidária e vem sendo desenvolvido pelos seguintes Movimentos de Moradia: Sem Terra da Zona Norte, Paulo Freire, Vista Linda e União dos Movimentos de Moradia Independentes da Zona Sul (UMMIZS). Tais movimentos contam com o apoio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade de São Paulo (ITCP/USP).

Esse projeto foi realizado com o recurso da emenda parlamentar do ex-Deputado Federal Roberto Gouveia e foi executado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária em parceria com o Instituto Palmas. Os bancos estão localizados nas quatro extremidades de São Paulo, sendo o Banco Comunitário Apuanã na Zona Norte, Banco Comunitário Autogestão na Zona Sul, Banco Comunitário Vista Linda na Zona Oeste e o Banco Comunitário Paulo Freire na Zona Leste.

De acordo com a Gerente do Banco Apuanã, Hilda Pires,“para muita gente da comunidade esse banco era apenas um sonho e hoje estamos vendo que ele se tornou realidade. Hoje, estamos realizando um projeto que permite que as pessoas trabalhem, consumam e produzam dentro da nossa comunidade”, diz. A realização desse sonho começou a ser concretizada há um ano, quando seis membros da comunidade fizeram curso de formação oferecido pela ITCP/USP juntamente com o Laboratório de Extensão da USP que tinha como objetivo a formação em economia solidária, assim como a formação para os princípios e estratégias dos bancos comunitários.

Os quatro bancos comunitários criados em São Paulo deverão integrar uma Rede que hoje possuí 44 bancos em todo país. Esse projeto foi inspirado na experiência do conjunto Palmeiras, Ceará, quando alguns membros da comunidade perceberam que ali não existia uma situação de pobreza, mas sim, uma situação de empobrecimento, já que toda a renda da comunidade era gasta fora dela. A partir de então, surgiu à idéia de um banco para comunidade, para fazer com que os recursos girassem dentro da própria comunidade. Uma particularidade desse banco é a utilização da moeda social, instrumento que incentiva e fortalece o desenvolvimento local. Essa moeda deverá ser utilizada apenas dentro daquela comunidade específica, e para que ela gere resultados é necessário que os empreendimentos locais a aceitem. Para Singer, “moeda social é um instrumento que permite criar um território próprio, além de criar uma proteção aos novos empreendimentos que serão geridos pela comunidade. A partir da utilização das medas sociais é possível desenvolver economia própria e ter uma área de produção coletiva e autogestionária”, afirma.
 
Fonte: Boletim Informativo – Número 5 – Acontece SENAES

1020 millones de personas pasan hambre

Abaixo nota da FAO sobre a dramática evolução da fome no mundo. O planeta produz só de grãos cerca de um quilo de alimento por dia, por pessoa, não há nenhuma razão objetiva para a tragédia, a não ser a ganância dos grandes grupos que controlam os mercados da área. Os mesmos especuladores que geraram a crise financeira especulam com commodities alimentares, e a convergência dos dois processos é muito mais do que fragilidade da bolsa e preocupação dos banqueiros: são 1020 milhões de pessoas que passam fome no mundo, um aumento de quase 200 milhões. Na América Latina são 53 milhões. E para o resgate dos intermediários financeiros, já foram 4 trilhões de dólares. (LD)

1 020 millones de personas pasan hambre
19/06/2009 - FAO
https://www.fao.org.br/vernoticias.asp?id_noticia=814

Roma, 19 de junio de 2009
- El hambre en el mundo alcanzará un récord histórico en 2009, con 1 020 millones de personas que pasan hambre a diario, según los últimos datos publicados hoy por la FAO.

 

El reciente incremento del hambre no es consecuencia de las malas cosechas, está causado por la crisis económica mundial, que ha provocado a su vez una disminución de los ingresos y un incremento del desempleo. De este modo se ha reducido el acceso de los pobres a los alimentos, según la Organización de la ONU.

 

"Una mezcla explosiva de desaceleración económica mundial y precios de los alimentos que se empeñan en permanecer altos en muchos países, ha empujado a unos 100 millones de personas más al hambre y la pobreza", aseguró el Director General de la FAO, Jacques Diouf. "Esta crisis silenciosa del hambre -que afecta a uno de cada seis seres humanos- supone un serio riesgo para la paz y la seguridad mundiales. Necesitamos crear con urgencia un amplio consenso para la erradicación rápida y completa del hambre en el mundo y para dar los pasos necesarios", añadió.

 

"La situación actual de inseguridad alimentaria mundial -subrayó- no nos puede dejar indiferentes".

 

Los países pobres, según Diouf, "necesitan las herramientas de desarrollo, económicas y políticas necesarias para impulsar su producción agrícola y su productividad. Es necesario incrementar la inversión en agricultura, ya que en la mayoría de los países pobres un sector agrícola saludable es clave para vencer al hambre y la pobreza y supone un requisito previo para el crecimiento económico".

 

"Muchos de los que sufren pobreza y hambre en el mundo son pequeños campesinos en los países en desarrollo. Pero tienen el potencial no solamente de cubrir sus propias necesidades, si no también de mejorar la seguridad alimentaria y catalizar un mayor crecimiento económico. Para liberar este potencial y reducir el número de víctimas del hambre en el mundo, los gobiernos -con el apoyo de la comunidad internacional-, necesitan proteger las inversiones clave en la agricultura, de forma que los pequeños campesinos tengan acceso no solo a semillas y fertilizantes, si no también a tecnologías adaptadas para ellos, infraestructuras, financiación rural y mercados", explicó Kanayo F. Nwanze, Presidente del Fondo Internacional de Desarrollo Agrícola (FIDA).

 

"En la mayoría de los países en desarrollo no existe apena duda de que invertir en los pequeños agricultores supone crear la red de seguridad más sostenible, en especial en tiempos de crisis económica mundial", añadió Nwanze. 

 

"El rápido avance del hambre continúa provocando una enorme crisis humanitaria. El mundo necesita trabajar unido para garantizar que se atienden las necesidades de emergencia y se buscan soluciones a largo plazo", señaló por su parte Josette Sheeran, Directora Ejecutiva del Programa Mundial de Alimentos (PMA).

 

El hambre aumenta

 

Al tiempo que se lograron importantes progresos para reducir el hambre crónica en la década de 1980 y la primera mitad de la de 1990, el hambre aumentó lenta pero inexorablemente durante la última década, según la FAO. El número de hambrientos se incrementó entre 1995-97 y 2004-06 en todas las regiones del mundo, excepto en Latinoamérica y el Caribe. Pero incluso en esta última región, los progresos en la reducción del hambre se han visto anulados como consecuencia del alza de los precios alimentarios y la actual crisis económica. (ver informe)

 

Este año, debido principalmente a los vaivenes de la crisis económica combinados con precios a menudo muy altos a nivel nacional, se espera que el número de víctimas del hambre aumente en conjunto cerca del once por ciento, según previsiones de la FAO basadas en los análisis del Departamento de Agricultura de EE.UU.

 

Casi toda la población desnutrida del planeta vive en países en desarrollo. En Asia y el Pacífico se calcula que unos 642 millones de personas sufren hambre crónica, 265 millones en África subsahariana, 53 millones en Latinoamérica y el Caribe, 42 millones en África del norte y Oriente medio y 15 millones en los países desarrollados.

 

Atrapados por la crisis

 

Los pobres urbanos serán probablemente los que tengan más dificultades para hacer frente a la recesión mundial, ya que el descenso de la demanda de exportaciones y la reducción de la inversión extranjera directa causarán un aumento del desempleo urbano. Pero las zonas rurales tampoco se librarán, ya que millones de residentes urbanos se verán forzados a regresar al campo, obligando en muchos casos a los pobres rurales a tener que compartir esta carga.

 

Algunos países en desarrollo se enfrentan también al hecho de que las remesas que los emigrantes envían a sus hogares han descendido de forma notable este año, con la consiguiente disminución de entrada de divisas y de ingresos para las familias. La disminución de las remesas y el recorte previsto en la ayuda oficial al desarrollo limitará aún más la posibilidad de que los países accedan a capital para sostener la producción y crear redes de seguridad y sistemas de protección social para los pobres.

 

A diferencia de crisis anteriores, los países en desarrollo tienen menos capacidad de maniobra para adaptarse al rápido deterioro del contexto económico, ya que las turbulencias afectan prácticamente a todo el mundo de forma más o menos simultánea. Las oportunidades para mecanismos reparadores, como la devaluación de la moneda o conseguir préstamos en el mercado internacional de capitales, por ejemplo, para ajustarse a los vaivenes macroeconómicos, son más limitadas en una situación de crisis mundial.

 

La crisis económica se produce además a continuación de la crisis alimentaria y energética de 2006-08. Mientras que los precios de alimentos han bajado de forma sustancial en los últimos meses en los mercados mundiales, a nivel doméstico en los países en desarrollo este descenso se ha producido de forma más lenta. Los precios han permanecido de media un 24 por ciento más elevados en términos reales a finales de 2008, en comparación con 2006. Para los consumidores pobres, que gastan hasta un 60 por ciento más de sus ingresos en alimentos básicos, ello supone una fuerte reducción de su poder adquisitivo efectivo. Hay que señalar además que si bien bajaron, los precios internacionales de los alimentos básicos son todavía un 24 por ciento más altos que en 2006 y un 33 por ciento más elevados que en 2005.

 

El informe sobre el hambre en 2009 (El estado de la inseguridad alimentaria mundial, también conocido por sus siglas en inglés, SOFI), será presentado el próximo mes de octubre.

 

Disponível em: https://www.fao.org.br/vernoticias.asp?id_noticia=814

As Prioridades no Mundo

A tabela abaixo, extraída do Relatório sobre o Desenvolvimento Humano de 1998, apresenta a deformação das prioridades do uso dos recursos no planeta. A leitura é simples: não se conseguem os 6 bilhões anuais suplementares para universalizar a educação básica, mas se conseguem sim 8 bilhões para cosméticos nos EUA, e assim por diante. Isto confrontado com  os 4 trilhões de recursos públicos transferidos nesta crise para intermediários financeiros privados, dá uma idéia do grau de absurdo do chamado "mercado". (LD)

 

 

Gastos Anuais em Dólares

 

 

 

Educação Básica para todos

 

 

$6 bilhões*

Cosméticos nos EUA

$8 bilhões

 

Água e serviços sanitários básicos

 

$9 bilhões

 

Sorvetes na Europa

 

$11 bilhões

 

Saúde reprodutiva das mulheres

 

$12 bilhões

 

Perfumes na Europa e nos EUA

 

$12 bilhões

 

Saúde básica e nutrição

 

$13 bilhões

Ração para animais de estimação na Europa e EUA

 

Entretenimento Corporativo no Japão

 

Cigarros na Europa

 

Bebidas alcóolicas na Europa

 

Drogas no mundo

 

Gastos militares no mundo

 

 

$17 bilhões

 

$ 35 bilhões

 

$ 50 bilhões

 

$ 105 bilhões

 

$ 400 bilhões

 

$ 780 bilhões

 

 

 

* Estimativa de custo anual adicional para alcançar o acesso aos serviços sociais básicos em todos os países em desenvolvimento.

Fonte: Euromonitor 1997; UN 1997g; UNDP, UNFPA and UNICEF 1994; Worldwide Research, Advisory and Business Intelligence Services 1997.

Human Development Report 1998, New York, p. 37

 

A Global Green New Deal - Feb 2009

Ignacy Sachs me mandou um documento da ONU de grande interesse, a proposta de um New Deal verde mundial para enfrentar simultaneamente a crise financeira e os dramas ambientais. Como exemplo, a Coréia do Sul está investindo 36 bilhões de dólares em energia limpa, o que deve gerar quase um milhão de empregos (p.14): melhora o meio ambiente, melhora a situação social pelos empregos, e enfrenta a crise ao gerar damanda na base da sociedade. Melhor do que colocar dinheiro por cima nos grandes bancos. Vejam o material, são 16 p., está em inglês:
http://www.unep.org/greeneconomy/docs/GGND_Executive_Summary.pdf

Crise financeira e crise climática: desafio e oportunidade - Jan 2009
A convergência da crise financeira e da mudança climática pode representar uma oportunidade, através de uma reorientação inteligente dos recursos financeiros. Revendo em 2009 os dados que produziu no Stern Review de 2006 sobre os custos econômicos da mudança climática, Nicholas Stern, no artigo Decision Time, considera que temos ao mesmo tempo uma situação que se agrava e uma oportunidade. (LD, tradução livre minha)
 
A situação:
 
"Desde os meus colegas e eu publicamos o Relatório Stern sobre a economia da mudança climática em 2006, tornou-se aparente que os riscos e custos potenciais são até maiores do que verificamos originalmente. As emissões globais de gases de estufa estão crescendo mais rapidamente do que projetado, a abilidade do planeta de absorver estes gases agora aparece como mais baixa do que tinha sido assumido, o aumento potencial de temperaturas devido à crescente concentração de gas parece mais elevado, e os impactos físicos de uma planeta em vias de aquecimento têm surgido em ritmo mais acelerado do que o esperado."
 
A oportunidade:
 
"Enquanto a crise econômica global poderia nos distrair da tarefa maior de enfrentar a mudança climática, também é uma oportunidade de realizar investimentos em tecnologias de baixo carbono enquanto os custos são mais baixos. Pode também gerar oportunidades de emprego no curto prazo em setores chave onde há recursos subutilizados, como a construção. Investimentos que melhoram a eficiência energética também favoreceriam um crescimento sustentável e com sólidas bases, em contraste com as recentes bolhas, e eventuais estouros, puxados por instáveis aventuras dot.com ou prêços inflados de casas. De continuarem sem controle, as emissões e o crescimento intensivo em carbono não são sustentáveis. Em 2009, temos uma verdadeira oportunidade de traçar um caminho para um futuro pouco intensivo em carbono. É o único futuro realista para assegurar o crescimento e para vencer a pobreza mundial".
 
No original inglês:
 
 "While the global economic downturn could distract us from the bigger task of tackling climate change, it is also an opportunity to bring forward investments in low-carbon technologies while costs are lower. It can provide job opportunities in the short run in key sectors where resources are idle, such as construction. Investments that improve energy efficiency will also  yeild benefits when power and heating prices increase again during economic recovery. In the long term, investments in low-carbon technologies would provide sustainable and well-founded economic growth, in contrast to the recent booms, and eventual busts, driven by flaky dotcom ventures or inflated house prices. Continued uncheked, emissions and high-carbon growth are not sustainable. In 2009, we have a real chance to set a path towards a low-carbon future. It is the only realistic future for growth and for overcoming world poverty".
 
"Since my colleagues and I published the Stern Review on the economics of climate change in 2006, it has become apparent that the risks and potential costs are even greater than we originally recognised. Global emissions of greenhouse gases are growing more quickly than projected, the ability of the planet to absorb those gases  now appears lower than was assumed, the potential increases in temperatures due to rising gas concentrations seem higher, and the physical impacts of a warming planet are appearing at a faster rate than expected."
 
Ver texto completo de Stern (2 páginas):
 
http://www.newscientist.com/article/dn16433
New Scientist, Nicholas Stern, 23 January 2009, p. 26

Novo salário mínimo estimula economia e gera empregos - Fev 2009

Vejam a nota importante sobre o impacto da evolução do Salário Mínimo, aumento real de 6,4%, o que dinamiza o mercado de massas interno, vital para compensar o esfriamento da dinâmica exportadora com a crise mundial.

EM QUESTÃOEditado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Nº 762 - Brasília, 2 de Fevereiro de 2009

Novo salário mínimo estimula economia e gera empregos

O novo salário mínimo de R$ 465, que passa a vigorar neste mês, beneficiará direta e indiretamente 42 milhões de brasileiros, entre trabalhadores formais e informais (cerca de 25 milhões) e pensionistas (aproximadamente 17,8 milhões). Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, a medida vai injetar R$ 23,1 bilhões no mercado interno durante o ano de 2009, mantendo a geração de empregos forte mesmo diante da crise financeira internacional. “Serão R$ 50 a mais, todos os meses, para o consumo da base da pirâmide social, estimulando a produção e os empregos”, disse Lupi. “A geração de emprego em janeiro e fevereiro deve permanecer um pouco abaixo da média, mas com essa e outras medidas que o governo vai anunciar em breve, o emprego volta a crescer em março”, analisou.
  
O reajuste nominal de 12,05% garante ao trabalhador um aumento real de 6,39%. Desde 2003, o reajuste do salário mínimo chega a 72%, com aumento real acumulado de 46,05%. “O cálculo do reajuste leva em conta a inflação e o aumento do Produto Interno Bruto. É um mecanismo inteligente que garante que o trabalhador também seja beneficiado com o crescimento da economia”, avaliou o ministro.
  
Lupi afirmou que os valores do abono salarial e do seguro-desemprego também serão reajustados a partir de primeiro de fevereiro. Com o aumento, os dois benefícios farão circular um total de R$ 24,3 bilhões na economia em 2009.

