Mural de recados
(135)
(125) Ladislau Dowbor
05 - 07 - 2016
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Dicas do Dowbor - Julho
01.07.2016


Caros/as,


Estamos afundando no retrocesso civilizatório, o que é muito mais do que retração do PIB. Violências e ilegalidades, redução dos espaços democráticos, ataque generalizado às conquistas sociais, comprometimento da soberania. A fórmula econômica é simples: fazer a população pagar um novo ciclo de prosperidade e de “confiança” dos ricos nacionais e internacionais. Não é tão original assim. No mundo todo há indignações crescentes com a economia e política do 1%. O que acontece é que estamos essencialmente destruindo o planeta (meio ambiente), em proveito de uma minoria (desigualdade crescente), enquanto os recursos financeiros, em vez de investir nas transformações necessárias, ampliam o casino (ganhos com capital financeiro improdutivo que sequer paga impostos quando migra para os paraísos fiscais). Precisam de cada vez menos democracia para manter um sistema cada vez mais absurdo.


1. O meu texto A Captura do Poder Político pelas Corporações, (junho de 2016, 11p.) apresenta a expansão dos lobbies, a compra dos políticos, a invasão do judiciário, o controle dos sistemas de informação da sociedade e a manipulação do ensino acadêmico. São esses alguns dos instrumentos mais importantes da captura do poder político geral pelas grandes corporações. Mas o conjunto desses instrumentos leva em última instância a um mecanismo mais poderoso que os articula e lhes confere caráter sistêmico: a apropriação dos próprios resultados da atividade econômica, por meio do controle financeiro, em pouquíssimas mãos. As dinâmicas de poder político, econômico e cultural estão sendo reorientadas, gerando uma nova configuração que se trata de estudar. Os nossos dramas têm raízes mais amplas. Confiram em: http://dowbor.org/2016/06/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html/ (Também publicado por IHU, Outras Palavras, Carta Maior, Abong e outras newsletters).


2. Neste momento é essencial termos boas ferramentas para entender o golpe contra a democracia que se desenrola no Brasil. Organizado pela CLACSO, Golpe en Brasil: genealogía de una farsa está em espanhol e reúne visões de primeira importância, com análises imperdíveis de Eduardo Fagnani, Pablo Gentili, Perry Anderson, Amy Goodman, Glenn Greenwald, Paulo Kliass, Frei Betto, Cuauhtémoc Cárdenas, Michael Löwy, Adolfo Pérez Esquivel, Luiz Gonzaga Belluzo, João Feres Júnior, Immanuel Wallerstein, Leonardo Boff, João Pedro Stédile, Elodie Descamps, Tarik Bouafia, Raúl Zibechi, Pedro Paulo Zahluth Bastos, Guilherme Santos Mello, Mark Weisbrot, Boaventura de Sousa Santos e, também, do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff. Compartilhem e baixe o pdf da publicação aqui: http://www.clacso.org.ar/libreria-latinoamericana/libro_detalle.php?id_libro=1115&orden&pageNum_rs_libros=0&totalRows_rs_libros=1078



3. George Monbiot é conhecido nosso pelos artigos no Guardian. Acaba de lançar o livro How did we get into this mess, leitura muito gostosa. Monbiot tem o dom da palavra, e associa este dom com uma impressionante lucidez. Eu, em geral, não gosto de livros em que o autor reúne artigos, mas no caso dele a qualidade dos textos, a variedade das questões tocadas, a capacidade de ir direto onde dói e de explicitar os nossos dramas culturais, sociais, econômicos e políticos constitui um refresco. O que os artigos têm em comum aparece exatamente no título: como é que fomos nos meter nesta encrenca? E haja encrenca. George Monbiot – How did we get into this mess? – Verso Ed., London, New York, 2016, 340p. – ISBN 13: 978-1-78478-362-4 URL: http://dowbor.org/2016/06/george-monbiot-how-did-we-get-into-this-mess-verso-ed-london-new-york-2016-340p-isbn-13-978-1-78478-362-4.html/



4. Quero muito recomendar o novo livro de Ha-Joon Chang, Economia: modo de usar: Um guia básico dos principais conceitos econômicos. O autor é nosso conhecido em particular pelo já clássico Chutando a Escada, e o excelente 23 coisas que não nos disseram sobre o capitalismo. Temos aqui uma ferramenta preciosa. Recomendo em particular porque muita gente está se dando conta que com o nosso grau de analfabetismo econômico, ninguém entende o que acontece, e isto é muito perigoso. Os que manipulam acham ótimo este desconhecimento. Mas todos precisamos, por exemplo, entender como nos manipulam os bancos, os crediários e os cartões de crédito. Alguém já teve aula sobre isto nas escolas? O livro de Chang se encaixa perfeitamente no nosso déficit de conhecimento. E eu, que já estudei muita economia, não perdi meu tempo, pois o mundo econômico está mudando. Vale muito a pena, e não é necessário nenhum conhecimento prévio necessário. (Penguin, São Paulo 2015)



5. Ladislau Dowbor (Org.) – Cultura Digital no Brasil – UNESCO, Paris; Editora Brasileira, São Paulo, 2016, 198 p. ISBN 978-85-63186-39-3
Na era digital, a cultura deixa de ser um verniz chique para famílias ricas, ou indústria do lugar comum nos meios de comunicação de massa, para se transformar em vetor chave da apropriação não só de bens culturais produzidos pelas próprias comunidades, com toda a sua diversidade, como em vetor de apropriação de novas dinâmicas econômicas e de novas identidades no processo de desenvolvimento. Revolução tecnológica, economia do conhecimento, conectividade planetária e apropriação cultural estão densamente articuladas neste processo. Confiram a íntegra do capítulo: “Cultura digital: novos rumos da economia e da organização social” : http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/15-Pedro-Saad-Cultura-digital.doc Quem quiser ler a íntegra do livro, pode baixar o pdf, mas como é muito grande o arquivo, é preciso baixa-lo pelo computador e não pelo celular: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/Dowbor_CulturaDigital_portugueseingles.pdf (edição bilingue português/inglês)



