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São Paulo, 01/12/2008 Ladislau Dowbor Nós nos reproduzimos através de gerações
sucessivas. E a unidade básica de organização desta reprodução é a família. Ou
pelo menos foi: hoje, o processo está se tornando incomparavelmente mais
complexo e diversificado. A família como unidade econômica
Vísta pelo ângulo da economia, a reprodução de
gerações numa família se constrói através de laços de solidariedade. Os pais
cuidam das crianças, e dos seus próprios pais já idosos, e serão por sua vez
cuidados pelos filhos. A solidariedade é marcada pela panela, pelo fato de um
grupo sobreviver em torno do mesmo fogão de cozinha. Não é à toa que “lar” tem
a mesma raiz que “lareira”, como é o caso também, por exemplo, de “foyer” e
“feu” em francês. Como a criança não tem autonomia para so Em termos econômicos, a fase ativa da nossa
vida, tipicamente dos 16 aos 64 anos, pode ser vista como produzindo um
excedente: produzimos nesta idade mais do que o consumido, e com isto podemos
sustentar filhos e idosos, eventuais deficientes, ou doentes, ou pessoas da
família, mesmo em idade ativa, que não tenham como sustentar-se. Em outros
termos, a economia da família permite, ou permitia, uma redistribuição interna
entre os que produzem um excedente, e os que necessitam deste excedente para so O que está acontecendo, é que a família está
deixando de assegurar esta ponte entre produtores e não-produtores. A família
ampla, onde se misturavam avôs, tios, primos, irmãos, praticamente desapareceu,
ainda que so A tendência mais recente, é a desarticulação da
própria família nuclear. Nos Estados Unidos, apenas 26% dos domicílios têm pai,
mãe e filhos. Na Suécia, seriam 23%. Hoje contam-se nos dedos os amigos que não
estão divorciados. Mesmo quando estão juntos, pai e mãe trabalham, os filhos
estão na escola (quando está tudo em ordem), e a vida famíliar resume-se
frequentemente a uma pequena roda cansada olhando para as bobagens da televisão
no fim da noite. O próprio casamento tem um futuro incerto. Um
balanço da situação na Europa ocidental e em países de expressão inglesa,
constata que há quarenta anos havia em torno de 5% de nascimentos sem
casamento. Hoje, esta proporção ultrapassa 30%. Esta tendência pode ser muito
desigual: no Japão, apenas 1%. Entre os hispánicos nos Estados Unidos, são 42%,
e entre negros americanos, 69%, enquanto a média geral americana é 33%.[1] A mudança profunda e acelerada na estrutura famíliar
terá sem dúvida profundo impacto so O ser humano nem sempre obedeceu à filosofia
geral do homo homini lupus, homem
lobo do homem. Para além da família,
havia as comunidades, os clãs, tribos, quilombos, sociedades mais ou menos
secretas e as mais diversas formas de solidariedade social. Ou seja, podia-se
procurar o vizinho. Hoje, nesta era da sociedade anônima, uma pessoa está
literalmente só na multidão urbana. A urbanização, e so Com a revolução tecnológica, o conhecimento
torna-se um elemento central dos processos produtivos. Com isto, se uma geração
atrás a infância terminava com o quarto ano, hoje, para a maioria das pessoas,
a fase dependente no início da vida tende a estender-se cada vez mais, e vemos
com frequência jovens que vivem uma pós-adolescência tardia, buscando mais um
ano de estudo, à procura de um emprego no horizonte. Do lado do idoso, havia uma certa lógica nas
sociedades de antigamente. Vivia-se até os 50 anos, quando muito, e o tempo de
criar os filhos era a conta justa. Hoje,
uma pessoa pode perfeitamente viver até os 80 ou mais anos, e a terceira idade
assume uma dimensão que co Ou seja, o tempo de dependência da nossa vida
aumentou dramaticamente, enquanto a família, que assegurava a redistribuição do
excedente entre as gerações – e entre as fases remuneradas e não-remuneradas
das nossas vidas – está se tornando cada vez menos presente. Este processo
torna absolutamente indispensável a presença de mecanismos sociais de
redistribuição de renda, suprindo o papel que as famílias estão deixando de
desempenhar. Trata-se de uma redistribuição de renda já não só dos ricos para
os pobres, mas entre gerações. Passamos a depender, portanto, de mecanismos
formais de redistribuição do excende entre produtores e não produtores. Neste
contexto, o ataque generalizado ao Estado, a redução do espaço do Estado de
bem-estar – que aliás nunca foi muito amplo entre nós – e so Tentar reduzir o Estado, so É importante lem No conjunto, portanto, enquanto as fases não
remuneradas das nossas vidas se expandem, a família perde o seu papel
redistribuidor, as comunidades perdem o seu caráter de solidariedade, o Estado
abandona o seu papel de provedor, e o setor privado abocanha os recursos e os
direciona para elites, agravando a situação do conjunto. Geram-se assim imensas
tensões na reprodução social, tensões acompanhadas de desespero e impotência, porque
sentidas como dramas individuais, de crianças e jovens sem rumos, de idosos
reduzidos a uma mendicância humilhante, de um clima geral de vale-tudo social.
