Mural de recados
(135)
(135) Ladislau Dowbor
24 - 10 - 2017
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Dicas do Dowbor - Outubro 2017

Caras e caros,

Neste mundo surrealista que nos cerca, vale a pena valorizar o permanente esforço de informar, esclarecer, fornecendo de certa maneira ferramentas para ajudar as pessoas a se situarem. A presente página que envio a cada mês resume o que de melhor tem me passado pelas mãos, um cardápio científico por assim dizer, é minha forma de contribuir. E queria informar que o meu último livro, mais dossiê de pesquisas do que livro, A Era do Capital Improdutivo, está circulando muito. Vale a pena.

1. Relatório A distância que nos une – Oxfam Brasil, setembro de 2017, 94p.

Saiu finalmente o esperado estudo da Oxfam sobre desigualdade no Brasil: "A distância que nos une", Oxfam Brasil, setembro de 2017 (94p). Seis brasileiros dispõem de mais riqueza do que a metade mais pobre da população, e 5% dispõem de mais do que os 95% seguintes. O relatório cobre renda, riqueza e acesso aos serviços essenciais. A desigualdade para nós não é apenas uma vergonha em termos éticos. É igualmente insustentável em termos políticos (os sucessivos golpes sempre tiveram esta origem). E é particularmente absurda em termos econômicos, pois nada estimula a economia como a demanda das famílias: a desigualdade, além de injusta, é burra. Leitura essencial para entendermos tanto os nossos dramas como os nossos rumos. Confira a íntegra do documento em:
http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2017/09/Relatorio_A_distancia_que_nos_une.pdf


2. IV Tribunal Tiradentes – testemunho de Ladislau Dowbor – 15 min. – 25 de setembro de 2017

Fiz um depoimento curto e direto sobre a vergonha e tragédia que constitui o nosso Congresso. São 15 minutos na qualidade de testemunha de acusação no simbolicamente forte IV Tribunal Tiradentes realizado no Tucarena em São Paulo, em 25 de setembro de 2017. A IV sessão do Tribunal Tiradentes foi promovida pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz – CBJP, vinculada à CNBB, com o apoio de instituições e entidades nacionais, regionais e locais da sociedade civil e movimentos sociais. Confira em: http://dowbor.org/2017/09/iv-tribunal-tiradentes-testemunho-de-ladislau-dowbor-15-min-25-de-setembro-de-2017.html/


3. Dowbor - A violência econômica: o poder dos juros e das corporações financeiras – ComCiência, SBPC, Labjor-Unicamp – Artigo-dossier nº 192, 9 de outubro de 2017, 4p.

Quando 61 milhões de adultos no Brasil estão com o nome sujo no sistema de crédito, é o sistema que está deformado. Para quem se interessa sobre uma síntese do travamento da nossa economia, vale a pena este artigo de 4p. que fiz para a SBPC. É estranho constatar que em todo o ciclo escolar, inclusive nas universidades, a não ser na área especializada em economia financeira, ninguém nunca teve uma aula sobre como funciona o dinheiro, principal força estruturante da nossa sociedade. A população se endivida muito para comprar pouco no volume final. A prestação ‘cabe no bolso’ (mas pesa no bolso durante muito tempo). O efeito demanda é travado, gerando a crise. Confira em:
http://dowbor.org/2017/10/dowbor-a-violencia-economica-o-poder-dos-juros-e-das-corporacoes-financeiras-comciencia-sbpc-labjor-unicamp-artigo-dossier-no-192-9-de-outubro-de-2017-4p.html/


4. Boaventura de Sousa Santos – A ilusória “Desglobalização” – Outras Palavras – out. 2017 3p.

No desgoverno geral que caracteriza a época, aparece com força o desajuste entre a globalização por um lado, e a fragmentação por outro. Os próprios governos tornam-se em boa parte impotentes e as populações frustradas. Boa análise do Boaventura publicada no site Outras Palavras. Confira em: http://outraspalavras.net/destaques/boaventura-a-ilusoria-desglobalizacao/


5. Laura Flanders – Next System Media: an Urgent Necessity – 13 Oct. 2017 - 5p.

A profunda deformação da mídia constitui uma tragédia planetária. The Next System Project nos Estados Unidos constitui uma plataforma que unifica pesquisas sobre as transformações necessárias para uma sociedade que funcione. O que está implícito no nome do movimento, é que o sistema atual já não responde. Aqui, em cerca de 10 páginas, uma das produções do Next System, sobre como repensar o sistema de comunicação e informação para a cidadania, frente ao oligopólio hoje constituído. O problema, evidentemente, não é só nosso. Bom material, em inglês. Acesse em: https://thenextsystem.org/learn/stories/next-system-media-urgent-necessity?mc_cid=db0c1188ba&mc_eid=4aa8fc6b80

6. Hazel Henderson – Fintech: Good and Bad News for Sustainable Finance – Pesquisa & Debate PUC-SP – out 2017 – 15p.

A transformação do mundo das finanças pela tecnologia é profunda. A revista Pesquisa e Debate, da Pós-graduação em Economia Política da PUC-SP, publicou no seu último número um artigo particularmente importante que me foi enviado por Hazel Henderson, economista de primeira linha nos EUA, autora aqui do conhecido Construindo um mundo onde todos ganham (Win-Win) - Essas transformações, que incluem inovações como as bitcoins mas também um conjunto de outras mudanças, hoje são chamadas resumidamente de FINTECH, (Financial Technologies). É uma rara oportunidade esta visão das tendências, 15p. em inglês. Confira em: https://revistas.pucsp.br/index.php/rpe/article/view/33550

7. Antonio Guterres – Financing the 2030 Agenda Event – 18 September, 2017 (3 min.)

Minha denúncia da deformação do sistema financeiro em geral já não é novidade para quem lê o que tenho escrito ou divulgado. Mas é importante o Secretário Geral da ONU, Antonio Guterres, reunir grandes atores mundiais da área para denunciar a sua inoperância e improdutividade: Diz o SG na abertura: "Frente ao imperativo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o sistema financeiro global de hoje, que gerencia cerca de 300 trilhões de dólares em ativos financeiros em nosso nome coletivo, simplesmente não é adequado para o propósito " (20.09.2017). No original: “Set against the imperative of Sustainable Development Goals, today’s global financial system which manages some 300 trillion dollars in financial assets in our collective behalf is simply not fit for purpose” (20.09.2017, 2 min 30 seg). Confira em: https://www.youtube.com/watch?v=51PWgtBTCas

8. Documentário Brasil, o grande salto para trás – Brésil, Le grand bond en arrière – Frédérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux – 2017 – 55 min. (legendado).

Documentário europeu sobre o golpe no Brasil e o atraso social, econômico e político que está sendo gerado. Independentemente de firulas jurídicas e aparências de ritos legais, o fato é que assumiu o poder e toma medidas absurdas um governo com 3% apenas de aprovação. No plano internacional a compreensão está finalmente se enraizando, de que um governo que toma medidas antipopulares e com esse nível de rejeição confirma a violação de procedimentos democráticos e caracteriza um golpe jurídico-parlamentar. Se não é golpe na origem, é golpe nos resultados. O silêncio das panelas é impressionante. Confira em: https://www.youtube.com/watch?v=XDZ5UtlsqdA

Acompanhe a página do professor Ladislau no Facebook em: https://www.facebook.com/prof.LadislauDowbor/

(134) Ladislau Dowbor
10 - 09 - 2017
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Dicas do Dowbor - setembro

Caros,

Neste ano, a contribuição importante para mim é o meu livro A Era do Capital Improdutivo, uma ferramenta de leitura simples mas de grande densidade de informação, que realmente torna claro o drama econômico e político que vivemos. Gostaria muito que vocês se interessassem e divulgassem. Insisto que é eminentemente legível. E se trata de todos nós.