6. Lais Fontenelle (Org.) – Criança e consumo – Instituto Alana, São Paulo, 2016, ISBN 978-85-99848-05-0 – O Instituto Alana comemorou os seus 10 anos de luta pela criança como prioridade total com um livro de belíssima edição e acabamento, e disponível online na íntegra. Trata-se, além de muita informação organizada, de assegurar que possa ser difundida e utilizada nos capítulos individuais. São cerca de 20 autores de primeira linha, trazendo os desafios práticos para resgatar o espaço a que as crianças têm direito. O meu capítulo, Cidade, Família e Escola: impactos na vida das crianças, faz parte de um trabalho que ajudei a fazer para a ONU, Cities for Children. Não é possível que sigamos organizando as cidades para adultos motorizados e cujo esporte é o Shopping. Confiram aqui a íntegra do capítulo: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/15-ALANA-Inf%C3%A2ncia-consumo-e-sustentabilidade.doc E aqui, a íntegra do livro: http://criancaeconsumo.org.br/wp-content/uploads/2014/02/Crianca-e-Consumo_10-anos-de-transformacao.pdf


7. E para alegrar os nossos corações sofridos, não deixem de ver The men who made us spend, um documentário da BBC sobre os hábitos de consumo, imensamente instrutivo, e tristemente divertido. Passa de vez em quando na BBC Earth, com legendas em português. Também está no Youtube em inglês, se alguém localizar com legendas avise por favor. Imperdível, raramente encontramos um retrato tão realista e tão bem documentado. Segue o link no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=B894f_Bzvp4



Abraços,
Ladislau Dowbor

1 de julho de 2016




(124) Ladislau Dowbor
09 - 06 - 2016
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau junho/2016


09.06.2016

Vivemos todos sob o regime surrealista da bandidagem política explícita, seja no governo dito interino, no judiciário, na mídia ou no sistema financeiro, curiosa aliança de grupos e indivíduos que têm em comum o desrespeito pela legalidade e a busca do poder, da fama e do dinheiro a qualquer custo. Muito além do drama do impeachment, temos claramente os processos democráticos sendo postos em perigo ou simplesmente violentados.

Ninguém tem a bola de cristal para entender o que temos pela frente, mas o fato é que assistimos a um lodaçal de mentiras fora do comum, até frente ao tanto que já vimos no Brasil.

Não é secundário confrontar o que aqui acontece com a erosão da democracia nos Estados Unidos, que em 2010 aprovaram o financiamento corporativo das campanhas em nome da liberdade de expressão, e hoje se arriscam a eleger esta mistura de palhaço e de fascista que é Donald Trump. A França está ingovernável, a Itália, Espanha e Grécia estão à procura de um mínimo de equilíbrio, falar de democracia na Rússia se tornou cada vez mais difícil, a Europa está se cobrindo de arames farpados, isto sem falar do Oriente Médio e do norte da África. América Latina? É só olhar.

A desagregação do sistema que chegamos a achar definitivo – a nação com os seus governos, judiciário e eleições – é palpável no planeta, e compreensível nesta fase em que economia se globalizou sob a batuta dos gigantes financeiros, enquanto a política está fragmentada em 195 governos divididos entre prestar serviços aos seus governados, ou se por ao serviço do sistema financeiro nacional e internacional. Um dos textos que aqui trazemos, de Streeck, resume talvez o drama: não é o fim do capitalismo, mas sim o fim do capitalismo democrático.

Boas leituras:

1) O trabalho de Wolfgang Streeck analisa essencialmente como o capitalismo gradualmente restringe os espaços democráticos. Na sua visão, não é o fim do capitalismo, mas sim o fim do capitalismo democrático. O estado que cobra impostos para prestar serviços públicos é substituído por um estado endividado que transfere os nossos impostos para os grupos financeiros que o endividam, enquanto o acesso ao que eram serviços públicos passa a depender cada vez mais dos nossos bolsos. Streeck, alemão, tem claramente a Europa em mente, mas a mensagem é mais ampla: trata-se da erosão da democracia no contexto do capitalismo. Veja a resenha em http://dowbor.org/2016/05/wolfgang-streeck-buying-time-the-delayed-crisis-of-democratic-capitalism-verso-london-new-left-books-2014-original-berlin-2013.html/

2) A CLACSO, rede de pesquisa em ciências sociais que reúne mais de 500 organizações em 40 países, analisou as transformações no Brasil e denuncia com força o que qualifica indiscutivelmente de golpe. “Dilma Rousseff ha sido separada de su cargo sin que haya cometido ningún delito. Una maniobra fraudulenta de la oposición y de sectores que eran aliados del gobierno dio inicio a un proceso de impeachment plagado de irregularidades, de mentiras e ilegalidades. Se derroca un gobierno elegido por el pueblo. Se instala un gobierno elegido por corruptos, por hipócritas, por usurpadores, por golpistas.” Esta mensagem é importante, e constitui matéria prima para divulgação. Nos links, vejam o texto da declaração em português e em espanhol.
Link no nosso blog: http://dowbor.org/2016/05/declaracao-da-clacso-maio-2016-1p.html/
http://www.clacso.org.ar/difusion/mensaje_2016_4.php (español)
http://www.clacso.org.ar/difusion/mensaje_2016_4_portugues.php (português)

3) Estamos colocando online uma versão atualizada do livrinho O que é poder local?, que ajuda muito a entender o papel fundamental que podem exercer as cidades no resgate da democracia e da política em geral. Cada cidade, com o seu entorno, pode assumir grande parte das decisões que elevam a qualidade de vida, racionalizam o uso dos recursos, e permitem processos participativos e democráticos. A forte descentralização proposta deve assegurar que as decisões se tomem mais perto do cidadão e do seu controle, enquanto o governo central poderia ser racionalizado em vez de ver os seus ministérios entulhados de micro-demandas. Link do texto completo: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2012/06/16-08podlocal-revisa83o-2016.pdf