Previdência – O reajuste do salário mínimo deve representar um impacto final de R$ 7,873 bilhões nas contas da Previdência Social em 2009. Pelas projeções da secretaria de Políticas de Previdência Social (SPS), a despesa será elevada em R$ 8,729 bilhões, mas será atenuada com uma arrecadação extra estimada em R$ 856 milhões. Pelo menos 13,9 milhões de beneficiários, os que já ganham o piso previdenciário hoje, serão beneficiados pelo reajuste.
  
O secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, afirma que o aumento de gastos com o reajuste do mínimo não deverá alterar a necessidade de financiamento para este ano, projetada em R$ 41,1 bilhões. “O impacto do aumento do mínimo vai ser naturalmente absorvido, pois as simulações feitas pelos técnicos para definir a projeção de déficit já consideravam esta alteração”, concluiu.
  
Do acréscimo liquído de despesa, R$ 3,7 bilhões referem-se à reposição da inflação e R$ 4,1 bilhões ao ganho real do salário mínimo. Na folha de janeiro, 17,2 milhões de pessoas tiveram benefício igual a um salário mínimo. Destes, 13,9 milhões são benefícios do Regime Geral de Previdência Social e 3,3 milhões são benefícios assistenciais, que não causam impacto nas contas da Previdência, pois são custeados pelo Tesouro Nacional.
  
O índice de reajuste dos benefícios da Previdência Social para os segurados que recebem valores acima do piso será conhecido em fevereiro.

Seguro emprego - Após o anúncio do novo salário mínimo, na sexta-feira (30), o ministro Carlos Lupi disse aos jornalistas que sua equipe está concluindo a proposta de criação de novo mecanismo contra a crise - um incentivo para que as empresas evitem demissões. “O seguro-desemprego tem um impacto muito positivo para a economia, mas queremos avançar ainda mais, criando um mecanismo de prevenção, que consiga evitar a demissão. Uma espécie de seguro-emprego”, explicou, ressaltando que o projeto ainda não foi apresentado à Presidência da República. Lupi também garantiu que o novo mecanismo não tem por objetivo substituir o seguro-desemprego.

Programas sociais contribuem para elevar consumo


As políticas federais de transferência de renda permitem o acesso da população das classes D e E ao mercado consumidor e movimentam a economia, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, segundo o anuário da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O estudo mostra que o volume de venda dos supermercados no Nordeste, em 2008, superou o do Sul, região menos populosa, como já havia acontecido com os dados gerais de aumento no consumo e de energia elétrica em 2007. O Nordeste atingiu 19,6% do faturamento nacional dos supermercados ante 19,4 % do Sul, aponta a publicação.
  
A secretária nacional de Renda de Cidadania do MDS, Lúcia Modesto, responsável pela execução do Bolsa Família, avalia que o programa e o incremento do salário mínimo podem ser mesmo os responsáveis pela melhoria dos indicadores da região Nordeste. O anuário cita que Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região melhorou sensivelmente nos últimos anos. Em 2000, o IDH (no componente de renda) era de 0,609 e evoluiu para 0,619 em 2005.
  
Dados sobre o programa de transferência de renda que atende 11 milhões de famílias – metade delas moradoras dos Estados nordestinos – permeiam várias das quase 300 páginas do anuário, que mostra resultados do setor em 2008 e aponta perspectivas para este ano. A Abras aposta no aumento da oferta de produtos voltados para as classes C e D, que se transformaram na principal base de consumo no País. O setor teve um crescimento real de 8,9% em 2008 em relação a 2007.
  
A publicação mostra ainda que o crescimento acontece principalmente na classe C. O Bolsa Família transferiu para a região Nordeste R$ 5,6 bilhões em 2008 - mais da metade dos R$ 10,6 bilhões do Programa.

http://www.brasil.gov.br/noticias/em_questao/.questao/eq762/

 

Controle da maconha

As leis sobre a maconha – Sugestões do relatório preparado para a reunião de março 2009 da UN Commission on Narcotic Drugs (UNCND). Preparado pela Beckley Foundation, o relatório propõe uma mudança radical do controle do governo sobre o cannabis. Abaixo, trechos do artigo publicado pelo New Scientist, 5 January 2009, p. 6 – (tradução livre minha, LD). Original em inglês www.newscientist.com

 

“A marijuana (maconha) é hoje a droga ilícita mais utilizada no mundo. Os últimos dados do UN Office on Drugs and Crime  (UNODC) indicam que em 2006-2007 cerca de 166 milhões de pessoas de 15 ou mais anos de idade, 3,9% deste grupo etário, usavam-na regularmente. Apenas 1% da população mundial utiliza outras drogas ilegais. O uso do cannabis é particularmente difundido nos países ricos. Cerca de 40% dos americanos e mais de um terço dos australianos já experimentaram.”

 

“O relatório detalha o forte aumento da potência da maconha, com níveis de delta-9 tetrahidrocanabinol (THC) – o composto químico que deixa os usuários ‘vidrados” (stoned) – tipicamente dobra ou triplica relativamente ao que era há uma década. Isto resulta em parte, segundo o relatório, do cultivo ter migrado para dentro das casas com iluminação contínua.”

 

“Apesar dos indubitáveis perigos associados com a maconha, o relatório Beckley conclui que é muito menos danosa para os usuários e para a sociedade em geral do que outras drogas ilícitas como heroina e cocaina, e que gera muito menos danos do que as drogas legais que são o tabaco e o álcool. Existem apenas dois casos documentados de morte por overdose de marijuana, diz o relatório. Isto contrasta com as 200 mil mortes anuais de todas causas atribuidas a outras drogas ilegais, 2,5 milhões de mortes anuais relacionadas com álcool e 5 milhões com cigarros.”

 

“Como a posse de canabis é ilegal, as suas consequências danosas se estendem além dos danos imediatos à saúde, aponta o relatório Beckley. Em particular, os usuários estão em risco de punição e de fichamento criminal. “Se você não acha que ser preso é um dano (harm), você não pode ser persuadido(you are unpersuadable)” diz o criminalista Peter Reuter da University of Maryland, co-autor do relatório. “Nos Estados Unidos, 750 mil pessoas estavam presas em 2006, e eu acho que isto é um dano substantivo”.

 

“O relatório recomenda que a marijana deveria ser vendida legalmente, sujeita a controle estrito de qualidade para assegurar que não seja forte o suficiente para causar problemas psicológicos. Isto, segundo o relatório, permitiria  controlar a idade de acesso e impediria a compra por crianças, e tiraria do negócio os bandos criminosos que vendem a droga. Aos compradores de marijuana não seriam empurradas outras drogas, removendo o seu papel de possível caminho do canabis para outras drogas.”     

 

Veja o relatório original completo em www.beckleyfoundation.org ou o documento síntese em inglês em http://www.beckleyfoundation.org/pdf/BFDPP_Briefing17_Cannabis_Oct08_EN.pdf

Os autores terminam a apresentação sintética do relatório com um apelo para o realismo da comissão especializada: as politicas atuais, na realidade, não representam controle algum. The Commission on Narcotic Drugs, in particular, needs to rise above the current sensitivities to develop a coherent and sustainable approach to the control of cannabis – the current situation cannot be described as any form of control.”

Optimismo ciego: los mitos sobre la asistencia sanitaria privada en países pobres - Fev 2009

A saúde está se tornando um gigante em termos de importância econômica, de emprego, de importância no cotidiano, e a batalha por um sistema decente continua. Vejam um bom relatório, da Oxfam, em espanhol, sobre as ilusões com a privatização neste setor. Boa leitura, são 60 páginas curtas. Acessem em: http://www.oxfam.org/files/Microsoft%20Word%20-%20bp125_Blind%20optimism%20paper_FINAL%20SPANISH_23010957.pdf

Os fatos sobre os excessos de consumo (Overconsumption)

Conjunto de 24 pequenos quadros que apresentam macrotendências planetárias entre 1750 e a atualidade, e que apontam para alguns dos principais desafios. No gráfico sintético "How our economy is killing the earth" (ver abaixo), 12 destas macrotendências estão apresentadas de maneira mais visível. O objetivo é mostrar que uma série de evoluções que podem ser positivas como o aumento do PIB, têm o seu lado trágico que é o do aquecimento global, extinção das espécies e assim por diante. O essencial aqui é mostrar como convergem os chamados "megatrends", as transformações planetárias que o chamado "homo economicus" está provocando de maneira irresponsável. A fonte é do New Scientist de 15 de outubro de 2008. (LD, 17/12/08)

Confira os quadros.

Gráfico New Scientist: How our economy is killing the Earth

O gráfico abaixo constitui um interessante resumo de macrotendências entre 1750 e 2000, vale a pena ver em detalhe. O PIB sobe, o aquecimento também e, evidentemente, a destruição da cobertura florestal, número de automóveis etc. Como dizem os americanos, "Huston, we have a problem". A fonte é o New Scientist de 18 de outubro de 2008. (LD, 12/11/08)

Clique aqui para acessar o gráfico.

World Priorities

O World Priorities, dados organizados pela ONU, é eloqüente quanto à irracionalidade dos usos dos recursos. A leitura da tabela é simples: por exemplo, não se conseguem os 6 bilhões suplementares necessários anualmente para a inclusão no ensino fundamental, mas se consegue sim os 8 bi para sorvete etc. São dados de 10 anos atrás, mas a situação é rigorosamente atual. (LD - Novembro de 2008)

Clique aqui e veja o gráfico.

Participação da renda do trabalho

O gráfico abaixo mostra a queda sistemática da participação da renda do trabalho nos países desenvolvidos, apesar dos grandes avanços da produtividade. A fonte é do Fundo Monetário Internacional (Finance & Development, jun.2007, p.21). Não está no gráfico, mas é bom lembrar que a renda do trabalho no Brasil está por volta de 35%, bem mais baixo ainda. (LD - Novembro de 2008)

Clique aqui e veja o gráfico.

Taça de champagne: distribuição de renda - 1992

Apresentada sob forma de taça de champagne, a renda do planeta é absorvida essencialmente pelos 20% das famílias mais ricas, a classe média se defende, e os dois terços do planeta estão simplesmente fora. O gráfico do Human Development Report 1992, é uma forma eloqüente e didática de apresentar o problema. (LD - novembro 2008)

Clique aqui para acessar o gráfico. 

Jeffrey Sachs e a regulação financeira global - Novembro 2008

O José Eli Veiga me envia este interessante documento de Jeffrey Sachs: são as primeiras reações amplas com visão sistêmica sobre a crise financeira global de 2008. Aponta para a necessidade de um novo pacto financeiro global, um novo Bretton Woods, que leve em consideração não só os equilíbrios financeiros, como a necessidade de enfrentar a desigualdade planetária e os dramas ambientais. (LD, 22 de outubro de 2008).

 

 

Series: A new Bretton Woods

Amid the rubble of global finance, a blueprint for Bretton Woods II

A one-off summit limited to market regulation will not cut it. Durable reform must also tackle climate change and world poverty

Jeffrey Sachs

The Guardian, Tuesday October 21 2008

The international financial system is broken. An integrated set of reforms will be needed to achieve sustained economic growth and shared prosperity. The G8 leaders of Europe, Japan and the US have agreed on an emergency summit this autumn in New York to revamp the international system - a good idea, provided it initiates a wide-ranging set of changes rather than being a one-off meeting focused on market regulation.

The G8 leaders are keen to start on regulation and that is understandable. Wall Street, the City of London and other financial centres ran wild with undercapitalised borrowing and lending stoked by over-the-top fees and bonuses. Alan Greenspan's Federal Reserve fed the financial bubble with rock-bottom interest rates and regulatory forbearance, when it had the chance to restrain it. And the derivatives market was allowed to become so vast and unwieldy that there is no clarity as to who owes what to whom in tens of trillions of dollars of credit default swaps and other derivatives.

Risk assessments have been made enterprise by enterprise without consideration of systemic risk. When institutions are "too big to fail", they must be closely supervised so that indeed they don't bring the entire system down when they do, from time to time, fail. And we have learned again that there is no global lender of last resort, only a hodgepodge of individual central banks and treasuries, whose individual actions may be sufficient or not to stem a panic.

The G8 leaders must go well beyond the issues of financial regulation, however. Even before the current crisis, the global economic system was failing in crucial ways. Many poor countries remain cut off from global prosperity, often falling into poverty-induced violence and conflict. These will be still harder hit by the downturn. The global environmental crisis was also worsening, and climate shocks were wreaking havoc with world food supplies. Energy systems were in turmoil as the growing world economy pushed against supply constraints, yet there was no consensus on how to create an energy system compatible with the environmental and economic needs of the planet. These challenges are in desperate need of attention not only on their own merits, but also because global economic growth cannot be sustained without solutions to these crises.

Financial assistance to the poorest countries - a lifeline for more than a billion people - is in tatters. Europe and the US have mobilised around $3 trillion in the past month in guarantees and bail-out funds for the banks but failed to mobilise even one ten-thousandth of that this year to help the world's poorest grow more food in the midst of a massive food-price increase and hunger crisis.

The US has been blind to the millennium development goals (MDGs) on fighting poverty, hunger, and disease. When George Bush addressed the UN in September - supposedly the mid-point in achieving the goals - he mentioned "terror" 31 times while failing to mention the goals even once. All the big donors except Britain - including the US, Japan, France, Germany, Italy, and Canada - are failing to live up to long-standing aid commitments.

The leaders should pause to reflect that there is another little-mentioned international summit scheduled for December in Doha, Qatar, to take up the challenge of financing development. It comes six years after a similar summit in Mexico, at which countries pledged "concrete efforts" to achieve 0.7% of GNP in development assistance - a level of aid none of them have yet fulfilled.

A true Bretton Woods II summit would set a financial framework to achieve urgent global goals in macroeconomic stability, economic development, environmental sustainability and trade for development.

All these are vital for long-term sustainable growth, but global goals in all four areas remain unachieved. Summiteers should come with chequebooks and international commitments in hand.

Here, then, is an agenda for Bretton Woods II. First, we need to restructure global finance, based on an expanded system of capital adequacy standards, financial reporting, system-wide risk management, and new lender-of-last-resort capacities. Derivatives traders, hedge funds, and broker dealers would be brought under regulatory control.

The IMF would be empowered to be a true global lender of last resort (as I urged a dozen years ago, warning of the threat of self-fulfilling panics). To make this possible, a small tax on financial transactions - a Tobin tax - would be implemented to expand the IMF's war chest in case of crisis and to fund other urgent international needs.

Second, the new global financial structure should help to rescue the world from human-induced climate change. A straightforward tax on the carbon content of fossil fuels, levied by all countries, would do the job, and much better than the enormously cumbersome emission-trading system concocted and championed by the same financial engineers who brought us our current banking crisis. Most of the carbon-tax revenues would stay at home in each country, to help finance low-emission technologies. Some would be directed to finance three global public

goods: research and development on sustainable energy; transfer of sustainable-energy technology to low-income countries; and climate-change adaptation.

Third, the World Bank should be refocused with clear goals, and accountability for their success. Specifically, the bank should have one overarching assignment: helping the poorest countries achieve the millennium development goals to reduce poverty, hunger and disease.

The bank is poorly organised for such leadership today. Like any bureaucracy, it avoids being held accountable for measurable results.

With a tighter focus on the MDGs, the bank should also be supported with much larger financial resources from new revenue sources (such as the Tobin tax), so that the bank can better help the poorest countries expand vital infrastructure (power, roads, water, sanitation and broadband networks).

Fourth, the global trade agenda should be integrated with the finance, and environment objectives. The Doha trade round has failed because the world could not see any urgent reasons for its success. A trade agreement worthy of the effort would do two main things. Importantly, it would help the poorest countries to be more productive so that they can be full participants in the global trading system. "Aid for trade"

would help these countries to build the skills, roads, bridges and clean power grids to support increased trade. In addition, global trade would promote environmental sustainability, to help enforce compliance with reduced carbon emissions and protection of endangered biodiversity.

All these reforms are vital for long-term sustainable growth and development. If the political leaders focus only on financial-sector stability, but neglect the long-term problems of energy supplies, climate change, food production, disease control and extreme poverty, then global growth might be restored in the short term, only to succumb quickly to another global bout of rising energy and food prices, and geopolitical instability.

The shortcomings of the existing Bretton Woods institutions, global environmental policies and international trading arrangements have been widely recognised for at least a generation. The current global crisis, and arrival of a new US president in the midst of this unprecedented economic meltdown, may finally mark the moment when the world takes seriously the urgent global economic and environmental agenda that confronts us in this new millennium. A summit in December will be a small step but could be the first meaningful action to steer the world to safety from the dire threats we face.