Criança não vota, aposentado não paralisa processo produtivo, mãe que cria
sozinha os seus filhos (26% dos domicílios no Brasil têm a mãe como principal
responsável) nem tem tempo de pensar nestas coisas. A poupança famíliar
A tendência é lamentável, pois nunca houve um
excedente social – fruto do aumento da produtividade – tão amplo. No nível da
família, o excedente se apresenta sob forma de poupança. Esta representa um
tipo de seguro de vida individual, ou famíliar. No mundo da agricultura famíliar,
a acumulação sob forma de bens ainda é forte: são as galinhas, os porcos, as
vacas, as safras reservadas para consumo e semente, os embutidos, as conservas:
de certa forma, a unidade de agricultura famíliar forma a sua própria conta
bancária, sob forma de produção acumulada. No mundo urbanizado, ainda há gente
que poupa através da aquisição de um segundo ou terceiro imóvel, que será
alugado, e representa uma garantia de renda para o futuro. Mas no conjunto,
passamos todos – os que temos certa poupança – a depender de intermediários
financeiros. E quando não a temos, a depender dos crediários. Como as poupanças
hoje são representadas por sinais magnéticos, com a correspondente volatilidade, perdemos o
controle so O caso Naturalmente, uma remuneração dos
intermediários financeiros neste nível de juros, a longo prazo, é
insustentável, pois não há contribuinte para co O que se passa no setor produtivo? Um produtor
pode procurar o banco para financiar o seu negócio, mas como o banco tem a
alternativa de aplicar sem risco a 26%, os juros co O que acontece com o desenvolvimento local?
Antigamente – hoje antigamente significa algumas décadas atrás – um gerente de
agência conversava com todos os empresários locais, buscando identificar
oportunidades de investimento na região, tornando-se um fomentador de
desenvolvimento. Hoje, o gerente é remunerado por pontos, em função de quanto consegue
extrair. Ontem, era um semeador à procura de terreno fertil. Hoje, é um
aspirador que deixa o vazio. O resultado prático, é que inúmeras pequenas
iniciativas essenciais para dinamizar o tecido econômico do país deixam de
existir. Isto varre do mapa milhões de pequenas iniciativas de acumulação famíliar
urbana, tipicamente centradas no pequeno negócio, na chama micro-empresa. Hoje
o lema é “pequenas empresas, grandes negócios”...para os intermediários
financeiros. O que acontece com o cidadão comum, que não é
nem governo, nem empresário, nem organizador do desenvolvimento local? O cliente a O resultado, é que a capacidade de consumo das famílias,
essencial para dinamizar as atividades econômicas do país, é esterilizada, pois
grande parte da nossa capacidade de compra é transformada em remuneração da
intermediação financeira. Assim, a paralisia atinge o governo, as atividades
produtivas, a dinâmica do desenvolvimento local, e o elemento dinamizador tão
importante que é o mercado interno. O processo hoje é global. Como sabemos, boa parte das dívida é
denominada em dólares. Isto significa que, se o dólar subir, os especuladores
donos destas dívidas poderão receber mais. Os países po O país po Como se comporta a teoria oficial do Fundo
Monetário Internacional frente a estas dinâmicas? “Os benefícios fundamentais
da globalização financeira são bem conhecidos: ao canalizar fundos para os seus
usos mais produtivos, ela pode ajudar tanto os paises desenvolvidos como os em
via de desenvolvimento a atingir níveis mais elevados de vida.” (Finance &
Development, IMF, March 2002, p. 13). O processo é inverso. Descapitaliza-se o setor
produtivo, o Estado, as comunidades e as famílias. Como o processo implica
juros altos, as empresas são levadas a se autofinanciar. Assim, a liberalização
dos fluxos de capital que deveria teoricamente “canalizar fundos para os seus
usos mais produtivos” leva pelo contrário à drenagem dos recursos para fins
especulativos, e leva as empresas cada vez mais a buscarem o autofinanciamento,
gerando um feudalismo financeiro em que cada um busca a autosuficiência,
perdendo-se justamente a capacidade das poupanças de uns irrigarem os
investimentos de outros. O efeito é rigorosamente inverso do previsto, ou
imaginado, pelo Fundo, mas rigorosamente coerente com os interesses da
especulação. Consegue-se assim montar um sistema articulado de esterilização de
poupança, de restrição do consumo e de desincentivo ao investimento que
paraliza o país. E a família? Ora, a fuga de divisas para fora
do país, em favor de quem não produziu rigorosamente nada, representa um empo Insistimos aqui nesta dimensão econômico-financeira
do processo, pois é importante que as pessoas entendam que a globalização tem
tudo a ver com o nosso cotidiano, com a angústia de qualquer família com o seu
futuro, com o futuro dos seus filhos. É significativa a obsessão com a qual famílias
relativamente po Em termos econômicos, a família constitui um
processo, uma sucessão de situações que constituem a nossa reprodução social.