4) O meu texto Corporate Governance sobre o caos planetário gerado pelos gigantes financeiros mundiais foi publicado nos EUA por Ethical Markets, vejam em http://www.ethicalmarkets.com/2016/05/11/corporate-governance-the-chaotic-power-of-financial-giants/

5) Queria muito recomendar o pequeno livro de Pasi Sahlberg, Finnish Lessons, sobre como se estruturou o sistema educacional da Finlândia: no caso, não é mais um texto de quem ali passou algumas semanas, mas de um dos protagonistas das transformações, mostrando as longas décadas que permitiram a este pobre país se erguer ao conjugar a educação com uma visão mais ampla de redução das desigualdades e de elevação sistêmica do nível científico cultural da população. Link http://dowbor.org/2016/05/pasi-sahlberg-finnish-lessons-what-can-the-world-learn-from-educational-change-in-finland-columbia-university-new-york-and-london-2015.html/

6) Para entender a captura dos sistemas judiciários pelas grandes corporações, ajuda muito ler o curto artigo da senadora americana Elizabeth Warren, Rigged Justice, que apresenta os principais mecanismos e traz dezenas de exemplos, corporação por corporação, de como se gerou esta deformação profunda de um sistema cuja razão de ser deveria ser a justiça. Link http://dowbor.org/2016/02/elizabeth-warren-rigged-justice-justica-deturpada-janeiro-2016-16-p.html/

7) E não percam o curto e excelente artigo de George Monbiot: uma das melhores análises que já li sobre como funciona o sistema que nos rege, e que criou o caos político e econômico a que estamos hoje submetidos. Esta compreensão sistêmica é muito importante, e o texto é muito elucidativo, sem complicações. Na análise do autor, "as últimas quatro décadas se caracterizaram não só pela transferência dos pobres para os ricos, mas dentro da esfera dos ricos: dos que ganham dinheiro produzindo novos bens ou serviços para os que ganham dinheiro controlando ativos existentes e colhendo renta, juros ou ganhos de capital. O ganho produtivo foi suplantado pelo ganho improdutivo." http://dowbor.org/2016/04/george-monbiot-neoliberalism-the-ideology-at-the-root-of-all-our-problems-the-guardian-15-april-2016-cerca-de-5-p-em-ingles.html/

8) E para alegrar os nossos pobres espíritos, nada como acompanhar a mostra de cinema ambiental Ecofalante. A pedido dos organizadores, fiz uma resenha de vários filmes, e apresentei um pouco do contexto, no artigo Imagens do Passado e do Futuro, vejam em http://dowbor.org/2016/05/ladislau-dowbor-imagens-do-passado-e-do-futuro-maio-2016-8p.html/

Não esqueçam que as mensagens com dicas de leitura dos meses passados estão aqui no Mural. E respondendo a perguntas, textos meus podem ser citados a partir do blog, acrescentando o link e colocando a data de consulta.


(123) Ladislau
27 - 04 - 2016
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau abril/2016

Caros e caros,

Vamos nos afundando no caos político, que gerou o caos econômico, o que por sua vez cria aparências de legitimidade dos interesses de sempre. No conjunto, é luta pelo poder, por parte velhas e novas oligarquias. É surrealista este grupo de deputados, financiados por um sistema de compra de políticos (Lei de 1997 que autoriza o financiamento corporativo), destituírem o chefe do executivo eleito por 54 milhões de votos. Afinal, votamos para quê? As declarações patrióticas e de amor à família dos deputados, mais da metade dos quais atolados em processos, só podem nos deixar espantados com o grau de cinismo. Mas são os de sempre que estão voltando ao poder. E com sede.

Os revezes, na minha opinião, não mudam a nossa luta por um país menos desigual, por um direito de todos a uma vida digna, por uma economia decente e mais equilibrada, por uma democratização real e não do faz de conta. E vamos elevar o patamar, vamos ao que realmente interessa, que é um sistema tributário justo, uma mídia democrática, finanças públicas mas também privadas transparentes, um poder jurídico justo e não caolho. A briga é boa, não será nem a primeira nem a última. Nós é que dormimos no ponto, embalados no sucesso de termos a presidência trabalhando por nós, esquecendo de construir permanentemente a base política das transformações necessárias. Democracia real não vem de graça.

Leituras (e escritos) recentes:

1) George Monbiot - Neoliberalism: the ideology at the root of all our problems - The Guardian, 15 April 2016 - (cerca de 5 p., em inglês)

Uma das melhores análises que já li sobre como funciona o sistema que nos rege, e que criou o caos político e econômico a que estamos hoje submetidos. Esta compreensão sistêmica é muito importante, e o texto é muito elucidativo, sem complicações. Na análise do autor, "as últimas quatro décadas se caracterizaram não só pela transferência dos pobres para os ricos, mas dentro da esfera dos ricos: dos que ganham dinheiro produzindo novos bens ou serviços para os que ganham dinheiro controlando ativos existentes e colhendo renta, juros ou ganhos de capital. O ganho produtivo foi suplantado pelo ganho improdutivo." (Earned income has been supplanted by unearned income). Uma leitura que abre janelas sem complicar, aqui fragmentos do livro que está por sair. Vale a pena.

http://www.theguardian.com/books/2016/apr/15/neoliberalism-ideology-problem-george-monbiot


2) Larivière e outros – The oligopoly of academic publishers – Ótima pesquisa sobre como funciona o oligopólio das chamadas revistas indexadas, estas que nos permitem ter pontos, como acadêmicos: a deformação do sistema é claramente exposta. Os autores fizeram uma excelente análise do absurdo que tanto trava o intercâmbio e dinamização de pesquisas no mundo. Já são mais de 15 mil cientistas que boicotam estes intermediários, e publicam em revistas abertas (open-access), como é este próprio artigo de Larivière, 15 p. em inglês.
http://dowbor.org/2016/02/the-oligopoly-of-academic-publishers-in-the-digital-era-vincent-lariviere-stefanie-haustein-philippe-mongeon-published-june-10-2015-15p.html/


