Mural de recados
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(130) Ladislau Dowbor
11 - 04 - 2017
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Dicas do Dowbor - Abril 2017

Caso não esteja visualizando, acesse aqui.



O golpe que ia restabelecer a normalidade (na visão das elites do que é normalidade) está na realidade afundando o país. Duas páginas sobre os juros ajudam a entender. Nos outros textos, temos pelo menos a consolação de que as coisas não estão dando certo em muitos lugares, não estamos sozinhos na desgraça. Isto na realidade ajuda a entender a lógica do processo. Finalizamos estas dicas com o texto otimista, inclusive no título, que é o relatório mundial sobre a felicidade. Pelo menos estão medindo o que realmente importa. E para não esquecer, veja o link de excelente documentário sobre a ditadura.



1. Ladislau Dowbor: O escândalo dos juros - março 2017 - 2p.

O volume de recursos extraídos da economia por meio dos juros é absolutamente escandaloso, e não encontra paralelo no mundo. Aqui, em pouco mais de uma página, os dados básicos, qualquer um que já se endividou entenderá. A base são informações oficiais tais como publicadas pelo Banco Central, sobre “Operações de crédito do sistema financeiro”, e anexamos a própria nota do Banco para que possam ser checados, precaução necessária nesta era de ceticismos com números. Leia a íntegra em: http://dowbor.org/2017/03/o-escandalo-dos-juros.html/



2. Joseph E. Stiglitz e Mark Pieth: Superando a Economia Paralela – Friedrich Ebert Stiftung – Fev. de 2017 – 36 p.


Um artigo demolidor e muito bem documentado sobre os paraísos fiscais, por parte de dois especialistas, tanto Mark Pieth por seus estudos, como Joseph E. Stiglitz que começou a luta com os fluxos ilegais quando era economista-chefe no Banco Mundial. O ponto de partida é simples:enquanto houver territórios onde os recursos ficam em sigilo e não pagam impostos, ou não precisam explicar origem, os recursos financeiros fluirão naturalmente nesta direção. A desorganização é compreensível: “A globalização resultou em uma economia global, mas não em um governo global.” O estudo mostra que não se trata de dinheiro que escapa do sistema e se esconde, e sim de um mecanismo que deforma o conjunto do sistema que passa a trabalhar na opacidade. Leitura essencial, a Friedrich Ebert presta um excelente serviço ao apresentar este estudo em português. Lembremos que o Brasil tem em paraísos fiscais mais de 500 bilhões de dólares. Acesse o artigo em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2017/04/17-Stiglitz-Pieth-Paraisos-fiscais-33p.pdf



3. Thomas Piketty, Emmanuel Saez and Gabriel Zucman: A tale of two countries – 6 December 2016 – Washington Center for Economic Growth (em inglês, 3p)


Um texto curto e de excepcional qualidade traz o estudo de três pesquisadores importantes sobre as formas de irmos além da cifra grosseira que representa o PIB, construindo o que chamaram de ‘distributional national accounts’, metodologia que permite avaliar não só os fluxos brutos mas como evolui a renda dos 50% mais pobres, do 10% mais rico e dos 40% no meio que qualificam de classe média. “Os nossos dados mostram que a metade na base inferior de distribuição de renda nos Estados Unidos foi completamente cortada do crescimento econômico desde os anos 1970. De 1980 a 2014 a renda média nacional por adulto cresceu 61% nos Estados unidos, no entanto a renda média antes da tributação dos 50% de baixo de ganhadores de renda individuais (individual income earners) estagnou em cerca de US$16,000 por adulto ajustados à inflação . Em contraste, a renda explodiu (skyrocketed) no topo da distribuição de renda, subindo 121% para os 10% no topo, 205% para o 1% no topo, e 636% para o 0,001% no topo”. Texto curto, simples e explícito que além de mostrar o absurdo dos ganhos de renda sobre aplicações (e não de produção) no topo da pirâmide social e a consequente desigualdade, aponta para as mudanças necessárias na contabilidade nacional.

Acesse a íntegra em: http://equitablegrowth.org/research-analysis/economic-growth-in-the-united-states-a-tale-of-two-countries/



4. The Guardian: Revealed: the huge profits earned by big banks on overseas money transfers – (em inglês, 1p.)

As tarifas cobradas pelos bancos no Brasil representam uma vez e meia a sua folha de pagamentos. São incorporadas de diversas maneiras.O Guardian teve acesso a um relatório do Santander mundial, sobre o que cobram por transferências de dinheiro. Por exemplo para transferir 10 mil libras do Reino Unido para Espanha, cobram 394 euros, enquanto uma simples agência, TransferWise, cobraria 64 euros. Os custos do Santander são disfarçados na manipulação da taxa de câmbio (rate mark-up). Comenta Taavet Hinrikus: "É uma achacamento massivo dos clientes (massive consumer rip-off) mas o documento do Santander não me supreende. O que sim me surpreende, é quanto tempo eles conseguiram se safar com isso". Do Guardian, 1p. em inglês. Aliás, o que os bancos cobram no Brasil sobre qualquer transferência que nós mesmos operamos, inclusive dentro do país, é indecente.

Confira a íntegra em: https://www.theguardian.com/money/2017/apr/08/leaked-santander-international-money-transfers-transferwise?utm_source=esp&utm_medium=Email&utm_campaign=GU+Today+main+NEW+H+categories&utm_term=220922&subid=7697369&CMP=EMCNEWEML6619I2




5. World Happiness Report 2017 - John Helliwell, Richard Layard and Jeffrey Sachs - 188 p.

Muito interessante e sério o relatório mundial sobre a felicidade, pesquisa em 150 países. Países mais igualitários estão no topo (Noruega, Canada...), EUA recuam para 15 lugar (aumentou PIB mas caiu o bem estar) e o Brasil (de antes do golpe) ocupa ranking 22. Boas análises sobre emprego e outros, confira os capítulos China e EUA têm capítulos individuais. Veja o documento completo online, gratuito e em inglês aqui: http://worldhappiness.report/wp-content/uploads/sites/2/2017/03/HR17_3-20-17.pdf Leia também o comentário sobre o relatório no The Guardian (2p): https://www.theguardian.com/world/2017/mar/20/norway-ousts-denmark-as-worlds-happiest-country-un-report?CMP=share_btn_fb




6. O dia que durou 21 anos - filme de Camilo Tavares

Este filme sobre a fase da ditadura instalada em 1964 é muito rico. A que ponto isto pode parecer pré-história para muita gente, irrelevante nas condições atuais ou, pelo contrário, repetição? Em todo caso, golpe no Brasil não é novidade, tudo em nome da democracia. Podemos restabelecer a democracia, mas se a usarmos dão golpe. Temos um século deste vai e vem político. O ceticismo de muitos tem suas razões.

O filme está disponível no youtube em: https://www.youtube.com/watch?v=v-HhhdgYOaA&feature=youtu.be&app=desktop


Ladislau Dowbor
11.04.2017

(129) Ladislau Dowbor
17 - 02 - 2017
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Dicas do Dowbor - Fevereiro 2017

Tristeza profunda com a morte da Dona Marisa. Quanta covardia e calhordice nos ataques a ela, ao Lula. Quanta mesquinharia contra quem tanto contribuiu para o Brasil. Aqui minha admiração e solidariedade neste momento difícil. A luta continua e a nossa melhor resposta é a luta pela retomada das conquistas.

Aqui, leituras que contribuem:

1. Ladislau Dowbor - Que crise é esta? – atualização em janeiro de 2017, 33 p.

Publicado originalmente na revista Ponto e Vírgula da PUC-SP, em fins de 2015, o presente artigo resume uma série de argumentos que tenho desenvolvido sobre a crise atual. Um círculo virtuoso em que a distribuição de renda por meio de um conjunto de programas permitiu simultaneamente expandir a demanda, tirando cerca de 50 milhões de pessoas da miséria, e estimular os investimentos e o emprego para satisfazê-la, parou de funcionar. O travamento desse processo a partir de fins de 2014 e de 2015 gera perplexidade. A raiz do travamento é sem dúvida política, mas os mecanismos utilizados são também econômicos. O presente artigo mostra a mudança do contexto internacional com o caos financeiro mundial, os nossos principais avanços econômicos e sociais, e finalmente como a financeirização internacional adotou formas específicas no Brasil, tornando-se o principal fator de paralisia, por meio do sistema de juros extorsivos. Confira a íntegra aqui:
http://dowbor.org/2017/01/ladislau-dowbor-que-crise-e-esta-ponto-e-virgula-revista-de-ciencias-sociais-puc-sp-2o-semestre-2015-16-p-issn-1982-4807.html/

2. Previdência: reformar para excluir? Contribuição técnica ao debate sobre a reforma da Previdência Social Brasileira – Brasília: DIEESE/ANFIP, 2017, 48p.