O livro está disponível nas livrarias ou diretamente no site da editora, veja em: http://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/a-era-do-capital-improdutivo-a-nova-arquitetura-do-poder-dominacao-financeira-sequestro-da-democracia-e-destruicao-do-planeta


1. Antônio Martins - A Era do Capital Improdutivo e como superá-la – Outras palavras - ago. 2017, 4p:

Saiba mais sobre o livro a partir da ótima resenha de Antonio Martins, jornalista e co-editor de "A Era do Capital Improdutivo", publicada no Outras Palavras: “Ladislau Dowbor revela que o crescimento abissal das desigualdades, a ausência de limites para a depredação da natureza e o esvaziamento da política podem ser faces de um só fenômeno. Uma nova metamorfose do capitalismo (para usar expressão de Celso Furtado) criou um sistema que já não pode ser compreendido – muito menos superado – manejando apenas as chaves analíticas do passado.” Confira a íntegra em: http://outraspalavras.net/brasil/a-era-do-capital-improdutivo-e-como-supera-la/


2. Entrevista de Dowbor ao jornalista Glauco Faria da Rede Brasil Atual - ‘Estamos frente a um sistema de agiotagem que paralisou o país’ – ago. 2017, 4p:

“De toda essa gente que criou esse caos a partir de 2008, ninguém foi preso. Eles são fortes o bastante para criar um sistema jurídico paralelo, com acordos pelos quais as empresas pagam uma multa para a qual já fizeram provisão. Sabem que estão fazendo errado, pagam, mas não obrigados a reconhecer culpa. Ninguém é preso. Pagam a multa e continuam no mesmo processo. No nível mundial, temos o Bank of America, o Deutsche Bank, o Barclays, Morgan, todos os grandes bancos estão nesse processo. Eles têm força para dobrar a legalidade”. Confira a íntegra em: http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/131/estamos-frente-a-um-sistema-de-agiotagem-que-paralisou-o-pais

Sobre o mesmo tema, veja também a minha entrevista com Maria Lídia, na TV Gazeta, (7 minutos): https://www.youtube.com/watch?v=I2Y35sD4U9U


3. Kate Raworth – Doughnut Economics: 7 ways to think like a 21st Century Economist (A economia da “rosquinha”, 7 maneiras de pensar como um economista do século 21) – Chelsea Green Publishing, 2017.

Chegou um livro para mudar como pensamos a ciência econômica. Exagero? Pois essa britânica de Oxford alia simplicidade e clareza na exposição com uma revisão em profundidade de como vemos, analisamos e contabilizamos as atividades econômicas. Inclusive faz a ponte com as teorias herdadas, avaliando os seus aportes e fragilidades frente a um mundo que mudou profundamente. Ela não descarta as teorias herdadas, mas organiza a transição. É um livro realmente muito excepcional para resgatar a utilidade das visões econômicas. Veja resenha em : http://dowbor.org/2017/08/kate-raworth-doughnut-economics-7-ways-to-think-like-a-21st-century-economist-chelsea-green-publishing-2017-isbn-a-economia-da-rosquinha-7-maneiras.html/


4. Jill Treanor – World’s biggest banks face £264bn bill for poor conduct – The Guardian – 14/08/2017, 1.p:

Os maiores bancos, como o Bank of America e outros gigantes, estão sendo condenados por fraudes contra clientes, governos, empresas em qualquer parte do mundo, o que gera uma conta estimada em 264 bilhões de libras, cerca de 340 bilhões de dólares. As atividades ilegais se generalizaram, em particular porque o espaço financeiro de manobra é global, inclusive com cerca de 60 paraísos fiscais, enquanto os governos tentam gerar algum controle nos seus fragmentados espaços nacionais. Os dados mais amplos podem ser vistos na pesquisa original http://conductcosts.ccpresearchfoundation.com/conduct-costs-results (CCP Research Foundation). Aqui, em uma página, em inglês, o resumo do Guardian: https://www.theguardian.com/business/2017/aug/14/worlds-biggest-banks-face-264bn-bill-for-poor-conduct


5. Lee Fang – Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana – The Intercept Brasil – agosto 2017 - 6p.

Há uma dimensão da atividade política que em geral nos escapa e fica na sombra: trata-se do papel dos chamados think tanks, poderosos instrumentos de aglutinação ideológica e de subversão política. Já tivemos isto na preparação do golpe de 1964, como temos hoje com o golpe em curso (Instituto Millenium). O artigo de Lee Fang apresenta a dinâmica atual, os nomes, a estrutura. Não se trata de conspiração, trata-se hoje de uma indústria política paralela, amplamente financiada. Acesse em: https://theintercept.com/2017/08/11/esfera-de-influencia-como-os-libertarios-americanos-estao-reinventando-a-politica-latino-americana/


6. Hazel Henderson - Fintech: Good and Bad News for Sustainable Finance - Pesquisa & Debate. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em Economia Política da PUC-SP - v. 28, n.1 (51) - 2017


Na revista de economia da PUC-SP, Pesquisa e Debate, uma série de artigos interessantes, publicados agora em agosto de 2017. Queria chamar a atenção para o artigo que me mandou Hazel Henderson, economista de primeira linha nos Estados Unidos, sobre como as novas tecnologias estão transformando o mundo financeiro, este povo que tem total dedicação ao nosso dinheiro, nos depenam à vontade, e com tecnologias cada vez mais avançadas. Este cartãozinho simpático que temos no bolso, o cartão de crédito, é apenas um dos canudinhos em que na era da liquidez eletrônica permite ao sistema chupar o que nos resta. Fintech já é aceito como palavra chave, abreviação de tecnologias financeiras. Um artigo muito bem documentado sobre uma área que pouco dominamos. Confira a íntegra, em inglês, em: https://revistas.pucsp.br/index.php/rpe/article/view/33550

7. Um Instante de Amor - de Nicole Garcia - França/Bélgica/Canadá - 2016
Não esquecendo que também precisamos viver, faça um favor a si mesmo ou ao casal, assistindo "Um instante de amor". Não lembro de ter visto um filme onde o amor e a sexualidade sejam tratados com tanta profundidade e beleza. Confira o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=xO1eqiI8GSs


Abraços,
Ladislau
07.09.2017


(133) Ladislau Dowbor
20 - 06 - 2017
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Dicas do Dowbor - Junho 2017

Caros,

Nos últimos tempos têm aparecido trabalhos de fundo repensando o sistema. Queria aqui fazer um tipo de comentário de leitura sobre textos que têm em comum a convicção de que não se trata mais apenas do problema de Trump nos EUA, de Temer no Brasil, de Macri na Argentina, de Erdogan na Turquia, do Brexit na Inglaterra, do fato dos dois grandes partidos (socialista e republicano) que repartiram o poder na França não terem chegado, nem um nem outro, sequer ao segundo turno.

A Europa está se cobrindo de muros e cercas de arame farpado. Discute-se seriamente erguer um gigantesco muro de mais de mil quilómetros entre o México e os Estados Unidos. Os países mais poderosos estão se dotando de instrumentos sofisticados de invasão de privacidade e de controle das populações que assustam tanto pela amplitude da invasão como pela indiferença das populações.

E naturalmente o caos que se avoluma não diz respeito apenas à política e aos governos: os gigantes financeiros planetários geram um nível de desigualdade e de desmandos ambientais que tornam o mundo cada vez mais inseguro e o universo corporativo cada vez mais irresponsável.

A realidade é que o mundo está mudando de forma muito acelerada. Os mecanismos de mercado já não servem como instrumento de restabelecimento de equilíbrios nesta era de oligopólios, e os governos já não são capazes de responder efetivamente aos anseios das populações, presos que estão nas pressões das dívidas públicas e dos desequilíbrios financeiros. As mudanças são sistêmicas.

Neste contexto aparece como muito importante acompanhar estudos sobre as alternativas, que surgem em diversas partes do mundo. Ponto importante: já não se trata de tecnicalidades econômicas, e sim de propostas que cruzam economia, política, cultura, o futuro dos sindicatos e da participação social e assim por diante. Porque os desafios são justamente sistêmicos, aqui como em outros países.

