Acontecendo agora

Stefano Quintarelli – A revolução digital e transformações sociais – fev. 2019 – 10p.

O capitalismo está mudando em profundidade. As características essenciais do capitalismo industrial estão sendo deslocadas. Na base das rupturas está a evolução para a economia imaterial, que gera novos tipos de controle (da informação mais do que das máquinas), de organização empresarial (mais plataformas do que fábricas), mais empregos fragmentados do que trabalhadores assalariados formais. Um denominador comum é que toda a máquina que passou a controlar o sistema hoje não está mais na mão de produtores, mas de intermediários dos mais diversos tipos, em particular dos sistemas digitais e financeiros. Um outro mundo está nascendo, e o presente artigo, de Stefano Quintarelli, com amplos traços gerais, constitui um esboço particularmente interessante do nosso futuro. Estamos nas mãos de intermediários.

Boaventura de Sousa Santos – A Nova Guerra Fria e a Venezuela – Sul 21 – 3p.

Como sempre Boaventura nos apresenta uma análise fria e tranquila sobre os problemas quentes da atualidade.

Rutger Bregman – Utopia para realistas: como construir um mundo melhor – Sextante, 2018 – 250 p. (original em inglês, 2016)

O sucesso mundial do livro do Bregman se deve à forma prática e direta de tratar os nossos grandes dilemas. O que fazer com a desigualdade, com a jornada de trabalho, com as migrações, com o sistema financeiro que desarticula os processos econômicos, sociais e políticos. Enfim, vai direto para onde dói o calo e mostra como, no essencial, sabemos muito bem o que fazer, temos os meios, mas nos envolvemos desnecessariamente em inventar narrativas para evitar de mexer no absurdo que nos cerca. Eu tenho chamado isso de impotência institucional. Mas Bregman não apenas aponta os problemas chave e os rumos, como escreve de maneira prazerosa e direta. Em suma, é um ótimo livro, particularmente para os que se veem atolados em preconceitos e dramas ideológicos.

Eduardo Fagnani – Explicitando a Previdência – Projeto Brasil Popular – 21min.

Eduardo Fagnani, da Unicamp, um dos melhores conhecedores da previdência no Brasil, explicita o absurdo das propostas atuais. É aritmética. Paulo Guedes quer recuperar, com a reforma da previdência proposta, 1 trilhão em 10 anos. E quem vai pagar a conta não será quem deve, mas os idosos e outros que não têm armas para se defender. Faça as contas: só de isenções fiscais, estamos dando presentes de 350 bilhões de reais ao ano. A sonegação fiscal é da ordem de 500 bilhões. Os juros sobre a dívida pública, cerca de 350 bilhões. Só aqui já vamos bem além de 1 trilhão. E em paraísos fiscais as nossas elites têm cerca de 520 bilhões de dólares, quase dois trilhões de reais: nem investem nem pagam impostos. Afirmar que "sem a reforma da previdência, o Brasil quebra" é uma farsa. Aliás, só lembrando, Paulo Guedes é co-fundador do Banco BTG Pactual, que tem 38 filiais em paraísos fiscais. Paraísos fiscal serve para especulação financeira, evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

Dowbor – Como eu me informo – fev. 2019 – 5p

Temos de enfrentar uma impressionante indústria com capacidade de nos fazer pensar qualquer bobagem, e nos fazer acreditar que pessoas com “bom senso” pensam como nós. É legítimo não aceitarmos que tantas pessoas sejam transformadas em zumbis, repetindo o que aparece nesses diversos instrumentos de manipulação. O que me interessa aqui é dar, através do testemunho de como eu organizo a minha informação, indicações de excelentes fontes de análises, internacionais e nacionais, que apresentam não só boa informação, mas informação com facilidade de verificação.
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Entrevista – “Legislação atual permite que bancos cobrem 400% de juros” – Seu Jornal – Rede Brasil Atual – 13.02.2019

No Brasil, 64 milhões de pessoas estão com o nome sujo. Ladislau Dowbor, professor da pós-graduação em economia na PUC-SP, alerta que essa situação é provocada principalmente pelos juros abusivos do sistema financeiro.
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Transnational Institute – TNI – State of Power 2019

O conjunto de quadros e tabelas que constitui o State of Power 2019 permite visualizar o universo da alta finança que hoje domina o mundo, de maneira extremamente didática. O poder é analisado nas suas dimensões reais, e não apenas no sentido político-decorativo. Considero uma ferramenta de primeira linha, que tem a vantagem de poder ser livremente consultada e difundida entre pesquisadores e movimentos sociais.
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OIT – Comisión Mundial para el Futuro del Trabajo – Trabajar para um futuro más prometedor – OIT, Ginebra, 2019 – 75p.

A Comissão Mundial para o Futuro do Trabalho realizou, no quadro da Organização Internacional do Trabalho, um estudo sobre como “trabalhar para um futuro mais promissor”. Sem apresentar soluções milagrosas, a pesquisa permite identificar os grandes desafios e sugere eixos de ação. O documento é um quadro síntese da situação do emprego e do desemprego no mundo.
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Abolish Billionaires – Farhad Manjoo – New York Times – 06/02/2019 – 1p.