Finalmente temos um bom texto de referência sobre a reforma da previdência, construção que contou com a colaboração de numerosos especialistas, com sistematização final de Eduardo Fagnani da Unicamp. É uma ferramenta para todos nós. No caso, permite também uma melhor compreensão do quadro macro-econômico, pois “a reforma da Previdência proposta recentemente deve ser compreendida nesse contexto de aprofundamento das políticas de austeridade econômica, sendo a Previdência peça central do ajuste das contas primárias que se almeja com a instituição do “Novo Regime Fiscal”. Confira o documento- síntese de 48 páginas, atualizadíssimo (fevereiro de 2017), clicando aqui: http://plataformapoliticasocial.com.br/wp-content/uploads/2017/02/Previdencia_Doc_Sintese.pdf

3. Relatório da OXFAM: uma economia para os 99% - 13p.

Desigualdade parece tema batido. Mas não se trata apenas de injustiça: é um mecanismo que trava a economia, gera explosões sociais, desarticula a sociedade como um todo. Estamos muito além da mais-valia tradicional nas empresas produtivas. A mais-valia financeira permite explorar tanto governos com a dívida pública, quanto empresas e pessoas físicas, gerando uma classe de intermediários financeiros que não só não financiam a produção, o consumo e os investimentos públicos, os motores da economia, como os paralisam. Estamos na era da acumulação improdutiva de patrimônio, descapitalização da sociedade. É uma desorganização sistêmica. A reforma do sistema financeiro global (e nacional no Brasil) constitui o desafio central. Enriquecimento sem a contrapartida produtiva, “unearned income” na terminologia inglesa, gera rentistas ricos e economias travadas. Em uma dezena de páginas, o relatório da Oxfam sistematiza a situação explosiva atual. São dados extremamente confiáveis, um documento essencial para entender as tensões atuais. Acesse neste link: https://www.oxfam.org.br/sites/default/files/economia_para_99-sumario_executivo.pdf, o sumário executivo do relatório da OXFAM(em português, 13p.) E, se preferir, confira a íntegra do relatório (50 p.) em: https://www.oxfam.org.br/sites/default/files/economia_para_99-relatorio_completo.pdf

4. Liz-Rejane Issberner and Philippe Léna (Eds.) – Brazil in the Anthropocene: conflicts between predatory development and environmental policies – New York, Routledge, 201, 368p.- ISBN 978-1-138-684201 and 978-1-315-54406-9
Na obsessão pelo crescimento do PIB, do aumento do simples volume de produção de bens e serviços, as forças dominantes em termos políticos e econômicos tendem a passar por cima de um desafio evidente: estamos liquidando o capital natural que nos sustenta. O PIB, inclusive, sequer contabiliza a descapitalização, esbanjar ou contaminar água ou liquidar a cobertura florestal inclusive aumentam o PIB. Trata-se de bom senso, estamos destruindo o nosso próprio futuro. A reconciliação entre os interesses econômicos e os interesses humanos sistêmicos e de longo prazo constitui um desafio fundamental, aqui analisado nas suas diversas dimensões, em 16 artigos que focam especificamente o caso do Brasil. Confira o capítulo de Dowbor “Financing Development: where has all the money gone?” (em inglês, 21 p.), clicando aqui: http://dowbor.org/2017/02/ladislau-dowbor-financing-sustainability-where-has-all-the-money-gone-fevereiro-2017-21-p.html/

5. Luciano Prates Junqueira e Maria Amélia Corá (Orgs.) – Redes e intersetorialidade – 2017 – 296p.

As transformações planetárias se aceleram, mas a tendência é utilizarmos as mesmas categorias de análise de sempre. Os processos sociais estão se deslocando. O principal fator de produção, o conhecimento, é imaterial e o seu uso não reduz o estoque. O paradigma do raciocínio econômico se desloca assim da competição (bens rivais, propriedade privada) para a colaboração (bens não rivais, o conhecimento compartilhado se multiplica). A conectividade planetária, para além do Face e semelhantes, gera um imenso potencial de articulação direta entre atores sociais sem precisar de intermediários. Os principais setores econômicos já não são indústria e agricultura, mas sistemas de intermediação como as finanças, e as políticas sociais como saúde e educação. Um outro paradigma de gestão social está emergindo. As pessoas estão aprendendo, aos poucos pois as tecnologias avançam muito mais rapidamente do que a nossa cultura de trabalho, a trabalhar em rede. A presente coletânea reuniu pesquisadores que mostram como a colaboração em rede transforma as formas de organização dos diversos setores de atividade. O volume está disponível na íntegra online, em Creative Commons (confira aqui). Coerente. Confira a íntegra do livro em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/Redes-sociais-e-intersetorialidade-com-capa.pdf E acesse o capítulo de Dowbor “Articulações em rede na era do conhecimento” no link: http://dowbor.org/2017/01/ladislau-dowbor-articulacoes-em-rede-na-era-do-conhecimento-30p.html/

6. Ladislau Dowbor – Governabilidade e Descentralização – 1994 – 20p.

O trecho abaixo é a reapresentação de um artigo publicado em 1994, para a Revista Paraná Desenvolvimento que encontrei recentemente. Interessante notar a atualidade deste artigo, escrito há vinte e cinco anos. Centrado na erosão da governança do país, ajuda a entender as dinâmicas atuais. Esqueça os números, como PIB e outros, são de outra época. Mas a lógica das nossas deformações é persistente. Em 1992, na redação do artigo, eu comentava: “É indiscutível que o vertiginoso processo de mudança que nos atinge neste fim de século, em particular nas áreas da tecnologia, das polarizações econômicas, da urbanização acelerada, do redimensionamento dos espaços do nosso desenvolvimento nos obriga a recolocar o problema da governabilidade de forma mais ampla. Já não bastam pequenas alterações de organogramas, é a própria lógica do Estado que tem de ser repensada. No Brasil a discussão do tema tem sido prejudicada com uma atitude simplista: como as instituições encontram-se inadaptadas ao processo moderno de mudança, propõe-se a privatização. Em vez de buscar soluções, busca-se encolher o problema. O texto que segue tenta ultrapassar as simplificações, e coloca a questão em termos de redimensionamento da relação entre o Estado e a sociedade. A proposta é de uma evolução para a democracia participativa, baseada na descentralização ampla das decisões públicas, no reforço da organização comunitária, e na democratização do acesso à informação.” Confira a íntegra do artigo: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/1994/01/Governabilidade-e-Descentraliza%C3%A7%C3%A3o-1994.pdf

7. Yamila Goldfarb – El golpe institucional em Brasil y las transformaciones en las politicas de desarrollo para el campo – Revista Nueva Sociedade – oct. 2016

Artigo curto e bem informado artigo de Yamila Goldfarb sobre a desarticulação das políticas rurais no Brasil. O mundo rural precisa ser visto de maneira integrada, com impactos sociais e econômicos, e não só em termos de capacidade de exportação. Em espanhol (2p.) publicado pelo Nueva Sociedad. Confira a íntegra aqui: http://dowbor.org/2017/01/yamila-goldfarb-el-golpe-institucional-en-brasil-y-las-transformaciones-en-las-politicas-de-desarrollo-para-el-campo-nueva-soeciedad-oct-2016.html/


8. Pra que tanta ganância e correria se ninguém veio aqui para ficar? vídeo, 3 minutos

O Nordeste parece que é mais feliz, ou em todo caso encara estas nossas dinâmicas patéticas numa boa. Em happy hour, publicamos um repente que expressa a filosofia popular, gozação no lugar certo. Francamente, em termos de filosofia de vida, acho melhor que Kant e Spinoza. Quem souber o nome dos cantores, agradeço a informação. Confira, reflita e divirta-se em: http://dowbor.org/2017/01/para-que-tanta-ganancia-e-correria.html/

17.02.2017
Ladislau Dowbor

(128) Ladislau Dowbor
07 - 01 - 2017
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Dicas do Dowbor (novembro)

Caros e caras: quem não fica espantado com o ritmo de mudanças no mundo? Aqui se dizia que temos uma democracia estável, e agora é só ver a dimensão das ameaças. Nos EUA, uma ameaça incomparavelmente maior, com racistas declarados em postos chave. Enquanto a Europa se cobre de arame farpado, a Inglaterra rompe com a UE, rufam tambores de guerra, somem do mapa as tentativas de colocar um mínimo de ordem na zona financeira planetária. O mundo se globalizou e não temos governo global, apenas descontrole e recuo generalizado dos processos e direitos democráticos. Enfim, aí vão algumas leituras interessantes:


1. Ladislau Dowbor – Os irresponsáveis no poder: desmontando o conto da dona de casa (novembro- 2016 – 4p.) - Você provavelmente se sente perplexo frente à situação econômica do país. Está em boa companhia. Quem é que entende de resultado primário, de ajuste fiscal e outros termos que povoaram os nossos noticiários? A imensa maioria balança a cabeça de maneira entendida, e faz de conta. Pois vejam que realmente não é complicado entender, é só trocar em miúdos. E com isso o rombo fica claro. Aqui vai a conta explicitada, não precisa ser economista ou banqueiro. E usaremos os dados do banco central, a partir da tabela original, pois confiabilidade, nesta era melindrada, é fundamental. Confira a íntegra em: http://dowbor.org/2016/11/dowbor-os-irresponsaveis-no-poder-desmontando-o-conto-da-dona-de-casa-novembro-2016.html/