3) Lais Fontenelle (Org.) – Criança e Consumo – São Paulo, Instituto Alana, 2016, 356p. – ISBN 978-85-99848-05-0 Em belíssima edição do Instituto Alana, uma coletânea sobre este mundo estranho que criamos para a criança, manipulada desde os primeiros meses para ser antes de tudo consumidora, objeto comercial de uma máquina de geração de lucros, e cada vez mais desorientada pelas pressões contraditórias. Artigos de Frei Betto, de Isabella Henriques, de Marcelo Sodré e muitos outros geram uma imagem extremamente rica do que é ser criança hoje. O capítulo de Ladislau Dowbor, Infância, Consumo e Sustentabilidade, retrata estas diversas dimensões.
http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/15-ALANA-Inf%C3%A2ncia-consumo-e-sustentabilidade.doc


4) L. Dowbor – Corporate Governance – 2016, em inglês, 18p. - We are slowly beginning to understand the complexity of the corporate system which nowadays, for better or for worse, rules the planet. On one hand, at the intrafirm level, gigantism leads to inextricable bureaucracies, generating a chaotic behavior and systemic risks. On the other hand, the same giants are providing for interfirm structures of systemic connectedness, quite similar to governments in the sense of internal control hierarchy and practice of direct political power. The result is an extremely complex bureaucratic architecture, both intra- and inter-corporate, feeding the “growing fear” mentioned above. Understanding this world of giant mushrooms is now vital, whether we like them or not. (versão em português: Governança Corporativa, veja dowbor.org).
http://dowbor.org/2016/03/ladislau-dowbor-corporate-governance-the-chaotic-power-of-financial-giants-march-2016-6p.html/


5) Como sabem, o blog http://dowbor.org traz textos meus e de numerosos outros pesquisadores, disponíveis online na íntegra, gratuitamente para uso não comercial. No caso dos artigos, quem prefere ler no papel pode simplesmente imprimir. No caso dos livros, como minha recente pesquisa sobre juros e o sistema financeiro, ou ainda O Pão Nosso de Cada Dia sobre os processos produtivos no Brasil, e futuramente outros livros, fiz um acordo com uma editora que disponibiliza os textos cobrando apenas o custo de impressão e de envio. Assim, por exemplo, a encomenda de 50 exemplares custará tipicamente 10 reais por exemplar, mais 2 reais por exemplar para envio. Isto visa permitir que grupos de pesquisa, associações, sindicatos, escolas ou organizadores de palestras possam disponibilizar a baixo custo um exemplar impresso para cada participante, o que torna os cursos ou palestras mais produtivos. Não é possível tantas pessoas desconhecerem como funciona a máquina econômica que nos esfola, mas que pode nos libertar. Contato: eticaeditora@gmail.com

6) Assistam à excelente entrevista com o sociólogo e presidente do IPEA Jessé de Souza, uma visão decente da crise atual, no programa Espaço Público da TV Brasil. (59 min.)

https://www.youtube.com/watch?v=C9X4wXEXt0U&feature=youtu.be


Lembramos que as dicas de leitura dos meses passados podem ser encontradas no Mural e resenhas diversas no Dicas de Leitura Dicas de Leitura














(122) ladislau
11 - 02 - 2016
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Dicas e Sugestão de Leitura - Blog do Ladislau fev/2016

Caros/as,
Ainda em clima carnavalesco na rua e surrealista no judiciário-midiático, há espaço para leituras interessantes.

1) Leitura essencial constitui o resumo de meia dúzia de paginas, da Oxfam, sobre a concentração de riqueza no planeta. Hoje 62 bilionários apenas detêm mais riqueza do que a metade mais pobre do planeta, agravamento impressionante do processo de concentração. Estas fortunas estão essencialmente aplicadas em produtos financeiros, que rendem entre 5 e 7% ao ano, enquanto a produção de bens e serviços no planeta avança na faixa de 2% ao ano. É a era da dominação do capital improdutivo. A financeirização e a desigualdade avançam a galope, sistema absolutamente insustentável. http://dowbor.org/2016/01/oxfam-brasil-uma-economia-para-o-1-janeiro-2016-12p.html/


2) Vejam a versão atualizada do meu artigo Governança Corporativa, sistematizei um conjunto de pesquisas internacionais sobre como funciona o mundo dos gigantes corporativos, em particular os 28 grupos financeiros classificados como “sistemicamente significativos”, ou seja, cuja atuação tem impactos planetários. Fiz um texto bem embasado, mas de simples leitura, e o tema é essencial: o planeta todo está discutindo como resgatar o controle do sistema. http://dowbor.org/category/artigos/


3) Constatei que muita gente ainda não viu o documentário A Corporação, filme que continua sendo uma ferramenta fundamental para entender como funciona o mundo atual. Uma grande equipe trabalhou anos documentando as transformações do universo que hoje nos rege. Em pouco mais de uma hora, você vai poder dar um salto de qualidade na sua compreensão de como funciona o capitalismo realmente existente. Mais do que ideologia – pois entrevistaram desde Friedman até Chomsky – é uma explicitação dos mecanismos. http://dowbor.org/category/bons-filmes/


4) Gostaria de resgatar um texto curto que fiz a pedido de Paulo Freire, prefácio para um dos seus últimos livros, À sombra desta mangueira. Como é que um economista, que tende a achar que o principal é controlar as finanças, faz um prefácio a quem mostra que a chave está na libertação cultural? Hoje, com a economia centrada em conhecimento, a força dos argumentos do Paulo fica ainda mais clara. e aparecem novas convergências. Reli o texto com saudade, vejam em http://dowbor.org/1995/01/prefacio-paulo-freire-a-sombra-desta-mangueira-2.html/

5) Quisera recomendar um livro, O discreto charme do intestino, livro genial da bióloga alemã Giuglia Enders, explicando como se dão as interações entre a nossa fauna intestinal e os nossos humores, perturbações fisiológicas ou nervosas e assim por diante. A autora fez a lição de casa, nada de receitas ou auto-ajuda, e sim pesquisa de ponta sobre como funciona a nossa atividade principal, que é de transformar energia consumida em energia do corpo. Para mim que leio mais economia, matéria tão longa e tortuosa como o processo digestivo, e frequentemente com resultados finais semelhantes, foi uma alegria de fim de ano.