? Jeffrey Sachs is director of the Earth Institute at Columbia University and author of Common Wealth earth.columbia.edu

The Crisis: Debt and Real Wealth

Uma das avaliações mais lúcidas da crise financeira atual, pelo veterano Herman Daly.(LD, 02/11/08)

 

The Crisis: Debt and Real Wealth

Herman E. Daly

 

The current financial debacle is really not a “liquidity” crisis as it is often euphemistically called. It is a crisis of overgrowth of financial assets relative to growth of real wealth — pretty much the opposite of too little liquidity. Financial assets have grown by a large multiple of the real economy — paper exchanging for paper is now 20 times greater than exchanges of paper for real commodities. It should be no surprise that the relative value of the vastly more abundant financial assets has fallen in terms of real assets. Real wealth is concrete; financial assets are abstractions — existing real wealth carries a lien on it in the amount of future debt.

 

The value of present real wealth is no longer sufficient to serve as a lien to guarantee the exploding debt. Consequently the debt is being devalued in terms of existing wealth. No one any longer is eager to trade real present wealth for debt even at high interest rates. This is because the debt is worth much less, not because there is not enough money or credit, or because “banks are not lending to each other” as commentators often say.

 

Can the economy grow fast enough in real terms to redeem the massive increase in debt? In a word, no. As Frederick Soddy (1921 Nobel Laureate chemist and underground economist) pointed out in 1926 that, “you cannot permanently pit an absurd human convention, such as the spontaneous increment of debt [compound interest] against the natural law of the spontaneous decrement of wealth [entropy]”.

 

The population of “negative pigs” (debt) can grow without limit since it is merely a number; the population of “positive pigs” (real wealth) faces severe physical constraints. The dawning realization that Soddy’s common sense was right, even though no one publicly admits it, is what underlies the crisis. The problem is not too little liquidity, but too many negative pigs growing too fast relative to the limited number of positive pigs whose growth is constrained by their digestive tracts, their gestation period, and places to put pigpens. Also there are too many two-legged Wall Street pigs, but that is another matter.

 

Growth in US real wealth is restrained by increasing scarcity of natural resources, both at the source end (oil depletion), and the sink end (absorptive capacity of the atmosphere for CO2). Further, spatial displacement of old stuff to make room for new stuff is increasingly costly as the world becomes more full, and increasing inequality of distribution of income prevents most people from buying much of the new stuff—except on credit (more debt). Marginal costs of growth now likely exceed marginal benefits, so that real physical growth makes us poorer, not richer (the cost of feeding and caring for the extra pigs is greater than the extra benefit). To keep up the illusion that growth is making us richer we deferred costs by issuing financial assets almost without limit, conveniently forgetting that these so-called assets are, for society as a whole, debts to be paid back out of future real growth. That future real growth is very doubtful and consequently claims on it are devalued, regardless of liquidity.

 

What allowed symbolic financial assets to become so disconnected from underlying real assets? First, there is the fact that we have fiat money, not commodity money. For all its disadvantages, commodity money (gold) was at least tethered to reality by a real cost of production. Second, our fractional reserve banking system allows pyramiding of bank money (demand deposits) on top of the fiat government-issued currency. Third, buying stocks and “derivatives” on margin allows a further pyramiding of financial assets on top the already multiplied money supply. In addition, credit card debt expands the supply of quasi-money as do other financial “innovations” that were designed to circumvent the public-interest regulation of commercial banks and the money supply. I would not advocate a return to commodity money, but would certainly advocate 100% reserve requirements for banks (approached gradually), as well as an end to the practice of buying stocks on the margin. All banks should be financial intermediaries that lend depositors’ money, not engines for creating money out of nothing and lending it at interest. If every dollar invested represented a dollar previously saved we would restore the classical economists’ balance between investment and abstinence. Fewer stupid or crooked investments would be tolerated if abstinence had to precede investment. Of course the growth economists will howl that this would slow the growth of GDP. So be it — growth has become uneconomic at the present margin as we currently measure it.

 

The agglomerating of mortgages of differing quality into opaque and shuffled bundles should be outlawed. One of the basic assumptions of an efficient market with a meaningful price is a homogeneous product. For example, we have the market and corresponding price for number 2 corn — not a market and price for miscellaneous randomly aggregated grains. Only people who have no understanding of markets, or who are consciously perpetrating fraud, could have either sold or bought these negative pigs-in-a-poke. Yet the aggregating mathematical wizards of Wall Street did it, and now seem surprised at their inability to correctly price these idiotic “assets”.

 

And very important in all this is our balance of trade deficit that has allowed us to consume as if we were really growing instead of accumulating debt. So far our surplus trading partners have been willing to lend the dollars they earned back to us by buying treasury bills — more debt “guaranteed” by liens on yet-to-exist wealth. Of course they also buy real assets and their future earning capacity. Our brilliant economic gurus meanwhile continue to preach deregulation of both the financial sector and of international commerce (i.e. “free trade). Some of us have for a long time been saying that this behavior was unwise, unsustainable, unpatriotic, and probably criminal. Maybe we were right. The next shoe to drop will be repudiation of unredeemable debt either directly by bankruptcy and confiscation, or indirectly by inflation.

Repensando o PIB

RECONSIDERANDO A RIQUEZA – 4 de out. 2008

Todos sabemos que a medida PIB constitui um sistema cada vez mais desajustado de medir o progresso. Uma excelente leitura que já recomendei são os livros de Jean Gadrey e Florence Jany-Catrice (ed. Senac) e o de Patrick Viveret (vejam sob "dicas de leitura” neste site). Queria aqui recomendar duas excelentes leituras, em inglês, documentos de trabalho de primeira linha, e que datam dos últimos meses:

http://www.stiglitz-sen-fitoussi.fr/documents/Minutes_first_plenary_session_Commission_Measurement_Economic_Performance_Social_Progress.pdf

www.stiglitz-sen-fitoussi.fr/en/documents.htm

 

A belíssima citação abaixo, de Robert Kennedy, vem de 1968! E já coloca com clareza o dilema, numa época em que o PIB americano ainda era de 800 bilhões:

 

“Too much and for too long, we seemed to have surrendered personal

excellence and community values in the mere accumulation of material

things. Our Gross National Product, now, is over $800 billion dollars a

year, but that Gross National Product - if we judge the United States of

America by that - that Gross National Product counts air pollution and

cigarette advertising, and ambulances to clear our highways of carnage. It

counts special locks for our doors and the jails for the people who break

them. It counts the destruction of the redwood and the loss of our natural

wonder in chaotic sprawl. …And the television programs which glorify

violence in order to sell toys to our children. Yet the gross national

product does not allow for the health of our children, the quality of their

education or the joy of their play. It does not include the beauty of our

poetry or the strength of our marriages, the intelligence of our public

debate or the integrity of our public officials. It measures neither our wit

nor our courage, neither our wisdom nor our learning, neither our

compassion nor our devotion to our country, it measures everything in

short, except that which makes life worthwhile.” (Transcription available from: www.jfklibrary.org/Historical+Resources/Archives/Reference+Desk/

Speeches/RFK/RFKSpeech68Mar18UKansas.htm )

 

Esta citação está em outro documento, de A.B. Krueger e outros, sobre “National Time Accounting: the currency of life”, disponível em www.krueger.princeton.edu/nta2.pdf - Esta gente tem a ousadia de pensar que o tempo da vida tem valor, e não só para calcular quanto tempo perdemos no banheiro ou no cafezinho dentro de uma empresa.

 

De toda forma, este assunto de como fazemos as contas da produção, da felicidade, do tempo de vida, está se tornando cada vez mais presente no debate mundial, com a participação de J.Stiglitz, A. Sen, Hazel Henderson, os especialistas da contabilidade nacional da França, o grupo “Beyond GDP” de Bruxelas, iniciativas das Nações Unidas e da OCDE, inclusive o surgimento de conceitos como “FIB”, ou seja, Felicidade Interna Bruta, que será debatida em São Paulo nos dias 29 e 30 de outubro de 2008 (Vejam no site do NEF – Núcleo de Estudos do Futuro) da PUC-SP. Um evento sobre o FIB está previsto no SESC-Pinheiros, no dia 29 de outubro, 16 h., contato com Susan (15) 3257.1540

Artigo sobre a Rodada Doha 2008

Recebi do economista espanhol José Fernando Perez Oya este frio balanço da Rodada Doha que terminou tão mal em Genebra. Vale a pena (L. Dowbor)

GDAE's Timothy A. Wise and Kevin P. Gallagher published the following opinion article in The Guardian newspaper July 31:

The Guardian

A bad deal all round

It was US intransigence that killed the WTO talks.
Developing countries were right to walk away

by Timothy A. Wise and Kevin P. Gallagher
Wednesday July 30 2008

Last minute talks on global trade policy at the World Trade Organization in Geneva this week came close to agreement - but no cigars were lit. For talks that started in 2001, rich country negotiators lost sight of the fact that the round was supposed to be a "development" round to help lift standards of living among the world's poor. This week's proposals by the US and its partners pulled development out of the equation, and subsequently pulled the rug on the round, at least for now.

For the sake of saving the integrity of the WTO, developing country governments were close to accepting a deal that would have included very modest reductions in agricultural protections in the rich country, in exchange for equally modest cuts in industrial tariffs on the part of the developing world. This was already a sacrifice on the part of the developing countries. According to the World Bank, the deal on the table in Geneva would have only increased the welfare of poor countries by just 0.16% of GDP, while Unctad estimated that the costs in terms of tariff revenue losses for developing countries would be close to $60bn.

Rich-country negotiators, and even those from agricultural export powers like Brazil, expressed surprise that the issue that brought down the negotiations was something as seemingly arcane as the "special safeguard mechanism" - the right for developing country governments to raise tariffs in the event of sudden or large increases in imports that threaten to undermine domestic producers. They shouldn't have been. The measure is exactly the kind of "policy space" for development that the poorest countries have sought from this so-called development round.

Although prices for food are now high, according to the International Monetary Fund's latest World Economic Outlook, they are destined to go down again. That, coupled with rich country advantages in industrial agriculture, may lead to the import surges that plagued the countryside in many developing countries just a few years ago, by swamping local markets and further marginalising small farmers.

India and China were widely blamed for refusing to lower their demands, but they had the backing of a large number of the poorest developing countries. By all accounts, the US proved the most intransigent in refusing to grant safeguard rights, insisting on conditions that would have made the measure virtually useless in most cases where imports would overwhelm local producers.

Our own research confirms the validity of such concerns. In our recent report, The Promise and the Perils of Agricultural Trade Liberalisation, we found the same story in country after country in Latin America. Governments opened their agricultural markets in the hopes of gaining market access for exports. Cheap, subsidised imports of staple foods - markets the US and other developed countries dominate - flooded local markets, driving down prices and putting already-poor farmers out of business. Each country became more dependent on imported food, losing its capacity to produce its own. Then prices spiked, exposing the life-threatening danger of such policies.

Any government that wants to take the food security of its residents seriously needs precisely the kind of policy instruments India and China were demanding.

The hypocrisy of the US demands are stunning. Virtually every developed country, including the US, protected its food-producing sectors in the early stages of development. In today's globalised agriculture, such protections are even more warranted. Indian commerce minister Kamal Nath made clear from the start that he would not negotiate away subsistence and livelihoods. In the end, what would it have cost the rich countries and the other agricultural export powers to concede the point?

Nath summed it up best: "It is unfortunate that in a development round we couldn't run the last mile because of an issue concerning livelihood security."

Back to the drawing board.
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/jul/30/wto.economics

For more on GDAE's Globalization and Sustainable Development Program:
http://www.ase.tufts.edu/gdae/policy_research/globalization.html

For Kevin Gallagher's prior commentaries in The Guardian on international trade, see:

A bad deal all round
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/jul/30/wto.economics

A new approach to free trade
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/jul/29/wto.usforeignpolicy

Free trade's false promises
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/jul/08/usforeignpolicy.colombia

The WTO wants to talk - but who's listening?
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/jun/27/economy.wto

 

O esgotamento das águas subterrâneas

As novas tecnologias permitem bombear os aquíferos do planeta em grandes profundidades, partigularmente para as gigantescas áreas irrigadas do agri-business. As chuvas não permitem repor estas águas no mesmo ritmo, e prepara-se um drama neste campo. É mais uma das macro-tendências críticas que estão sendo estudadas. Veja também neste site o comentário que fizemos, sob Dicas de Leitura, dos estudos de Fred Pearce sobre este tema. O texto abaixo, de Lester Brown, oferece uma excelente síntese do problema. (LD, 8 de junho de 2008) 

FALLING WATER TABLES, FALLING HARVESTS

Lester R. Brown

Scores of countries are overpumping aquifers as they struggle to satisfy their growing water needs. The drilling of millions of irrigation wells has pushed water withdrawals beyond recharge rates, in effect leading to groundwater mining. The failure of governments to limit pumping to the sustainable yield of aquifers means that water tables are now falling in countries that contain more than half the world’s people, including the big three grain producers—China, India, and the United States.

Most of the world’s aquifers are replenishable, so that when they are depleted, the maximum rate of pumping will be automatically reduced to the rate of recharge. Fossil aquifers, however, are not replenishable. For these—including the vast U.S. Ogallala aquifer, the deep aquifer under the North China Plain, or the Saudi aquifer, for example—depletion brings pumping to an end. Farmers who lose their irrigation water have the option of returning to lower-yield dryland farming if rainfall permits. But in more arid regions, such as in the southwestern United States or the Middle East, the loss of irrigation water means the end of agriculture.

Falling water tables are already adversely affecting harvests in some countries, including China, which rivals the United States as the world’s largest grain producer. A groundwater survey released in Beijing in August 2001 revealed that the water table under the North China Plain, an area that produces over half of the country’s wheat and a third of its corn, is falling fast. Overpumping has largely depleted the shallow aquifer, forcing well drillers to turn to the region’s deep aquifer, which is not replenishable.

The survey reported that under Hebei Province in the heart of the North China Plain, the average level of the deep aquifer was dropping nearly 3 meters (10 feet) per year. Around some cities in the province, it was falling twice as fast. As the deep aquifer is depleted, the region is losing its last water reserve—its only safety cushion.

A World Bank study indicates that China is mining underground water in three adjacent river basins in the north—those of the Hai, which flows through Beijing and Tianjin; the Yellow; and the Huai, the next river south of the Yellow. Since it takes 1,000 tons of water to produce one ton of grain, the shortfall in the Hai basin of nearly 40 billion tons of water per year (1 ton equals 1 cubic meter) means that when the aquifer is depleted, the grain harvest will drop by 40 million tons—enough to feed 120 million Chinese.

As serious as water shortages are in China, they are even more serious in India, where the margin between food consumption and survival is so precarious. To date, India’s 100 million farmers have drilled 21 million wells, investing some $12 billion in wells and pumps. In a survey of India’s water situation, Fred Pearce reported in New Scientist that “half of India’s traditional hand-dug wells and millions of shallower tube wells have already dried up, bringing a spate of suicides among those who rely on them.”

India’s grain harvest, squeezed both by water scarcity and the loss of cropland to non-farm uses, has plateaued since 2000. A 2005 World Bank study reports that 15 percent of India’s food supply is produced by mining groundwater. Stated otherwise, 175 million Indians are fed with grain produced with water from irrigation wells that will soon go dry.

In the United States, the U.S. Department of Agriculture (USDA) reports that in parts of Texas, Oklahoma, and Kansas—three leading grain-producing states—the underground water table has dropped by more than 30 meters (100 feet). As a result, wells have gone dry on thousands of farms in the southern Great Plains, forcing farmers to return to lower-yielding dryland farming. Although this mining of underground water is taking a toll on U.S. grain production, irrigated land accounts for only one fifth of the U.S. grain harvest, compared with close to three fifths of the harvest in India and four fifths in China.

Pakistan, a country with 164 million people, is also mining its underground water. Observation wells near the twin cities of Islamabad and Rawalpindi in the fertile Punjab plain show a fall in the water table between 1982 and 2000 that ranges from 1 to nearly 2 meters a year. In the province of Balochistan, which borders Afghanistan, water tables around the capital, Quetta, are falling by 3.5 meters per year. Throughout the province, six basins have exhausted their groundwater supplies, leaving their irrigated lands barren. Sardar Riaz A. Khan, former director of Pakistan’s Arid Zone Research Institute, expects that within 10–15 years virtually all the basins outside the canal-irrigated areas will have depleted their groundwater supplies, depriving the province of much of its grain harvest.

Iran, a country of 71 million people, is overpumping its aquifers by an average of 5 billion tons of water per year, the water equivalent of one third of its annual grain harvest. Under the small but agriculturally rich Chenaran Plain in northeastern Iran, the water table was falling by 2.8 meters a year in the late 1990s. New wells being drilled both for irrigation and to supply the nearby city of Mashad are responsible. Villages in eastern Iran are being abandoned as wells go dry, generating a flow of “water refugees.”