2. Arthur R. Kroeber - China´s Economy (Oxford University Press, 2016, 320 p.): Kroeber não é mais uma pessoa que passou um tempo na China e escreveu um livro. Vivendo em Beijing e Nova Iorque, editor do China Economic Quarterly, reúne tanto conhecimento técnico como vivência e familiaridade cultural num livro de excepcional qualidade. Quase uma pessoa em cada cinco no planeta é chinesa. E lembremos que a China em 30 anos tirou 680 milhões de pessoas da pobreza, representando ¾ da redução mundial da pobreza. O pouco que sabemos sobre como funciona este país, em particular considerando os seus impressionantes avanços, é simplesmente uma vergonha. Vergonha aliás em particular para a nossa mídia, onde a editoria internacional se resume basicamente à última explosão no oriente médio e à foto do dia do presidente dos EUA. Não é possível continuarmos com este grau de desconhecimento. Eu já estive três vezes na China, acompanho as suas transformações, e o presente livro me convence. Confira a resenha em http://dowbor.org/2016/11/arthur-r-kroeber-chinas-economy-oxford-oxford-university-press-2016-isbn-978-0-19-023903-9-320-p.html/

3. Liz-Rejane Issberner e Philippe Léna (orgs) - Brazil in the Anthropocene: conflicts between predatory development and environmental policies (Routledge, 2017, 368 p): Our challenges are unfortunately easy to define: we are facing the necessary paradigmatic change in the way we deal with the planet, and this means we have to use our resources to fund another type of development; and we must make sure that this development is for everyone. We have the technologies, the money, and people who know how to go about it. But we do not have the corresponding political power and decision process. During 2015 we have seen in Addis Ababa, in New York and in Paris that people are very much aware of what should be done. And much is being done. But the time window we have both in the environmental and the social areas is short, and change is desperately slow. The October 2015 UNEP report states this in simple words: “To achieve the sustainable development we want will require a realignment of the financial system with the goals of sustainable development.” Dowbor: Financing Sustainability: Where has all the money gone? (Capítulo 13, 17 p): https://www.routledge.com/Brazil-in-the-Anthropocene-Conflicts-between-predatory-development-and/Issberner-Lena/p/book/9781138684201

4. Guia ilustrado da privatização da democracia no Brasil (Vigência, IIEP, apoio Oxfam – 2016, 35 p.). No nosso sistema educacional nunca tivemos uma aula sobre a moeda, sobre como funciona a economia. E no oligopólio da mídia, aparecem apenas fragmentos distorcidos em função de interesses. Um grupo de pesquisadores elaborou um folheto de 35 páginas, com ilustrações, visando trazer uma visão sistêmica, elencando alguns dos principais desafios: alimentos, biossegurança, educação, finanças, juros, meio ambiente, mídia, segurança e setor imobiliário. Com apresentação gráfica transparente, o folheto ajuda a entender o conjunto, a formar uma informação embasada. Excelente material para trabalhar no sistema de ensino ou em movimentos sociais. Disponível online, gratuito. Os capítulos são assinados por pessoas reais, pesquisadores, e não por uma máquina de interesses corporativos. No mínimo, ajuda como contrapeso às bobagens divulgadas na grande mídia. Dowbor participa dos capítulos sobre Juros e Finanças (p. 22 a 25). Confira a íntegra da cartilha em: http://www.vigencia.org/wp-content/uploads/2016/08/vigencia_miolo_web2.pdf

5. Entrevista Dowbor – Estamos destruindo o mundo por uma minoria (TV Diálogos do Sul – 2016 – 1h): Entrevista concedida em 20 de outubro, ao programa Diálogos do Sul, exibida na Rede Cidade Livre Comunicação Comunitária, explicando como funciona a ditadura global do capital financeiro. Confira a íntegra em: http://dowbor.org/2016/10/entrevista-dowbor-tv-dialogos-do-sul-2016-1h.html/

6. Dowbor: El capitalismo cambió las reglas, la política cambió de lugar , publicado na revista Nueva Sociedad (2016, 2p.). Aquello que eran deformaciones fragmentarias, penetraciones puntuales a través de lobbies, de actos de corrupción y de «puertas giratorias» entre el sector público y el privado, pasó a cobrar un mayor volumen y se convirtió por ósmosis en poder político articulado dentro del cual el interés público es algo que aflora solo por momentos, y siempre a raíz de los prodigiosos esfuerzos de las manifestaciones populares, o de frágiles artículos en la prensa alternativa, o de algún que otro político independiente. Confira a íntegra em: http://dowbor.org/2016/10/dowbor-el-capitalismo-cambio-las-reglas-la-politica-cambio-de-lugar-nueva-sociedad-2016-2p.html/

7. Austeridade e Retrocesso, vários autores, 2016: O governo atual navega numa farsa relativamente tanto às causas da crise quanto às medidas necessárias. Austeridade, que reduz a demanda, vai recuperar a economia? Os gastos sociais quebraram o governo? Aqui uma excelente sistematização das informações básicas sobre as dinâmicas reais. "Esse documento procede a uma análise das finanças públicas e política fiscal no Brasil, procurando esclarecer as principais causas da atual crise fiscal, assim como desconstruir simplificações e mitos, muitos dos quais baseados em argumentos econômicos supostamente técnicos que sustentam a austeridade." Um documento essencial, nada que um leigo informado não possa acompanhar. Confira a íntegra em: http://dowbor.org/2016/11/austeridade-e-retrocesso-outubro-2016-50-p.html/

8. E não deixem de assistir Snowden, em cartaz, filme de Oliver Stone, muito bem montado, que apresenta um dos desafios mais importantes e subestimados da atualidade: a universalização e individualização do sistema de informações sobre todas as pessoas do planeta, utilizando os nossos computadores, celulares, comunicações no facebook ou outros meios sociais, pesquisas no google, compras no cartão etc. Está se gerando a sociedade do controle e vigilância (surveillance). É filme, mas acompanha rigorosamente o histórico do processo. E não é coisa “lá de cima”: na era do poder corporativo, implica na perda de um emprego, no seguro mais caro, na negação de um crédito. Deep Mind da Google, para dar um exemplo (não está no filme), adquiriu do sistema de saúde britânico o acesso às fichas médicas de toda a população, e tem acordos de colaboração com a NSA americana e a GCHQ britânica. Confira o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=0105x3llAcA

Em tempo: as recomendações de leitura dos meses anteriores podem ser encontradas no Mural em http://dowbor.org/mural/. Faça circular esta nota, temos de divulgar os bons estudos que aparecem. Lembre que as pessoas podem se inscrever pelo blog para receber estas notícias: http://dowbor.org/ ou pelo e-mail contato@dowbor.org

Abraços,
Ladislau Dowbor
28.11.2016

(127) Ladislau Dowbor
18 - 10 - 2016
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Caros/as

Eu agradeço mensagens pelo dia do professor. Não é fácil. O Congresso está discutindo repatriamento de "Recursos não regularizados" (Panamá etc.). Este é o nome dos US$ 520 bi, cerca de 30% do PIB. A fonte é evasão fiscal, corrupção, dinheiro de drogas etc. Sítio em Atibaia seria corrupção. Mas a sangria geral para paraísos fiscais é "recurso não regularizado". Como é que eu explico isto? Mas, vamos às leituras (um pouco mais extensas, atropelados pelos acontecimentos pulamos o mês de setembro):

1. Governança corporativa: O caótico poder dos gigantes financeiros – revisão setembro 2016 (30p).

O que muda quando corporações se tornam mais gigantescas do que os Estados? O poder mundial realmente existente está em grande parte na mão de gigantes que ninguém elegeu, e sobre os quais há cada vez menos controle. São trilhões de dólares em mãos de grupos privados que têm como campo de ação o planeta, enquanto as capacidades de regulação mundial mal engatinham. Pesquisas recentes mostram que 147 grupos controlam 40% do sistema corporativo mundial, sendo 75% deles bancos. Cada um dos 28 gigantes financeiros gere em média 1,8 trilhão de dólares, mais do que o PIB do Brasil, oitava potência econômica mundial. O poder hoje se deslocou radicalmente. Confiram no link abaixo a recente atualização do artigo de Dowbor: http://dowbor.org/2016/09/ladislau-dowbor-o-caotico-poder-dos-gigantes-financeiros-novembro-2015-16p.html/


2. Vídeo da Aula Pública com Ladislau Dowbor, no vão do Masp, sobre como foi travada a economia brasileira, e quais são as alternativas. Forma inovadora de disseminar ideias, iniciativa de professores da USP-Leste, no quadro do movimento Democracia na Real. Você pode assistir a aula completa de uma hora, ou segmentos sobre diversos mecanismos. Veja em particular como funcionam “os quatro motores da economia”. Economia é assunto de todos nós, não de economistas apenas. Confira a íntegra do vídeo (1h) em: http://dowbor.org/2016/10/pec-241-aula-publica-democracia-na-real-masp-04-08-2016.html/


3. O depoimento de Dowbor ao Memorial da Resistência de São Paulo faz parte de uma importante iniciativa de resgate do que foram os anos de luta dos anos 1960 e 1970. Há muitos livros sobre o assunto, mas é bom ouvir diretamente um participante ativo do processo. A gravação de excelente qualidade permite mergulhar nesta reconstituição de forma tranquila e, apesar de tudo, bem humorada. A íntegra da entrevista pode ser conferida em quatro partes: 1. Indignação e resistência, 2. Tempos de luta armada e a violência da repressão, 3. Exílio e reconstrução da vida, 4. A luta por um mundo decente continua. Confira o depoimento em: http://dowbor.org/2016/10/depoimento-dowbor-memorial-da-resistencia-de-sao-paulo.html/