6) E vejam o filme Chico, através de uma vida, reencontramos os nossos avanços e tropeços como sociedade, e isto acompanhado de boa música. Que mais podemos pedir?

Abraço, Ladislau






(121) Ladislau Dowbor
24 - 11 - 2015
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau nov/2015


Caros,
Tempos cada vez mais preocupantes. As tensões surrealistas que vivemos no plano nacional, com um boicote cínico que desorganiza o país, potencializado por reações caóticas de desinformados de diversos tipos, alimentados por profissionais da desinformação, colocam em risco a própria democracia. E no plano internacional assistimos impotentes ao endividamento generalizado dos Estados, ao colapso das commodities, à explosão dos extremismos, à generalização de um sentimento de incompreensão e angústia. Não dá para não ver que estamos assistindo à progressiva erosão da capacidade de governo por toda parte. Enfrentamos problemas mundiais, mas os instrumentos de gestão política estão fragmentados em 195 governos, com lutas surdas pela hegemonia, enquanto vamos destruindo o planeta e aprofundando a já explosiva desigualdade.

1) L. Dowbor - O caótico poder dos gigantes financeiros – Nov. 2015, 16p. Estamos lentamente progredindo na compreensão da complexidade do sistema corporativo que, para o bem ou para o mal, hoje nos rege. Surgiram vários estudos que focam os 28 gigantes financeiros planetários, o topo da pirâmide do poder econômico e político mundial. Apresentamos neste artigo três eixos de pesquisa. O primeiro apresenta como estes gigantes se administram, sendo que na média cada um deles gere recursos superiores ao PIB de um país como o Brasil, 7ª potencia econômica mundial. O segundo aborda como estes grupos se articulam entre si, por meio de várias instituições permanentes de coordenação. O terceiro mostra como os fluxos financeiros se utilizam dos diversos tipos de paraísos fiscais e falhas de regulação para organizar/desorganizar os sistemas nacionais. O resultado é um poder que muito se assemelha ao dos grandes Estados, inclusive no seu comportamento caótico. http://dowbor.org/2015/11/ladislau-dowbor-o-caotico-poder-dos-gigantes-financeiros-novembro-2015-16p.html/

2) Crédit Suisse – Global Wealth Report 2015 - A última pesquisa do Crédit Suisse sobre a concentração mundial de patrimônio constitui leitura muito importante, pois mostra os impactos concretos dos mecanismos de acumulação financeira analisados por Piketty e outros. Veja-se por exemplo a pirâmide da p. 24: no topo 34 milhões de adultos, 0,7% do total, pessoas com patrimônio de mais de 1 milhão de dólares, detêm 112,9 trilhões de dólares de patrimônio, 45,6% do total do patrimônio mundial pesquisado. Conclusão simples: 1% dos mais ricos são donos de metade de tudo o que o planeta produziu. Na base da pirâmide, os 71% dos adultos do planeta detêm ridículos 7,4 trilhões de dólares, 3,0% do total. Pobre gasta, rico faz aplicações financeiras, é uma bola de neve. Um novo pacto planetário se impõe. http://dowbor.org/2015/10/15065.html/

3) Entrevista de J. Stiglitz no Espaço Público – TV Brasil – Nov. 2015 vídeo + de 60 min. Uma entrevista de excepcional importância de Joseph Stiglitz, "Nobel" de economia e ex-economista chefe do governo Clinton, sobre a situação econômica atual nos Estados Unidos e no Brasil, focando em particular os problemas da desigualdade, e no caso brasileiro a situação surrealista dos juros. O vídeo completo está disponível na TV Brasil/Espaço Público. Raras vezes vi uma análise tão clara do caos econômico que enfrentamos, e das alternativas. http://dowbor.org/2015/11/xentrevista-com-stiglitz-na-tv-brasil-uma-visao-realista-sobre-a-crise-novembro-2015-1h.html/

4) L. Dowbor – Entrevista sobre o sistema financeiros – vídeo 4 min. Set. 2015 – Esta entrevista de 4 minutos ajuda a situar a problemática da intermediação financeira no Brasil, um tipo de rápida introdução para entender o fluxo financeiro integrado no país. O vídeo está disponível em http://dowbor.org/2015/09/ladislau-dowbor-expoe-estudos-recentes-sobre-a-crise-setembro-2015-4-min.html/

5) L. Dowbor – Resgatando o potencial financeiro do Brasil – Out. 2015,. 39 p. - A pesquis foi publicada agora em PDF pela Friedrich Ebert Stiftung (FES), edição muito cuidada e de melhor legibilidade, em particular de algumas tabelas. Trata-se a meu ver do principal entrave do país, vale a pena ler e divulgar, é o dinheiro de todos nós, e de cada um de nós. http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2015/10/15-FES-Resgatando-o-potencial-financeiro-do-pa%C3%ADs.pdf

6) O crédito deveria ajudar. Poder antecipar uma compra, financiar um empreendimento, pagar estudos universitários, tudo isto seria útil dentro de determinadas condições. Com taxas de juros extorsivas, multas, juro sobre juro, gerou-se uma massa de pessoas que trabalham para o lucro dos intermediários financeiros. É a indústria da dívida, aqui um artigo curto em português apresenta como funciona nos EUA. Para o Brasil, veja o nosso Resgatando o potencial do sistema financeiro.
http://dowbor.org/category/pilulas-informativas/


As recomendações dos meses anteriores estão disponíveis no mural, http://dowbor.org/mural/

Abraço, Ladislau









(120) Ladislau Dowbor
24 - 11 - 2015
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau nov/2015


Caros,
Tempos cada vez mais preocupantes. As tensões surrealistas que vivemos no plano nacional, com um boicote cínico que desorganiza o país, potencializado por reações caóticas de desinformados de diversos tipos, alimentados por profissionais da desinformação, colocam em risco a própria democracia. E no plano internacional assistimos impotentes ao endividamento generalizado dos Estados, ao colapso das commodities, à explosão dos extremismos, à generalização de um sentimento de incompreensão e angústia. Não dá para não ver que estamos assistindo à progressiva erosão da capacidade de governo por toda parte. Enfrentamos problemas mundiais, mas os instrumentos de gestão política estão fragmentados em 195 governos, com lutas surdas pela hegemonia, enquanto vamos destruindo o planeta e aprofundando a já explosiva desigualdade.