Saudi Arabia, a country of 25 million people, is as water-poor as it is oil-rich. Relying heavily on subsidies, it developed an extensive irrigated agriculture based largely on its deep fossil aquifer. After several years of supporting wheat prices at five times the world market level, the government was forced to face fiscal reality and cut the subsidies. Its wheat harvest dropped from a high of 4.1 million tons in 1992 to 2.7 million tons in 2007, a drop of 34 percent. Some Saudi farmers are now pumping water from wells that are 4,000 feet deep, nearly four fifths of a mile or 1.2 kilometers. Recognizing its hydrologic limitations, in early 2008 the Saudi government announced plans to phase out wheat production entirely by 2016.

In neighboring Yemen, a nation of 22 million, the water table under most of the country is falling by roughly 2 meters a year as water use outstrips the sustainable yield of aquifers. In western Yemen’s Sana’a Basin, the estimated annual water extraction of 224 million tons exceeds the annual recharge of 42 million tons by a factor of five, dropping the water table 6 meters per year. World Bank projections indicate the Sana’a Basin—site of the national capital, Sana’a, and home to 2 million people—may be pumped dry by 2010.

With its population growing at 3 percent a year and with water tables falling everywhere, Yemen is fast becoming a hydrological basket case. With its grain production falling by two thirds over the last 20 years, Yemen now imports four fifths of its grain supply.

Since the overpumping of aquifers is occurring in many countries more or less simultaneously, the depletion of aquifers and the resulting harvest cutbacks could come at roughly the same time. And the accelerating depletion of aquifers means this day may come soon, creating potentially unmanageable food scarcity.

 

Adapted from Chapter 4, “Emerging Water Shortages,” in Lester R. Brown, Plan B 3.0: Mobilizing to Save Civilization (New York: W.W. Norton & Company, 2008), available for free downloading and purchase at www.earthpolicy.org/Books/PB3/index.htm.

 

Released June 4, 2008

 
   

Earth Policy Institute
Email: epi@earth-policy.org

Relatório IAASTD - Abril de 2008
O texto abaixo, retransmitido pelo site Mercado Ético, apresenta uma iniciativa de grande importâmcia planetária. Trata-se do International Assessment of Agricultural Knowledge, Science and Technology for Development (IAASTD), aprovado em 15 de Abril 2008 em Johannesburgo. Para ler o resumo executivo, 23 páginas, busque IAASTD no Google ou outro buscador, ou acesse http://www.agassessment.org/docs/SR_Exec_Sum_130408_Final.pdf.
ou 
Watson coordenou os trabalhos. (L. Dowbor)
 
 
Como aumentar a produção agrícola sem prejudicar o meio ambiente
Por Stephen Leahy, da IPS 

Nos últimos anos, Robert Watson teve um dos trabalhos mais difíceis do mundo: ajudar governos e produtores que enfrentam os atuais desafios da agricultura e prepará-los para os que se avizinham, ainda piores. A Avaliação Internacional do Conhecimento, da Ciência e da Tecnologia no Desenvolvimento Agrícola (IAASTD), que já consumiu três anos, procura avaliar os conhecimentos agrícolas com ajuda de governos, da sociedade civil, do setor privado e de centenas de especialistas.

Quando o projeto começou, Watson era o chefe de cientistas do Banco Mundial. Hoje desempenha ao mesmo tempo as tarefas de dirigir o IAASTD e a equipe de cientistas do Departamento de Meio Ambiente e Agricultura da Grã-Bretanha. Watson foi entrevistado da IPS.

IPS - Qual a importância da IAASTD para a segurança alimentar?

Robert Watson - Pela primeira vez, governos de países industriais e em desenvolvimento, a sociedade civil, especialistas em ciências naturais e sociais trabalharam juntos para discutir como obter alimentos acessíveis e nutritivos de maneira ambiental e socialmente sustentável.

IPS - A IAASTD estabeleceu que manter a situação atual na agricultura não é uma opção válida. Por que?

Robert Watson - A IAASTD parte de dois informes anteriores. Em primeiro lugar, a Avaliação de Ecossistemas do Milênio constatou que 15 dos 24 ecossistemas naturais do planeta estão com problemas, em grande parte devido à degradação da terra e da água em razão da agricultura.

Em segundo lugar, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática concluiu que a agricultura é um grande contribuinte para o aquecimento global induzido pela atividade humana. E, ao mesmo tempo, a mudança climática terá um grande impacto no rendimento agrícola. Se nos concentrarmos apenas em aumentar a produção de alimentos, somente conseguiremos mais degradação ambiental.

IPS - O que diz a IAASTD sobre o elevado preço dos alimentos, sem precedentes históricos?

Robert Watson - Muitos fatores incidem nos preços: a variável climática, que origina quedas nas colheitas em algumas regiões, o aumento do custo da energia, a produção de biocombustíveis e a especulação nos mercados futuro.

Agora é tempo de nos perguntarmos como aumentar a produção de alimentos, mantê-la acessível e garantir aos agricultores uma vida decente. A IAASTD é nossa melhor tentativa para responder essa pergunta.

IPS - O senhor dirigiu o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática e a avaliação de Ecossistemas do Milênio. Em que a IAASTD se diferencia desses informes?

Robert Watson - Foi absolutamente crítico unir o conhecimento sobre ciências naturais com o conhecimento sobre instituições, comportamento humano e políticas. A maioria dos estudos prévios não conseguiram medir a importância das ciências sociais. Captaram a perspectiva econômica, mas na ao do restante das disciplinas que estudam a sociedade. Não é suficiente atender os conhecimentos tecnológicos sobre como obter mais alimento se não se considerar o impacto dos ecossistemas naturais e os sistemas humanos.

IPS - A IAASTD pede o fim das monoculturas de grande escala?

Robert Watson - Se conseguirmos modificar as monoculturas para que sejam ambiental e socialmente sustentáveis, tudo bem. Mas, não se pode minar a base natural de recursos da agricultura (terra, água biodiversidade, etc) porque, no final, entrará em colapso.

IPS - Por que houve tão pouco debate sobre mudança climática durante o plenário intergovernamental da IAASTD?

Robert Watson - A mudança climática é bastante reconhecida como um sério problema ambiental, de desenvolvimento, de saúde humana e de segurança. Já não é um assunto controvertido. O desafio para nós é como manter e aumentar a produtividade agrícola reduzindo seu impacto no meio ambiente, as emissões de gases causadores do efeito estufa e o uso de combustíveis fósseis no setor. Ao mesmo tempo, devemos adaptar a agricultura à mudança climática. A IAASTD determinou quais tipos de conhecimentos científicos e tecnológicos necessitamos para mudar as práticas agrícolas e lidar com esta realidade.

IPS - O que quis dizer ao afirmar que a IAASTD é “um experimento social único”?

Robert Watson - Todos os setores estiveram envolvidos: governos, sociedade civil, indústria, agricultores, acadêmicos e grandes organizações internacionais como Banco Mundial e Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentaçao (FAO). Se todos esses atores são afetados pelos problemas da sustentabilidade ambiental, social e alimentar, todos deveriam estar sentados em torno da mesma mesa para aproximarem seus conhecimentos e suas experiências para ajudar a resolver nosso problema comum.

Devido à complexidade de pontos de vista, foi um processo incrivelmente difícil e complexo. De todo modo, creio fortemente que esta discussão é o caminho para o futuro, e que pode ser aplicada a qualquer contexto, seja local, regional, nacional ou internacional.

(Envolverde/IPS) 

Paraísos fiscais (offshore tax haven countries)

Ganhar dinheiro dá direito a ganhar mais dinheiro, através da chamada ciranda financeira. Este tipo de enriquecimento gera fortunas confortáveis sem riscos. A ausência de riscos se materializa na garantia de última instância de utilização dos nossos impostos para o caso da especulação der errado, com o PROER que vimos no Brasil (da ordem de 30 bilhões de reais de apoio aos banqueiros), ou os mais de 200 bilhões de dólares do FED norteamericano no caso da crise de 2008, além dos mecanismos europeus. Como além do mais o processo desvia as nossas poupanças (é nosso dinheiro que circula, não o dos banqueiros) de investimentos produtivos para o cassino, trava-se a produção, em vez de ajudá-la.

 

Ganhar dinheiro com dinheiro é bem mais cômodo do que organizar processos produtivos, lavrar a terra, examinar doentes, dar uma aula, pesquisar novas soluções. E dá muito mais dinheiro. Pouco trabalho, muito dinheiro. Como escrevia Aristóteles, pecunia pecuniam parit, o dinheiro gera dinheiro. Trata-se de ganhos de transferència, não geram um par de sapatos, a sociedade só assiste a uma transferência de titularidades sobre “vales” que dão acesso à produção que resulta de esforços de terceiros. A base do enriquecimento – algo tem de alimentar o crescimento da ciranda – é o aumento de produtividade dos que efetivamente produzem sem que os salários se vejam aumentados na mesma proporção. O círculo se fecha.

 

Movimentar o dinheiro dos outros permite uma atitude de distânciamento relativamente aos problemas da humanidade: “Nos apenas movimentamos o dinheiro, não somos responsáveis pelo seu uso” é a frase que resume a ética da desresponsabilização. A frase famosa de uma empresa produtora de armas curtas nos Estados Unidos, é do mesmo gênero:  “Nós não puxamos o gatilho”.

 

O que aparece hoje com força, com a crise das “subprime”, hipotecas podres vendidas a poupadores como sendo boas aplicações, é a utilização generalizada de paraísos fiscais, onde os desequilibrios entre os ativos e passivos podem ser escondidos. Como se trata de contabilidade fraudulenta, trata-se de atividade criminosa. Não há uma instituição financeira norte-americana, incluindo aí as que tanto falam em responsabilidade social e ética, que não utilize estes mecanismos de apropriação ilegal de recursos de terceiros.

 

Como isto pode soar um tanto rigoroso, transcrevo um trecho do artigo de Randall Dodd, do FMI, sobre a crise recente dos subprime: “Securitization involves the pooling of mortgages into a special-purpose vehicle, which is simply a corporation registered in what is usually an offshore tax haven country. The corporation issues shares that represent claims on the mortgages. The simplest structure is for the pool to pass through the paymants on its morgages to the security holders, whereas more complicated structures divide the payments into higher and lower risk segments”.  (Randall Dodd, Subprime: tentacles of a crisis,  Finance and Development, IMF,December 2007, p. 16). O artigo pode ser acessado em www.imf.org/fandd

 

Assim, os empréstimos podres camuflados em paraísos fiscais permitem uma aparência de solidez onde não há nenhuma, e vender produtos financeiros a poupadores incautos iludidos pelos números falsos. O artigo do FMI se refere às “thinly capitalized, unregulated finance companies”…”Banks had used these conduits and SIVs to keep the subprime assets off their books  and to avoid related capital requirements”. (p.18)

 

Os paraísos fiscais permitem assegurar uma mancha escura nas transações financeiras, uma dimensão pouco vista da lavagem de dinheiro feita pelos grandes bancos (a base podre fica camuflada), e que aparece tão explícita num artigo do FMI, pela simples razão da crise financeira internacional ter evidenciado os mecanismos. Mas permitem também assegurar bases seguras de transações financeiras ilegais para o comércio de drogas, de armas, de medicamentos falsificados e assim por diante. Ou seja, na era da globalização, a globalização do crime envolve os nomes mais ilustres das finanças internacionais, os grandes produtores de armas, provavelmente as contas do Al Qaeda e seguramente as contas dos grandes exportadores de heroína do mesmo Afeganistão, para consumo nos Estados Unidos. Estamos todos em família.

Abaixo, uma lista dos paraísos segundo classificação oficial da OCDE. Notem no final a referência ao Financial Action Task Force, podem procurar no Google e encontrarão as dimensões trilionárias do banditismo generalizado em que se transformou a intermediação financeira. A batalha das corporações para impedir a aplicação da taxa Tobin (um tipo de CPMF planetária) que permitiria o registro e seguimento do dinheiro ilegal continua firme. O FATF lamentavelmente  foi constituído depois do 9/11 para ir atrás do dinheiro de terroristas, e mantém um foco estreito.A bandidagem comum e corrente das corporações financeiras interessa muito menos, e numerosos países têm sido tirados da lista negra conquanto fiscalizem possíveis terroristas. Para a fraude financeira, a corrupção política e empresarial, a evasão fiscal e o comércio ilegal, a festa continua. Enquanto existirem, dispersas pelo planeta, bases seguras para dinheiro ilegal, a tentação da fraude, inclusive para as empresas acima de qualquer suspeita, continuará irresistível.

Anguilla, Andorra, Antigua, Aruba, Bahamas, Bahrain, Barbados, Belize, British Virgin Islands, Cook Islands, Dominica, Gibraltar, Granada, Guernsey/Sark/Alderney, Isle of Man, Jersey, Liberia, Liechtenstein, Maldives, Marshall Islands, Monaco, Montserrat, Nauru, Netherlands Antilles, Niue, Panama, St. Kitts and Nevis, St. Lucia, St. Vincent, Seychelles, Tonga, Turks and Caicos Islands, US Virgin Islands, Vanuatu, Samoa

Notem que numerosos paraísos constituem “ilhas” em termos, pois pertencem aos Estados Unidos, à Inglaterra, Holanda e outros. O “offshore” não é tão “off” assim.

 Para a dimensão nacional, vejam o meu artigo no Le Monde Diplomatique Brasil, n. 7 fevereiro de 2008, ou ainda, neste site sob “Artigos Online”, o artigo sobre “Altos juros e descapitalização da economia”.

Filmes interessantes no horizonte

O site www.cipa-apex.org/toomuch que organiza informações sobre a concentração de renda no topo da pirâmide, traz esta informação interessante. Na realidade, com filmes como The Corporation, Sicko e outros estamos começando a ter um instrumento muito didático na sala de aula, cineminha didático. 

Jamie Johnson, a 29-year-old heir to the Johnson & Johnson fortune, can’t walk into a social event anymore, the Wall Street Journal reports, without his wealthy friends getting extremely nervous. What has Johnson done? Rob a buddy's trust fund? Worse. Johnson has directed two feature films that publicly discuss the wealth of the wealthy. His first film, the 2003 Born Rich, showcased the often empty lives of his young rich contemporaries. His new The One Percent, currently airing on Cinemax TV, explores how the wealthy are using their fortunes “to restructure the economy, lower their taxes, cut social programs for the middle and lower classes, and amass ever more wealth.”

 

Blackwater - Águas negras - Mercenários legais

Vale a pena acompnhar esta nota no site www.cipa-apex.org/toomuch

Trata-se das empresas privadas de repressão, em plena expansão. Na Africa do Sul, por exemplo, os grupos mais racistas do antigo exército se organizaram numa empresa e prestam serviços dos mais escabrosos em diversos países.Trata-se de uma  nova geração de polícias privadas transnacionais que aceitam qualquer contrato, em qualquer parte. Just business. Vejam abaixo um comentário sobre a Blackwater. 

Between 2001 and 2006, Blackwater USA collected $594 million in federal contracts for private security services rendered in Iraq and assorted other global hotspots. Last October, at a congressional oversight hearing, Blackwater CEO Erik Prince refused to reveal how much he was personally pocketing in compensation from the ample company profits those federal contracts made possible. Last week, Congress held another hearing, this time on legislation that would require privately held companies like Blackwater to disclose the same basic executive pay data that publicly traded companies must reveal. The Bush administration’s top procurement official testified against this proposed new standard. Requiring such disclosure, the admistration’s Paul Denett warned, “would likely have a chilling effect on contractor participation in federal acquisition.”

Os juros realmente existentes no Brasil - Janeiro 2008

Veja abaixo a Pesquisa da ANEFAC (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) sobre os juros médios praticados pelos intermediários financeiros no Brasil. Como ordem de grandeza, praticamos juros mensais equivalentes aos juros anuais do resto do mundo. Isto sem falar das tarifas, nem do alívio que foi para este setor o fim da Contribuição sobre Movimentações Financeiras. Trata-se aqui dos juros praticados em novembro de 2007, e os dados completos podem ser consultados em www.anefac.com.br clicando em Pesquisa de Juros. E a mídia só fala em Selic, e em como o fim da CPMF representa um presente do Leão para "o povo brasileiro". O "povo" beneficiado é evidentemente bastante seleto, e bem organizado. (L. Dowbor, 5 de janeiro de 2008))

 

 

PESQUISA DE JUROS

 

As taxas de juros das operações de crédito apresentaram em novembro, comportamentos distintos.

 

Pessoa Física

 

Nas operações de crédito para pessoa física com a exceção da linha de crédito do cartão de crédito rotativo que manteve estável sua  taxa de juros média no mês, todas as demais linhas de crédito (cinco) tiveram elevações no mês (juros do comércio, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras).

 

A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma elevação de 0,02 ponto percentual no mês (0,52 ponto percentual no ano) correspondente a uma elevação de 0,28% no mês (0,40% em doze meses) passando a mesma de 7,21% ao mês (130,58% ao ano) em outubro/2007 para 7,23% ao mês (131,10% ao ano) em novembro/2007 sendo esta a maior taxa de juros média desde setembro/2007.