4. Criança e Consumo: 10 anos de Transformações, organizado por Lais Fontenelle (Org.).

A criança é uma frágil construção, à mercê de valores familiares e sociais, das tecnologias que invadem seus espaços, das mensagens marteladas pela mídia, das tensões geradas pela desigualdade e pela insegurança do entorno. Recomendo muito a leitura do livro "Criança e Consumo" sobre este mundo estranho que criamos para a criança, manipulada desde os primeiros meses para ser antes de tudo consumidora, objeto comercial de uma máquina de geração de lucros, e cada vez mais desorientada pelas pressões contraditórias. O meu capítulo “Reflexões atuais sobre cidades, família e escola: impactos na vida das crianças e do planeta”, encontra-se nas páginas 75-94 e pode acessado no link: http://criancaeconsumo.org.br/wp-content/uploads/2014/02/Crianca-e-Consumo_10-anos-de-transformacao.pdf


5. Geopolítica das Cidades: velhos desafios, novos problemas, organizado por Renato Balbim.

Com a virada do milênio, as cidades passaram a abrigar a maior parte da população mundial. As áreas rurais também dependem das cidades regionais. Só se fala em globalização, mas é nas cidades que se pode construir a qualidade de vida do nosso cotidiano. A gestão local é o grande recurso subutilizado da política em geral, pelo potencial que apresenta de participação direta das populações. Escrito com vista à cúpula mundial das cidades, Habitat III em Quito em 2016, esta coletânea apresenta uma excelente sistematização dos desafios e dos potenciais. O texto completo é de livre acesso em pdf. O capítulo de Ladislau Dowbor, Políticas urbanas e participação: o resgate da democracia pela base, está nas páginas 25 a 54. Confira a versão em português: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/161005_a_geopolitica.PDF e em inglês:
http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=28689&catid=394&Itemid=406


6. A Crise Brasileira: coletânea de contribuições de professores da PUC/SP, organizada por Ladislau Dowbor e Marcelo Mosaner.

A crise em que o Brasil foi lançado a partir de 2013/2014 levou a grandes gritarias ideológicas, mas pouca análise, e muito menos ciência. Os professores de economia da PUC-SP decidiram trazer dados básicos e uma visão analítica, para ajudar as pessoas a entender o drama. Qual a lógica que preside ao fato que o PIB do país caiu 3,8% mas o Banco Itaú viu os seus lucros crescer em 30,2%? Como se pode associar a crise às políticas redistributivas, quando o Bolsa família representa apenas meio por cento do PIB, enquanto transferências para bancos e outros setores financeiros com a absurdamente elevada taxa Selic atingem 8,5% do PIB, quase um terço do orçamento? Este livro é uma crônica de uma história mal contada, com várias interpretações, mas com o objetivo comum de sair da política absurda que se instalou. Confira o capítulo de Dowbor em: http://dowbor.org/2016/08/ladislau-dowbor-resgatando-o-potencial-financeiro-do-pais-versao-atualizada-em-04082016-agosto-2016-47p.html/


7. Diálogos no interior da casa comum: recepções interdisciplinares sobre a Encíclica Laudato Si, organizado por João Décio Passos.

A encíclica Laudato Sí, do Papa Francisco, é um documento de referência sem dúvida para os católicos, mas uma inspiração para todos, pela mensagem humana, e pela importante conjugação da visão de se preservar o nosso planeta, de enfrentar as desigualdades e de nos armarmos com valores humanistas. O livro “Diálogos no interior da casa comum” reúne um conjunto de reflexões sobre o tema, com aportes de Carlos Josaphat, Fernando Altemeyer Junior, João Décio Passos, Marcelo Perine, Edgard de Assis Carvalho, Marijane Vieira Lisboa, Wagner Lopes Sanchez, Lisâneos Francisco Prates, Alex Villas Boas, Luiz Eduardo Wanderley, Wagner Balera. O meu capítulo, a governança do sistema: os meios e os fins, traz a dimensão do processo decisório, das medidas práticas que temos de tomar para que as coisas aconteçam. Acesse aqui o capítulo de Dowbor http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/16-Lafayette-Captura-do-poder-pelas-corpora%C3%A7%C3%B5es.doc

8. Dilip Hiro: US power at the crossroads: a snapshot of a multipolar world in action.

Sucinta, mas rica avaliação dos rearranjos em curso em termos de poder internacional, impactando em particular a supremacia americana. Dilip Hiro analisa a presença geopolítica da Rússia, com a atuação na Crimeia e o papel desempenhado no Oriente Médio, tornando-se interlocutor necessário. A RT Rússia coloca o país pela primeira vez na comunicação mundial, com RT América, RT UK e outras línguas internacionais. A aproximação com a China faz parte deste redesenho. A China por sua ultrapassa pela primeira vez os EUA em volume de comércio exterior (US$3,9 tri), mostra presença ao abrir transporte ferroviário de carga (Yiwu-Madrid 16 mil milhas!) e conexões dutoviárias e marítimas em expansão, além dos acordos comerciais e políticos com a Rússia. Uma excelente análise da geração de novos equilíbrios multipolares. Confira o artigo no site Truthout: http://www.truth-out.org/news/item/37943-us-power-at-the-crossroads-a-snapshot-of-a-multipolar-world-in-action Veja o link da tradução em português no site Outras Palavras: http://outraspalavras.net/destaques/a-farra-acabou-tio-sam/


9. Filme: 13th Amendment de Ava DuVernay no Netflix.

Um documentário extremamente bem realizado e realista sobre como se expressa e se organiza o racismo no Estados Unidos. Uma visão histórica de como se desenvolveram os movimentos e uma análise estrutural sobre o racismo em um país que tem 5% da população mundial, 25 % da população carcerária do mundo, dos quais ampla maioria é composta por homens jovens e negros. No pano de fundo, a obviedade de que as chamadas "minorias" já se tornaram maiorias no país. O que pensará a minoria branca? Um choque de realismo e excelente realização técnica e científica.

Lembre que você pode acessar dicas de leituras dos meses passados no Mural do meu blog, e acessar resenhas em Dicas de Leitura. E vejam que vários livros aqui mencionados estão disponíveis online e gratuitamente na íntegra. O pessoal está se dando conta da nova lógica da comunicação científica.

Ladislau Dowbor,
19.10.2016


(126) Ladislau Dowbor
21 - 08 - 2016
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Dicas do Dowbor
21.08.2016

Caros/as

Em plena Olimpíada, está se jogando um jogo muito mais dramático, com o retrocesso social, cultural e econômico do país. Somos espectadores impotentes de movimentos de cúpula onde o processo democrático simplesmente desapareceu. Olhamos espantados, cada dia surpresos com mais uma medida. Roberto Malvezzi resume bem: “Desmonte do SUS em favor da medicina privada; modificações draconianas para o povo na previdência social em favor da previdência privada; modificações dos tempos da revolução industrial na legislação trabalhista em favor do capital privado; entrega do Pré-Sal; desmonte da educação pública – inclusive universidades – em favor da educação privada; entrega das terras públicas aos estrangeiros; repressão dos movimentos sociais; supressão de verbas para pesquisas científicas; crescimento da intolerância fascista” e por aí vai. Um Congresso eleito pelo dinheiro das corporações, prática já declarada inconstitucional pelo STF, faz de tudo para servi-las. Mas vamos às leituras:


1. L. Dowbor - The Rules of the Global Game - Culture Report, EUNIC 2016 - ISBN:978-3-95829-198-0
Para quem gosta dos Jogos Olímpicos, e para quem não gosta, escrevi um artigo curto e bem humorado, sobre como funciona o circo muito mais amplo, a chamada sociedade humana. E é permanente, não se limita a uma vez a cada quatro anos. A competição é pela política mais idiota, a corporação mais poderosa, o crédito mais predatório, o paraíso fiscal mais generoso, a publicidade mais invasiva. Divirta-se. O artigo circula em inglês e em alemão em mais de 100 países, através do Culture Report anual da União Europeia (EUNIC 2016 - ISBN:978-3-95829-198-0). Pelo menos o senso de humor eles não perderam. Confira em: http://dowbor.org/2016/08/l-dowbor-the-rules-of-the-global-game-culture-report-eunic-2016-isbn978-3-95829-198-0.html/


2. L. Dowbor, Resgatando o poder do sistema financeiro do país (atualização em agosto, 2016, 47 p.),

A pesquisa que estamos desenvolvendo sobre a deformação do sistema financeiro no país – causa direta e principal da crise que vivemos – prossegue. Acrescentamos a avaliação dos fundos complementares de pensão, que manejam cerca de 730 bilhões (13% do PIB) e que fossem investidos no fomento econômico, como deveriam fazer, gerariam emprego, produto e impostos. No caso, o COPOM os autoriza a aplicar a totalidade dos recursos na dívida pública, e são estes juros, que saem dos nossos impostos, que financiam estas aposentadorias. Continuo recebendo material, em particular do Roosevelt Institute dos EUA, onde Gerald Epstein desenvolve pesquisa muito semelhante, e mostra como mecanismos diferentes levam também à desorganização econômica e política naquele país. Acessem a íntegra do artigo atualizado aqui: http://dowbor.org/2016/08/ladislau-dowbor-resgatando-o-potencial-financeiro-do-pais-versao-atualizada-em-04082016-agosto-2016-47p.html/



