Acontecendo agora

Dowbor – Dia da mulher? – março 2019 – 3p.

“Os resultados da PNAD Contínua, de 2012 a 2017, evidenciam que, até 2014, o mercado de trabalho brasileiro apresentou incremento de ocupação, sobretudo do emprego formal. Redução da desocupação, que atingiu sua menor taxa na série; e aumento dos rendimentos do trabalho. Nos três anos seguintes, entretanto, tais resultados positivos foram parcial ou completamente revertidos” (18). Esse é o quadro geral, a partir de Temer e companhia a situação piora drasticamente para todo mundo. As mulheres, os idosos, os negros, os pobres em geral sempre sofrem o maior impacto. A briga é de todos nós. Boas informações ajudam, pinçamos aqui algumas aberrações.
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Entrevista Dowbor – Vale: Os verdadeiros culpados da tragédia – Marcelo Menna Barreto / ExtraClasse – 3p.

O Brasil tem ampla tradição da extração mineral, tem excelentes engenheiros que sabem perfeitamente como fazer represas. Assim, tanto a tragédia de Mariana como a de Brumadinho apontam para um desajuste sistêmico nos processos decisórios empresariais: não são os técnicos que mandam, e sim gestores apontados pelos grandes acionistas que de mineração (ou de matadouros, ou de madeireiras etc.) não entendem nada. Entendem apenas de quanto vai render. E se o técnico dá um alerta, o conselho de administração vai seguir defendendo os acionistas, porque com os bônus ligados ao rendimento das ações, os gestores são solidários dos acionistas, o que explica inclusive os seus salários nababescos. E a corrupção vai servir para assegurar o apoio dos que assinam o laudo técnico. Esses desastres mostram a deformação profunda do sistema empresarial privado na era do capital financeiro.

Bernie Sanders – Estou concorrendo à presidência 19/02/2019 – 10min (Legendado)

O pronunciamento de Sanders e a visão de outro futuro para os EUA. O futuro do Brasil depende muito fortemente do futuro político dos Estados Unidos. O que abre esperanças, em particular, é que as eleições de 2020 podem constituir um poderoso refluxo político para o bem, a justiça social e a democracia. E isso poderá abrir muitas esperanças no Brasil, cujo governo é muito dependente, até de forma humilhante, do governo americano. Além de Sanders, surge nos EUA uma safra de candidatos que vão muito além dos tímidos avanços do partido democrata, e o essencial aqui não é a preferência por um ou outro, mas o tamanho da onda. A fala do Sanders resume de forma poderosa uma nova visão para o país, vale muito a pena.

Stefano Quintarelli – A revolução digital e transformações sociais – fev. 2019 – 10p.

O capitalismo está mudando em profundidade. As características essenciais do capitalismo industrial estão sendo deslocadas. Na base das rupturas está a evolução para a economia imaterial, que gera novos tipos de controle (da informação mais do que das máquinas), de organização empresarial (mais plataformas do que fábricas), mais empregos fragmentados do que trabalhadores assalariados formais. Um denominador comum é que toda a máquina que passou a controlar o sistema hoje não está mais na mão de produtores, mas de intermediários dos mais diversos tipos, em particular dos sistemas digitais e financeiros. Um outro mundo está nascendo, e o presente artigo, de Stefano Quintarelli, com amplos traços gerais, constitui um esboço particularmente interessante do nosso futuro. Estamos nas mãos de intermediários.

Boaventura de Sousa Santos – A Nova Guerra Fria e a Venezuela – Sul 21 – 3p.

Como sempre Boaventura nos apresenta uma análise fria e tranquila sobre os problemas quentes da atualidade.

Rutger Bregman – Utopia para realistas: como construir um mundo melhor – Sextante, 2018 – 250 p. (original em inglês, 2016)

O sucesso mundial do livro do Bregman se deve à forma prática e direta de tratar os nossos grandes dilemas. O que fazer com a desigualdade, com a jornada de trabalho, com as migrações, com o sistema financeiro que desarticula os processos econômicos, sociais e políticos. Enfim, vai direto para onde dói o calo e mostra como, no essencial, sabemos muito bem o que fazer, temos os meios, mas nos envolvemos desnecessariamente em inventar narrativas para evitar de mexer no absurdo que nos cerca. Eu tenho chamado isso de impotência institucional. Mas Bregman não apenas aponta os problemas chave e os rumos, como escreve de maneira prazerosa e direta. Em suma, é um ótimo livro, particularmente para os que se veem atolados em preconceitos e dramas ideológicos.

Eduardo Fagnani – Explicitando a Previdência – Projeto Brasil Popular – 21min.