 

Pessoa Jurídica

 

Nas operações de  crédito para pessoa jurídica das quatro linhas de crédito pesquisadas, duas apresentaram redução (capital de giro e conta garantida) e duas apresentaram elevação de suas taxas de juros (desconto de cheques e desconto de duplicatas).

 

A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou uma elevação de 0,01 ponto percentual no mês (0,19 ponto percentual em doze meses) correspondente a uma elevação de 0,24% no mês (0,31% em doze meses) passando a mesma de 4,09% ao mês (61,77% ao ano) em outubro/2007 para 4,10% ao mês (61,96% ao ano) em novembro/2007 sendo esta a maior taxa de juros média desde julho/2007.

 

Taxa de Juros x Selic

 

Considerando todas as quedas da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central que vem reduzindo as mesmas desde setembro/2005, tivemos neste período (setembro/2005 a novembro/2007) uma redução da Selic de 8,50 pontos percentuais (queda de 43,04%) de 19,75% ao ano em setembro/2005 para 11,25% ao ano em novembro/2007.

 

Neste período a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma redução de 10,02 pontos percentuais (queda de 7,10%) de 141,12% ao ano em setembro/2005 para 131,10% ao ano em novembro/2007.

 

Nas operações de crédito para pessoa jurídica esta queda atingiu 6,27 pontos percentuais (queda de 9,19%) de 68,23% ao ano em setembro/2005 para 61,96% ao ano em novembro/2007, ficando evidente que não foram repassadas integralmente todas as quedas da taxa básica de juros.

 

PREVISÕES PARA 2008

 O ano de 2008 deverá ser pautado pela continuada da redução da taxa de juros básica que deverá encerrar o ano com a Selic em patamares próximos de 10% ao ano.

 

Por conta disso as taxas de juros ao consumidor em todas as linhas de crédito deverão igualmente apresentar reduções durante o ano de 2008.

 

2008 igualmente deverá ser um ano pautado pela continuidade do aumento do volume de crédito que deverá apresentar uma elevação de cerca de 25% no volume emprestado.

 

Dentro das principais modalidades de crédito, os destaques deverão ser as linhas de crédito para financiamento habitacional, financiamento de veículos e o crédito consignado que deverão apresentar durante 2008 forte crescimento do volume emprestado pelo fato de serem linhas de crédito de menor risco de inadimplência por conta da garantia dos bens financiados e dos salários.

 

Assim  sendo em 2008 os consumidores podem esperar um forte crescimento no volume emprestado e reduções de taxas de juros em todas as linhas de crédito, convivendo porém ainda com taxas de juros em patamares elevados.

 

Nossas projeções indicam que ao final de 2008 o volume total de crédito que hoje se encontra em R$ 880.803 milhões representando 34,0% do PIB deve apresentar um crescimento no ano de cerca de 25% elevando o volume emprestado (estoque) para R$ 1.150 bilhões correspondente a cerca de 40% do PIB.

 

Tabela 1 - TAXA DE JUROS PARA PESSOA FÍSICA

 

LINHA DE CRÉDITO

Outubro/07

Novembro/07

VARIAÇÃO

TAXA MÊS

TAXA ANO

TAXA MÊS

TAXA ANO

%

PONTOS
PERCENTUAIS

Juros comércio

5,93%

99,63%

5,97%

100,54%

0,67%

0,04

Cartão de crédito

10,34%

225,68%

10,34%

225,68%

0,00%

0,00

Cheque especial

7,64%

141,93%

7,67%

142,74%

0,39%

0,03

CDC – bancos

2,98%

42,24%

2,99%

42,41%

0,34%

0,01

Empréstimo pessoal-bancos

5,24%

84,57%

5,26%

85,00%

0,38%

0,02

Empréstimo pessoal-financeiras

11,14%

255,18%

11,16%

255,94%

0,18%

0,02

TAXA MÉDIA

7,21%

130,58%

7,23%

131,10%

0,28%

0,02

 

 

Juros do Comércio

 

Houve uma elevação de 0,67% passando a taxa de 5,93% ao mês (99,63% ao ano) em outubro/2007, para 5,97% ao mês (100,54% ao ano) em novembro/2007.

A taxa deste mês é a maior desde julho/2007 (5,99% mês – 100,99% ano).

 

Cartão de crédito

 

A taxa de juros ficou estável em 10,34% ao mês (225,68% ao ano) em novembro/2007 mesma taxa de juros média de outubro/2007.

A taxa deste mês é a maior desde nov/2006 (10,35% mês – 226,04% ano).

 

Cheque Especial

 

Houve uma elevação de 0,39%, passando a taxa de 7,64% ao mês (141,93% ao ano) em outubro/2007, para 7,67% ao mês (142,74% ao ano) em novembro/2007.

A taxa deste mês é a maior desde setembro/2007 (7,69% mês – 143,28% ano).

 

CDC – Bancos

 

Houve uma elevação de 0,34%, passando a taxa de 2,98% ao mês (42,24% ao ano) em outubro/2007, para 2,99% ao mês (42,41% ao ano) em novembro/2007.

A taxa deste mês é a maior desde setembro/2007 (3,04% mês – 43,24% ano).

 

Empréstimo Pessoal Bancos

         

Houve uma elevação de 0,38%, passando a taxa de juros de 5,24% ao mês (84,57% ao ano) em outubro/2007, para 5,26% ao mês (85,00% ao ano) em novembro/2007.

A taxa deste mês é  a maior desde setembro/2007 (5,27% mês – 85,21% ano).

 

Empréstimo Pessoal Financeiras

 

Houve uma elevação de 0,18% na taxa de juros média, passando a taxa de 11,14% ao mês (255,18% ao ano) em outubro/2007, para 11,16% ao mês (255,94% ao ano) em novembro/2007.

A taxa deste mês é a maior desde setembro/2007 (11,22% mês – 258,26% ano).

 

Taxa Média Pessoa Física

 

Houve uma elevação de 0,28% na taxa de juros média, passando a taxa de 7,21% ao mês (130,58% ao ano) em outubro/2007, para 7,23% ao mês (131,10% ao ano) em novembro/2007.

A taxa deste mês é a maior desde setembro/2007 (7,25% mês–131,62% ano).

 

Crediário de Loja

 

Dos doze tipos de lojas pesquisadas, todas elevaram suas taxas de juros no mês.

 

 

Tabela 2 - TAXA DE JUROS PARA PESSOA JURÍDICA

LINHA DE CRÉDITO

Outubro/07

Novembro/07

VARIAÇÃO

TAXA MÊS

TAXA ANO

TAXA MÊS

TAXA ANO

%

PONTOS
PERCENTUAIS

Capital de Giro

3,90%

58,27%

3,88%

57,90%

-0,51%

-0,02

Desconto de Duplicatas

3,37%

48,84%

3,40%

49,36%

0,89%

0,03

Desconto de Cheque

3,66%

53,93%

3,69%

54,47%

0,82%

0,03

Conta garantida

5,43%

88,61%

5,41%

88,18%

-0,18%

-0,02

Taxa Média

4,09%

61,77%

4,10%

61,96%

0,24%

0,01

 

Indústria farmacêutica - setembro 2007
Marcia Angell é autoridade mundial sobre o assunto dos produtos farmacêuticos. Vale a pena acompanhar os seus depoimentos. O seu livro saiu no Brasil pela Record. Vejam o artigo em http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/510/artigo54289-1.htm
 
"Os laboratórios enganam o consumidor"
A jornalista americana, especializada em indústria farmacêutica, diz que as empresas lançam remédios inúteis, mantêm relação promíscua com médicos e cobram preços exorbitantes por seus produtos
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/510/artigo54289-1.htm

Marcia Angell, 68 anos, comprou uma briga feia. Crítica ferrenha dos grandes conglomerados farmacêuticos, a jornalista norte-americana decidiu escrever um livro para "lavar a roupa suja" e contar o que acontece dentro dos laboratórios. Angell coloca o dedo na ferida: diz que os consumidores estão sendo passados para trás e que as empresas fabricam remédios para doenças imaginárias. A obra "A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos – como somos enganados e o que podemos fazer a respeito" (Ed. Record, 322 págs., R$ 45) acaba de chegar ao País. Ex-editora-chefe do jornal "The New England Journal of Medicine", a mais conceituada publicação da área no mundo, e membro da Harvard Medical School, Angell foi apontada pela revista "Time" como uma das 25 pessoas mais influentes da América em 1997. A disparada do lucro do setor nos anos 80 e 90 chamou sua atenção. Diz que passou noites e noites em claro, teve medo de represálias, mas foi em frente na busca por informações. "Os consumidores podem não saber dos detalhes da política comercial dos laboratórios, mas eles entendem que os preços estão subindo aos céus e que essas empresas têm lucros exorbitantes, sustentados por vendas suspeitas", afirma ela, nessa entrevista exclusiva à DINHEIRO.

DINHEIRO – Em seu livro, a sra. afirma que, nas últimas duas décadas, a indústria farmacêutica tem se distanciado de sua proposta original, que é descobrir e produzir novos medicamentos úteis à humanidade. Nós estamos sendo enganados?
MARCIA ANGELL – Sim, estamos sendo enganados. Não há a menor dúvida disso. Os laboratórios farmacêuticos querem que acreditemos que eles têm de cobrar altos preços pelos medicamentos por conta dos investimentos com pesquisa e desenvolvimento de novas fórmulas. Mas isso não é verdade. Na prática, eles gastam mais de duas vezes em marketing do que gastam em pesquisa e desenvolvimento e têm embolsado, em termos de lucro, mais dinheiro do que o valor gasto nessas duas áreas. Então, é correto afirmar que os altos preços cobrados por eles cobrem os imensos gastos em marketing e mantêm os lucros absurdos. A verdade está na nossa cara. Qualquer um pode ir aos websites das companhias e ver o relatório anual para descobrir o quanto eles têm dito que gastam em pesquisa e desenvolvimento e o quanto gastam em marketing e administração.

DINHEIRO – Quais são os valores?
ANGELL – A indústria fala que desembolsa cerca de US$ 802 milhões para criar um novo medicamento (segundo levantamento do setor de 2002), mas análises de especialistas independentes informam que o valor é apenas uma pequena fração disso (algo entre US$ 71 milhões e US$ 150 milhões, segundo levantamento da Healthy Research Group). Somente uma parte mínima do que é lançado pode ser realmente classificada como novos medicamentos.

DINHEIRO – No Brasil, os preços começaram a cair de forma mais acelerada recentemente, com a expansão do mercado de produtos genéricos. Por que os medicamentos são tão caros ainda?
ANGELL – O que as empresas dizem é que o alto risco do negócio exige investimentos elevados sem garantia de sucesso no desenvolvimento de medicamentos. No entanto, ano a ano as companhias do setor registram os lucros mais elevados entre todas as indústrias da economia. Em 2004, a lista das nove maiores empresas do setor nos EUA, montada pela revista "Fortune 500", mostrava que a margem de lucro média do segmento atingia os maiores patamares entre todos os setores da economia norte-americana. Essa taxa foi de 16% das vendas em 2004, comparada com a média de 5,2% de todas as empresas verificadas pela pesquisa. São os consumidores que pagam por esse enorme lucro.

DINHEIRO – É possível saber se os valores gastos pelos consumidores têm crescido?
ANGELL – Os americanos gastam quase duas vezes mais, em média, pelos mesmos medicamentos adquiridos por canadenses e europeus. Nessas duas regiões, os países possuem formatos de regulação de preço, com intervenção governamental, que os EUA não têm. Eu não posso dizer que a situação dos países emergentes, como o Brasil, é semelhante à que ocorre nos Estados Unidos, com valores exorbitantes cobrados pelas mercadorias, mas eu suspeito que as companhias farmacêuticas colocam o preço que querem em seus produtos e isso também acontece no Brasil.

"O Lipitor, da Pfizer, receitado contra colesterol, é um remédio de imitação"

DINHEIRO – A sra. já disse algumas vezes em entrevistas que as empresas do setor "vendem" doenças que não existem...
ANGELL – As companhias freqüentemente vendem doenças que podem ser tratadas pelos remédios que estão lançando, em vez do contrário. Elas apresentam medicamentos para tratar, por exemplo, o que as empresas chamam de "desordem de ansiedade social", que nada mais é que a timidez. Há casos em que os laboratórios ampliam a definição dos fatores de risco de uma doença. Todo mundo sabe que comer muitos produtos gordurosos pode ser perigoso, eleva o colesterol e, em alguns casos, requer tratamento com drogas. A questão aí é que os "especialistas", com ligações financeiras com a indústria, ficam baixando o nível considerado normal e todo mundo pode entrar no nível de risco, entende? Então, nesse cenário, muita gente toma remédio para baixar o colesterol sem necessidade.

DINHEIRO – Em seu livro, a sra. afirma que a indústria farmacêutica tem enchido o mercado com produtos que a sra. chama de "medicamentos de imitação". Como isso pode acontecer? Não há fiscalização dos órgãos reguladores?
ANGELL – As companhias do setor têm despejado os medicamentos de imitação no mercado porque eles querem aumentar os ganhos imediatos, fazendo lucro certo e rápido por meio da fabricação das ditas "novas" versões, que foram, na realidade, criadas a partir de velhos medicamentos. Muitos remédios de imitação têm boas perspectivas de êxito, o que acaba levando esse mercado a um crescimento enorme, impulsionado facilmente pela ação publicitária. Existe hoje toda uma família de produtos de imitação. Por exemplo, existem seis remédios muito similares para o controle do colesterol. Um deles, o Lipitor, da Pfizer, está entre os produtos "top" do mercado, mas ele é realmente um produto de imitação. Eu acho que o consumidor está cansado dessa situação, de pagar preços exorbitantes por mercadorias por conta de gastos astronômicos das empresas em suas marcas e também na área administrativa. O FDA ( U.S. Food and Drug Administration, órgão de controle desse mercado nos EUA) informa que próximo a 80% do que foi lançado pelas empresas nos últimos sete anos não eram mercadorias muito melhores ou diferentes do que aquelas que já estavam sendo vendidas pelo mercado. Mas eles não podem fazer nada. A ação do órgão se restringe a liberar medicamentos que tenham efeito sobre a doença identificada. E o produto irá agir, já que ele é uma cópia de outros medicamentos que já atuam sobre a doença. Então não há muito o que fazer nesse sentido.

DINHEIRO – O que seria necessário para mudar esse cenário? Elevar a fiscalização em cima dos grupos, ou implantar mudanças mais drásticas por meio do poder público?
ANGELL – Eu propus em meu livro um programa de reformas vitais para o setor. Talvez a mais importante seja a criação de uma norma que determine que as companhias comparem com maior rigor o desenvolvimento de "novas" drogas que são uma cópia daquelas já fabricadas pelas empresas. No sistema atual, essa comparação, que é necessária para que haja a liberação do FDA, acontece com produtos de baixa qualidade, com "pílulas de açúcar". Então, nessa história, compara-se um novo lançamento com alguma coisa que é melhor que nada. Isso torna possível que as companhias continuem colocando no mercado produtos copiados, em vez de investirem realmente em mercadorias de que a população precisa urgentemente. Essa população conta com o aparecimento de avanços científicos importantes, que os laboratórios podem e devem coordenar.

DINHEIRO – Há conivência com os médicos?
ANGELL - Para se ter uma idéia, há questões éticas nisso também. Os laboratórios dão presentes e privilégios para os médicos. Eles provavelmente gastam bilhões de dólares ao ano cortejando os doutores. Isso é evidentemente um absurdo. Contamina o sistema porque deixa o médico desconfortável, menos propenso a realizar críticas e a ser imparcial em relação a alguma marca, por exemplo.

DINHEIRO – Até que ponto isso é ruim para os pacientes?
ANGELL – Isso é muito ruim para os pacientes. As companhias do segmento gastam milhões de dólares em campanhas publicitárias, mas aplicam bilhões para seduzir os médicos. Pode parecer loucura, mas não é. O jogo de sedução começa na universidade, onde são distribuídas amostras grátis para os futuros médicos, são pagos almoços e distribuídos brindes. Os futuros médicos aprendem absurdos. Podem chegar a acreditar que os melhores medicamentos são os mais novos, recém-lançados.

"Eu gosto dos genéricos. Eles não vendem a falsa idéia de que são inovadores"

DINHEIRO – A sra. comenta que as companhias do setor estariam criando ensaios clínicos para fazer com que seus produtos pareçam melhores do que são. Como isso é possível?
ANGELL – No passado, as empresas do setor pagavam por ensaios clínicos para testar medicamentos, mas isso acabou. Agora, elas estão envolvidos diretamente na elaboração desses estudos que determinam a eficiência do medicamento. São elas mesmas que não só elaboram o estudo como analisam e interpretam os resultados. Isso dá aos laboratórios uma imensa capacidade de controlar todo o sistema e, obviamente, eles podem maquiar o medicamento, mostrando no estudo que o produto é melhor do que realmente é. Mais que isso: enquanto eles enaltecem o lado positivo, escondem o lado negativo, como efeitos colaterais. Por conta disso, eu acredito muito que a literatura médica, na descrição dos seus produtos, não é nada confiável.