3. Gerald Epstein and Juan Antonio Montecino – Overcharged:the high cost of high finance– The Roosevelt Institute, July 2016 - http://rooseveltinstitute.org/overcharged-high-cost-high-finance/

A deformação geral das economias pelo sistema financeiro está se tornando hoje o elefante no meio da sala. É essencial para entender a atual crise no Brasil, mas também o travamento da economia norte-americana nas últimas décadas. Gerald Epstein e Juan Antonio Montecino publicaram um estudo aprofundado de como o processo se dá no sistema financeiro americano, mostrando que nas suas diferentes dimensões, em vez de financiar a economia, drena os recursos das atividades produtivas e trava o desenvolvimento. Em termos metodológicos, o estudo aproxima-se muito do exercício que estamos desenvolvendo aqui para o Brasil, Resgatando o potencial financeiro do país. O aporte dos autores é fundamental para entender as novas dinâmicas, e a metodologia adotada, que permite calcular os trilhões de dólares que o sistema financeiro custa à economia americana (custo líquido, descontados os aportes, portanto produtividade negativa) é uma grande ajuda às nossas pesquisas. Acesse resenha sobre o estudo em: http://dowbor.org/2016/08/l-dowbor-the-rules-of-the-global-game-culture-report-eunic-2016-isbn978-3-95829-198-0.html/



4. Joseph Stiglitz, Rewriting the rules of the American Economy (2015, 115p).

Disponível agora online na íntegra o relatório coordenado por Joseph Stiglitz, Rewriting the rules of the American Economy (2015, 115p). Já o tinha mencionado quando saiu, é um documento curto e de grande importância, pois os Estados Unidos enfrentam, em outro nível, desafios semelhantes, com um congresso controlado por uma direita irracional, desarticulação dos processos produtivos pelo sistema financeiro, concentração surrealista de fortunas no topo da pirâmide social, estagnação ou até regressão dos salários. O subtítulo, An agenda for growth and shared prosperity, define os objetivos: muitas das propostas, como taxação do capital improdutivo, reforma fiscal e outras medidas são evidentes e bem formulados, e apontam rumos que são igualmente necessários para nós. Uma ferramenta para a nossa realidade também. Acesse em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2015/06/report-stiglitz.pdf


5. Já estã no ar as traduções do nosso artigo A Captura do poder pelo sistema corporativo em inglês e em polonês:

The corporate capture of democracy (2016, 11p.): Corporate power has become systemic, capturing one by one the different dimensions of expression and exercise of power, and generating a new dynamic, or a new architecture of really existing power, political, economic and cultural. In this paper we will briefly cover a few basic mechanisms, sketching in a way what can be the emerging shape of the system. Deeply distorted ground rules continue being be presented as the result of a democratic and legitimate process, and indeed our Constitution states that all power emanates from the people. But rescuing the democratic processes of control and resource allocation today is a key challenge. Boaventura de Souza Santos speaks quite rightly of the need to strengthen democracy. But what we really need is to rescue it from the caricature it has become. Download: http://dowbor.org/2016/07/ladislau-dowbor-the-corporate-capture-of-democracy-july-2016-11p.html/


Przechwytywanie władzy przez system korporacyjny (2016, 11 str.): Ekspansja lobbies, kupowanie polityków, najazd na władzę sądowniczą, kontrola systemu informacji społeczeństwa i manipulacja pracami naukowymi to niektóre spośród najważniejszych instrumentów przechwytywania władzy politycznej przez wielkie korporacje. Ogół tych instrumentów stwarza jednak w ostatniej instancji potężniejszy mechanizm, który wiąże je z sobą i nadaje im systemowy charakter: jest nim zawłaszczanie rezultatów działalności gospodarczej za pośrednictwem kontroli finansowej spoczywającej w bardzo nielicznych rękach. Dynamiki władzy politycznej, ekonomicznej i kulturalnej ulegają reorientacji, generując nową konfigurację, która staramy się tu zbadać. To z nią właśnie musi uporać się społeczeństwo poszukujące nowych sposobów zarządzania. http://dowbor.org/2016/08/dowbor-przechwytywanie-wladzy-przez-system-korporacyjny-2016-11-str.html/




6. Neusa Serra e Hamilto Faria (Org), Economia solidária da cultura e cidadania cultural. Editora UFABC/Instituto Pólis, São Bernardo do Campo, 2016, ISBN 978-85-68576-46-5

Neusa Serra e Hamilton Faria coordenaram um livro muito interessante, Economia solidária da cultura e cidadania cultural. O que vive e se expande de maneira impressionante no Brasil é a prodigiosa criatividade popular, as iniciativas de jovens nas periferias, gente que hoje coloca produções criativas nas diversas mídias. Não é “indústria da cultura”, mas a busca da cultura e sua viabilização através de um conjunto de iniciativas colaborativas e solidárias. Este livro traz um conjunto de visões e experiências sobre estas novas dinâmicas. O capítulo de Dowbor, Economia solidária: novos paradigmas culturais no Brasil, está disponível em http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/15-Polis-Eco-da-cultura.doc




7. Emir Sader (Org), O Brasil que queremos (2016, 255p.)
Se o golpe parlamentar, que travou o Brasil, teve alguma utilidade foi de recolocar na mesa de discussões as grandes opções com as quais o Brasil se defronta. Neste pequeno volume, os organizadores conseguiram reunir 18 visões, incluindo uma apresentação com um desafio de Lula, uma análise de conjuntura do Emir Sader, explicitação das dimensões constitucionais de Dalmo Dallari, e uma série muito coerente de textos sobre os rumos necessários nas áreas da economia (Belluzzo) e finanças (Dowbor), com Ricardo Lodi sobre a tributação, Luiz Pinguelli sobre as opções energéticas, Celso Amorim sobre a política externa, Tereza Campello sobre o combate à pobreza, Márcio Pochmann sobre políticas educacionais, Alexandre Padilha sobre direitos à saúde, Luiz de Carvalho sobre política ambiental, Marilena Chauí sobre política cultural, Bernardo Fernandes sobre política agrária, Marcia Tiburi sobre gênero, Nilma Gomes sobre igualdade racial, Renato Rovai sobre democracia e comunicação e, para ajuda geral, visão de utopia de Leonardo Boff. Uma ferramenta de trabalho para todos nós, excelente painel sobre os nossos grandes desafios. O volume está sendo lançado em diversos eventos pelo Brasil. O capítulo de Dowbor, “A economia travada pelos intermediários financeiros” (word-11p.), provisoriamente, pode ser acessado em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2016/07/16-BANCOS-Emir-10-p..doc

8. Não esquecendo do cinema, busquem Demain, (2016) um documentário genial em termos de novos rumos de organização econômica e social, exemplos de diversas partes do planeta, uma grande ferramenta de trabalho. Confira o trailer em www.demain-lefilm.com . O filme ainda está difícil de achar. Agradeço dicas.

Em tempo: as recomendações de leitura dos meses anteriores podem ser encontradas no Mural em http://dowbor.org/mural/. Faça circular esta nota, temos de divulgar os bons estudos que aparecem. Lembre que as pessoas podem se inscrever pelo blog para receber estas notícias: http://dowbor.org/ ou pelo e-mail contato@dowbor.org

Abraços,
Ladislau Dowbor
21.08.2016


(125) Ladislau Dowbor
05 - 07 - 2016
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Dicas do Dowbor - Julho
01.07.2016


Caros/as,


Estamos afundando no retrocesso civilizatório, o que é muito mais do que retração do PIB. Violências e ilegalidades, redução dos espaços democráticos, ataque generalizado às conquistas sociais, comprometimento da soberania. A fórmula econômica é simples: fazer a população pagar um novo ciclo de prosperidade e de “confiança” dos ricos nacionais e internacionais. Não é tão original assim. No mundo todo há indignações crescentes com a economia e política do 1%. O que acontece é que estamos essencialmente destruindo o planeta (meio ambiente), em proveito de uma minoria (desigualdade crescente), enquanto os recursos financeiros, em vez de investir nas transformações necessárias, ampliam o casino (ganhos com capital financeiro improdutivo que sequer paga impostos quando migra para os paraísos fiscais). Precisam de cada vez menos democracia para manter um sistema cada vez mais absurdo.


1. O meu texto A Captura do Poder Político pelas Corporações, (junho de 2016, 11p.) apresenta a expansão dos lobbies, a compra dos políticos, a invasão do judiciário, o controle dos sistemas de informação da sociedade e a manipulação do ensino acadêmico. São esses alguns dos instrumentos mais importantes da captura do poder político geral pelas grandes corporações. Mas o conjunto desses instrumentos leva em última instância a um mecanismo mais poderoso que os articula e lhes confere caráter sistêmico: a apropriação dos próprios resultados da atividade econômica, por meio do controle financeiro, em pouquíssimas mãos. As dinâmicas de poder político, econômico e cultural estão sendo reorientadas, gerando uma nova configuração que se trata de estudar. Os nossos dramas têm raízes mais amplas. Confiram em: http://dowbor.org/2016/06/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html/ (Também publicado por IHU, Outras Palavras, Carta Maior, Abong e outras newsletters).