Eduardo Fagnani, da Unicamp, um dos melhores conhecedores da previdência no Brasil, explicita o absurdo das propostas atuais. É aritmética. Paulo Guedes quer recuperar, com a reforma da previdência proposta, 1 trilhão em 10 anos. E quem vai pagar a conta não será quem deve, mas os idosos e outros que não têm armas para se defender. Faça as contas: só de isenções fiscais, estamos dando presentes de 350 bilhões de reais ao ano. A sonegação fiscal é da ordem de 500 bilhões. Os juros sobre a dívida pública, cerca de 350 bilhões. Só aqui já vamos bem além de 1 trilhão. E em paraísos fiscais as nossas elites têm cerca de 520 bilhões de dólares, quase dois trilhões de reais: nem investem nem pagam impostos. Afirmar que "sem a reforma da previdência, o Brasil quebra" é uma farsa. Aliás, só lembrando, Paulo Guedes é co-fundador do Banco BTG Pactual, que tem 38 filiais em paraísos fiscais. Paraísos fiscal serve para especulação financeira, evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

Dowbor – Como eu me informo – fev. 2019 – 5p

Temos de enfrentar uma impressionante indústria com capacidade de nos fazer pensar qualquer bobagem, e nos fazer acreditar que pessoas com “bom senso” pensam como nós. É legítimo não aceitarmos que tantas pessoas sejam transformadas em zumbis, repetindo o que aparece nesses diversos instrumentos de manipulação. O que me interessa aqui é dar, através do testemunho de como eu organizo a minha informação, indicações de excelentes fontes de análises, internacionais e nacionais, que apresentam não só boa informação, mas informação com facilidade de verificação.
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Entrevista – “Legislação atual permite que bancos cobrem 400% de juros” – Seu Jornal – Rede Brasil Atual – 13.02.2019

No Brasil, 64 milhões de pessoas estão com o nome sujo. Ladislau Dowbor, professor da pós-graduação em economia na PUC-SP, alerta que essa situação é provocada principalmente pelos juros abusivos do sistema financeiro.
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Transnational Institute – TNI – State of Power 2019

O conjunto de quadros e tabelas que constitui o State of Power 2019 permite visualizar o universo da alta finança que hoje domina o mundo, de maneira extremamente didática. O poder é analisado nas suas dimensões reais, e não apenas no sentido político-decorativo. Considero uma ferramenta de primeira linha, que tem a vantagem de poder ser livremente consultada e difundida entre pesquisadores e movimentos sociais.
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OIT – Comisión Mundial para el Futuro del Trabajo – Trabajar para um futuro más prometedor – OIT, Ginebra, 2019 – 75p.

A Comissão Mundial para o Futuro do Trabalho realizou, no quadro da Organização Internacional do Trabalho, um estudo sobre como “trabalhar para um futuro mais promissor”. Sem apresentar soluções milagrosas, a pesquisa permite identificar os grandes desafios e sugere eixos de ação. O documento é um quadro síntese da situação do emprego e do desemprego no mundo.
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Abolish Billionaires – Farhad Manjoo – New York Times – 06/02/2019 – 1p.

Abolir os bilionários? Importante aparecer no New York Times essa visão ao mesmo tempo assustadora e óbvia. Assustadora porque conhecemos o poder que os bilionários manejam. E óbvia porque se trata de muito dinheiro, inclusive, para que possam usar -- até esbanjamento tem limites --, e para que possam dizer que mereceram.
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Public Banking Made Easy – Public Banking Institute – 2019 (2min.)

Não somos sociedades pobres, e sim sociedades que usam mal os seus recursos. Onde os sistemas funcionam, as comunidades têm razoável controle sobre o que se faz com as suas poupanças. Veja no desenho animado abaixo, de 2 minutos, o essencial da transformação necessária: as chamadas finanças de proximidade. Funcionam, e bem, em muitos países, como por exemplo França (placements éthiques) e Alemanha (sparkassen). É em inglês, mas muito óbvio.
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Dowbor, Ladislau – Além do PIB: medir o que importa e de forma compreensível – 2019 – 14p.

O objetivo da economia, o cuidado com a nossa casa, consiste essencialmente em assegurar o bem-estar das famílias sem prejudicar as gerações futuras. Isso exige inteligência no uso dos recursos que, por sua vez, exige formas adequadas e transparentes de fazer as contas. O PIB, como todos devem saber, é o produto interno bruto. Para o comum dos mortais, que não faz contas macroeconômicas, trata-se da diferença entre aparecerem novas oportunidades de emprego (PIB em alta) ou ameaças de desemprego (PIB em baixa). Para o governo, é a diferença entre ganhar uma eleição e perdê-la: não à toa o governo britânico acrescentou ao PIB as estimativas do comércio de drogas e da prostituição, para poder dizer que “estamos crescendo”. Para os jornalistas, é uma ótima oportunidade de dar a impressão de que entendem do que se trata, mas reduzir a questão do desenvolvimento a uma cifra escancara a porta para “interpretações”. Para os que se preocupam com a destruição do meio-ambiente, é uma causa de desespero, já que a nossa principal conta esqueceu este detalhe. Para o economista que assina o presente artigo, é uma oportunidade para desancar o que é uma contabilidade clamorosamente deformada, e apresentar algo que funcione. Este artigo é uma versão atualizada e expandida de "O Debate sobre o PIB: estamos fazendo a conta errada".
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BTG Pactual – Valor Grandes Grupos – 2015

Organograma publicado em Valor Grandes Grupos - 2015 sobre o grupo BTG Pactual.
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