DINHEIRO – A sra. é favorável à expansão do mercado de medicamentos genéricos?
ANGELL – Eu sou muito favorável à expansão do mercado de genéricos no Brasil e no mundo. Eles são idênticos às mercadorias que possuem marcas de expressão, mas têm uma diferença em relação aos produtos de "imitação". Os genéricos não estão sendo criados e vendidos com a idéia de que são mercadorias novas. Eles não compram essa mensagem errada de que são lançamentos – e, portanto, não é preciso pagar caro por eles.

DINHEIRO – A sra. é uma crítica ferrenha do mercado de medicina alternativa. Por quê?
ANGELL – Eu acredito que os produtos lançados pela medicina alternativa deveriam ser amplamente testados para que se pudesse verificar a eficácia deles.Eu não sou contra os medicamentos em si. Quero deixar isso claro. Eu sou contra essa postura que o segmento tem de que não é necessário testar os remédios que as empresas tentam vender.

 

ANEFAC – Pesquisa de juros fevereiro de 2007 – Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade – Fevereiro de 2007, 15 p., disponível em www.anefac.com.br veja sob “Pesquisa de Juros”.

 

Não pense que taxa de juros é coisa para especialista. Os intermediários financeiros trabalham com o nosso dinheiro, não o dêles. O estudo aqui apresentado tem a vantagem de ser muito claro inclusive para leigos.

 

O documento da Anefac é elaborado com cuidado, apresentando em detalhe a metodologia, os diversos tipos de juros, os tipos de instituições de intermediação financeira, o tipo de tomador e assim por diante. É uma excelente leitura técnica para quem que saber o que acontece com o nosso dinheiro, mesmo não sendo técnico.

 

Todos sabemos que os juros no Brasil são escandalosos, mas é útil ter dados confiáveis na mão. Vamos ao conteúdo essencial (p. 6 e seguintes):

 

A taxa de juros média geral para pessoa física em fevereiro de 2007 é de 7,38% ao mês, ou seja 135,1% ao ano. (Comentário meu, L.D., seria de mais ou menos 4% ao ano nos EUA).

 

A taxa de juros média geral para pessoa jurídica em fevereiro de 2007 é de 4,19% ao mês, ou seja 63,65% ao ano.

 

O estudo lembra que a taxa básica de juros Selic foi reduzida de 19,75% em setembro de 2005 para 13,00% em fevereiro de 2007. No mesmo período a taxa de juros média para pessoa física foi reduzida em 6,11 pontos percentuais (de 141,12% ao ano em setembro de 2005 para 135,01% ao ano em fevereiro de 2007). Na pessoa jurídica a redução foi de 4,58% percentuais (de 68,23% ao ano em setembro de 2005 para 63,65% ao ano em fevereiro de 2007).

 

Alguns dados mais: a taxa de juros do comércio em fevereiro de 2007 é de 6,02% ao mês (101,68% ao ano). No cartão de crédito, a taxa é de 10,25% ao mês (222,51% ao ano). No cheque especial, a taxa é de 7,88 ao mês (148,48% ao ano). O empréstimo pessoal nos bancos ficou em 88,40% ao ano, e nas financeiras 265,67% ao ano.

 

Os dados estão todos lá, taxas de capital de giro, crediário de loja, desconto de duplicata, etc. No conjunto, o fato é que houve queda muito significativa da taxa básica fixada pelo governo, mas as variações nos juros para tomadores finais são ridículas. Ainda assim, o volume de crédito está se expandindo, mas com custos absolutamente indecentes para os tomadores. O estudo lembra ainda que “As taxas de juros são livres e as mesmas são estipuladas pela própria instituição financeira não existindo assim qualquer controle de preços ou tetos pelos valores cobrados”. (p.13)

 

O estudo recomenda que os tomadores pesquisem a taxa de juros e “demais acréscimos”, pois haveria “expressivas variações” entre as diversas instituições financeiras. Na realidade, as “expressivas variações” referem-se a diferenças ridículas quando consideramos os números e os comparamos com as taxas praticadas no resto do mundo. Não há como não sentir que com a cartelização do setor, não temos escolha. E quando não há escolha, não estamos mais enfrentando intermediários financeiros, e sim atravessadores.

 

Nas recomendações, a situação real transparece: “Se possível adie suas compras para juntar o dinheiro e comprar o mesmo à vista, evitando os juros”. O fecho é filosófico, e resume o que enfrentamos: “O crédito foi feito para você realizar seus sonhos, não para tirar seu sono”. Na dúvida, entre no site www.akatu.org.br e peça uma cartilha. E use o Idec e o Procon sempre que puder.

 

Boa leitura, vale a pena, trata-se dos principais entraves ao desenvolvimento econômico do país, entrave construído com o nosso próprio dinheiro.

 

PS: já está disponível a pesquisa relativa a março.

Os próximos 4 bilhões - setembro de 2007

International Finance Corporation (IFC), – The next 4 billion: market size and business strategy at the base of the pyramid – Banco Mundial, Executive Summary, 2007, 11 p. - http://www.wri.org/business/pubs_description.cfm?pid=4142

 O enfoque é interessante. Tradicionalmente, o Banco Mundial apresenta os dados que se referem aos pobres avaliando a dimensão do drama. São os dados que nos dizem por exemplo que na virada do século tínhamos 2,8 bilhões de pessoas com menos de 2 dólares por dia para viver, dos quais 1,2 bilhão menos de 1 dólar. No presente estudo, o Banco Mundial avalia a imensa massa dos “mal inseridos” no desenvolvimento econômico do planeta, e busca a forma de gerar oportunidades. Trata-se, dos 4 bilhões de pessoas cuja renda per capita está abaixo de 3 mil dólares por ano, e que constituem um mercado de 5 trilhões de dólares. Não se fala mais em tragédia social, fala-se em oportunidades econômicas.

 

“Os 4 bilhões de pessoas na base da pirâmide econômica (BaseOf the Pyramid – BOP),  todos aqueles cuja renda é inferior a 3 mil dólares em poder de compra local, vivem em relativa pobreza. A sua renda  em dólares correntes dos EUA é inferior a $3,35 por dia no Brasil, $2,11 na China, $1,89 no Ghana, e $1,56 na Índia. No entanto, juntos eles têm uma capacidade de compra significativa: a base da pirâmide constitui um mercado consumidor de $5 trilhões”.

 

O enfoque já gerou um entusiasmo passageiro com os estudos de De Soto sobre a capitalização dos pobres dando-lhes títulos de propriedade, e navega hoje nas visões de Prahalad sobre a possibilidade de se transformar os pobres se não em empresários, pelo menos em consumidores.

 

Para nós que buscamos a inclusão produtiva desta imensa massa da população mundial, no entanto, os dados apresentados, com a força de penetração das visões do Banco, não deixam de ser interessantes, ao explicitarem a constatação de que a imensa maioria da população mundial está ficando fora do chamado progresso. Na realidade, o mundo corporativo está gerando muito mais do que pobreza, está reduzindo a capacidade desta população de se apropriar do seu desenvolvimento. Trata-se da exclusão econômica de mais de dois terços da população. Segundo o relatório, “the BOP population segments for the most part are not integrated into the global market economy and do not benefit from it”(os segmentos de “base da pirâmide” da população na sua maior parte não estão integrados na economia de mercado global e dela não tiram proveito”).

 

“BOP markets are often rural – especially in rapidly growing Asia – very poorly serviced, dominated by the informal economy, and, as a result, relatively inefficient and uncompetitive.  Yet these markets represent a substantial share of the world’s population. Data from national household surveys in 110 countries show that the BOP makes up 72% of the 5.575 million people recorded by the surveys and an overwhelming majority of the population in Africa, Asia, Eastern Europe, and Latin America and the Caribbean – home to nearly all the BOP”. Segundo o relatório, isto é ruim para todos: “That these substantial markets remain underserved is to the detriment of the BOP households. Business is also missing out.”

 

O estudo confirma também que nestas regiões se faz muito pouco para gerar um ambiente propício à inclusão produtiva deste “andar de baixo” da economia: “There is growing recognition of the importance of removing barriers to small and medium-size businesses and a growing toolbox for moving firms into the formal economy and creating more efficient markets”.(Há um reconhecimento crescente da importância de se remover barrreiras à pequena e média empresa, e uma gama mais ampla de ferramentas para levar as empresas para a economia formal e para gerar mercados mais eficientes”.)

 

A filosofia, portanto, consiste aqui em criar um “bottom-up market approach”,  literalmente um capitalismo vindo de baixo. O que é óbvio, na verdade, é que o “capitalismo de cima” gera as tendências inversas. A plantação de soja utiliza 1 só trabalhador por 200 hectares de plantio, a pesca industrial oceância está reduzindo à miséria mais de 300 milhões de pessoas que vêm desaparecer o peixe nas regiões costeiras que sustentava a pesca tradicional, a especulação financeira está descapitalizando as comunidades, patentes (97% pertencem a países ricos) travam cada vez mais as iniciativas locais de criação de valor. A Coca-Cola na Índia lançou garrafas pequenas cujo preço corresponde ao valor de uma moeda: trocar as últimas moedas dos pobres por Coca-Cola foi apresentado como “inclusão comercial”. Estamos aqui muito longe da sabedoria e eficiência do Grameen Bank de Yunus.

 

Mas o documento é importante, pois mostra indiretamente o grau de tensões que o sistema estã gerando no planeta, e a necessidade de processos alternativos. A idéia de que “um outro mundo é possível” não se apoia apenas numa visão mais humana e em ideais sociais: trata-se cada vez mais de uma condição necessária da nossa viabilidade econômica.

Financiamento de políticas de saúde - set. 2007

Financiamento de politicas de saúde

18 de março de 2007 – Fonte: Gettting Real on Health Financing,  artigo de George Schieber, Lisa Fleisher e Pablo Gottret,  Finance and Development, publicação do Fundo Monetário Internacional, Dezembro de 2007;

Artigo completo original: http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2006/12/schieber.htm

Artigo completo em espanhol: http://imf.org/external/pubs/ft/fandd/spa/2006/12/pdf/Schieber.pdf

 

Às vezes é bastante útil acompanhar publicações do FMI, pois são insuspeitas de qualquer visão progressista. A publicação acima traz neste sentido dados bastante fortes sobre o financiamento da saúde, área da economia que os economistas não costumam olhar, pois têm dificuldade de assumir a sua função produtiva.

 

Os dados são duros. Primeiro, o artigo lembra que já passamos de 25 milhões de mortes provocados pela AIDS. Já pensaram se tivesse morrido este número de americanos? É o caso de lembrar um trecho do poema do português Fernando Pina:

 

É muito mais doente um alemão com gripe
que um indiano com lepra.
Sofre muito mais uma americana com caspa
que uma iraquiana sem leite para os filhos.
 

O artigo lembra que “globalmente, morrem 5 mil pessoas por dia de tuberculose, apesar dela ser passivel de tratamento e de prevenção... A realidade é que os paises em desenvolvimento continuam a fazer face a 90% da carga global das doenças, mas contam com apenas 12% do gasto global com saúde”. Isto traduzido em gastos por pessoa nos dá o seguinte: “O gasto total per capita é de 22 dólares em países de baixa renda, e acima de 3.000 dólares nos países de alta renda”. O quadro é impressionante:

 

 

Paises de:                              `PIB per capita     Saúde per capita   Saúde sobre PIB   Parte pública

Baixa Renda                                  481                                  22                            4,6%                       31,2%

Renda média baixa                    1.659                                  97                            5,6%                       43,6%

Renda média alta                       5.596                              341                              6,4%                       55.6%

Alta renda                                30.811                           3.466                          10,7%                         64,8%

Média mundial                           5.989                              602                              6,0%                       42,9%

Fonte: extraído da tabela 1 do artigo acima

 

Alguns comentários: para já, os 5.989 dólares de bens e serviços produzidos por pessoa no mundo seriam amplamente suficientes para uma vida confortável e digna para todos. Alguns claramente são mais dignos que os outros. A distribuição mundial que aparece na primeira coluna é patética. Na segunda coluna, vemos que há uma correlação inversa rigorosa entre quem mais precisa de apoio de saúde, pois é mais atingido, e quem com ela mais gasta. A terceira coluna mostra o peso impressionante que a saúde atingiu (trata-se aqui dos gastos totais com saúde, privados e públicos), 6% no nível mundial, e quase 11% do PIB dos países ricos.

 

Na última coluna, uma visão particularmente interessante: quanto mais ricos os países, maior a participação do setor público nos gastos totais de saúde. A progressão acompanha rigorosamente a renda. A recomendação que resulta é prática: “Countries should also build up their ability to raise money through taxes” (Os países deveriam incrementar a sua capacidade de levantar dinheiro por meio de impostos). Coloquei no original porque não é todo dia que lemos isto em fontes do FMI. A visão é correta: é preciso sim desenvolver o setor público,  mas lutar por maior eficiência nos gastos.

 

A tabela abaixo é igualmente interessante, pois mostra justamente que quanto mais pobre o país, mais fraca é a base financeira pública: nos países de renda baixa, a parte do PIB que cabe ao governo central é de 17,7% , elevando-se numa progressão regular à medida que chegamos aos países de alta renda. Os países ricos também falam mal do governo, mas não são bestas (note-se que se trata dos gastos do governo central apenas, os gastos públicos totais são bem mais amplos).

 

 

Paises de:                              `Governo central, porcentagem do PIB, início anos 2000          

Baixa Renda                                                                          17,7%

Renda média baixa                                                               21,4%

Renda média alta                                                                  26,9

Alta renda                                                                            31,9%                                    

Fonte: extraído da tabela 2 do artigo acima

 

 

O artigo lembra ainda dois pontos importantes. Primeiro, o gasto direto com saúde, ou seja, a forma mais privada em que o cidadão paga diretamente os gastos no sistema “out-of-pocket”(literalmente tirando do bolso), constitui “uma das mais regressivas e ineficientes fontes de financiamento do setor da saúde para os pobres, pois lhes nega os benefícios de redistribuição de renda, repartição de riscos e proteção financeira”. No entanto, nos países de baixa renda, 60% dos gastos totais com saúde se dão nesta forma, contra apenas 20% nos países ricos. Segundo, os diversos planos privados empresariais e outros são ineficientes em paíse onde a massa de trabalhadores informais é grande.

 

Vale a pena consultar o artigo na íntegra, no endereço que mencionamos acima. As áreas sociais, e não só a saúde, precisam de mecanismos públicos para funcionar, acrecentando-se forte controle e participação da comunidade. Fazer dinheiro com saúde na realidade equivale ao que conhecemos como indústria da doença, e não é eficiente em lugar nenhum. 

Uma soneca após o almoço ajuda a saúde?

5 de março de 2007 - Fonte: pesquisa de Harvard
http://www.hsph.harvard.edu/press/releases/press02122007.html

 

Finalmente temos uma pesquisa que nos ajuda a viver. A Harvard School of Public Health (HSPH) e a University of Athens Medical School (UAMS) realizaram um amplo estudo sobre o efeito da sesta pós-almoço sobre a saúde. Os resultados são impressionantes:

 

“Os resultados mostraram que as pessoas que fazem regularmente a sesta, definida pelos pesquisadores como uma soneca pelo menos 3 vezes por semana com uma média de 30 minutos, tinham uma mortalidade coronária 37% mais baixa do que as que não fazem sestas”. Foram acompanhados 23.681 indivíduos, durante uma média de 6,3 anos. A pesquisa, diriga pelo doutor Dimitrios Trichopoulos (veja no Google a obra), é extremamente séria, como se pode constatar no documento de 1,5 páginas no endereço acima.

 

Imagino que vários leitores desta “pílula” vão pensar que o professor Ladislau Dowbor está saindo do sério. Redondo engano. Primeiro, porque estou agora seguro de viver mais do que o cético que me lê. Segundo, porque assisti um longo documentário sobre o comportamento de mamíferos após as refeições, no National Geographic, e vi que  todos têm direito à sesta pós-almoço nas horas mais quentes do dia. O único mamífero idiota que conseguiu evoluir para o “fast-food” e a correria, é o nosso conhecido bípede quando atingiu o que considera ser o sucesso.  

 

Além disso, quando eu trabalhava na Guiné-Bissau, introduzimos uma mudança nos horários de trabalho: passamos a trabalhar das 7 ao meio dia, e depois das 15 até as 18 h. Dá para enfrentar 5 horas pela manhã, sobretudo com um intervalo de meia hora para um segundo café da manhã. Na hora do almoço, como são três horas, dá para voltar para casa, almoçar, tirar uma bela soneca (namoro opcional), tomar um bom banho, e voltar fresco como uma flor para trabalhar 3 horas até ás 18h. O que acontece às 18 horas? Em vez de voltar como trapo para casa, ver idiotices na televisão e dormir sem falar com ninguém, saíamos direto para os bares, conversar com os colegas (namoro opcional), tomar cerveja, comer um camarão com limão e pimenta, segundo a cultura local.