1) L. Dowbor - O caótico poder dos gigantes financeiros – Nov. 2015, 16p. Estamos lentamente progredindo na compreensão da complexidade do sistema corporativo que, para o bem ou para o mal, hoje nos rege. Surgiram vários estudos que focam os 28 gigantes financeiros planetários, o topo da pirâmide do poder econômico e político mundial. Apresentamos neste artigo três eixos de pesquisa. O primeiro apresenta como estes gigantes se administram, sendo que na média cada um deles gere recursos superiores ao PIB de um país como o Brasil, 7ª potencia econômica mundial. O segundo aborda como estes grupos se articulam entre si, por meio de várias instituições permanentes de coordenação. O terceiro mostra como os fluxos financeiros se utilizam dos diversos tipos de paraísos fiscais e falhas de regulação para organizar/desorganizar os sistemas nacionais. O resultado é um poder que muito se assemelha ao dos grandes Estados, inclusive no seu comportamento caótico. http://dowbor.org/2015/11/ladislau-dowbor-o-caotico-poder-dos-gigantes-financeiros-novembro-2015-16p.html/

2) Crédit Suisse – Global Wealth Report 2015 - A última pesquisa do Crédit Suisse sobre a concentração mundial de patrimônio constitui leitura muito importante, pois mostra os impactos concretos dos mecanismos de acumulação financeira analisados por Piketty e outros. Veja-se por exemplo a pirâmide da p. 24: no topo 34 milhões de adultos, 0,7% do total, pessoas com patrimônio de mais de 1 milhão de dólares, detêm 112,9 trilhões de dólares de patrimônio, 45,6% do total do patrimônio mundial pesquisado. Conclusão simples: 1% dos mais ricos são donos de metade de tudo o que o planeta produziu. Na base da pirâmide, os 71% dos adultos do planeta detêm ridículos 7,4 trilhões de dólares, 3,0% do total. Pobre gasta, rico faz aplicações financeiras, é uma bola de neve. Um novo pacto planetário se impõe. http://dowbor.org/2015/10/15065.html/

3) Entrevista de J. Stiglitz no Espaço Público – TV Brasil – Nov. 2015 vídeo + de 60 min. Uma entrevista de excepcional importância de Joseph Stiglitz, "Nobel" de economia e ex-economista chefe do governo Clinton, sobre a situação econômica atual nos Estados Unidos e no Brasil, focando em particular os problemas da desigualdade, e no caso brasileiro a situação surrealista dos juros. O vídeo completo está disponível na TV Brasil/Espaço Público. Raras vezes vi uma análise tão clara do caos econômico que enfrentamos, e das alternativas. http://dowbor.org/2015/11/xentrevista-com-stiglitz-na-tv-brasil-uma-visao-realista-sobre-a-crise-novembro-2015-1h.html/

4) L. Dowbor – Entrevista sobre o sistema financeiros – vídeo 4 min. Set. 2015 – Esta entrevista de 4 minutos ajuda a situar a problemática da intermediação financeira no Brasil, um tipo de rápida introdução para entender o fluxo financeiro integrado no país. O vídeo está disponível em http://dowbor.org/2015/09/ladislau-dowbor-expoe-estudos-recentes-sobre-a-crise-setembro-2015-4-min.html/

5) L. Dowbor – Resgatando o potencial financeiro do Brasil – Out. 2015,. 39 p. - A pesquis foi publicada agora em PDF pela Friedrich Ebert Stiftung (FES), edição muito cuidada e de melhor legibilidade, em particular de algumas tabelas. Trata-se a meu ver do principal entrave do país, vale a pena ler e divulgar, é o dinheiro de todos nós, e de cada um de nós. http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2015/10/15-FES-Resgatando-o-potencial-financeiro-do-pa%C3%ADs.pdf

6) O crédito deveria ajudar. Poder antecipar uma compra, financiar um empreendimento, pagar estudos universitários, tudo isto seria útil dentro de determinadas condições. Com taxas de juros extorsivas, multas, juro sobre juro, gerou-se uma massa de pessoas que trabalham para o lucro dos intermediários financeiros. É a indústria da dívida, aqui um artigo curto em português apresenta como funciona nos EUA. Para o Brasil, veja o nosso Resgatando o potencial do sistema financeiro.
http://dowbor.org/category/pilulas-informativas/


As recomendações dos meses anteriores estão disponíveis no mural, http://dowbor.org/mural/

Abraço, Ladislau









(119) Ladislau Dowbor
19 - 10 - 2015
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau outubro/2015

Caros,

Vivemos tempos interessantes, com a possibilidade do impeachment de uma presidente eleita, sem nenhuma acusação formal, ser pedido por um cara com a ficha corrida do Eduardo Cunha, sob aplausos de representantes eleitos com o dinheiro de grandes corporações, sistema aliás já declarado inconstitucional pelo STF. Tudo em nome da democracia, com Partido Democrata, da Social Democracia e semelhantes. Mas vamos às recomendações.


1) Já temos a segunda impressão do livro O Pão Nosso de Cada Dia: Processos Produtivos no Brasil. É muito útil ver a economia pelo lado concreto, a chamada economia real, envolvendo indústria, infraestruturas, bancos, saúde e semelhantes. Nem tudo é finanças e ajustes: tem gente que trabalha. Como sempre com os meus livros, disponível online, Link: http://novo.fpabramo.org.br/sites/default/files/Pao%20nosso%20web.pdf Quem quiser o livro no papel pode entrar em contato com a Editora no fone (11)5571.4299, falar com Ailton.