Abolir os bilionários? Importante aparecer no New York Times essa visão ao mesmo tempo assustadora e óbvia. Assustadora porque conhecemos o poder que os bilionários manejam. E óbvia porque se trata de muito dinheiro, inclusive, para que possam usar -- até esbanjamento tem limites --, e para que possam dizer que mereceram.
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Public Banking Made Easy – Public Banking Institute – 2019 (2min.)

Não somos sociedades pobres, e sim sociedades que usam mal os seus recursos. Onde os sistemas funcionam, as comunidades têm razoável controle sobre o que se faz com as suas poupanças. Veja no desenho animado abaixo, de 2 minutos, o essencial da transformação necessária: as chamadas finanças de proximidade. Funcionam, e bem, em muitos países, como por exemplo França (placements éthiques) e Alemanha (sparkassen). É em inglês, mas muito óbvio.
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Dowbor, Ladislau – Além do PIB: medir o que importa e de forma compreensível – 2019 – 14p.

O objetivo da economia, o cuidado com a nossa casa, consiste essencialmente em assegurar o bem-estar das famílias sem prejudicar as gerações futuras. Isso exige inteligência no uso dos recursos que, por sua vez, exige formas adequadas e transparentes de fazer as contas. O PIB, como todos devem saber, é o produto interno bruto. Para o comum dos mortais, que não faz contas macroeconômicas, trata-se da diferença entre aparecerem novas oportunidades de emprego (PIB em alta) ou ameaças de desemprego (PIB em baixa). Para o governo, é a diferença entre ganhar uma eleição e perdê-la: não à toa o governo britânico acrescentou ao PIB as estimativas do comércio de drogas e da prostituição, para poder dizer que “estamos crescendo”. Para os jornalistas, é uma ótima oportunidade de dar a impressão de que entendem do que se trata, mas reduzir a questão do desenvolvimento a uma cifra escancara a porta para “interpretações”. Para os que se preocupam com a destruição do meio-ambiente, é uma causa de desespero, já que a nossa principal conta esqueceu este detalhe. Para o economista que assina o presente artigo, é uma oportunidade para desancar o que é uma contabilidade clamorosamente deformada, e apresentar algo que funcione. Este artigo é uma versão atualizada e expandida de "O Debate sobre o PIB: estamos fazendo a conta errada".
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BTG Pactual – Valor Grandes Grupos – 2015

Organograma publicado em Valor Grandes Grupos - 2015 sobre o grupo BTG Pactual.
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Arun Sundararajan – Economia compartilhada: o fim do emprego e a ascensão do capitalismo de multidão. Senac, São Paulo, 2018, 301p.

Arun Sundararajan publica uma das melhores análises abrangentes da economia do compartilhamento, agora em português, publicado pelo Senac, Economia do Compartilhamento, livro tão essencial para entender as novas dinâmicas como por exemplo A sociedade de custo marginal zero de Jeremy Rifkin. Trata-se de um conjunto de atividades que aproveitam a conectividade ampla das pessoas e agentes econômicos, com uma grande variedade de arquiteturas organizacionais. A grande vantagem aqui é que o autor sistematiza de forma muito legível o que são as atividades, os desafios econômicos, culturais e legais, os impactos no emprego, as formas de regulação. O fato de dar numerosos exemplos explicando como funcionam ajuda muito. A economia criativa, as redes de colaboração, a economia solidária, o princípio do compartilhar e outras iniciativas trazem sem dúvida vento fresco ao opressivo sistema corporativo que nos empurra em correrias incessantes para ter mais dinheiro para comprar mais coisas que teremos cada vez menos tempo ou paciência para apreciar.

Entrevista Dowbor – Reinventando Freire – Paulo Padilha – Instituto Paulo Freire – 14 min. – jan. 2019

O Instituto Paulo Freire divulga uma entrevista minha, 14 minutos, sobre Pedagogia da Economia. Gerar compreensão de mecanismos básicos da economia tem tudo a ver com apropriação do mundo. Confira a íntegra.

Curso “A Economia ao Alcance de Todos” – Instituto Paulo Freire – início: 05.02.2019 – Inscrições abertas

O Curso ‘A Economia ao Alcance de Todos’ – Por uma Pedagogia da Pergunta tem por objetivo contribuir para esclarecer e fazer chegar a todas as pessoas como a riqueza do mundo, produzida pelo trabalho, é capturada pelos bancos e seus intermediários financeiros para investir apenas em capital especulativo. Ao participar deste curso, o(a) cursista tem a compreensão sobre o funcionamento da economia; passa-se a entender seus conceitos fundamentais que estão presentes na nossa vida cotidiana, mas que quase nunca são explicados nas escolas e na sociedade em geral. Inscreva-se já: www.unifreire.online
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