Sugiro que vejam:

1. Gar Alperovitz – The Next System, como quem diz, vamos pensar no próximo sistema, porque este que aí está já era. Os diversos capítulos envolvem a governança em termos gerais, e também o dinheiro, os investimentos, a desigualdade, o meio ambiente, o necessário pluralismo e assim por diante. E Gar Alperovitz é um pensador de primeira linha. Confira a íntegra em:http://www.thenextsystem.org/principles/?mc_cid=f152d4ca54&mc_eid=bfa40f009

2. Joseph Stiglitz – Rewriting the Rules of the American Economy: an agenda for shared prosperity (Reescrever as regras da economia americana: uma agenda para uma prosperidade compartilhada). Joseph Stiglitz organizou um documento muito forte que representa uma agenda para os Estados Unidos, hoje presos numa armadilha de elites que insistem em combater políticas sociais, promover mais desigualdade e atacar políticas ambientais. Invertendo radicalmente as velhas visões, o amplo grupo de economistas que participam deste relatório rejeita “os velhos modelos econômicos”. Confira a íntegra em:http://dowbor.org/2016/09/stiglitz-rewriting-the-rules-of-the-american-economy-an-agenda-for-shared-prosperity-new-york-london-w-w-norton-company-2015-237-p-isbn-978-0-393-25405-1.html/

3. Joseph E. Stiglitz e Mark Pieth – Superando a Economia Paralela – Friedrich Ebert Stiftung – Fev. de 2017 – 36 p. Um artigo demolidor e muito bem documentado sobre os paraísos fiscais, por parte de dois especialistas, tanto Mark Pieth por seus estudos, como Joseph E. Stiglitz que começou a luta com os fluxos ilegais quando era economista-chefe no Banco Mundial. A desorganização é compreensível: “A globalização resultou em uma economia global, mas não em um governo global. ” O estudo mostra que não se trata de dinheiro que escapa do sistema e se esconde, e sim de um mecanismo que deforma o conjunto do sistema que passa a trabalhar na opacidade. Lembremos que o Brasil tem em paraísos fiscais mais de 500 bilhões de dólares. Acesse o artigo em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2017/04/17-Stiglitz-Pieth-Paraisos-fiscais-33p.pdf

4. Oxfam – Uma economia para os 99%. Estamos na era da acumulação improdutiva de patrimônio, descapitalização da sociedade. É uma desorganização sistêmica. A reforma do sistema financeiro global (e nacional no Brasil) constitui o desafio central. Enriquecimento sem a contrapartida produtiva, “unearned income” na terminologia inglesa, gera rentistas ricos e economias travadas. Este estudo da Oxfam, com as propostas correspondentes, é um excelente instrumento de trabalho, um choque de realismo. http://dowbor.org/2017/01/oxfam-uma-economia-para-os-99-2016-relatorio-10p.html/

5. Labour Party Manifesto 2017 – For the many, not the few(Para os muitos, não os poucos) faz um desenho que certa maneira inverte o conjunto das orientações e desconstrução do setor público promovido pela Margareth Thatcher, revaloriza a regulação pelo Estado, resgata o papel gratuito e universal das políticas sociais e assim por diante. Centrado no conceito de que a economia tem de funcionar para todos, a análise lembra muito os argumentos do Bernie Sanders nos Estados Unidos, e constitui um documento compacto e claro. Veja a íntegra em:http://www.labour.org.uk/page/-/Images/manifesto-2017/Labour202017.pdf

Nesta linha de repensar o sistema, vamos encontrar também Ellen Brown com os seus estudos sobre os sistemas financeiros, Lester Brown sobre as alternativas em termos de sustentabilidade (o seu estudo Plano B implica que o plano “A” atual já não responde), e temos evidentemente os estudos da New Economics Foundation (NEF) na Inglaterra, do Alternatives Economiques na França e assim por diante.

A verdade é que estão se multiplicando pelo planeta afora núcleos de pesquisa que buscam novos paradigmas de desenvolvimento. Muitos desses estudos já estão resenhados no nosso blog, em Dicas de Leitura. Constituem um complemento importante aos numerosos estudos que estão sendo desenvolvidos no Brasil: a crise está nos obrigando de certa maneira a ultrapassar as simplificações e repensar os nossos paradigmas.

Abraços,
Ladislau Dowbor

Lembrem-se que todas as dicas enviadas nos meses anteriores podem ser conferidas no Mural do nosso site, clicando em: http://dowbor.org/mural/ . Meus livros e artigos estão disponíveis na íntegra no site dowbor.org

(132) Nilton Pessanha
20 - 06 - 2017
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Bom dia! O Sr. conhece o movimento Zeitgeist e suas análises e propostas? Apreciaria muito um parecer seu sobre as ideias do movimento.
Grato pela atenção.
movimentozeitgeist.com.br/

(131) Marli
04 - 06 - 2017
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Boa noite Professor Ladislau,

Neste último sábado tivemos a alegria de contar com sua presença em evento programado pelo Cepat Centro de Pesquisa e Apoio aos trabalhadores na PUCPR. Grata pela sua generosidade e simplicidade em tratar conosco, de forma tão afetiva, de questões tão complexas. Estou propondo que o senhor coloque no seu blog, nos sites recomendados, o site do IHU Instituto Humanitas Unisinos, pois este site está hoje entre as raras fontes de informaçãoconteúdo confiável. Segue o endereço: www.ihu.unisinos.br.
Obrigada! Abraço, Marli

(130) Ladislau Dowbor
11 - 04 - 2017
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Dicas do Dowbor - Abril 2017

Caso não esteja visualizando, acesse aqui.



O golpe que ia restabelecer a normalidade (na visão das elites do que é normalidade) está na realidade afundando o país. Duas páginas sobre os juros ajudam a entender. Nos outros textos, temos pelo menos a consolação de que as coisas não estão dando certo em muitos lugares, não estamos sozinhos na desgraça. Isto na realidade ajuda a entender a lógica do processo. Finalizamos estas dicas com o texto otimista, inclusive no título, que é o relatório mundial sobre a felicidade. Pelo menos estão medindo o que realmente importa. E para não esquecer, veja o link de excelente documentário sobre a ditadura.



1. Ladislau Dowbor: O escândalo dos juros - março 2017 - 2p.

O volume de recursos extraídos da economia por meio dos juros é absolutamente escandaloso, e não encontra paralelo no mundo. Aqui, em pouco mais de uma página, os dados básicos, qualquer um que já se endividou entenderá. A base são informações oficiais tais como publicadas pelo Banco Central, sobre “Operações de crédito do sistema financeiro”, e anexamos a própria nota do Banco para que possam ser checados, precaução necessária nesta era de ceticismos com números. Leia a íntegra em: http://dowbor.org/2017/03/o-escandalo-dos-juros.html/



2. Joseph E. Stiglitz e Mark Pieth: Superando a Economia Paralela – Friedrich Ebert Stiftung – Fev. de 2017 – 36 p.


Um artigo demolidor e muito bem documentado sobre os paraísos fiscais, por parte de dois especialistas, tanto Mark Pieth por seus estudos, como Joseph E. Stiglitz que começou a luta com os fluxos ilegais quando era economista-chefe no Banco Mundial. O ponto de partida é simples:enquanto houver territórios onde os recursos ficam em sigilo e não pagam impostos, ou não precisam explicar origem, os recursos financeiros fluirão naturalmente nesta direção. A desorganização é compreensível: “A globalização resultou em uma economia global, mas não em um governo global.” O estudo mostra que não se trata de dinheiro que escapa do sistema e se esconde, e sim de um mecanismo que deforma o conjunto do sistema que passa a trabalhar na opacidade. Leitura essencial, a Friedrich Ebert presta um excelente serviço ao apresentar este estudo em português. Lembremos que o Brasil tem em paraísos fiscais mais de 500 bilhões de dólares. Acesse o artigo em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2017/04/17-Stiglitz-Pieth-Paraisos-fiscais-33p.pdf



3. Thomas Piketty, Emmanuel Saez and Gabriel Zucman: A tale of two countries – 6 December 2016 – Washington Center for Economic Growth (em inglês, 3p)


Um texto curto e de excepcional qualidade traz o estudo de três pesquisadores importantes sobre as formas de irmos além da cifra grosseira que representa o PIB, construindo o que chamaram de ‘distributional national accounts’, metodologia que permite avaliar não só os fluxos brutos mas como evolui a renda dos 50% mais pobres, do 10% mais rico e dos 40% no meio que qualificam de classe média. “Os nossos dados mostram que a metade na base inferior de distribuição de renda nos Estados Unidos foi completamente cortada do crescimento econômico desde os anos 1970. De 1980 a 2014 a renda média nacional por adulto cresceu 61% nos Estados unidos, no entanto a renda média antes da tributação dos 50% de baixo de ganhadores de renda individuais (individual income earners) estagnou em cerca de US$16,000 por adulto ajustados à inflação . Em contraste, a renda explodiu (skyrocketed) no topo da distribuição de renda, subindo 121% para os 10% no topo, 205% para o 1% no topo, e 636% para o 0,001% no topo”. Texto curto, simples e explícito que além de mostrar o absurdo dos ganhos de renda sobre aplicações (e não de produção) no topo da pirâmide social e a consequente desigualdade, aponta para as mudanças necessárias na contabilidade nacional.