2) O Papa Francisco está retomando uma visão cristã que já parecia esquecida. Volta-se aos problemas da humanidade existente, sem se refugiar na vida futura a pretexto de espiritualidade. Os problemas centrais são colocados de maneira serena mas direta e clara. Este texto, sejamos católicos ou não, crentes ou não, constitui uma poderosa ferramenta para todos nós, e precisamos conhecê-lo. Vejam o texto completo, Laudato Si (Louvado Seja) em http://dowbor.org/2015/07/enciclica-laudato-si-mensagem-do-papa-ao-mundo-sobre-os-desafios-ambientais-e-sociais-da-humanidade-agosto-2015-88p.html/


3) Queria recomendar um livro de excepcional qualidade de Nicholas Shaxson, sobre os paraísos fiscais, Treasure Islands: uncovering the damage of offshore banking and tax havens - qualificado de “an utterly superb book” por Jeffrey Sachs. Com esta análise do Shaxson, os dados do TJN e do GFI, estudos como os de François Morin da Banque de France, e as pesquisas sobre a Rede Mundial de Controle Corporativo, gradualmente estamos passando a entender como funciona a arquitetura financeira mundial, e como se deforma todo o sistema de relações internacionais. http://dowbor.org/category/dicas-de-leitura/


4) Texto de excepcional importância é Por um Brasil Justo e Democrático, trabalho que envolveu seis instituições e dezenas de pesquisadores, uma resposta aos absurdos do chamado ajuste fiscal, e mais importante ainda, uma visão de conjunto dos nossos rumos em termos de desenvolvimento econômico. Uma leitura necessária, com resumos executivos para as duas partes que compõem o documento. http://dowbor.org/2015/10/15031.html/


5) As corporações internacionais estão ampliando radicalmente os seus instrumentos jurídicos de poder político. Nas palavras de Luís Prada, um advogado de governos em litígio com grupos mundiais privados, “a questão finalmente é de saber se um investidor estrangeiro pode forçar um governo a mudar as suas leis para agradar ao investidor, em vez de o investidor se adequar às leis que existem no país.” O amplo artigo publicado no The Guardian apresenta este novo campo de relações internacionais que está se expandindo e mudando as regras do jogo. Os autores qualificam esta tendência de “an obscure but increasingly powerful field of international law”. http://dowbor.org/2015/06/claire-provost-e-matt-kennard-the-obscure-legal-system-that-lets-corporations-sue-countries-the-guardian-june-2015-5p.html/


6) E só para animar, não deixem de assistir Que hora ela volta?, excelente paródia dos preconceitos das nossas elites, restaura o bom humor até dos mais pessimistas.

Abraço, Ladislau







(118) Ladislau Dowbor
20 - 08 - 2015
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau ago/2015

Caros, enquanto manifestamos e contra manifestamos, vemos com espanto o país recuando de maneira dramática para a consolidação da corrupção política com os deputados, eleitos com dinheiro das corporações, aprovando a manutenção do sistema. Com isto, em vez de precisar comprar votos a cada sessão, o que é considerado corrupção, as corporações passam a comprar os legisladores por atacado, por quatro anos. Se não houver mobilização efetiva na base da população, vamos regredindo para a barbárie. Mas vamos às novidades:

1) Saiu pela Fundação Perseu Abramo o meu livro O Pão Nosso de Cada Dia: processos produtivos no Brasil. É muito útil ver a economia pelo lado concreto, a chamada economia real, envolvendo indústria, infraestruturas, bancos, saúde e semelhantes. Nem tudo é finanças e ajustes: tem gente que trabalha. Pequeno prefácio de Ignacy Sachs, com quem tenho trabalhado muito o conceito de economia mista. Somos complexos demais na economia moderna, para apenas pensar em mercado ou Estado. Como sempre com os meus livros, disponível online, e o livro pode ser pedido diretamente na editora para quem gosta de papel. Link: http://novo.fpabramo.org.br/sites/default/files/Pao%20nosso%20web.pdf

2) Saiu uma ampla entrevista minha com a Maria Inês Nassif, reproduzida nas mais variadas mídias. O Brasil andou muito nas últimas duas décadas. Obteve um avanço social histórico desde o governo Lula, mas entrou no “ciclo travado”, a partir do qual sobram apenas duas alternativas: ou a coragem para fazer reformas estruturais, eternamente adiadas, ou o recuo. É minha análise da conjuntura. Link: http://dowbor.org/2015/08/ladislau-dowbor-ausencia-de-reformas-bloqueou-lulismo-agosto-2015-8p.html/

3) Vejam pequena resenha de um excelente livro sobre o sistema financeiro em geral, área que por desgraça achamos que não podemos entender. Mas os que controlam as finanças nos entendem bem, e aproveitam. O aporte de Ellen Brown é diferente do de Thomas Piketty: ela destrincha o funcionamento concreto dos bancos, de como se organiza no dia a dia esta apropriação de riqueza por quem não produz. Muitos exemplos internacionais de como pode funcionar. A orientação dela é clara: o setor público tem de recuperar o controle da emissão desses “direitos”, e assegurar que o financiamento sirva a financiar o desenvolvimento. Link: http://dowbor.org/2015/08/ellen-brown-the-public-bank-solution-from-austerity-to-prosperity-third-millenium-press-baton-rouge-2013-471p-isbn-978-0-9833308-6-8.html/

4) Joseph Stiglitz é cada vez mais impressionante. E já foi economista do sistema. Em uma página, explicita os principais argumentos sobre a deformação radical dos sistemas financeiros no mundo. Leitura básica e curtinha. http://dowbor.org/category/pilulas-informativas/