Se todos os elos desta reprodução não estão assegurados, se temos por exemplo
uma juventude desorientada ou desesperada, e a dramática mortalidade
adolescente por assassinatos, isto faz parte de uma processo que não assegura a
própria lógica, tornou-se discontínuo, por mais que tenhamos belos hospitais de
cinco estrelas para os executivos atualmente empregados. A perda do controle so Família e trabalho
Nas sociedades tradicionais, havia uma certa
continuidade na organização da produção, de uma geração para outra. Na era
rural de agricultura famíliar, a inserção produtiva ocorria naturalmente, pelo
fato de haver coincidência do domicílio e do espaço produtivo. O filho ia
gradualmente aprendendo com o pai as fainas agrícolas, organizavam-se diversas
formas de divisão de trabalho na família. Em outros termos, e mantendo a nossa
visão de que a família constitui um processo de reprodução social, o trabalho
representava uma continuidade entre gerações. Esta dimensão não desapareceu. É
importante lem Mas o mundo do nosso convívio é hoje
essencialmente urbano. E nas cidades, são relativamente raros os casos de
continuidade profissional, salvo no caso de pequenas empresas famíliares. Não
há mais coincidência entre o espaço residencial e o espaço de trabalho, e cada
vez mais a casa é para onde se volta cansado à noite, e de onde saem sonolentos
pais e filhos para a labuta diária de manhãzinha. Há subúrbios que constituem
hoje cidades-dormitório, mas de forma geral as nossas casas viraram
casas-dormitório. Com a esterilização da poupança das famílias,
estas ficam com muito pouca iniciativa so Em Imperatriz do Maranhão, o meu pai idoso – já
nos noventa – era cuidado por uma jóvem de 80, que além de cuidar do meu pai
aproveitava a horta que os netos montaram para ela, em estrados de palmeiras
rachadas ao meio, para cultivar cebolinha, salsa, ervas diversas, que ia todo
dia vender numa cestinha, pela vizinhança. Cultivava assim não apenas ervas,
mas um círculo de amigos. Gerava a sua própria renda, mas cada um na família
ajudava. Imagem do passado? Não necessariamente, pois hoje com as novas
tecnologias há amplos espaços de colaboração famíliar ou de vizinhança,
resgatando novas formas de articulação do trabalho, novas solidariedades. Não é a volta a um passado bucólico que estmos
aqui sugerindo. É essencial entender que o espaço da família era um espaço onde
se fazia coisas juntos, como era o caso das comuniddes. O desaparecimento desta
dimensão da organização social gera uma sociedade de indivíduos que rosnam uns
para os outros na luta pelo dinheiro, e esquecem que a qualidade de vida é uma
construção social. Vencer na vida, da
forma como nos apresentam diariamente na televisão, é um processo de guerra
contra os outros, e resulta em morarmos num condomínio caro e cercado de
guaritas. É o sucesso. Construir uma sociedade civilizada passa por
dinâmicas sociais mais complexas, que até as empresas mais retrógradas estão
começando a aprender, na linha da responsabilidade social e ambiental. De certa forma, este raciocínio nos leva ao
fato que o trabalho não é apenas uma tarefa técnica que consiste em produzir o
mais rápido possível, o mais possível, buscando o máximo de dinheiro possível.
O trabalho deve constituir um elemente essencial da organização do convívio
social. A ruptura profunda gerada, entre o universo do trabalho e o universo famíliar,
tende naturalmente a desestruturar esta última. E o trabalho, privado da sua
dimensão afetiva de relacionamento, na correria do just-in-time, na malvadeza cientificamente assumida do lean-and-mean, na patologia cristã de que só é virtuoso o que
nos faz sofrer, o que nos sacrifica, gera gradualmente um deserto onde vemos
pouco sentido no que fazemos no emprego, a não ser no dinheiro do fim do mês,
na compra de mais uma televisão, na troca do sofá. A sociabilidade no trabalho é funcional,
interessada, presa à hierarquia de quem manda e de quem obedece, eivada de
rivalidades, ciumes, cotoveladas discretos, sorrisos amarelos. A sabedoria
popular Não se trata aqui de um olhar som Muitíssima gente está mudando os seus enfoques
no mundo. O executivo uniformizado de ataché-case,
caneta Mont Blanc, e outros
apetrechos correspondentes, – versão sofisticada do homem-sanduiche, ostentando
um cartaz de sou melhor que você - está sendo gradualmente substituido por gente
que se veste à vontade, e busca viver, inclusive no trabalho. Muitas empresas
têm hoje salas de sesta, para que o trabalhador possa tomar uma soneca quando
precise. A redução do leque hierárquico está na ordem do dia. A qualidade de vida no emprego é
amplamente discutida. O filme Beleza
Americana, ainda que um pouco forçado, faz parte desta tomada de
consciência da forma absurda como estamos sendo organizados para sermos
eficientes para a produção, e inúteis para a vida. A pressão pela redução da jornada de trabalho,
essencial para melhorar a nossa produtividade, e para resgatar o elo temporal
entre a vida famíliar, a vida profissional e atividades sociais complementares,
está gradualmente voltando a constituir uma reivindicação social de peso, como
foi a luta pela jornada de 8 horas há décadas atrás. Na cidade de Lausanne, na Suiça, a prefeita
decidiu mudar o tratamento dado ao idoso que vive só: em vez de colocá-lo numa
clínica, com enfermeira, papinha e televisão, fez com a ajuda de estudantes
universitários uma pesquisa que lhe permitiu identificar vizinhos de cada
idoso, dispostos a ajudá-lo. Com um pequeno salário e um pouco de treinamento,
organizou na cidade uma rede de solidariedade que lhe permitiu economizar
recursos públicos, e melhorar o capital social, o simples gosto de vida das
pessoas. Não há dúvida que uma enfermeira especializada, numa clínica bem
equipada, saberia ministrar a papinha de maneira mais eficiente (e com custos
muito maiores, o que contribui para aumentar o Pib). Mas é disto que se trata? Na
Polônia, vimos prédios onde o andar térreo é reservado para pequenos
apartamentos onde os idosos podem ficar perto da família que mora nos andares
de cima, e ao mesmo tempo guardar certa privacidade. Organizar o convívio
social é assim tão complicado? De certa maneira, trata-se de desarticular um
mecanismo perverso, onde o acesso às coisas elementares da vida exige cada vez
mais dinheiro, as famílias devem se organizar para maximizar a renda, os filhos
já entram na primeira infância na filosofia da competição, pois estão se preparando para a vida, carregando as
suas imensas sacolas de material escolar.