Acesse a íntegra em: http://equitablegrowth.org/research-analysis/economic-growth-in-the-united-states-a-tale-of-two-countries/



4. The Guardian: Revealed: the huge profits earned by big banks on overseas money transfers – (em inglês, 1p.)

As tarifas cobradas pelos bancos no Brasil representam uma vez e meia a sua folha de pagamentos. São incorporadas de diversas maneiras.O Guardian teve acesso a um relatório do Santander mundial, sobre o que cobram por transferências de dinheiro. Por exemplo para transferir 10 mil libras do Reino Unido para Espanha, cobram 394 euros, enquanto uma simples agência, TransferWise, cobraria 64 euros. Os custos do Santander são disfarçados na manipulação da taxa de câmbio (rate mark-up). Comenta Taavet Hinrikus: "É uma achacamento massivo dos clientes (massive consumer rip-off) mas o documento do Santander não me supreende. O que sim me surpreende, é quanto tempo eles conseguiram se safar com isso". Do Guardian, 1p. em inglês. Aliás, o que os bancos cobram no Brasil sobre qualquer transferência que nós mesmos operamos, inclusive dentro do país, é indecente.

Confira a íntegra em: https://www.theguardian.com/money/2017/apr/08/leaked-santander-international-money-transfers-transferwise?utm_source=esp&utm_medium=Email&utm_campaign=GU+Today+main+NEW+H+categories&utm_term=220922&subid=7697369&CMP=EMCNEWEML6619I2




5. World Happiness Report 2017 - John Helliwell, Richard Layard and Jeffrey Sachs - 188 p.

Muito interessante e sério o relatório mundial sobre a felicidade, pesquisa em 150 países. Países mais igualitários estão no topo (Noruega, Canada...), EUA recuam para 15 lugar (aumentou PIB mas caiu o bem estar) e o Brasil (de antes do golpe) ocupa ranking 22. Boas análises sobre emprego e outros, confira os capítulos China e EUA têm capítulos individuais. Veja o documento completo online, gratuito e em inglês aqui: http://worldhappiness.report/wp-content/uploads/sites/2/2017/03/HR17_3-20-17.pdf Leia também o comentário sobre o relatório no The Guardian (2p): https://www.theguardian.com/world/2017/mar/20/norway-ousts-denmark-as-worlds-happiest-country-un-report?CMP=share_btn_fb




6. O dia que durou 21 anos - filme de Camilo Tavares

Este filme sobre a fase da ditadura instalada em 1964 é muito rico. A que ponto isto pode parecer pré-história para muita gente, irrelevante nas condições atuais ou, pelo contrário, repetição? Em todo caso, golpe no Brasil não é novidade, tudo em nome da democracia. Podemos restabelecer a democracia, mas se a usarmos dão golpe. Temos um século deste vai e vem político. O ceticismo de muitos tem suas razões.

O filme está disponível no youtube em: https://www.youtube.com/watch?v=v-HhhdgYOaA&feature=youtu.be&app=desktop


Ladislau Dowbor
11.04.2017

(129) Ladislau Dowbor
17 - 02 - 2017
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Dicas do Dowbor - Fevereiro 2017

Tristeza profunda com a morte da Dona Marisa. Quanta covardia e calhordice nos ataques a ela, ao Lula. Quanta mesquinharia contra quem tanto contribuiu para o Brasil. Aqui minha admiração e solidariedade neste momento difícil. A luta continua e a nossa melhor resposta é a luta pela retomada das conquistas.

Aqui, leituras que contribuem:

1. Ladislau Dowbor - Que crise é esta? – atualização em janeiro de 2017, 33 p.

Publicado originalmente na revista Ponto e Vírgula da PUC-SP, em fins de 2015, o presente artigo resume uma série de argumentos que tenho desenvolvido sobre a crise atual. Um círculo virtuoso em que a distribuição de renda por meio de um conjunto de programas permitiu simultaneamente expandir a demanda, tirando cerca de 50 milhões de pessoas da miséria, e estimular os investimentos e o emprego para satisfazê-la, parou de funcionar. O travamento desse processo a partir de fins de 2014 e de 2015 gera perplexidade. A raiz do travamento é sem dúvida política, mas os mecanismos utilizados são também econômicos. O presente artigo mostra a mudança do contexto internacional com o caos financeiro mundial, os nossos principais avanços econômicos e sociais, e finalmente como a financeirização internacional adotou formas específicas no Brasil, tornando-se o principal fator de paralisia, por meio do sistema de juros extorsivos. Confira a íntegra aqui:
http://dowbor.org/2017/01/ladislau-dowbor-que-crise-e-esta-ponto-e-virgula-revista-de-ciencias-sociais-puc-sp-2o-semestre-2015-16-p-issn-1982-4807.html/

2. Previdência: reformar para excluir? Contribuição técnica ao debate sobre a reforma da Previdência Social Brasileira – Brasília: DIEESE/ANFIP, 2017, 48p.

Finalmente temos um bom texto de referência sobre a reforma da previdência, construção que contou com a colaboração de numerosos especialistas, com sistematização final de Eduardo Fagnani da Unicamp. É uma ferramenta para todos nós. No caso, permite também uma melhor compreensão do quadro macro-econômico, pois “a reforma da Previdência proposta recentemente deve ser compreendida nesse contexto de aprofundamento das políticas de austeridade econômica, sendo a Previdência peça central do ajuste das contas primárias que se almeja com a instituição do “Novo Regime Fiscal”. Confira o documento- síntese de 48 páginas, atualizadíssimo (fevereiro de 2017), clicando aqui: http://plataformapoliticasocial.com.br/wp-content/uploads/2017/02/Previdencia_Doc_Sintese.pdf

3. Relatório da OXFAM: uma economia para os 99% - 13p.

Desigualdade parece tema batido. Mas não se trata apenas de injustiça: é um mecanismo que trava a economia, gera explosões sociais, desarticula a sociedade como um todo. Estamos muito além da mais-valia tradicional nas empresas produtivas. A mais-valia financeira permite explorar tanto governos com a dívida pública, quanto empresas e pessoas físicas, gerando uma classe de intermediários financeiros que não só não financiam a produção, o consumo e os investimentos públicos, os motores da economia, como os paralisam. Estamos na era da acumulação improdutiva de patrimônio, descapitalização da sociedade. É uma desorganização sistêmica. A reforma do sistema financeiro global (e nacional no Brasil) constitui o desafio central. Enriquecimento sem a contrapartida produtiva, “unearned income” na terminologia inglesa, gera rentistas ricos e economias travadas. Em uma dezena de páginas, o relatório da Oxfam sistematiza a situação explosiva atual. São dados extremamente confiáveis, um documento essencial para entender as tensões atuais. Acesse neste link: https://www.oxfam.org.br/sites/default/files/economia_para_99-sumario_executivo.pdf, o sumário executivo do relatório da OXFAM(em português, 13p.) E, se preferir, confira a íntegra do relatório (50 p.) em: https://www.oxfam.org.br/sites/default/files/economia_para_99-relatorio_completo.pdf

4. Liz-Rejane Issberner and Philippe Léna (Eds.) – Brazil in the Anthropocene: conflicts between predatory development and environmental policies – New York, Routledge, 201, 368p.- ISBN 978-1-138-684201 and 978-1-315-54406-9
Na obsessão pelo crescimento do PIB, do aumento do simples volume de produção de bens e serviços, as forças dominantes em termos políticos e econômicos tendem a passar por cima de um desafio evidente: estamos liquidando o capital natural que nos sustenta. O PIB, inclusive, sequer contabiliza a descapitalização, esbanjar ou contaminar água ou liquidar a cobertura florestal inclusive aumentam o PIB. Trata-se de bom senso, estamos destruindo o nosso próprio futuro. A reconciliação entre os interesses econômicos e os interesses humanos sistêmicos e de longo prazo constitui um desafio fundamental, aqui analisado nas suas diversas dimensões, em 16 artigos que focam especificamente o caso do Brasil. Confira o capítulo de Dowbor “Financing Development: where has all the money gone?” (em inglês, 21 p.), clicando aqui: http://dowbor.org/2017/02/ladislau-dowbor-financing-sustainability-where-has-all-the-money-gone-fevereiro-2017-21-p.html/