5) Na linha das leituras curtas, finalmente um sólida tomada de posição do Economist, que sempre foi tão conservador no tema, sobre o absurdo sistema de patentes que nos rege, e que trava a inovação no planeta (questão que já estudei no artigo Da Propriedade Intelectual à Economia do Conhecimento http://dowbor.org/2009/11/da-propriedade-intelectual-a-economia-do-conhecimento-outubro.html/), disponível no meu site. O artigo do Economist foi publicado também pela Folha. Link: http://dowbor.org/category/artigos-recebidos/


6) Um grande documentário foi apresentado na TVEscola, Chomsky&Cia, fantástica análise da indústria da opinião pública no mundo. No youtube com legendas. http://dowbor.org/2015/07/chomsky-cia-filme-sobre-como-se-fabrica-o-consenso-pela-midia-e-outras-ferramentas-151h.html/


Abraço, Ladislau

(117) Ladislau
10 - 06 - 2015
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau jun/2015

Caros amigos,
Meio abismado, como todos nós, com a ofensiva troglodita que numa aliança da grande mídia comercial, de segmentos do judiciário e de um congresso eleito por dinheiro das corporações, nos empurra para o passado com a lei da terceirização, redução da idade penal, financiamento corporativo das campanhas como princípio constitucional (todo o poder vem do povo, diz o primeiro artigo da nossa Constituição) e semelhantes. Um trágico retrocesso com esta contraofensiva da direita. Somos uma democracia, mas nem os donos da mídia nem os juízes foram eleitos, e o Congresso foi eleito por empresários que ninguém elegeu. É a própria democracia que tem de começar a ser resgatada e protegida. Anos de avanços ameaçados. Bem, vamos às leituras sugeridas deste mês.

1) No mês passado mencionei The Next System , < http://dowbor.org/2015/03/14529.html/> proposto por Gar Alperovitz, Jeffrey Sachs, Gus Speth e numerosos economistas de primeira linha nos Estados Unidos. Agora aparece uma tomada de posição e análise de outro amplo grupo de economistas e pesquisadores que com a coordenação de Joseph Stiglitz apresentam uma nova agenda para o país, rejeitando “os velhos modelos econômicos” e propõem uma nova articulação da busca da igualdade e da eficiência econômica, que consideram “complementares e não opostas”. Rewriting the Rules of the American Economy: an Agenda for Growth and Shared Prosperity, < http://dowbor.org/?s=Rewriting+the+Rules+of > é uma proposta de crescimento dinamizado pela “propsperidade compartilhada.” São dezenas de propostas práticas centradas em dois eixos, a regulação dos sistemas dominantes, em particular do mundo financeiro, e o reforço do andar de baixo. São visões de um país repensando os seus rumos, e vale a pena acompanharmos. Leituras básicas.
2) Voltando ao assunto da Economia da Família < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-65642015000100015&script=sci_arttext&tlng=pt#fn1 >, agora publicado pela USP: A família pode ser vista como unidade de reprodução econômica: pais sustentam filhos e idosos, e serão por sua vez sustentados. Hoje, com a desarticulação da família - nos EUA apenas 26% dos domicílios tem pais e filhos -, a fragilização do Estado e a privatização dos serviços sociais, é o próprio processo de redistribuição do excedente social entre gerações que se vê prejudicado. A dinâmica econômica ajuda a entender os impactos muito mais amplos, como a tensão entre gerações, a redução da sociabilidade e o sentimento crescente de angústia que se generaliza.
3) O conhecimento como bem comum: organizado por Elinor Ostrom e Charlotte Hess, o Understanding Knowledge as a Commons é uma coletânea de qualidade impressionante sobre como a economia do conhecimento está nos levando a novas lógicas de organização social, de conceito de universidade (inclusive a mudança do conceito de biblioteca universitária), e na realidade do conjunto de relações de produção de uma era em que o principal motor da economia é um fator de produção cujo consumo não reduz o estoque, pelo contrário o multiplica. A economia do futuro está sendo delineada nestes rumos. Veja em Dicas de Leitura: http://dowbor.org/2015/05/elinor-ostrom-e-charlotte-hess-understanding-knowledge-as-a-commons-entendendo-o-conhecimento-como-um-bem-comum-cambridge-mit-press-cambridge-2007.html/

4) O mundo estranho mundo das favelas: Renato Meirelles e Celso Athayde apresentam, no Um país chamado favela: a maior pesquisa já feita sobre a favela brasileira, visões que saem fora dos estigmas e do folclore. Já era mais do que tempo de termos uma análise sistemática, econômica, social, cultural, de dentro da própria favela, sem a simplicidade do pesquisador de prancheta. Os autores apresentam de forma aberta no datafavela.com.br uma a visão integral, facilitando inclusive a apropriação do conhecimento pelas próprias comunidades, como um espelho para elas. Ótima leitura, vejam em Dicas de Leitura http://dowbor.org/2015/06/renato-meirelles-e-celso-athayde-um-pais-chamado-favela-a-maior-pesquisa-ja-feita-sobre-a-favela-brasileira-editora-gente-sao-paulo-2014.html/

5) O meu estudo sobre o sistema financeiro agora está disponível na revista Estudos Avançados da USP, e disponível online, o que facilita a divulgação e citação acadêmica. Neste último mês o artigo tem sido discutido com DIEESE, o sindicato dos Bancários, o CONTRAF e numerosas outras instituições, além de já estar circulando na versão inglesa nos EUA (Ethical Markets). Veja o link em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142015000100263&lng=pt&nrm=iso

6) Para não esquecer um pouco de bálsamo para a alma, veja no cinema A menina nos campos de arroz (algo assim o título), o cotidiano de uma vila rural no sul da China, imensamente poético, paisagens deslumbrantes, um mundo diferente que esquecemos e que constitui o cotidiano de um terço da humanidade. Vale a pena.
Abraço, Ladislau


(116) Gildazio Vicente
28 - 05 - 2015
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Passei pra deixar meu recado...

É impressionante um povo que vai às ruas reclamar R$ 0,20 porquê aumentou a passagem de ônibus público, digo público. E não tem coragem de ir às ruas ao ver ser desviados bilhões da Petrobras, dentre outros órgãos e empresas estatais. É um absurso inconcebível.Falta educação neste país...


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