Perde-se o convívio famíliar, a sociabilidade comunitária, gera-se um bando de
zumbis eficientes que não param mais para perguntar o mais evidente: estamos
todos correndo para onde? Trata-se,
evidentemente, de inverter a equação. Não devemos organizar as nossas vidas para o trabalho, mas organizar o trabalho para que
as nossas vidas sejam agradáveis. A economia é um meio, não é um fim. Utopia? Há uma década, ainda se media os países
apenas de acordo com o Pib, na linha das estatísticas do Banco Mundial. Os
indicadores de desenvolvimento humano (IDH), a partir de 1990, passaram a
comparar também a qualidade de vida, ao acrescentar às comparações dados de
saúde e de educação. Na metodologia Calvert-Henderson, no ano 2000, está se
passando a avaliar a eficiência das nações a partir da qualidade de vida dos
seus cidadãos, em torno de 12 grupos de indicadores: educação, emprego,
energia, meio-ambiente, saúde, direitos humanos, renda, infraestrutura,
segurança nacional, segurança pública, lazer e habitação.[8]
Isto nos leva ao conceito de produtividade social, ou de produtividade sistêmica. Um plano de
saúde, ao maximizar o ritmo de rotação de pacientes por médico, está gerando um
taylorismo social que sem dúvida se demostra muito eficiente em termos
micro-ecnômicos. Esta eficiência é medida em termos de rentabilidade da
seguradora ou do banco que controla o conjunto. E o resultado prático, em
termos sociais, é uma saúde deficiente, pois o que assegura a produtividade
social da saúde é muito mais o esforço preventivo do que o luxo das instalações
hospitalares. Em outros termos, quando hoje falamos em responsabilidade social
e ambiental das empresas, levamos cada administrador a levantar um pouco os
olhos, para além dos muros da empresa, e a pensar simplesmente: isto é útil
para a sociedade? O Instituto Souza Cruz publicou em janeiro 2003
“Marco Social: Educação para Valores”. O Instituto Souza Cruz é mantido pela
Souza Cruz, que por sua vez pertence à British American Tobacco, que investe
anualmente centenas de milhões dólares em publicidade para convencer jóvens a
fumar: a população alvo predileta é a de 14 anos, quando o vínculo com a
nicotina se torna praticamente assegurado para o resto da vida. A publicação,
bastante luxuosa, começa com uma citação de Anísio Teixeira (!) so Quem não ficaria comovido? No entanto, um
economista tradicional nos saberá explicar que a Souza Cruz gera empregos,
dinamiza a plantação de fumo, provoca a expansão de clínicas de tratamento de
câncer, estimula a venda de produtos para A visão que queremos aqui esboçar, é que a
transformação da família pertence a um conjunto de mudanças mais amplas, e que
não se trata apenas de lamentar a sua dissolução: trata-se de repensar o
processo de rearticulação do nosso tecido social. No belíssimo filme Janelas da Alma, Wim
Wenders, que já nos deu tantas o O nosso sistema sabe aumentar a produção, ou
pelo menos sabia, antes do domínio dos gigantes financeiros e da globalização
selvagem. Mas a organização social capaz de tornar este aumento de produção
socialmente útil depende de dinâmicas totalmente diferentes das dinâmicas de
mercado. A vida não se resume a uma corrida desesperada para equili Referenciais individuais e sociais
Não é tão difícil assim colocar-se no lugar do
jóvem. Sai da escola sem nunca ter visitado uma empresa, uma repartição
pública, uma ONG. A separação radical entre as fases de estudo e do trabalho,
produz uma geração de jóvens desorientados, à procura da sua utilidade na vida.