 

Não há dúvida que certas áreas metropolitanas não permitem este tipo de interrupção, pela distância ou demora das viagens. Mas já há empresas que instalaram salas de sesta, com rede (rede de verdade, de corda, não rede de internet) ou tatames, e constatam forte aumento de produtividade. Vocês já repararam no olhar de sonâmbulo do funcionário disciplinadamente sentado à mesa de trabalho às 14:30h., com o queixo crispado por um quase permanente bocejo contido? Que produtividade! Que disciplina!

 

Não pude deixar de notar que tiveram que ir para a Grécia para fazer a pesquisa, porque nos EUA não havia tempo para desenvolver a atividade pesquisada. Agora sabemos: além de ser idiota, a pressa no almoço e pós-almoço mata. A batalha pelo uso inteligente do nosso tempo evoluiu até a jornada de 8 horas, e estagnou. É tempo de começar a retomá-la.

 

Ninguém se dá conta da dramática perda de qualidade de vida que significam os massacrantes horários que inventamos. O uso inteligente do nosso tempo nunca foi pensado do ponto de vista humano, nem por quem empurra o fast-food e nem por quem instituiu, por exemplo, o horário de verão tropical. Aliás, veja o capítulo Economia do Tempo, no meu ensaio “Democracia Econômica”, neste site, sob “Artigos online”. Mas antes leia (está em inglês) o resumo da pesquisa no site mencionado no título desta nota. Boas leituras. Já é hora do meu almoço. Farei a minha sesta embalando-me no versinho tradicional:

 

E, logo que o pecado

Da gula se contenta,

Cai o corpo estirado

Em sesta longa e lenta.

(Almanaque de lembranças luso-brasileiro, no Aurélio)

 

 

Patentes ajudam ou atrapalham?

Patentes ajudam ou atrapalham a pesquisa?

1 de novembro de 2006 – LD

Fonte: artigo de Joseph Stiglitz, New Scientist, 16 September 2006, p. 20   Ver www.newscientist.com

 

O artigo de Joseph Stiglitz traz à tona o que tantas pessoas sentem: o sistema de patentes, copyrights, regulamentações do TRIPs, proteções de direitos intelectuais em geral estão muito mais protegendo monopolizadores de informações do que ajudando a gerar e difundir conhecimentos. Já comentamos neste site trabalhos importantes nesta linha, de Jeremy Rifkin (A Era de Acesso) ou de Lawrence Lessig (The Future of Ideas), sob “Dicas de Leitura”.

 

A importância do artigo de Stiglitz vem do fato de sua condição de ex-economista chefe da Casa Branca e do Banco Mundial, de prêmio “Nobel” de Economia, e da visibilidade que o seu posicionamento tem neste debate até hoje. Numa era caracterizada pela centralidade do conhecimento nos processo econômicos, temos patentes que imobilizam áreas por 20 anos, copyrights que duram 97 anos, prazos que, dado o ritmo das inovações, constituem autênticos monopólios.

 

“A inovação, escreve Stiglitz, está no coração do sucesso de uma economia moderna. A questão é de como melhor promovê-la. O mundo desenvolvido arquitetou cuidadosamente leis que dão aos inovadores um direito exclusivo às suas inovações e aos lucros que delas fluem. Mas a que prêço? Há uma sentimento crescente de que elgo está errado com o sistema que governa a propriedade intelectual. O receio é que o foco nos lucros para as corporações ricas represente uma sentença de morte para  para os muito pobres no mundo em desenvolvimento.”

 

Por exemplo, explica Stiglitz, “isto é particularmente verdadeiro quando patentes tomam o que era previamente de domínio público e o ‘privatizam” – o que os juristas da Propriedade Intenectual têm chamado de novo “enclosure movement”. Patentes sobre o arroz Basmati (que os indianos pensavam conhecer havia centenas de anos, ou sobre as propriedades curativas do turmeric (gengibre) constituem bons exemplos”.

 

Segundo o autor, “os países em desenvolvimento são mais pobres não só porque têm menos recursos, mas porque há um hiato em conhecimento. Por isto o acesso ao conhecimento é tão importante. Mas ao reforçar o controle (stranglehold) sobre a propriedade intelectual, as regras de PI (chamadas TRIPS), do acordo de Uruguay reduziram o acesso ao conhecimento por parte dos países em desenvolvimento. O TRIPS impôs um sistema que não foi desenhado de maneira ótima para um país industrial avançado, mas foi anda menos adequado para um país pobre. Eu era membro do Conselho Econômico do presidente Clinton na época em que a negociação do Uruguay Round se completava. Nós e o Office of Science and Technology Policy nos opunhamos ao TRIPS. Achávamos que era ruim para a ciência americana, ruim para o mundo da ciência, ruim para os países em desenvolvimento”.   

 

É uma tomada de posição importante, nesta época em que é bom tom respeitar a propriedade intelectual, quando estamos essencialmente respeitando a sua monopolização. Preecisamos de regras mais flexíveis e mais inteligentes, e sobretudo reduzir os prazos absurdos de décadas que extrapolam radicalmente o tempo necessário para uma empresa recuperar os seus investimentos sobre novas tecnologias. Quanto a patentear bens naturais de países pobres para em seguir cobrar royalties sobre produções tradicionais, já é simplesmente pirataria. E os piratas, neste caso, são os de cima. (citações: tradução livre de LD).

 

Mídia Comunitária

O direito democrático à comunicação

15 de agosto de 2006 – LD

Fonte: Arede – Tecnologia para a inclusão social – Artigo sobre Mídia Comunitária

www.arede.inf.br  - ano 2, n. 17 – Agosto 2006

 

O artigo mencionado traz uma excelente visão geral da situação da mídia comunitária. O editorial de Lia Ribeiro Dias traz um comentário forte sobre “A mídia do povo”, que vale a pena transcrever em parte:

 

“Não se sabe nem seu tamanho nem seu alcance, mas a mídia popular vem ganhando musculatura. São jornais, revistas, videos e rádios, produzidos por equipes de comunidades de baixa renda ou das periferias das grandes cidades. No lugar de personagens da mídia convencional, geralmente retratadas pelo que nâo têm e nâo pelo que são, as comunidades resgatam sua identidade, criando seus próprios canais de expressão...Ao se auto-expressar e passar de público-alvo a público participante, a comunidade se apropria de sua representação, ganha auto-estima e conquista poder”

 

“O fenômeno de comunicação comunitária, que já provocou o surgimento de escolas de comunicação popular em vários estados, conquista adeptos especialmente entre os jovens. São elos os repórteres, os editores, os locutores, os produtores de vídeo, os fotógrafos. Uma legião de novos autores, que não pára de crescer e que é a prova viva de que a legislação que reserva a jornalistas diplomados o desempenho dessas funções é anacrônica, antidemocrática, fere o direito de expressão e, se aplicada, impede o empoderamento das comunidades. “

 

Se os jornais, revistas e produtoras de vídeo popular ainda não são reprimidos pela fiscalização das delegacias regionais de trabalho por empregarem jornalistas não diplomados, as rádios comuinitárias, por sua vez, são alvo preferencial da repressão. O recente fechamento da Rádio Heliópolis, de São Paulo, um ícone da comunicação comunitária, mostra que a sociedade brasileira não pode mais conviver com a legislação que está aí, que restringe a manifestação popular”.

 

 

Estamos todos acostumados a que a mídia seja assunto de gente grande, e de preferência, enorme. A mídia comunitária parece assunto menor. Mas se trata um pouco da mesma briga que houve há vinte anos atrás, quando a IBM queria reduzir o acesso à informática aos “mainframes”, de preferência da própria IBM. A tentativa de trancar os usuários foi para o espaço com a generalização dos computadores pessoais, e venceu a opção democrática, pelo menos para os equipamentos, apesar da guerra contra o que se qualificava na época de “clones”. Outra briga foi a iniciativa de Tim Berners-Lee, criando a Web, o familiar www que nos permite comunicar uns com os outros gratuitamente, e que surgiu da mesma visão democrática, de uma comunidade científica no CERN da Suiça, continuando a ser gerida numa visão sem fins lucrativos. O lucro é sistêmico, para toda a sociedade, pois todos se tornam mais produtivos com acesso gratuito a mais informações. A geração do software livre constitui outra tendência que visa evitar que os sistemas de informação fiquem presos a um monopólio planetário, ainda que aqui a briga seja cada vez mais dura.

 

Na área da briga pelo direito à comunicação, ainda estamos dando os primeiros passos. Tal como a IBM na era dos mainframes¸ os gigantes da mídia querem impedir que surja uma liberdade efetiva de comunicação nas comunidades. Em termos técnicos, é bastante absurdo, pois da mesma forma como houve um barateamento radical dos micro-computadores que permitiu que se tornassem um aparelho doméstico, montar uma emissora é hoje muito simples e barato. Não se justifica mais a mega-empresa que termina por controlar conteúdos. Cada escola, cada comunidade deveria ter a sua rádio ou TV comunitária, ajudando a comunidade a se organizar. Tentar impedir esta democratização faz parte das velhas tradições centralizadoras.

 

Recomendo muito o artigo de fundo publicado na revista, pois o direito à comunicação é essencial para todos nós. Quem quiser se aprofundar na parte teórica do assunto, pode dar uma olhada, neste site, na resenha que fizemos de “A Era do Acesso”, de Jeremy Rifkin, e de “O Futuro das Idéias” de Lawrence Lessig (veja sob “Dicas de Leitura”).

Concentração de Renda nos EUA e outros

Concentração de renda nos EUA –  Inequality in America – The Economist, June 17th 2006, p. 30;   The Evolution of Top Incomes, by Thomas Piketty and Emmanuel Saez

 

Todos sabemos que o modelo atual está afetando diretamente uma qualidade essencial do capitalismo do pós-guerra que era, pelo menos nos países desenvolvidos, uma certa democracia econômica. Mas vale a pena ter à mão os dados, de uma fonte conservadora como The Economist, e constatar que a imagem é diferenciada. .

 

“Os números são desconcertantes. De acordo com Emmanuel Saez da Universidade da California, Berkeley, e Thomas Piketty da Ecole Normale Supérieure de Paris, a parte da renda agregada que vai às mãos do 1% dos americanos que mais ganham dobrou, passando de 8% em 1980 para 16% em 2004. A parte que vai para o décimo superior de 1% triplicou, de 2% em 1980 para 7% hoje. E a que vai para o centésimo de 1% superior – os 14.000 contribuintes que estão bem no topo da escada da renda – quadruplicou, indo de 0,65% em 1980 para 2,87% em 2004.” (p. 30)

 

O artigo comenta que “nenhum outro país conheceu um deslocamento tão extremo”, e que “se as coisas continuarem assim durante um período suficientemente longo’, comenta um conhecedor, ‘vamos terminar sendo como Brasil, um país notório pela sua concentração de renda e de riqueza” (p.28)  

 

A visão que o artigo transmite – trata-se do artigo de capa do The Economist – é de que a renda do trabalhador está estagnada, e a da classe média pressionada, o que gera uma imagem um pouco diferente das antigas formas de concentração de renda, indicando um enriquecimento extremo no topo mesmo da pirâmide, constituindo portanto um eixo de poder político preocupante.

 

Valea pena ver o próprio estudo de Piketty e Saez que embasou o artigo do Economist. É um artigo curto (6 páginas) e pode ser puxado na internet (veja abaixo). O estudo constata uma dupla mudança: primeiro, uma profunda divergência entre o eixo de fala inglesa (EUA, Canada e Inglaterra) por um lado, e o eixo europeu e japonês por outro, mais igualitário; segundo, nos países de fala inglêsa, a maior apropriação de renda pelos grandes executivos empresariais, relativamente aos donos de capital.

 

“Durante o período pós-1970, observamos uma divergência forte entre países ricos. Enquanto a renda no topo se manteve razoavelmente estável nos países da Europa continental ou no Japão durante as últimas tres décadas, ela aumentou enormemente nos Estados Unidos e outros países de fala inglesa. Este aumento da parte da renda no topo não se deve a um reviver da renda de capital, mas antes ao grande aumento nos salários superiores (especialmente remuneração de executivos). Como consequência, a faixa superior dos executivos (os working rich) substituiu a faixa superior de donos de capital (os rentistas, rentiers) no topo da hierarquia de renda durante o século XX”.

 

O Economist se concentra nos dados referentes aos EUA, onde a concentração de renda é mais dramática. E não deixa de proclamar a sua marca conservadora: “Se estas mudanças são boas ou ruins depende da sua convicção política. Os que são de esquerda lamentam o fosso, esquecendo frequentemente que disparidades maiores de renda criaram um incentivo maior de se buscar educação, o que levou a uma força de trabalho melhor treinada e mais produtiva”. Ou seja, devemos agradecer aos que embolsam fortunas, pois nos estimulam a estudar. Se apropriam dos recursos em volumes historicamente sem precedentes, mas o fazem, de certa forma, para o nosso bem.

 

O artigo completo de Piketty e Saez, mencionado acima, é particulamente interessante. Veja sob http://emlab.berkeley.edu/users/saez/piketty-saezAEAPP06.pdf

 

Philips nos ajuda a ver publicidade - New Scientist 3 de junho de 2006

Philips é uma empresa séria. Na sua declaração de valores, figura “encantar os consumidores”. Não resisto a mencionar a nota que vem na revista científica britânica New Scientist (3 June 2006) sobre a Philips: “Vejam por exemplo a empresa de produtos eletrônicos Philips, que depositou um pedido de patente (US20050232612) para uma forma subreptícia de impedir os tele-espectadores de mudar de canal para não verem publicidade, ou de pular segmentos de gravação (FF)”. Frente à indignação gerada, a Philips reagiu: “Philips nunca teve a intenção de forçar os espectadores a ver anúncios contra a sua vontade, e não utliliza esta tecnologia em qualquer produto Philips, e nem temos planos de fazê-lo.”. New Scientist pergunta então: “Claro que não duvidamos disto, mas neste caso, porque gastar dinheiro para patentear o produto?”. A este respeito, ver www.newscientisttech.com/article/dn9011.html . O impacto provável é que como dona dos direitos sobre a tecnologia, a Philips venderá os direitos a outras empresas interessadas, ganhando assim ao mesmo tempo um nome limpo e, porque não, um pouco de dinheiro. Nada é perfeito. Os consumidores estão encantados.  

Conectividade urbana banda larga sem fio

Redes Públicas Wi-Fi nas cidades – (do artigo “Cities race to reap the rewards of wireless net for all” de Paul Marks – New Scientist, 25 March 2006)

 

O Wi-Fi é a tecnologia que permite, havendo um ponto emissor na casa, todo o “ambiente” da casa, ou do escritório, poder acessar a internet sem fio. É você trabalhando confortavelmente no sofá com o lap-top, sem estar preso aos fios. O ambiente, num raio de cerca de 100m, “banha” de certa forma no sinal banda larga internet. Agora imagine uma cidade Wi-Fi, ou seja, uma cidade onde você pode sentar em qualquer parque e trabalhar à vontade. É a versão computador, digamos assim, do telefone celular, cobrindo todo um espaço urbano.

 

Há atualmente uma corrida de cidades que instalam retransmissores – por exemplo uma anteninha em cada poste de luz – de forma que todo o espaço urbano esteja coberto pelo sinal. Chamam isso de “municipal mesh Wi-fi networking”, e o artigo publicado no New Scientist, revista científica de primeira linha na Inglaterra, apresenta como está se dando a “corrida” das cidades para adotar a tecnologia.

 

Segundo o artigo, “as redes públicas Wi-fi terão também impacto no set-up Wi-fi em residências, escolas, livrarias e cafés...Sistemas que abrangem toda uma cidade ligam um conjunto de pontos Wi-fi para formar uma teia (“mesh”) onde os sinais de rádio recebidos num ponto saltam de antena para antena até encontrarem alguém que está conectado na net”.  

 

Para já, a tecnologia, que permite conectividade de todo o espaço urbano, é barata. Por exemplo, na cidadade de Philadelphia, nos EUA, “cerca de 4000 postes nos 320 quilómetros quadrados da cidade terão antenas Wi-fi que cobrirão a cidade com sinal, banda larga sem fio. A promessa é de um acesso internet de 1-megabit/segundo por menos de 10 dólares por mês, comparado com 45 dólares para a conexão cabo hoje.”. A cidade de Taipei em Taiwan, na China, está generalizando o sistema com uma taxa geral de 12 dólares por mês.  