5. Luciano Prates Junqueira e Maria Amélia Corá (Orgs.) – Redes e intersetorialidade – 2017 – 296p.

As transformações planetárias se aceleram, mas a tendência é utilizarmos as mesmas categorias de análise de sempre. Os processos sociais estão se deslocando. O principal fator de produção, o conhecimento, é imaterial e o seu uso não reduz o estoque. O paradigma do raciocínio econômico se desloca assim da competição (bens rivais, propriedade privada) para a colaboração (bens não rivais, o conhecimento compartilhado se multiplica). A conectividade planetária, para além do Face e semelhantes, gera um imenso potencial de articulação direta entre atores sociais sem precisar de intermediários. Os principais setores econômicos já não são indústria e agricultura, mas sistemas de intermediação como as finanças, e as políticas sociais como saúde e educação. Um outro paradigma de gestão social está emergindo. As pessoas estão aprendendo, aos poucos pois as tecnologias avançam muito mais rapidamente do que a nossa cultura de trabalho, a trabalhar em rede. A presente coletânea reuniu pesquisadores que mostram como a colaboração em rede transforma as formas de organização dos diversos setores de atividade. O volume está disponível na íntegra online, em Creative Commons (confira aqui). Coerente. Confira a íntegra do livro em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/Redes-sociais-e-intersetorialidade-com-capa.pdf E acesse o capítulo de Dowbor “Articulações em rede na era do conhecimento” no link: http://dowbor.org/2017/01/ladislau-dowbor-articulacoes-em-rede-na-era-do-conhecimento-30p.html/

6. Ladislau Dowbor – Governabilidade e Descentralização – 1994 – 20p.

O trecho abaixo é a reapresentação de um artigo publicado em 1994, para a Revista Paraná Desenvolvimento que encontrei recentemente. Interessante notar a atualidade deste artigo, escrito há vinte e cinco anos. Centrado na erosão da governança do país, ajuda a entender as dinâmicas atuais. Esqueça os números, como PIB e outros, são de outra época. Mas a lógica das nossas deformações é persistente. Em 1992, na redação do artigo, eu comentava: “É indiscutível que o vertiginoso processo de mudança que nos atinge neste fim de século, em particular nas áreas da tecnologia, das polarizações econômicas, da urbanização acelerada, do redimensionamento dos espaços do nosso desenvolvimento nos obriga a recolocar o problema da governabilidade de forma mais ampla. Já não bastam pequenas alterações de organogramas, é a própria lógica do Estado que tem de ser repensada. No Brasil a discussão do tema tem sido prejudicada com uma atitude simplista: como as instituições encontram-se inadaptadas ao processo moderno de mudança, propõe-se a privatização. Em vez de buscar soluções, busca-se encolher o problema. O texto que segue tenta ultrapassar as simplificações, e coloca a questão em termos de redimensionamento da relação entre o Estado e a sociedade. A proposta é de uma evolução para a democracia participativa, baseada na descentralização ampla das decisões públicas, no reforço da organização comunitária, e na democratização do acesso à informação.” Confira a íntegra do artigo: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/1994/01/Governabilidade-e-Descentraliza%C3%A7%C3%A3o-1994.pdf

7. Yamila Goldfarb – El golpe institucional em Brasil y las transformaciones en las politicas de desarrollo para el campo – Revista Nueva Sociedade – oct. 2016

Artigo curto e bem informado artigo de Yamila Goldfarb sobre a desarticulação das políticas rurais no Brasil. O mundo rural precisa ser visto de maneira integrada, com impactos sociais e econômicos, e não só em termos de capacidade de exportação. Em espanhol (2p.) publicado pelo Nueva Sociedad. Confira a íntegra aqui: http://dowbor.org/2017/01/yamila-goldfarb-el-golpe-institucional-en-brasil-y-las-transformaciones-en-las-politicas-de-desarrollo-para-el-campo-nueva-soeciedad-oct-2016.html/


8. Pra que tanta ganância e correria se ninguém veio aqui para ficar? vídeo, 3 minutos

O Nordeste parece que é mais feliz, ou em todo caso encara estas nossas dinâmicas patéticas numa boa. Em happy hour, publicamos um repente que expressa a filosofia popular, gozação no lugar certo. Francamente, em termos de filosofia de vida, acho melhor que Kant e Spinoza. Quem souber o nome dos cantores, agradeço a informação. Confira, reflita e divirta-se em: http://dowbor.org/2017/01/para-que-tanta-ganancia-e-correria.html/

17.02.2017
Ladislau Dowbor

(128) Ladislau Dowbor
07 - 01 - 2017
email

Dicas do Dowbor (novembro)

Caros e caras: quem não fica espantado com o ritmo de mudanças no mundo? Aqui se dizia que temos uma democracia estável, e agora é só ver a dimensão das ameaças. Nos EUA, uma ameaça incomparavelmente maior, com racistas declarados em postos chave. Enquanto a Europa se cobre de arame farpado, a Inglaterra rompe com a UE, rufam tambores de guerra, somem do mapa as tentativas de colocar um mínimo de ordem na zona financeira planetária. O mundo se globalizou e não temos governo global, apenas descontrole e recuo generalizado dos processos e direitos democráticos. Enfim, aí vão algumas leituras interessantes:


1. Ladislau Dowbor – Os irresponsáveis no poder: desmontando o conto da dona de casa (novembro- 2016 – 4p.) - Você provavelmente se sente perplexo frente à situação econômica do país. Está em boa companhia. Quem é que entende de resultado primário, de ajuste fiscal e outros termos que povoaram os nossos noticiários? A imensa maioria balança a cabeça de maneira entendida, e faz de conta. Pois vejam que realmente não é complicado entender, é só trocar em miúdos. E com isso o rombo fica claro. Aqui vai a conta explicitada, não precisa ser economista ou banqueiro. E usaremos os dados do banco central, a partir da tabela original, pois confiabilidade, nesta era melindrada, é fundamental. Confira a íntegra em: http://dowbor.org/2016/11/dowbor-os-irresponsaveis-no-poder-desmontando-o-conto-da-dona-de-casa-novembro-2016.html/

2. Arthur R. Kroeber - China´s Economy (Oxford University Press, 2016, 320 p.): Kroeber não é mais uma pessoa que passou um tempo na China e escreveu um livro. Vivendo em Beijing e Nova Iorque, editor do China Economic Quarterly, reúne tanto conhecimento técnico como vivência e familiaridade cultural num livro de excepcional qualidade. Quase uma pessoa em cada cinco no planeta é chinesa. E lembremos que a China em 30 anos tirou 680 milhões de pessoas da pobreza, representando ¾ da redução mundial da pobreza. O pouco que sabemos sobre como funciona este país, em particular considerando os seus impressionantes avanços, é simplesmente uma vergonha. Vergonha aliás em particular para a nossa mídia, onde a editoria internacional se resume basicamente à última explosão no oriente médio e à foto do dia do presidente dos EUA. Não é possível continuarmos com este grau de desconhecimento. Eu já estive três vezes na China, acompanho as suas transformações, e o presente livro me convence. Confira a resenha em http://dowbor.org/2016/11/arthur-r-kroeber-chinas-economy-oxford-oxford-university-press-2016-isbn-978-0-19-023903-9-320-p.html/