Se cruzarmos esta situação com as dinâmicas do trabalho vistas acima, a
ausência de perspectivas torna-se muito forte, a não ser em alguns grupos
privilegiados. Na realidade, no processo produtivo onde os conhecimentos passam
a desempenhar um papel preponderante, em vez de estudo e trabalho serem etapas
distintas da vida, devem crescentemente constituir um processo articulado onde
aquisição de conhecimentos e a sua aplicação produtiva devem emriquecer-se
permanentemente. Sentir-se inútil numa fase da vida em que o
jóvem chega disposto a fazer e acontecer, gera sem dúvida um sentimento de
profunda frustração. Poder fazer uma coisa útil constitui um favor, alguém deu um emprego. Uma pesquisa
nos Estados Unidos mostrou que no conjunto, o who you know (quem você conhece) tornou-se um fator mais importante
de avanço profissional do que o what you
know (o quê você conhece, as suas competências). O mundo para o jóvem passa
a ser visto como um universo opaco e fechado, gerando desânimo e passividade. Esta tendência tem de ser colocada numa
perspectiva mais ampla. As nossas crianças e os nossos jóvens são criados num
referencial de família muito frágil: com os dois pais no trabalho, o trabalho
distante da casa, casais frequentemente separados, o silêncio no binômio
sofá-televisão: constrói-se assim muito pouco balizamento entre o bem e o mal,
muito pouco sentido de vida. Um outro universo que contribuía muito para a
construção de valores era a rua, a vizinhança. Ali, não era ainda o mundo¸ mas também já não era a família,
alí a criança e o jóvem testavam a sua presença social, delimitavam
gradualmente os valores da amizade, o peso das rivalidades, construiam os seus
espaços de sociabilidade. Hoje, nenhuma mãe em sã consciência diz à criança que
vá Os pais perdidos entram em intermináveis
discussões so A escola pequena, de bairro, frequentada por
pessoas que convivem de uma maneira na escola, e de outra nas ruas da
vizinhança, mas pertencendo ao mesmo tecido de relações sociais, era outro
espaço de construção de referências. Boa parte disto subsiste no interior. Nas
grandes cidades, e frente a uma construção escolar onde se buscam absurdas
economias de escala (quanto maior, mais barato), gera-se um universo de gente
que só se encontra na escola. Os universos sociais do local de residência e do
local de estudo só se cruzam eventualmente. Na própria classe média, é patético
ver mães que passam horas no trânsito para levar uma criança a Os pais ficam indignados: eles bebem, eles fumam, eles se drogam,
eles transformam o sexo numa aeróbica banalizada, eles não vêm sentido nas
coisas...O que é que nos fizemos para dar sentida às suas vidas? Todos nós
estamos ocupados em ganhar a vida, em subir nos degraus absurdos do sucesso¸ como é que as crianças vão
entendem o nosso sacrifício como útil?
A compreensão de que se matar de trabalho para
construir uma vida sem sentido, ainda que com a garagem que ostenta um belo
carro, e entulhada de esteiras de ginástica e outras relíquias de entusiasmos
consumistas passageiros, sem tempo para fazer as diversas coisas que poderiam
ser agradáveis, ou belas, – filtra gradualmente para dentro das nossas
consciências, ainda que continuemos todos a correr sem rumo. Será que os nossos
filhos realmente não vêm o absurdo das nossas próprias vidas? E que rumo isto
aponta para elas? A verdade é que a vida reduzida a uma corrida individual pelo
sucesso econômico, com a ilusão de que tendo sucesso, e portanto dinheiro,
compraremos o resto, é uma absurda ilusão que nos levou à civilização de guetos
de riqueza e miséria que hoje vivemos. É significativo que em muitos lugares jóvens, e
até crianças, às vezes com apoio dos professores – outra classe á procura do
sentido do que ensina – estão arregaçando as mangas e começando a tomar
iniciativas organizadas. Vimos na Itália um movimento de crianças pela recuperação
das praças. Um filme-reportagem feito pelas próprias crianças mostra a
passeata, a negociação com a prefeitura, e o resgate progressivo de praças
transformadas em estacionamento, para que voltem a ter água, árvores, espaço
para Em Valparaíso, vimos uma experiência de
crianças de rua que, com o apoio de uma ONG, passaram a resgatar os espaços
vazios de um bairro, a organizar as suas próprias bandas de música, eventos
culturais, a ponto que hoje as seis escolas formais do bairro se associaram ao
projeto, e desenvolvem atividades de resgate dos espaços públicos, fazem aulas
so O que isto aponta, na realidade, é que estamos
evoluindo de uma visão em que a organização social se resume a um Estado que
faz coisas para nós, e de empresas
que produzem coisas para nós, para uma visão em que a
sociedade organizada volta a ser dona dos processos sociais, e articula as
atividades do Estado e das empresas em função da qualidade de vida que
procuramos. A expansão das organizações da sociedade civil, a força do terceiro
setor, o resgate das funções sociais do Estado, o surgimento da
responsabilidade social e ambiental das empresas, a crítica às grandes
corporações da especulação financeira, do monopólio de produtos farmacêuticos,
de comercialização de armas, o próprio surgimento muito mais amplo da noção de um outro mundo é possível, pertencem
todos a um deslocamento profundo de valores que estamos começando a sentir na
sociedade em geral. Como indivíduos, podemos melhorar a nossa casa,
batalhar o estudo para os nossos filhos, comprar um carro melhor. Mas as
mudanças sociais dependem de organização social. O sentimento de desorientação é sentido como
sofrimento individual, mas as raízes são mais amplas. Sofá, TV e salgadinho
Curiosamente, quando fazemos o que todos fazem,
e não nos sentimos felizes, conseguimos nos convencer que os culpados somos
nós. Parece que não somos normais. Mas é
importante entender que o sentimento de frustração é geral. Manifesta-se neste
sentimento difuso de perda de controle sobre a nossa realidade, sobre o que
queremos fazer, sobre o mundo que nos cerca. O trabalho não é sofrimento:
batalhar o futuro, fazer coisas que dão certo, ainda que com mil dificuldades,
brincar com os amigos, tudo isto é essencial para o nosso senso de equilíbrio. O que isto sugere de maneira ampla, é que as
dinâmicas econômicas atuais geram simultâneamente mais produtos para elites, e
menos sentimento de realização individual. O que nos venderam como visão de
mundo, é que a felicidade consiste em ter em torno de nós apenas o esposo ou
esposa, e os filhinhos, todos em idade simpática, um apartamento de dois
quartos, sala, sofá e televisão. As opções de vida são relativas à cor do sofá,
ao modelo da geladeira. É importante ver a dupla face deste problema.