2. Neste momento é essencial termos boas ferramentas para entender o golpe contra a democracia que se desenrola no Brasil. Organizado pela CLACSO, Golpe en Brasil: genealogía de una farsa está em espanhol e reúne visões de primeira importância, com análises imperdíveis de Eduardo Fagnani, Pablo Gentili, Perry Anderson, Amy Goodman, Glenn Greenwald, Paulo Kliass, Frei Betto, Cuauhtémoc Cárdenas, Michael Löwy, Adolfo Pérez Esquivel, Luiz Gonzaga Belluzo, João Feres Júnior, Immanuel Wallerstein, Leonardo Boff, João Pedro Stédile, Elodie Descamps, Tarik Bouafia, Raúl Zibechi, Pedro Paulo Zahluth Bastos, Guilherme Santos Mello, Mark Weisbrot, Boaventura de Sousa Santos e, também, do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff. Compartilhem e baixe o pdf da publicação aqui: http://www.clacso.org.ar/libreria-latinoamericana/libro_detalle.php?id_libro=1115&orden&pageNum_rs_libros=0&totalRows_rs_libros=1078



3. George Monbiot é conhecido nosso pelos artigos no Guardian. Acaba de lançar o livro How did we get into this mess, leitura muito gostosa. Monbiot tem o dom da palavra, e associa este dom com uma impressionante lucidez. Eu, em geral, não gosto de livros em que o autor reúne artigos, mas no caso dele a qualidade dos textos, a variedade das questões tocadas, a capacidade de ir direto onde dói e de explicitar os nossos dramas culturais, sociais, econômicos e políticos constitui um refresco. O que os artigos têm em comum aparece exatamente no título: como é que fomos nos meter nesta encrenca? E haja encrenca. George Monbiot – How did we get into this mess? – Verso Ed., London, New York, 2016, 340p. – ISBN 13: 978-1-78478-362-4 URL: http://dowbor.org/2016/06/george-monbiot-how-did-we-get-into-this-mess-verso-ed-london-new-york-2016-340p-isbn-13-978-1-78478-362-4.html/



4. Quero muito recomendar o novo livro de Ha-Joon Chang, Economia: modo de usar: Um guia básico dos principais conceitos econômicos. O autor é nosso conhecido em particular pelo já clássico Chutando a Escada, e o excelente 23 coisas que não nos disseram sobre o capitalismo. Temos aqui uma ferramenta preciosa. Recomendo em particular porque muita gente está se dando conta que com o nosso grau de analfabetismo econômico, ninguém entende o que acontece, e isto é muito perigoso. Os que manipulam acham ótimo este desconhecimento. Mas todos precisamos, por exemplo, entender como nos manipulam os bancos, os crediários e os cartões de crédito. Alguém já teve aula sobre isto nas escolas? O livro de Chang se encaixa perfeitamente no nosso déficit de conhecimento. E eu, que já estudei muita economia, não perdi meu tempo, pois o mundo econômico está mudando. Vale muito a pena, e não é necessário nenhum conhecimento prévio necessário. (Penguin, São Paulo 2015)



5. Ladislau Dowbor (Org.) – Cultura Digital no Brasil – UNESCO, Paris; Editora Brasileira, São Paulo, 2016, 198 p. ISBN 978-85-63186-39-3
Na era digital, a cultura deixa de ser um verniz chique para famílias ricas, ou indústria do lugar comum nos meios de comunicação de massa, para se transformar em vetor chave da apropriação não só de bens culturais produzidos pelas próprias comunidades, com toda a sua diversidade, como em vetor de apropriação de novas dinâmicas econômicas e de novas identidades no processo de desenvolvimento. Revolução tecnológica, economia do conhecimento, conectividade planetária e apropriação cultural estão densamente articuladas neste processo. Confiram a íntegra do capítulo: “Cultura digital: novos rumos da economia e da organização social” : http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/15-Pedro-Saad-Cultura-digital.doc Quem quiser ler a íntegra do livro, pode baixar o pdf, mas como é muito grande o arquivo, é preciso baixa-lo pelo computador e não pelo celular: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/Dowbor_CulturaDigital_portugueseingles.pdf (edição bilingue português/inglês)



6. Lais Fontenelle (Org.) – Criança e consumo – Instituto Alana, São Paulo, 2016, ISBN 978-85-99848-05-0 – O Instituto Alana comemorou os seus 10 anos de luta pela criança como prioridade total com um livro de belíssima edição e acabamento, e disponível online na íntegra. Trata-se, além de muita informação organizada, de assegurar que possa ser difundida e utilizada nos capítulos individuais. São cerca de 20 autores de primeira linha, trazendo os desafios práticos para resgatar o espaço a que as crianças têm direito. O meu capítulo, Cidade, Família e Escola: impactos na vida das crianças, faz parte de um trabalho que ajudei a fazer para a ONU, Cities for Children. Não é possível que sigamos organizando as cidades para adultos motorizados e cujo esporte é o Shopping. Confiram aqui a íntegra do capítulo: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/15-ALANA-Inf%C3%A2ncia-consumo-e-sustentabilidade.doc E aqui, a íntegra do livro: http://criancaeconsumo.org.br/wp-content/uploads/2014/02/Crianca-e-Consumo_10-anos-de-transformacao.pdf


7. E para alegrar os nossos corações sofridos, não deixem de ver The men who made us spend, um documentário da BBC sobre os hábitos de consumo, imensamente instrutivo, e tristemente divertido. Passa de vez em quando na BBC Earth, com legendas em português. Também está no Youtube em inglês, se alguém localizar com legendas avise por favor. Imperdível, raramente encontramos um retrato tão realista e tão bem documentado. Segue o link no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=B894f_Bzvp4



Abraços,
Ladislau Dowbor

1 de julho de 2016




(124) Ladislau Dowbor
09 - 06 - 2016
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau junho/2016


09.06.2016

Vivemos todos sob o regime surrealista da bandidagem política explícita, seja no governo dito interino, no judiciário, na mídia ou no sistema financeiro, curiosa aliança de grupos e indivíduos que têm em comum o desrespeito pela legalidade e a busca do poder, da fama e do dinheiro a qualquer custo. Muito além do drama do impeachment, temos claramente os processos democráticos sendo postos em perigo ou simplesmente violentados.

Ninguém tem a bola de cristal para entender o que temos pela frente, mas o fato é que assistimos a um lodaçal de mentiras fora do comum, até frente ao tanto que já vimos no Brasil.

Não é secundário confrontar o que aqui acontece com a erosão da democracia nos Estados Unidos, que em 2010 aprovaram o financiamento corporativo das campanhas em nome da liberdade de expressão, e hoje se arriscam a eleger esta mistura de palhaço e de fascista que é Donald Trump. A França está ingovernável, a Itália, Espanha e Grécia estão à procura de um mínimo de equilíbrio, falar de democracia na Rússia se tornou cada vez mais difícil, a Europa está se cobrindo de arames farpados, isto sem falar do Oriente Médio e do norte da África. América Latina? É só olhar.

A desagregação do sistema que chegamos a achar definitivo – a nação com os seus governos, judiciário e eleições – é palpável no planeta, e compreensível nesta fase em que economia se globalizou sob a batuta dos gigantes financeiros, enquanto a política está fragmentada em 195 governos divididos entre prestar serviços aos seus governados, ou se por ao serviço do sistema financeiro nacional e internacional. Um dos textos que aqui trazemos, de Streeck, resume talvez o drama: não é o fim do capitalismo, mas sim o fim do capitalismo democrático.

Boas leituras:

1) O trabalho de Wolfgang Streeck analisa essencialmente como o capitalismo gradualmente restringe os espaços democráticos. Na sua visão, não é o fim do capitalismo, mas sim o fim do capitalismo democrático. O estado que cobra impostos para prestar serviços públicos é substituído por um estado endividado que transfere os nossos impostos para os grupos financeiros que o endividam, enquanto o acesso ao que eram serviços públicos passa a depender cada vez mais dos nossos bolsos. Streeck, alemão, tem claramente a Europa em mente, mas a mensagem é mais ampla: trata-se da erosão da democracia no contexto do capitalismo. Veja a resenha em http://dowbor.org/2016/05/wolfgang-streeck-buying-time-the-delayed-crisis-of-democratic-capitalism-verso-london-new-left-books-2014-original-berlin-2013.html/

2) A CLACSO, rede de pesquisa em ciências sociais que reúne mais de 500 organizações em 40 países, analisou as transformações no Brasil e denuncia com força o que qualifica indiscutivelmente de golpe. “Dilma Rousseff ha sido separada de su cargo sin que haya cometido ningún delito. Una maniobra fraudulenta de la oposición y de sectores que eran aliados del gobierno dio inicio a un proceso de impeachment plagado de irregularidades, de mentiras e ilegalidades. Se derroca un gobierno elegido por el pueblo. Se instala un gobierno elegido por corruptos, por hipócritas, por usurpadores, por golpistas.” Esta mensagem é importante, e constitui matéria prima para divulgação. Nos links, vejam o texto da declaração em português e em espanhol.
Link no nosso blog: http://dowbor.org/2016/05/declaracao-da-clacso-maio-2016-1p.html/
http://www.clacso.org.ar/difusion/mensaje_2016_4.php (español)
http://www.clacso.org.ar/difusion/mensaje_2016_4_portugues.php (português)