3. Liz-Rejane Issberner e Philippe Léna (orgs) - Brazil in the Anthropocene: conflicts between predatory development and environmental policies (Routledge, 2017, 368 p): Our challenges are unfortunately easy to define: we are facing the necessary paradigmatic change in the way we deal with the planet, and this means we have to use our resources to fund another type of development; and we must make sure that this development is for everyone. We have the technologies, the money, and people who know how to go about it. But we do not have the corresponding political power and decision process. During 2015 we have seen in Addis Ababa, in New York and in Paris that people are very much aware of what should be done. And much is being done. But the time window we have both in the environmental and the social areas is short, and change is desperately slow. The October 2015 UNEP report states this in simple words: “To achieve the sustainable development we want will require a realignment of the financial system with the goals of sustainable development.” Dowbor: Financing Sustainability: Where has all the money gone? (Capítulo 13, 17 p): https://www.routledge.com/Brazil-in-the-Anthropocene-Conflicts-between-predatory-development-and/Issberner-Lena/p/book/9781138684201

4. Guia ilustrado da privatização da democracia no Brasil (Vigência, IIEP, apoio Oxfam – 2016, 35 p.). No nosso sistema educacional nunca tivemos uma aula sobre a moeda, sobre como funciona a economia. E no oligopólio da mídia, aparecem apenas fragmentos distorcidos em função de interesses. Um grupo de pesquisadores elaborou um folheto de 35 páginas, com ilustrações, visando trazer uma visão sistêmica, elencando alguns dos principais desafios: alimentos, biossegurança, educação, finanças, juros, meio ambiente, mídia, segurança e setor imobiliário. Com apresentação gráfica transparente, o folheto ajuda a entender o conjunto, a formar uma informação embasada. Excelente material para trabalhar no sistema de ensino ou em movimentos sociais. Disponível online, gratuito. Os capítulos são assinados por pessoas reais, pesquisadores, e não por uma máquina de interesses corporativos. No mínimo, ajuda como contrapeso às bobagens divulgadas na grande mídia. Dowbor participa dos capítulos sobre Juros e Finanças (p. 22 a 25). Confira a íntegra da cartilha em: http://www.vigencia.org/wp-content/uploads/2016/08/vigencia_miolo_web2.pdf

5. Entrevista Dowbor – Estamos destruindo o mundo por uma minoria (TV Diálogos do Sul – 2016 – 1h): Entrevista concedida em 20 de outubro, ao programa Diálogos do Sul, exibida na Rede Cidade Livre Comunicação Comunitária, explicando como funciona a ditadura global do capital financeiro. Confira a íntegra em: http://dowbor.org/2016/10/entrevista-dowbor-tv-dialogos-do-sul-2016-1h.html/

6. Dowbor: El capitalismo cambió las reglas, la política cambió de lugar , publicado na revista Nueva Sociedad (2016, 2p.). Aquello que eran deformaciones fragmentarias, penetraciones puntuales a través de lobbies, de actos de corrupción y de «puertas giratorias» entre el sector público y el privado, pasó a cobrar un mayor volumen y se convirtió por ósmosis en poder político articulado dentro del cual el interés público es algo que aflora solo por momentos, y siempre a raíz de los prodigiosos esfuerzos de las manifestaciones populares, o de frágiles artículos en la prensa alternativa, o de algún que otro político independiente. Confira a íntegra em: http://dowbor.org/2016/10/dowbor-el-capitalismo-cambio-las-reglas-la-politica-cambio-de-lugar-nueva-sociedad-2016-2p.html/

7. Austeridade e Retrocesso, vários autores, 2016: O governo atual navega numa farsa relativamente tanto às causas da crise quanto às medidas necessárias. Austeridade, que reduz a demanda, vai recuperar a economia? Os gastos sociais quebraram o governo? Aqui uma excelente sistematização das informações básicas sobre as dinâmicas reais. "Esse documento procede a uma análise das finanças públicas e política fiscal no Brasil, procurando esclarecer as principais causas da atual crise fiscal, assim como desconstruir simplificações e mitos, muitos dos quais baseados em argumentos econômicos supostamente técnicos que sustentam a austeridade." Um documento essencial, nada que um leigo informado não possa acompanhar. Confira a íntegra em: http://dowbor.org/2016/11/austeridade-e-retrocesso-outubro-2016-50-p.html/

8. E não deixem de assistir Snowden, em cartaz, filme de Oliver Stone, muito bem montado, que apresenta um dos desafios mais importantes e subestimados da atualidade: a universalização e individualização do sistema de informações sobre todas as pessoas do planeta, utilizando os nossos computadores, celulares, comunicações no facebook ou outros meios sociais, pesquisas no google, compras no cartão etc. Está se gerando a sociedade do controle e vigilância (surveillance). É filme, mas acompanha rigorosamente o histórico do processo. E não é coisa “lá de cima”: na era do poder corporativo, implica na perda de um emprego, no seguro mais caro, na negação de um crédito. Deep Mind da Google, para dar um exemplo (não está no filme), adquiriu do sistema de saúde britânico o acesso às fichas médicas de toda a população, e tem acordos de colaboração com a NSA americana e a GCHQ britânica. Confira o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=0105x3llAcA

Em tempo: as recomendações de leitura dos meses anteriores podem ser encontradas no Mural em http://dowbor.org/mural/. Faça circular esta nota, temos de divulgar os bons estudos que aparecem. Lembre que as pessoas podem se inscrever pelo blog para receber estas notícias: http://dowbor.org/ ou pelo e-mail contato@dowbor.org

Abraços,
Ladislau Dowbor
28.11.2016

(127) Ladislau Dowbor
18 - 10 - 2016
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Caros/as

Eu agradeço mensagens pelo dia do professor. Não é fácil. O Congresso está discutindo repatriamento de "Recursos não regularizados" (Panamá etc.). Este é o nome dos US$ 520 bi, cerca de 30% do PIB. A fonte é evasão fiscal, corrupção, dinheiro de drogas etc. Sítio em Atibaia seria corrupção. Mas a sangria geral para paraísos fiscais é "recurso não regularizado". Como é que eu explico isto? Mas, vamos às leituras (um pouco mais extensas, atropelados pelos acontecimentos pulamos o mês de setembro):

1. Governança corporativa: O caótico poder dos gigantes financeiros – revisão setembro 2016 (30p).

O que muda quando corporações se tornam mais gigantescas do que os Estados? O poder mundial realmente existente está em grande parte na mão de gigantes que ninguém elegeu, e sobre os quais há cada vez menos controle. São trilhões de dólares em mãos de grupos privados que têm como campo de ação o planeta, enquanto as capacidades de regulação mundial mal engatinham. Pesquisas recentes mostram que 147 grupos controlam 40% do sistema corporativo mundial, sendo 75% deles bancos. Cada um dos 28 gigantes financeiros gere em média 1,8 trilhão de dólares, mais do que o PIB do Brasil, oitava potência econômica mundial. O poder hoje se deslocou radicalmente. Confiram no link abaixo a recente atualização do artigo de Dowbor: http://dowbor.org/2016/09/ladislau-dowbor-o-caotico-poder-dos-gigantes-financeiros-novembro-2015-16p.html/


2. Vídeo da Aula Pública com Ladislau Dowbor, no vão do Masp, sobre como foi travada a economia brasileira, e quais são as alternativas. Forma inovadora de disseminar ideias, iniciativa de professores da USP-Leste, no quadro do movimento Democracia na Real. Você pode assistir a aula completa de uma hora, ou segmentos sobre diversos mecanismos. Veja em particular como funcionam “os quatro motores da economia”. Economia é assunto de todos nós, não de economistas apenas. Confira a íntegra do vídeo (1h) em: http://dowbor.org/2016/10/pec-241-aula-publica-democracia-na-real-masp-04-08-2016.html/


3. O depoimento de Dowbor ao Memorial da Resistência de São Paulo faz parte de uma importante iniciativa de resgate do que foram os anos de luta dos anos 1960 e 1970. Há muitos livros sobre o assunto, mas é bom ouvir diretamente um participante ativo do processo. A gravação de excelente qualidade permite mergulhar nesta reconstituição de forma tranquila e, apesar de tudo, bem humorada. A íntegra da entrevista pode ser conferida em quatro partes: 1. Indignação e resistência, 2. Tempos de luta armada e a violência da repressão, 3. Exílio e reconstrução da vida, 4. A luta por um mundo decente continua. Confira o depoimento em: http://dowbor.org/2016/10/depoimento-dowbor-memorial-da-resistencia-de-sao-paulo.html/