Primeiro, todos devem ter o direito a ter os dois quartos, a saúde, a comida na
mesa. Inclusive, assegurar o necessário a todos é uma condição preliminar para
que possamos viver a vida em paz. Já dizia Marat na revolução francesa: “nada
será legitimamente teu, enquanto a outrem faltar o necessário”. Este objetivo
consiste sem dúvida num ideal social maior pelo qual temos de batalhar. Mas este “necessário” não é suficiente. Quando
temos os dois quartos e o sofá, a primeira coisa que queremos fazer é sair, é
fazer alguma coisa. E este fazer alguma coisa envolve outras pessoas, convívio,
festas, brincadeiras, esporte, coisas que nos façam sentir vivos. A sociedade
atomizada em micro-unidades, que descartou os idosos para o asilo, os
deficientes mentais para o manicômio, os revoltados para a cadeia, os pobres
para a periferia, é uma sociedade desintegrada que parou de assumir a
construção dos seus próprios espaços sociais, apenas administra privilégios. Entender o desafio da pobreza, - coisa que
devemos fazer sistematicamente – pode ser mais fácil do que entender a
desarticulação social e o malestar que se generaliza. Este sistema leva, de um
lado, a uma privação de grande parte da população mundial dos bens essenciais
para uma sobrevivência com um mínimo de dignidade, e por outro lado, gera um
perfil de produção e formas de organização socio-econômica que não trazem
respostas aos que sairam desta privação. Quando vemos as cidades-dormitórios,
os bairros sem uma praça ou áreas de sociabilidade, lazer e convívio, os
condomínios fechados com as suas cercas eletrificados, arames farpados e
guardas privados, temos de ir além do problema do modelo ser elitista e privar
os pobres do essencial: a própria lógica é absurda. Ghoje as grandes empreiteiras de São Paulo, por
exemplo, formam um pacto corrupto com políticos, e levam à construção de uma
cidade inteiramente organizada em função do automóvel, chegando, entre túneis e
elevados, a formar vários andares de vias, enquanto batalham contra qualquer
uso público do espaço urbano, considerado “desperdício”. Um rio limpo não gera
contratos, enquanto um rio poluido gera imensos contratos de despoluição, de
desassoreamento, de canalização. A lógica das habitações é criar o máximo de
construções para pequenas famílias, desarticulando o convívio entre gerações. De
certa maneira, a capacidade técnica e gerencial das empresas evoluiu, mas a
redução dos objetivos ao lucro imediato torna estes avanços socialmente pouco
úteis. Isto porque a empresa não pensa no convívio social e nas infraestruturas
correspondentes, mas na capacidade de compra individual do cliente. É interessante a notícia de que uma atualização
do famoso Kinsey Report de cinquenta anos atrás, quando foi feito o primeiro
grande estudo sobre o comportamento sexual da população nos EUA, mostra que
hoje se faz sexo incomparavelmente menos do que há meio século. Isto com a pílula,
a permissividade, cinemas pornôs, camisinha, out-doors de poses as mais
extravagantes em qualquer esquina, motéis por toda parte. Parecemos inundados
por sexo. No entanto, parece que o comportamento amoroso se retrai. É viável
uma mulher sentir um grande ardor sexual por seu simpático barrigudo de chinelo
e camiseta, sentados anos seguidos no mesmo sofá, vendo as mesmas bobagens da
tv? Trancar um casal num casulo é uma idéia romântica para vender como
publicidade, e permite vender muitos apartamentos, mas é mortal para o convívio
matrimonial. Estamos aqui no limite do quanto um economista
pode responsavelmente penetrar em áreas alheias, ainda que faça parte da
tradição do economista poder dizer qualquer coisa sobre qualquer assunto. O que
aqui tentamos delinear, é o fato das dinâmicas econômicas poderem ter um imenso
impacto sobre a vida pessoal, a felicidade do casal, o nosso interesse amoroso.