3) Estamos colocando online uma versão atualizada do livrinho O que é poder local?, que ajuda muito a entender o papel fundamental que podem exercer as cidades no resgate da democracia e da política em geral. Cada cidade, com o seu entorno, pode assumir grande parte das decisões que elevam a qualidade de vida, racionalizam o uso dos recursos, e permitem processos participativos e democráticos. A forte descentralização proposta deve assegurar que as decisões se tomem mais perto do cidadão e do seu controle, enquanto o governo central poderia ser racionalizado em vez de ver os seus ministérios entulhados de micro-demandas. Link do texto completo: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2012/06/16-08podlocal-revisa83o-2016.pdf

4) O meu texto Corporate Governance sobre o caos planetário gerado pelos gigantes financeiros mundiais foi publicado nos EUA por Ethical Markets, vejam em http://www.ethicalmarkets.com/2016/05/11/corporate-governance-the-chaotic-power-of-financial-giants/

5) Queria muito recomendar o pequeno livro de Pasi Sahlberg, Finnish Lessons, sobre como se estruturou o sistema educacional da Finlândia: no caso, não é mais um texto de quem ali passou algumas semanas, mas de um dos protagonistas das transformações, mostrando as longas décadas que permitiram a este pobre país se erguer ao conjugar a educação com uma visão mais ampla de redução das desigualdades e de elevação sistêmica do nível científico cultural da população. Link http://dowbor.org/2016/05/pasi-sahlberg-finnish-lessons-what-can-the-world-learn-from-educational-change-in-finland-columbia-university-new-york-and-london-2015.html/

6) Para entender a captura dos sistemas judiciários pelas grandes corporações, ajuda muito ler o curto artigo da senadora americana Elizabeth Warren, Rigged Justice, que apresenta os principais mecanismos e traz dezenas de exemplos, corporação por corporação, de como se gerou esta deformação profunda de um sistema cuja razão de ser deveria ser a justiça. Link http://dowbor.org/2016/02/elizabeth-warren-rigged-justice-justica-deturpada-janeiro-2016-16-p.html/

7) E não percam o curto e excelente artigo de George Monbiot: uma das melhores análises que já li sobre como funciona o sistema que nos rege, e que criou o caos político e econômico a que estamos hoje submetidos. Esta compreensão sistêmica é muito importante, e o texto é muito elucidativo, sem complicações. Na análise do autor, "as últimas quatro décadas se caracterizaram não só pela transferência dos pobres para os ricos, mas dentro da esfera dos ricos: dos que ganham dinheiro produzindo novos bens ou serviços para os que ganham dinheiro controlando ativos existentes e colhendo renta, juros ou ganhos de capital. O ganho produtivo foi suplantado pelo ganho improdutivo." http://dowbor.org/2016/04/george-monbiot-neoliberalism-the-ideology-at-the-root-of-all-our-problems-the-guardian-15-april-2016-cerca-de-5-p-em-ingles.html/

8) E para alegrar os nossos pobres espíritos, nada como acompanhar a mostra de cinema ambiental Ecofalante. A pedido dos organizadores, fiz uma resenha de vários filmes, e apresentei um pouco do contexto, no artigo Imagens do Passado e do Futuro, vejam em http://dowbor.org/2016/05/ladislau-dowbor-imagens-do-passado-e-do-futuro-maio-2016-8p.html/

Não esqueçam que as mensagens com dicas de leitura dos meses passados estão aqui no Mural. E respondendo a perguntas, textos meus podem ser citados a partir do blog, acrescentando o link e colocando a data de consulta.


(123) Ladislau
27 - 04 - 2016
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau abril/2016

Caros e caros,

Vamos nos afundando no caos político, que gerou o caos econômico, o que por sua vez cria aparências de legitimidade dos interesses de sempre. No conjunto, é luta pelo poder, por parte velhas e novas oligarquias. É surrealista este grupo de deputados, financiados por um sistema de compra de políticos (Lei de 1997 que autoriza o financiamento corporativo), destituírem o chefe do executivo eleito por 54 milhões de votos. Afinal, votamos para quê? As declarações patrióticas e de amor à família dos deputados, mais da metade dos quais atolados em processos, só podem nos deixar espantados com o grau de cinismo. Mas são os de sempre que estão voltando ao poder. E com sede.

Os revezes, na minha opinião, não mudam a nossa luta por um país menos desigual, por um direito de todos a uma vida digna, por uma economia decente e mais equilibrada, por uma democratização real e não do faz de conta. E vamos elevar o patamar, vamos ao que realmente interessa, que é um sistema tributário justo, uma mídia democrática, finanças públicas mas também privadas transparentes, um poder jurídico justo e não caolho. A briga é boa, não será nem a primeira nem a última. Nós é que dormimos no ponto, embalados no sucesso de termos a presidência trabalhando por nós, esquecendo de construir permanentemente a base política das transformações necessárias. Democracia real não vem de graça.

Leituras (e escritos) recentes:

1) George Monbiot - Neoliberalism: the ideology at the root of all our problems - The Guardian, 15 April 2016 - (cerca de 5 p., em inglês)

Uma das melhores análises que já li sobre como funciona o sistema que nos rege, e que criou o caos político e econômico a que estamos hoje submetidos. Esta compreensão sistêmica é muito importante, e o texto é muito elucidativo, sem complicações. Na análise do autor, "as últimas quatro décadas se caracterizaram não só pela transferência dos pobres para os ricos, mas dentro da esfera dos ricos: dos que ganham dinheiro produzindo novos bens ou serviços para os que ganham dinheiro controlando ativos existentes e colhendo renta, juros ou ganhos de capital. O ganho produtivo foi suplantado pelo ganho improdutivo." (Earned income has been supplanted by unearned income). Uma leitura que abre janelas sem complicar, aqui fragmentos do livro que está por sair. Vale a pena.

http://www.theguardian.com/books/2016/apr/15/neoliberalism-ideology-problem-george-monbiot


2) Larivière e outros – The oligopoly of academic publishers – Ótima pesquisa sobre como funciona o oligopólio das chamadas revistas indexadas, estas que nos permitem ter pontos, como acadêmicos: a deformação do sistema é claramente exposta. Os autores fizeram uma excelente análise do absurdo que tanto trava o intercâmbio e dinamização de pesquisas no mundo. Já são mais de 15 mil cientistas que boicotam estes intermediários, e publicam em revistas abertas (open-access), como é este próprio artigo de Larivière, 15 p. em inglês.
http://dowbor.org/2016/02/the-oligopoly-of-academic-publishers-in-the-digital-era-vincent-lariviere-stefanie-haustein-philippe-mongeon-published-june-10-2015-15p.html/


3) Lais Fontenelle (Org.) – Criança e Consumo – São Paulo, Instituto Alana, 2016, 356p. – ISBN 978-85-99848-05-0 Em belíssima edição do Instituto Alana, uma coletânea sobre este mundo estranho que criamos para a criança, manipulada desde os primeiros meses para ser antes de tudo consumidora, objeto comercial de uma máquina de geração de lucros, e cada vez mais desorientada pelas pressões contraditórias. Artigos de Frei Betto, de Isabella Henriques, de Marcelo Sodré e muitos outros geram uma imagem extremamente rica do que é ser criança hoje. O capítulo de Ladislau Dowbor, Infância, Consumo e Sustentabilidade, retrata estas diversas dimensões.
http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/15-ALANA-Inf%C3%A2ncia-consumo-e-sustentabilidade.doc


4) L. Dowbor – Corporate Governance – 2016, em inglês, 18p. - We are slowly beginning to understand the complexity of the corporate system which nowadays, for better or for worse, rules the planet. On one hand, at the intrafirm level, gigantism leads to inextricable bureaucracies, generating a chaotic behavior and systemic risks. On the other hand, the same giants are providing for interfirm structures of systemic connectedness, quite similar to governments in the sense of internal control hierarchy and practice of direct political power. The result is an extremely complex bureaucratic architecture, both intra- and inter-corporate, feeding the “growing fear” mentioned above. Understanding this world of giant mushrooms is now vital, whether we like them or not. (versão em português: Governança Corporativa, veja dowbor.org).
http://dowbor.org/2016/03/ladislau-dowbor-corporate-governance-the-chaotic-power-of-financial-giants-march-2016-6p.html/


5) Como sabem, o blog http://dowbor.org traz textos meus e de numerosos outros pesquisadores, disponíveis online na íntegra, gratuitamente para uso não comercial. No caso dos artigos, quem prefere ler no papel pode simplesmente imprimir. No caso dos livros, como minha recente pesquisa sobre juros e o sistema financeiro, ou ainda O Pão Nosso de Cada Dia sobre os processos produtivos no Brasil, e futuramente outros livros, fiz um acordo com uma editora que disponibiliza os textos cobrando apenas o custo de impressão e de envio. Assim, por exemplo, a encomenda de 50 exemplares custará tipicamente 10 reais por exemplar, mais 2 reais por exemplar para envio. Isto visa permitir que grupos de pesquisa, associações, sindicatos, escolas ou organizadores de palestras possam disponibilizar a baixo custo um exemplar impresso para cada participante, o que torna os cursos ou palestras mais produtivos. Não é possível tantas pessoas desconhecerem como funciona a máquina econômica que nos esfola, mas que pode nos libertar. Contato: eticaeditora@gmail.com

6) Assistam à excelente entrevista com o sociólogo e presidente do IPEA Jessé de Souza, uma visão decente da crise atual, no programa Espaço Público da TV Brasil. (59 min.)

https://www.youtube.com/watch?v=C9X4wXEXt0U&feature=youtu.be


Lembramos que as dicas de leitura dos meses passados podem ser encontradas no Mural e resenhas diversas no Dicas de Leitura Dicas de Leitura














(122) ladislau
11 - 02 - 2016
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Dicas e Sugestão de Leitura - Blog do Ladislau fev/2016

Caros/as,
Ainda em clima carnavalesco na rua e surrealista no judiciário-midiático, há espaço para leituras interessantes.