4. Criança e Consumo: 10 anos de Transformações, organizado por Lais Fontenelle (Org.).

A criança é uma frágil construção, à mercê de valores familiares e sociais, das tecnologias que invadem seus espaços, das mensagens marteladas pela mídia, das tensões geradas pela desigualdade e pela insegurança do entorno. Recomendo muito a leitura do livro "Criança e Consumo" sobre este mundo estranho que criamos para a criança, manipulada desde os primeiros meses para ser antes de tudo consumidora, objeto comercial de uma máquina de geração de lucros, e cada vez mais desorientada pelas pressões contraditórias. O meu capítulo “Reflexões atuais sobre cidades, família e escola: impactos na vida das crianças e do planeta”, encontra-se nas páginas 75-94 e pode acessado no link: http://criancaeconsumo.org.br/wp-content/uploads/2014/02/Crianca-e-Consumo_10-anos-de-transformacao.pdf


5. Geopolítica das Cidades: velhos desafios, novos problemas, organizado por Renato Balbim.

Com a virada do milênio, as cidades passaram a abrigar a maior parte da população mundial. As áreas rurais também dependem das cidades regionais. Só se fala em globalização, mas é nas cidades que se pode construir a qualidade de vida do nosso cotidiano. A gestão local é o grande recurso subutilizado da política em geral, pelo potencial que apresenta de participação direta das populações. Escrito com vista à cúpula mundial das cidades, Habitat III em Quito em 2016, esta coletânea apresenta uma excelente sistematização dos desafios e dos potenciais. O texto completo é de livre acesso em pdf. O capítulo de Ladislau Dowbor, Políticas urbanas e participação: o resgate da democracia pela base, está nas páginas 25 a 54. Confira a versão em português: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/161005_a_geopolitica.PDF e em inglês:
http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=28689&catid=394&Itemid=406


6. A Crise Brasileira: coletânea de contribuições de professores da PUC/SP, organizada por Ladislau Dowbor e Marcelo Mosaner.

A crise em que o Brasil foi lançado a partir de 2013/2014 levou a grandes gritarias ideológicas, mas pouca análise, e muito menos ciência. Os professores de economia da PUC-SP decidiram trazer dados básicos e uma visão analítica, para ajudar as pessoas a entender o drama. Qual a lógica que preside ao fato que o PIB do país caiu 3,8% mas o Banco Itaú viu os seus lucros crescer em 30,2%? Como se pode associar a crise às políticas redistributivas, quando o Bolsa família representa apenas meio por cento do PIB, enquanto transferências para bancos e outros setores financeiros com a absurdamente elevada taxa Selic atingem 8,5% do PIB, quase um terço do orçamento? Este livro é uma crônica de uma história mal contada, com várias interpretações, mas com o objetivo comum de sair da política absurda que se instalou. Confira o capítulo de Dowbor em: http://dowbor.org/2016/08/ladislau-dowbor-resgatando-o-potencial-financeiro-do-pais-versao-atualizada-em-04082016-agosto-2016-47p.html/


7. Diálogos no interior da casa comum: recepções interdisciplinares sobre a Encíclica Laudato Si, organizado por João Décio Passos.

A encíclica Laudato Sí, do Papa Francisco, é um documento de referência sem dúvida para os católicos, mas uma inspiração para todos, pela mensagem humana, e pela importante conjugação da visão de se preservar o nosso planeta, de enfrentar as desigualdades e de nos armarmos com valores humanistas. O livro “Diálogos no interior da casa comum” reúne um conjunto de reflexões sobre o tema, com aportes de Carlos Josaphat, Fernando Altemeyer Junior, João Décio Passos, Marcelo Perine, Edgard de Assis Carvalho, Marijane Vieira Lisboa, Wagner Lopes Sanchez, Lisâneos Francisco Prates, Alex Villas Boas, Luiz Eduardo Wanderley, Wagner Balera. O meu capítulo, a governança do sistema: os meios e os fins, traz a dimensão do processo decisório, das medidas práticas que temos de tomar para que as coisas aconteçam. Acesse aqui o capítulo de Dowbor http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/16-Lafayette-Captura-do-poder-pelas-corpora%C3%A7%C3%B5es.doc

8. Dilip Hiro: US power at the crossroads: a snapshot of a multipolar world in action.

Sucinta, mas rica avaliação dos rearranjos em curso em termos de poder internacional, impactando em particular a supremacia americana. Dilip Hiro analisa a presença geopolítica da Rússia, com a atuação na Crimeia e o papel desempenhado no Oriente Médio, tornando-se interlocutor necessário. A RT Rússia coloca o país pela primeira vez na comunicação mundial, com RT América, RT UK e outras línguas internacionais. A aproximação com a China faz parte deste redesenho. A China por sua ultrapassa pela primeira vez os EUA em volume de comércio exterior (US$3,9 tri), mostra presença ao abrir transporte ferroviário de carga (Yiwu-Madrid 16 mil milhas!) e conexões dutoviárias e marítimas em expansão, além dos acordos comerciais e políticos com a Rússia. Uma excelente análise da geração de novos equilíbrios multipolares. Confira o artigo no site Truthout: http://www.truth-out.org/news/item/37943-us-power-at-the-crossroads-a-snapshot-of-a-multipolar-world-in-action Veja o link da tradução em português no site Outras Palavras: http://outraspalavras.net/destaques/a-farra-acabou-tio-sam/


9. Filme: 13th Amendment de Ava DuVernay no Netflix.

Um documentário extremamente bem realizado e realista sobre como se expressa e se organiza o racismo no Estados Unidos. Uma visão histórica de como se desenvolveram os movimentos e uma análise estrutural sobre o racismo em um país que tem 5% da população mundial, 25 % da população carcerária do mundo, dos quais ampla maioria é composta por homens jovens e negros. No pano de fundo, a obviedade de que as chamadas "minorias" já se tornaram maiorias no país. O que pensará a minoria branca? Um choque de realismo e excelente realização técnica e científica.

Lembre que você pode acessar dicas de leituras dos meses passados no Mural do meu blog, e acessar resenhas em Dicas de Leitura. E vejam que vários livros aqui mencionados estão disponíveis online e gratuitamente na íntegra. O pessoal está se dando conta da nova lógica da comunicação científica.

Ladislau Dowbor,
19.10.2016


(126) Ladislau Dowbor
21 - 08 - 2016
email

Dicas do Dowbor
21.08.2016

Caros/as

Em plena Olimpíada, está se jogando um jogo muito mais dramático, com o retrocesso social, cultural e econômico do país. Somos espectadores impotentes de movimentos de cúpula onde o processo democrático simplesmente desapareceu. Olhamos espantados, cada dia surpresos com mais uma medida. Roberto Malvezzi resume bem: “Desmonte do SUS em favor da medicina privada; modificações draconianas para o povo na previdência social em favor da previdência privada; modificações dos tempos da revolução industrial na legislação trabalhista em favor do capital privado; entrega do Pré-Sal; desmonte da educação pública – inclusive universidades – em favor da educação privada; entrega das terras públicas aos estrangeiros; repressão dos movimentos sociais; supressão de verbas para pesquisas científicas; crescimento da intolerância fascista” e por aí vai. Um Congresso eleito pelo dinheiro das corporações, prática já declarada inconstitucional pelo STF, faz de tudo para servi-las. Mas vamos às leituras:


1. L. Dowbor - The Rules of the Global Game - Culture Report, EUNIC 2016 - ISBN:978-3-95829-198-0
Para quem gosta dos Jogos Olímpicos, e para quem não gosta, escrevi um artigo curto e bem humorado, sobre como funciona o circo muito mais amplo, a chamada sociedade humana. E é permanente, não se limita a uma vez a cada quatro anos. A competição é pela política mais idiota, a corporação mais poderosa, o crédito mais predatório, o paraíso fiscal mais generoso, a publicidade mais invasiva. Divirta-se. O artigo circula em inglês e em alemão em mais de 100 países, através do Culture Report anual da União Europeia (EUNIC 2016 - ISBN:978-3-95829-198-0). Pelo menos o senso de humor eles não perderam. Confira em: http://dowbor.org/2016/08/l-dowbor-the-rules-of-the-global-game-culture-report-eunic-2016-isbn978-3-95829-198-0.html/