 

Há dificuldades, segundo o artigo, em termos de interoperabilidade e fixação de padrões, e sobretudo da resistência das principais empresas de telecomunicações que buscam impedir o sistema. “O Wi-fi municipal nos Estados Unidos está encontrando oposição significativa dos maiores grupos de telecomunicações, como a Verizon, BellSouth e Cox Communications...Já conseguiram adotar legislação em 12 estados que torna ilegal uma cidade montar uma rede sem fio que competiria com a empresa de telecomunicações local”. No plano da interoperabilidade, está sendo gerado um sistema padrão chamado IEEE 802,  havendo ainda o sistema WIMAX que permite acesso no padrão IEEE num raio de 2 quilómetros de cada antena.

 

O impacto possível em termos de assegurar a inclusão digital é bastante evidente, sobretudo com a perspectiva agora bem real de acesso a computadores básicos baratos (100 dólares). A cidade de Philadelphia, no seu projeto de inclusão digital, está organizando a conexão para os 1,4 milhão de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza.

 

Com o custo relativamente baixo – 12 dólares por mês é o prêço de um livro – e os imensos aumentos de produtividade sistêmica territorial que a conectividade permite, além do aproveitamente escolar evidente, trata-se de um eixo a explorar. O Fust nos permitiria seguramemente asseguar um “Brasil Digital”, pelo menos no conjunto dos espaços urbanos e peri-urbanos, nesta linha.

 

O New Scientist está em www.newscientist.com

 

Água virtual e anarquia hídrica

 Água virtual é a que está contida, por exemplo, num grão de arroz, calculando-se quanta água foi necessária para produzi-lo. Como ordem de grandeza, dependendo do tipo de cultivo, entre 2000 e 5000 vezes o seu peso em água. Ou seja, quando exportamos soja, na realidade estamos exportando também a água que foi necessária para a sua produção.

Fred Pearce, na revista New Scientist de 25 de fevereiro de 2006, traz um balanço da situação. Os dados básicos são os seguintes: produzir um quilo de trigo exige mil litros de água, um litro de leite exige dois mil, um quilo de açucar tres mil, um quilo de arroz até cinco mil. Produzir o algodão contido numa camiseta custa sete mil litros, um "quarteirão" de hambuguer onze mil, um quilo de café vinte mil.

O artigo de capa da revista constata que "o mundo produz duas vezes mais alimento do que há uma geração atrás, mas gasta tres vezes mais água para o seu cultivo". O International Water Management Institute (IWMI) calcula que na Índia se extraem 250 quilômetros cúbicos de água dos lençois freáticos, cerca de 100 quilômetros cúbicos a mais do que é reposto pelas chuvas".  O resultado prático é que as imensas reservas de água acumuladas durante séculos estão se esgotando com grande rapidez. Onde antigamente havia poços cavados, utiliza-se pequenas bombas que sugam água em profundidades cada vez maiores. Onde poços abertos encontravam água a 10 metros, hoje têm de buscar até 400 metros, e ainda assim secam. Pequenas bombas modernas, que agricultores individuais compram na Ínida, puxam 12 metros cúbicos por hora. Multipliquem isso por milhões de agricultores... 

A lógica do sistema é implacável. Um agricultor entrevistado comenta: "Sim, estou preocupado que a água irá desaparecer, mas o que posso fazer? Eu tenho de viver, e se eu não bombeio a água, os meus vizinhos vão fazê-lo". O artigo comenta que "todos têm acesso irrestrito ao equipamento, e a sobre-exploração é quase inevitável. É um caso clássico da tragédia dos [bens] comuns".

Tushaar Shah, do IWMI, "estima que a Índia, China e Paquistão juntos bombeiam provavelmente cerca de 400 quilômetros cúbicos de água subterrânea por ano, cerca de duas vezes mais do que é reposto pelas chuvas."..."Fora da Ásia revoluções similares estão acontecendo em países populosos como México, Argentina, Brasil e Maroccos. Até os Estados Unidos estão esvaziando preciosas reservas de água subterrãnea para cultivar grãos e carne para exportação".

Lester Brown chamou esta falsa produtividade agrícola de "food bubble", a bolha da alimentação, sustentada articialmente ao consumir o nosso amanhã. A dimensão internacional está se tornando evidente: "Sem que o saibamos, grande parte do mundo rico está importando safras geradas por meio de sobre-exploração de reservas de água subeterrânea - algodão do Paquistão, arroz da Tailândia, tomates de Israel, café da Etiopia, e até laranjas da espanha e açucar da Austrália".

Este cáclulo muda radicalmente a forma como calculamos o nosso consumo de água. "Um Ocidental típico com seus hábitos carnívoros e esbanjadores de leite consome até cem vezes o seu peso em água a cada dia".

Há alternativas? Curiosamente, implica voltar um pouco para trás. Em outros tempos os indianos cavavam inúmeras pequenas barrragens para segurar a água nos vales, o que reforçava a filtração para dentro do solo e realimentava os lençóis freáticos. Os pequenos reservatórios assim criados se chamam tanka, nome que os ingleses adotaram sob forma de tank, e que nos transformamos em tanque. (O "tanque " no sentido militar foi adotado em 1915, como nome código para a então nova arma).

 O processo foi renomeado como "colheita de água" (water harvesting): "Em partes de Dehli onde velhos tanques  e olhos d'água foram limpos e o lixo tirado, a água acumulada está recuperando os lençóis subterrâneos. A capital podia obter um terço da sua água colhendo chuva".

O processo envolve evidentemente organização comunitária. Segundo Schah, "um fator importante na Índia é o controle comunitário. Poucos agricultores individuais podem captar com sucesso a sua água e armazená-la de baixo da terra - ela se dissiparia rapidamente no aquífero mais amplo. Mas se uma vila inteira o faz, os efeitos são frequentemente espetaculares. As camadas de água sobem, riachos ressecados voltam a fluir, e há mais água para irrigação, transformando a produtividade dos campos."

O movimento de colheta de água de chuva, segundo Schah, "está mobilizando energia social numa escala e intensidade que pode torná-la numa das respostas mais efetivas para um desafio ambiental em qualquer parte do planeta".  

São dados que técnicos conhecem, mas estão bem ordenados neste artigo. A revista New Scientist é de circulação internacional, e este artigo de capa tem o tom de "sinal de alarme" para um processo que vem se agravando dramaticamente. Servede alerta também para o Brasil, que tem tanta água que se acostumou a esbanjá-la.

Esta visão serve também para lembrar os esforços pioneiros da ASA, Articulação do Semi-Árido, cerca de mil organizações da sociedade civil que estão combatendo a seca através da micro-captação de água em cisternas. Veja em www.asabrasil.org.br

Fred Pearce acabou de publicar um livro sobre o tema, When Rivers Run Dry, Beacon Press, March 2006, 320 p., veja em www.amazon.com . O New Scientist pode ser acessado em www.newscientist.com

Estou colocando esta nota, pela importância do tema, também em "Dicas de Leitura" neste site.

Rastreando as pessoas através do celular

É um texto um pouco extenso para traduzir, mas é importante por mostrar claramente o rápido avanço de invasão de privacidade que a mundo eletrônico permite. O texto vem publicado por um excelente site que traz regularmente notícias sobre democratização dos meios de comunicação www.eff.org (LD - 30 de setembro de 2005)

 

 Cell Phones Used to Track People Without Probable Cause

 

New Case Reveals Routine Abuse of Government Surveillance

Powers

 

San Francisco - EFF is fighting the Department of Justice

in a New York federal court case that will determine

whether the government is required to show probable cause

to believe a crime has been or will be committed before

secretly tracking people using their cell phones.

 

"This is the first case considering when the government can

track the movements of your cell phone, and the answer

couldn't be more important," said EFF Staff Attorney Kevin

Bankston.  "Allowing the government to turn anyone's cell

phone into a tracking device without probable cause will

enable a surveillance society that would make Big Brother

jealous."

 

Last month, the court denied a Justice Department request to

monitor a cell phone's location.  The ruling revealed that

the DOJ has routinely been securing court orders for

real-time cell phone tracking without demonstrating

probable cause and without any law authorizing the

surveillance.

 

Many cell phone users aren't aware that their phones can

be used to track their location in real-time, even when

they aren't using them.  EFF filed a friend-of-the-court

brief last week to oppose a DOJ motion asking the court

to reconsider its pro-privacy decision.  EFF argues that

the Fourth Amendment requires a search warrant for such

invasive surveillance, issued under the same strict

standards as warrants that authorize phone and Internet

wiretaps.

 

The government has tried to justify this gross expansion

of its authority by combining two surveillance statutes,

neither of which authorize cell phone tracking on their

own.  As EFF explains in its brief, there is no support

anywhere for this argument - not in the statutes' language,

nor in legislative history, case law, or academic

commentary.  Indeed, it contradicts the government's own

electronic evidence manual.  "It's as if the government

wants the court to believe that zero plus zero somehow

equals one," said Bankston.

 

EFF's brief marks the first time the DOJ has had to face

lawyers presenting an opposing argument on this issue.

"Secrecy breeds abuse," said EFF Staff Attorney Kurt Opsahl.

"Before this court had the courage to stand up to the

government, the hearings were hidden from the public and

the judge only saw the government's point of view.  This

led to secret tracking orders - without basis in law - that

threaten our fundamental liberties."

 

The DOJ is expected to appeal to the district court if

Magistrate Judge James Orenstein denies the government's

motion to reconsider.  The court has not said when it

intends to rule.

 

For the original version of this release online: <http://www.eff.org/news/archives/2005_09.php#004002>

 

For EFF's amicus brief: <http://www.eff.org/legal/cases/USA_v_PenRegister/celltracking_EFFbrief.pdf>

 

Os pequenos furtos corporativos - Setembro 2005

Business Week, September 29, 2003, Cover Story

É interessante ver como se cruza o poder corporativo com a capilaridade das novas tecnologias. Quando o computador de uma empresa pode enviar, praticamente sem custos, 10 milhões de mensagens que chegam ao nosso domicílio ou escritório, as relações econômicas mudam. Inclusive, o mesmo mecanismo permite, por exemplo, acrescentar uma pequena taxa ao que estamos pagando, sem que o notemos. A revista americana Business Week, ao fazer um relatório especial sobre o assunto, concluiu que os Estados Unidos, que eram Land of the Free,  estão se tornando rapidamente Land of the Fee, terra das cobranças enrustidas (“hidden charges”).

O artigo mostra por exemplo como a empresa AT&T, ao acrescentar uma módica “taxa de avaliação regulatória” de 99 centávos por mês na conta dos seus clientes de chamadas à distância, levantou algo como 475 mihões de dólares. Cobranças discretas aos consumidores que pagam as suas contas online trazem aos bancos lucros estimados em $2 bilhões. Segundo o artigo, “as empresas não podem elevar os preços sem perder negócios, então elas estão enterrando taxas mais elevadas nas letrinhas (small print)". Segundo Stephen Brobeck, diretor da Consumer Federation of America, “é muito mais fácil elevar os preços através de taxas obscuras e de sobrecargas do que elevar os preços de venda”. Um juiz da Corte Superior da California obrigou MasterCard e Visa a restituir $800 milhões pela cobrança de taxas escondidas sobre compras feitas em moeda estrangeira. O artigo considera que “a cobrança de taxas está descontrolada. Um dos piores violadores é a indústria de telecomunicações, que faz publicidade de planos baratos de chamadas à distância, e joga encargos extra que acrescentam 20%, em média, na conta do celular dos clientes."

A lógica da bandidagem solidária predomina: o porta-voz da AT&T justifica: “Se você publica tarifas mais altas baseadas em suas despesas, e os seus competidores publicam tarifas mais baixas, mas acrescentam várias taxas em baixo da página, o que você vai fazer?” O relatório da Business Week explica ainda que “ninguém consegue vencer a indústria do cartão de crédito em sua capacidade de inventar taxas." A lista da bandidagem é ampla, envolvendo inúmeras grandes coporações. Estes pequenos roubos legais envolvem por exemplo os momentos de relaxamento descuidado como na Blockbuster. As empresas aéreas descobriram que podem inventar multas porque o passageiro tem de mudar o horário do vôo. Trata-se quase sempre de pequenos golpes sobre gastos maiores, e o consumidor suspira mas paga. O sentimento de raiva e indignação (outrage) levou nos Estados Unidos ao surgimento de inúmeras instituições da sociedade civil. Mas a briga é difícil, pois o cidadão comum não tem tempo ou recursos para enfrentar empresas terceirizadas de gestão de uma grande corporação, que dispõe de serviços de advocacia permanentes para se defender, de empresas de cobrança que calculam riscos e benefícios, e de empresas de relações públicas que amaciam o consumidor.

O relatório da Business Week cita como exemplos de organização crescente de consumidores que buscam se defender  www.saveonphone.com , www.ripoffreport.com, www.complaints.com e outros. No Brasil, o IDEC presta serviços importantes www.idec.org.br (veja "sites recomendados" no presente site)

A chamada do artigo é divertida: Fees! Fees! Fees! Unable to raise prices, companies are hitting consumers with hundreds of hidden charges. That’s creating stealth inflation and fueling a popular backlash

 

 


 

Lei de Garantia de Trabalho na India - Setembro 2005

O Economist de August 27th 2005 traz a nota seguinte, na p. 35:

 India: “This week parliament passed a law that guarantees 100 days a year of employment on public-works projects to a member of every household in 200 of India’s 600 districts, a scheme that is to be extended to all of the other districts within five years. For the promoters, such as Sonia Gandhi, leader of the Congress party, the employment guarantee is nothing less than a visionary scheme that will drastically reduce poverty, help fix rural India’s rotten infrastructure andd change age-old social structures by giving power and rights to the very poor”.

 Tradução livre: O parlamento da India passou nesta semana uma lei que garante 100 dias de emprego em projetos de obras públicas para um membro de cada familia, em 200 dos 600 distritos da India, esquema que deverá ser extendido a todos os outros distritos no prazo de cinco anos. Para os promotores da iniciativa, como Sonia Gandhi, lider do partido do Congresso, o emprego garante nada menos do que um esquema visionário que reduzirá drasticamente a pobreza, ajudará a consertar as infraestruturas lastimáveis da India rural, e contribuirá para mudar antigas estruturas sociais dando poder e direitos aos muito pobres.

 Para o Brasil que sofre de uma gigantesca subutilização da sua mão de obra, e de necessidades gritantes de pequenas obras como saneamento básico, manutenação municipal, construção de casas populares etc., esta proposta tem muito interesse. 

Vejam por favor a notícia sobre o progresso da aplicação da Lei de Garantia de Emprego da India, que assegura 100 dias de trabalho a uma pessoa por família, o que deve constituir uma renda mínima associada a prestação de serviços. As pessoas nas localidades que não conseguirem se organizar organizar os empregos, receberão o benefício sob forma de seguro desemprego.

http://news.bbc.co.uk/2/hi/south_asia/4671328.stm

 

 

Bancos públicos locais na Alemanha - Setembro 2005

O The Economist de 13 a 19 de dezembro 2003 traz na p. 69 a notícia seguinte:

 "Consider the 500-odd municipal savings banks that hold half of the money in Germans' savings accounts. None of these banks has ever been privatised, even though private-sector banks, which have only 15% of savings deposits, would like the chance to buy some".

Tradução livre: Considerem as cerca de 500 caixas de poupança municipais que têm a metade do dinheiro depositado pelos alemães em contas de poupança. Nenhum destes bancos jamais foi privatizado, apesar dos bancos do setor privado, que têm apenas 15% dos depósitos de poupança, terem interesse em comprar alguns".

É interessante, ao comparar a estrutura bancária de um país solidamente capitalista como a Alemanha com o nosso oligopólio privado, que a Alemanha se apoia num sistema muito público e muito mais descentralizado. Não basta haver crédito, e juros decentes: é preciso ter instituições de intermediação financeira local, com suficiente capilaridade para responder a necessidades diferenciadas, e não apenas grandes redes privadas que drenam as poupanças locais para fazer aplicações financeiras.  

O The Economist, de sólida orientação de direita, apresenta estes dados para lamentá-los. Nós podemos lamentar outras coisas. 

 

O custo de tirar os muito pobres da pobreza

O Relatório sobre o Desenvolvimento Humano 2005 traz informações muito interessantes. O distanciamento entre paises pobres e países ricos no plano internacional está ultrapassando de muito as diferenças entre ricos e pobres dentro dos países. O Relatório toma como exemplo extremo o Brasil: "In Brazil the ratio of the income of the poorest 10% of the population to the richest 10% is 1 to 94. For the world as a whole it is 1 to 103." É a globalização em marcha.

O Relatório informa também que com 300 bilhões de dólares, 2% da renda dos 10% mais ricos, se tiraria da miséria o bilhão de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia: "Measured in 2000 purchasing power  parity terms, the cost of ending extreme poverty - the amount needed to lift 1 billion people above the $1 a day poverty line - is $300 billion. Expressed in absolut terms, this sounds like a large amount. But it is equivalent to less than 2% of the income fo the richest 10% of the wolrd's population" (página 38, Human Development Report 2005, New York, 2005). O Relatório pode ser adquirido em www.unp.un.org , ou acessado em www.undp.org/hdro

 

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