1) Leitura essencial constitui o resumo de meia dúzia de paginas, da Oxfam, sobre a concentração de riqueza no planeta. Hoje 62 bilionários apenas detêm mais riqueza do que a metade mais pobre do planeta, agravamento impressionante do processo de concentração. Estas fortunas estão essencialmente aplicadas em produtos financeiros, que rendem entre 5 e 7% ao ano, enquanto a produção de bens e serviços no planeta avança na faixa de 2% ao ano. É a era da dominação do capital improdutivo. A financeirização e a desigualdade avançam a galope, sistema absolutamente insustentável. http://dowbor.org/2016/01/oxfam-brasil-uma-economia-para-o-1-janeiro-2016-12p.html/


2) Vejam a versão atualizada do meu artigo Governança Corporativa, sistematizei um conjunto de pesquisas internacionais sobre como funciona o mundo dos gigantes corporativos, em particular os 28 grupos financeiros classificados como “sistemicamente significativos”, ou seja, cuja atuação tem impactos planetários. Fiz um texto bem embasado, mas de simples leitura, e o tema é essencial: o planeta todo está discutindo como resgatar o controle do sistema. http://dowbor.org/category/artigos/


3) Constatei que muita gente ainda não viu o documentário A Corporação, filme que continua sendo uma ferramenta fundamental para entender como funciona o mundo atual. Uma grande equipe trabalhou anos documentando as transformações do universo que hoje nos rege. Em pouco mais de uma hora, você vai poder dar um salto de qualidade na sua compreensão de como funciona o capitalismo realmente existente. Mais do que ideologia – pois entrevistaram desde Friedman até Chomsky – é uma explicitação dos mecanismos. http://dowbor.org/category/bons-filmes/


4) Gostaria de resgatar um texto curto que fiz a pedido de Paulo Freire, prefácio para um dos seus últimos livros, À sombra desta mangueira. Como é que um economista, que tende a achar que o principal é controlar as finanças, faz um prefácio a quem mostra que a chave está na libertação cultural? Hoje, com a economia centrada em conhecimento, a força dos argumentos do Paulo fica ainda mais clara. e aparecem novas convergências. Reli o texto com saudade, vejam em http://dowbor.org/1995/01/prefacio-paulo-freire-a-sombra-desta-mangueira-2.html/

5) Quisera recomendar um livro, O discreto charme do intestino, livro genial da bióloga alemã Giuglia Enders, explicando como se dão as interações entre a nossa fauna intestinal e os nossos humores, perturbações fisiológicas ou nervosas e assim por diante. A autora fez a lição de casa, nada de receitas ou auto-ajuda, e sim pesquisa de ponta sobre como funciona a nossa atividade principal, que é de transformar energia consumida em energia do corpo. Para mim que leio mais economia, matéria tão longa e tortuosa como o processo digestivo, e frequentemente com resultados finais semelhantes, foi uma alegria de fim de ano.

6) E vejam o filme Chico, através de uma vida, reencontramos os nossos avanços e tropeços como sociedade, e isto acompanhado de boa música. Que mais podemos pedir?

Abraço, Ladislau






(121) Ladislau Dowbor
24 - 11 - 2015
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Dicas e sugestões de Leitura - Blog do Ladislau nov/2015


Caros,
Tempos cada vez mais preocupantes. As tensões surrealistas que vivemos no plano nacional, com um boicote cínico que desorganiza o país, potencializado por reações caóticas de desinformados de diversos tipos, alimentados por profissionais da desinformação, colocam em risco a própria democracia. E no plano internacional assistimos impotentes ao endividamento generalizado dos Estados, ao colapso das commodities, à explosão dos extremismos, à generalização de um sentimento de incompreensão e angústia. Não dá para não ver que estamos assistindo à progressiva erosão da capacidade de governo por toda parte. Enfrentamos problemas mundiais, mas os instrumentos de gestão política estão fragmentados em 195 governos, com lutas surdas pela hegemonia, enquanto vamos destruindo o planeta e aprofundando a já explosiva desigualdade.

1) L. Dowbor - O caótico poder dos gigantes financeiros – Nov. 2015, 16p. Estamos lentamente progredindo na compreensão da complexidade do sistema corporativo que, para o bem ou para o mal, hoje nos rege. Surgiram vários estudos que focam os 28 gigantes financeiros planetários, o topo da pirâmide do poder econômico e político mundial. Apresentamos neste artigo três eixos de pesquisa. O primeiro apresenta como estes gigantes se administram, sendo que na média cada um deles gere recursos superiores ao PIB de um país como o Brasil, 7ª potencia econômica mundial. O segundo aborda como estes grupos se articulam entre si, por meio de várias instituições permanentes de coordenação. O terceiro mostra como os fluxos financeiros se utilizam dos diversos tipos de paraísos fiscais e falhas de regulação para organizar/desorganizar os sistemas nacionais. O resultado é um poder que muito se assemelha ao dos grandes Estados, inclusive no seu comportamento caótico. http://dowbor.org/2015/11/ladislau-dowbor-o-caotico-poder-dos-gigantes-financeiros-novembro-2015-16p.html/

2) Crédit Suisse – Global Wealth Report 2015 - A última pesquisa do Crédit Suisse sobre a concentração mundial de patrimônio constitui leitura muito importante, pois mostra os impactos concretos dos mecanismos de acumulação financeira analisados por Piketty e outros. Veja-se por exemplo a pirâmide da p. 24: no topo 34 milhões de adultos, 0,7% do total, pessoas com patrimônio de mais de 1 milhão de dólares, detêm 112,9 trilhões de dólares de patrimônio, 45,6% do total do patrimônio mundial pesquisado. Conclusão simples: 1% dos mais ricos são donos de metade de tudo o que o planeta produziu. Na base da pirâmide, os 71% dos adultos do planeta detêm ridículos 7,4 trilhões de dólares, 3,0% do total. Pobre gasta, rico faz aplicações financeiras, é uma bola de neve. Um novo pacto planetário se impõe. http://dowbor.org/2015/10/15065.html/

3) Entrevista de J. Stiglitz no Espaço Público – TV Brasil – Nov. 2015 vídeo + de 60 min. Uma entrevista de excepcional importância de Joseph Stiglitz, "Nobel" de economia e ex-economista chefe do governo Clinton, sobre a situação econômica atual nos Estados Unidos e no Brasil, focando em particular os problemas da desigualdade, e no caso brasileiro a situação surrealista dos juros. O vídeo completo está disponível na TV Brasil/Espaço Público. Raras vezes vi uma análise tão clara do caos econômico que enfrentamos, e das alternativas. http://dowbor.org/2015/11/xentrevista-com-stiglitz-na-tv-brasil-uma-visao-realista-sobre-a-crise-novembro-2015-1h.html/

4) L. Dowbor – Entrevista sobre o sistema financeiros – vídeo 4 min. Set. 2015 – Esta entrevista de 4 minutos ajuda a situar a problemática da intermediação financeira no Brasil, um tipo de rápida introdução para entender o fluxo financeiro integrado no país. O vídeo está disponível em http://dowbor.org/2015/09/ladislau-dowbor-expoe-estudos-recentes-sobre-a-crise-setembro-2015-4-min.html/

5) L. Dowbor – Resgatando o potencial financeiro do Brasil – Out. 2015,. 39 p. - A pesquis foi publicada agora em PDF pela Friedrich Ebert Stiftung (FES), edição muito cuidada e de melhor legibilidade, em particular de algumas tabelas. Trata-se a meu ver do principal entrave do país, vale a pena ler e divulgar, é o dinheiro de todos nós, e de cada um de nós. http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2015/10/15-FES-Resgatando-o-potencial-financeiro-do-pa%C3%ADs.pdf

6) O crédito deveria ajudar. Poder antecipar uma compra, financiar um empreendimento, pagar estudos universitários, tudo isto seria útil dentro de determinadas condições. Com taxas de juros extorsivas, multas, juro sobre juro, gerou-se uma massa de pessoas que trabalham para o lucro dos intermediários financeiros. É a indústria da dívida, aqui um artigo curto em português apresenta como funciona nos EUA. Para o Brasil, veja o nosso Resgatando o potencial do sistema financeiro.
http://dowbor.org/category/pilulas-informativas/


As recomendações dos meses anteriores estão disponíveis no mural, http://dowbor.org/mural/

Abraço, Ladislau










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