2. L. Dowbor, Resgatando o poder do sistema financeiro do país (atualização em agosto, 2016, 47 p.),

A pesquisa que estamos desenvolvendo sobre a deformação do sistema financeiro no país – causa direta e principal da crise que vivemos – prossegue. Acrescentamos a avaliação dos fundos complementares de pensão, que manejam cerca de 730 bilhões (13% do PIB) e que fossem investidos no fomento econômico, como deveriam fazer, gerariam emprego, produto e impostos. No caso, o COPOM os autoriza a aplicar a totalidade dos recursos na dívida pública, e são estes juros, que saem dos nossos impostos, que financiam estas aposentadorias. Continuo recebendo material, em particular do Roosevelt Institute dos EUA, onde Gerald Epstein desenvolve pesquisa muito semelhante, e mostra como mecanismos diferentes levam também à desorganização econômica e política naquele país. Acessem a íntegra do artigo atualizado aqui: http://dowbor.org/2016/08/ladislau-dowbor-resgatando-o-potencial-financeiro-do-pais-versao-atualizada-em-04082016-agosto-2016-47p.html/



3. Gerald Epstein and Juan Antonio Montecino – Overcharged:the high cost of high finance– The Roosevelt Institute, July 2016 - http://rooseveltinstitute.org/overcharged-high-cost-high-finance/

A deformação geral das economias pelo sistema financeiro está se tornando hoje o elefante no meio da sala. É essencial para entender a atual crise no Brasil, mas também o travamento da economia norte-americana nas últimas décadas. Gerald Epstein e Juan Antonio Montecino publicaram um estudo aprofundado de como o processo se dá no sistema financeiro americano, mostrando que nas suas diferentes dimensões, em vez de financiar a economia, drena os recursos das atividades produtivas e trava o desenvolvimento. Em termos metodológicos, o estudo aproxima-se muito do exercício que estamos desenvolvendo aqui para o Brasil, Resgatando o potencial financeiro do país. O aporte dos autores é fundamental para entender as novas dinâmicas, e a metodologia adotada, que permite calcular os trilhões de dólares que o sistema financeiro custa à economia americana (custo líquido, descontados os aportes, portanto produtividade negativa) é uma grande ajuda às nossas pesquisas. Acesse resenha sobre o estudo em: http://dowbor.org/2016/08/l-dowbor-the-rules-of-the-global-game-culture-report-eunic-2016-isbn978-3-95829-198-0.html/



4. Joseph Stiglitz, Rewriting the rules of the American Economy (2015, 115p).

Disponível agora online na íntegra o relatório coordenado por Joseph Stiglitz, Rewriting the rules of the American Economy (2015, 115p). Já o tinha mencionado quando saiu, é um documento curto e de grande importância, pois os Estados Unidos enfrentam, em outro nível, desafios semelhantes, com um congresso controlado por uma direita irracional, desarticulação dos processos produtivos pelo sistema financeiro, concentração surrealista de fortunas no topo da pirâmide social, estagnação ou até regressão dos salários. O subtítulo, An agenda for growth and shared prosperity, define os objetivos: muitas das propostas, como taxação do capital improdutivo, reforma fiscal e outras medidas são evidentes e bem formulados, e apontam rumos que são igualmente necessários para nós. Uma ferramenta para a nossa realidade também. Acesse em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2015/06/report-stiglitz.pdf


5. Já estã no ar as traduções do nosso artigo A Captura do poder pelo sistema corporativo em inglês e em polonês:

The corporate capture of democracy (2016, 11p.): Corporate power has become systemic, capturing one by one the different dimensions of expression and exercise of power, and generating a new dynamic, or a new architecture of really existing power, political, economic and cultural. In this paper we will briefly cover a few basic mechanisms, sketching in a way what can be the emerging shape of the system. Deeply distorted ground rules continue being be presented as the result of a democratic and legitimate process, and indeed our Constitution states that all power emanates from the people. But rescuing the democratic processes of control and resource allocation today is a key challenge. Boaventura de Souza Santos speaks quite rightly of the need to strengthen democracy. But what we really need is to rescue it from the caricature it has become. Download: http://dowbor.org/2016/07/ladislau-dowbor-the-corporate-capture-of-democracy-july-2016-11p.html/


Przechwytywanie władzy przez system korporacyjny (2016, 11 str.): Ekspansja lobbies, kupowanie polityków, najazd na władzę sądowniczą, kontrola systemu informacji społeczeństwa i manipulacja pracami naukowymi to niektóre spośród najważniejszych instrumentów przechwytywania władzy politycznej przez wielkie korporacje. Ogół tych instrumentów stwarza jednak w ostatniej instancji potężniejszy mechanizm, który wiąże je z sobą i nadaje im systemowy charakter: jest nim zawłaszczanie rezultatów działalności gospodarczej za pośrednictwem kontroli finansowej spoczywającej w bardzo nielicznych rękach. Dynamiki władzy politycznej, ekonomicznej i kulturalnej ulegają reorientacji, generując nową konfigurację, która staramy się tu zbadać. To z nią właśnie musi uporać się społeczeństwo poszukujące nowych sposobów zarządzania. http://dowbor.org/2016/08/dowbor-przechwytywanie-wladzy-przez-system-korporacyjny-2016-11-str.html/




6. Neusa Serra e Hamilto Faria (Org), Economia solidária da cultura e cidadania cultural. Editora UFABC/Instituto Pólis, São Bernardo do Campo, 2016, ISBN 978-85-68576-46-5

Neusa Serra e Hamilton Faria coordenaram um livro muito interessante, Economia solidária da cultura e cidadania cultural. O que vive e se expande de maneira impressionante no Brasil é a prodigiosa criatividade popular, as iniciativas de jovens nas periferias, gente que hoje coloca produções criativas nas diversas mídias. Não é “indústria da cultura”, mas a busca da cultura e sua viabilização através de um conjunto de iniciativas colaborativas e solidárias. Este livro traz um conjunto de visões e experiências sobre estas novas dinâmicas. O capítulo de Dowbor, Economia solidária: novos paradigmas culturais no Brasil, está disponível em http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/15-Polis-Eco-da-cultura.doc




7. Emir Sader (Org), O Brasil que queremos (2016, 255p.)
Se o golpe parlamentar, que travou o Brasil, teve alguma utilidade foi de recolocar na mesa de discussões as grandes opções com as quais o Brasil se defronta. Neste pequeno volume, os organizadores conseguiram reunir 18 visões, incluindo uma apresentação com um desafio de Lula, uma análise de conjuntura do Emir Sader, explicitação das dimensões constitucionais de Dalmo Dallari, e uma série muito coerente de textos sobre os rumos necessários nas áreas da economia (Belluzzo) e finanças (Dowbor), com Ricardo Lodi sobre a tributação, Luiz Pinguelli sobre as opções energéticas, Celso Amorim sobre a política externa, Tereza Campello sobre o combate à pobreza, Márcio Pochmann sobre políticas educacionais, Alexandre Padilha sobre direitos à saúde, Luiz de Carvalho sobre política ambiental, Marilena Chauí sobre política cultural, Bernardo Fernandes sobre política agrária, Marcia Tiburi sobre gênero, Nilma Gomes sobre igualdade racial, Renato Rovai sobre democracia e comunicação e, para ajuda geral, visão de utopia de Leonardo Boff. Uma ferramenta de trabalho para todos nós, excelente painel sobre os nossos grandes desafios. O volume está sendo lançado em diversos eventos pelo Brasil. O capítulo de Dowbor, “A economia travada pelos intermediários financeiros” (word-11p.), provisoriamente, pode ser acessado em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2016/07/16-BANCOS-Emir-10-p..doc

8. Não esquecendo do cinema, busquem Demain, (2016) um documentário genial em termos de novos rumos de organização econômica e social, exemplos de diversas partes do planeta, uma grande ferramenta de trabalho. Confira o trailer em www.demain-lefilm.com . O filme ainda está difícil de achar. Agradeço dicas.

Em tempo: as recomendações de leitura dos meses anteriores podem ser encontradas no Mural em http://dowbor.org/mural/. Faça circular esta nota, temos de divulgar os bons estudos que aparecem. Lembre que as pessoas podem se inscrever pelo blog para receber estas notícias: http://dowbor.org/ ou pelo e-mail contato@dowbor.org

Abraços,
Ladislau Dowbor
21.08.2016



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