Não é a família que está doente: é o processo
de reprodução social e econômico que se tornou absurdo, levando a família de
rodo. O programa americano de TV “Sixty Minutes”
levou recentemente ao ar uma reportagem sobre fast-food, a indústria do
hamburguer. Estas empresas pesquisaram e concluiram que a excitação das papilas
gustativas na criança está centrada no açucar, na gordura e no sal. Assim,
temos o refrigerante que acompanha o hamburguer e as batatas fritas. Até aí,
tudo bem. Mas as grandes redes como Burger King, McDonald e outros estão
fazendo gigantescas campanhas de televisão para fazer as crianças preferir este
tipo de comida, e constituem hoje as maiores redes de distribuição de
brinquedos e outros brindes para estimular este consuno. Hoje, a grande
ofensiva é para se instalar nas escolas, banindo as nutricionistas. Tentar
oferecer frutas, legumes e outras comidas tradicionais ao lado deste tipo de
estabelecimento, é covardia. O resultado prático é que hoje, entre
hamburgers e salgadinhos, a obesidade atinge 30% dos jóvens norte-americanos.
Não é difícil imaginar o que é a vida de uma menina que, com 13 anos é obesa.
Ou o que esta vida será. O programa entrevistou o dono de uma grande empresa de
publicidade de fast-food, que visa público infantil, e inclusive utiliza
crianças na geração da publicidade: perguntado se não achava covardia empurrar
este tipo de comida para crianças que precisam de alimentação variada para
crescer normalmente, o dono da empresa, um psicólogo, corrigiu: “nos não
empurramos produtos, nos informamos as crianças para que possam fazer uma
escolha responsável”. No conjunto, isto significa que somos
empurrados sim a nos comportar de acordo com as necessidades das empresas, com
os interesses econômicos, em vez das atividades econômicas responderem ás
nossas necessidades. Não é à toa que os gastos mundiais com publicidade
atingem somas astronômicas, hoje da ordem de 500 bilhões de dólares. As
empresas gastam este dinheiro, porque a publicidade funciona. Não porque somos
bobos, mas porque somos influênciaveis, provavelmente uma das características
mais ricas do ser humano, porque vinculada à sensibilidade.[10]
É patético as pessoas caminharem solitárias sobre
uma esteira, que tiveram que comprar, e que depois de uma semana fica parada
num canto, porque já não há mais espaço para jogar bola na vizinhança. Qual o
sentido de pedalar numa bicicleta montada na garagem quando podemos utilizar
bicicletas de verdade, para passear, através de ciclovias e controle de
trânsito. Fabricamos tanta coisa inútil, geramos tanto desperdício, com um
ritmo de trabalho que nos esfola e nos priva da simples alegria de viver. Há lugar para vida inteligente
Havia um tempo em que os brados pela mudança
vinham das esquerdas. Hoje, um prêmio nobel de economia como Stiglitz, que foi
economista chefe do Banco Mundial, diz que o sistema como está não pode
continuar. Hazel Henderson, uma das economistas mais importantes hoje no
planeta, diz que a competição não serve mais como regulador geral da economia,
e desenvolve a visão do win-win, literalmente
ganha-ganha, mostrando que pode-se desenvolver um sistema onde todos ganham. David
Korten, que denuncia o absurdo gerado pelos interesses das empresas
transnacionais, não vem de movimentos de contestação, vem dos programas
americanos de ajuda ao desenvolvimento, e elaborou uma das críticas mais bem
estruturadas da forma de organização econômica que hoje prevalece. J. K.
Galbraith aponta para uma “sociedade justa”. Peter Drucker, o antigo guru da
administração empresarial, hoje dirige uma organização não-governamental e
busca os rumos da “sociedade pós-capitalista”. E faz uma constatação óbvia mas
poderosa: “não haverá empresas saudáveis numa sociedade doente”.[11]
A lista é muito grande. As pessoas que conhecem
as dinâmicas do sistema, porque ajudaram a montá-lo, hoje tendem a tomar um
pouco de recúo, buscam o sentido das coisas. O o sentido é relativamente claro:
a economia deve servir-nos, para que tenhamos uma vida com qualidade, e não
constituir um mecanismo complexo acessível apenas aos espertalhões, que termina
por nos jogar em conflitos entre ricos e pobres, criando angústia e
insegurança. Esta mudança passa por uma alteração de formas
de organização social. Em particular, temos de organizar nas nossas cidades
sistemas descentralizados e participativos de decisão sobre como organizamos os
nossos espaços urbanos, pois sem isto continuaremos vítimas das incorporadoras,
imobiliárias, empreteiras e outros especuladores urbanos. Não se trata aqui
apenas do fato que é um processo corrupto: é um processo corrupto que organiza
a sociedade de forma pouco inteligente. Não basta reorganizar o nosso espaço urbano,
para que seja user-friendly como
dizem hoje os informáticos. Temos de reorganizar o tempo, principal recurso não
renovável de que dispomos para viver de maneira agradável e inteligente.
Reduzir a jornada para 6 horas já seria um bom passo, abrindo possibilidades
para o convívio, o lazer, a cultura, a família, e com isto dinamizando um
consumo mais rico e mais inteligente. Temos também de aprender a nos organizar. A
máquina do Estado e o mundo empresarial são insuficientes, simplesmente porque
ambos devem servir à sociedade, e uma sociedade não organizada não tem como
impor as suas prioridades. As ONGs, as organizações de base comunitária, as
associações dos mais diversos tipos precisam desempenhar um papel chave, e
tornar-se parte do cotidiano de cada um de nós.
Temos de democratizar a informação. A
descentralização das formas de comunicação, com rádios comunitárias, emissoras
locais de TV, constitui um elemento essencial de criação de um vínculo local,
de promoção cultura, de integração dos diversos grupos e atores, de divulgação
de iniciativas. A principal novela é a nossa própria vida, e vale a pena. Temos de criar mecanismos que nos permitam
resgatar o controle das nossas poupanças. Há inúmeros exemplos de bom
funcionamento de formas inovadoras, que vão desde as formas socialmente
responsável de aplicações financeiras desenvolvidas nos Estados Unidos, até as cagnottes na França, o crédito solidário
no Brasil. Os bancos trabalham com o nosso
dinheiro, e devemos aprender a fazer
valer o nosso direito em assegurar que as nossas poupanças sejam utilizadas em
iniciativas socialmente úteis, e não em especulação. E temos, óbviamente, de resgatar o imenso fosso
social que o processo capitalista está gerando, entre ricos e pobres. Não
haverá paz social, não haverá tranquilidade nas ruas, não haverá convívio
enriquecedor nas comunidades enquanto dezenas de milhões de pessoas continuarem
numa miséria dramática e revoltante. E a família? A família tem justamente de ajudar
na reconstrução deste entorno econômico, social, urbanístico, trabalhista,
cultural que a viabilize. Não bastam discursos ideológicos de que a família é o
esteio da sociedade. É preciso viabilizá-la, e com isto viabilizar
a própria sociedade desnorteada que criamos. Ladislau
Dowbor, é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e
Estatística de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e da UMESP, e
consultor de diversas agências das Nações Unidas. É autor de “A Reprodução
Social”, “O Mosaico Partido”, ambos pela editora Vozes, além de “O que Acontece
com o Trabalho?” (Ed. Senac) e co-organizador da coletânea “Economia Social no Brasil“ (ed. Senac) Seus numerosos trabalhos sobre planejamento
econômico e social estão disponíveis no site http://dowbor.org [1] Rodger Doyle – Going Solo: unwed
motherhood in industrial nations rises – Scientific American – January 2002, p.
22 – ver também www.sciam.com/2002/0102issue/0102numbersbox1.html ; o dado para o Japão corresponde a
1990, os outros correspondem a meados ou fins dos anos 1990 [2]
Robert Putnam – Bowling Alone: the collapse and revival of american comunnity
– Simon & Schuster, New York, 2000 – O livro de Putnam é uma excelente
introdução às transformações sociais geradas pelas novas tecnologias e pelas
formas de organização urbana. Veja resenha em http://dowbor.org
[3] Lester Salamon utiliza o
conceito interessante de serviços humanos, onde se expande rapidamente o
chamado Terceiro Setor. Ver entrevista na Roda Viva da TV Cultura, 3 de março
2003. [4] A inflação não modifica muito
este quadro. No caso de uma inflação de 10%, significaria que a remuneração
real pela nossa poupança é zero, e que o banco continua a ganhar 16%. Na média,
o “spread” que é a diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro, e a
sua remuneração, é de 25% segundo Guilherme Barros, editor de Folha Dinheiro,
Folha de São Paulo, 16 de fevereiro de 2003, p. B1; na realidade mesmo as
aplicações mais rentáveis como DI remuneram a nossa poupança menos que a
inflação: em valores nominais a nossa aplicação cresce, enquanto o poder de
compra diminui. O que perdemos em poder de compra é transferido para os
intermediários. Ver Folha de São Paulo, 8 de março 2003. [5] Ver artigo de Ney Hayashi da
Criz, Folha de São Paulo, 8 de março 2003, p. B4 [6] - ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de
Finanças, Administração e Contabilidade – (www.vidaeconomica.com.br/famílias.htm
) Pesquisa realizada entre junho e agosto 2002. O estudo apresenta o gasto
despesa famíliar médio com despesas financeiras como sendo de 29,83%. Estas
despesas variam de 35,43% para famílias entre 1 e 5 salários mínimos, e 19,08%
para famílias com renda acima de 50 salários mínimos. Dados da Anefac foram publicados pels revista
Época. [7] Ver cifras detalhadas no
nosso O que Acontece com o Trabalho,
Senac, São Paulo, 2002 [8] Os dados do IDH podem ser
consultados em www.undp.org/hdro e os
indicadores Calvert-Henderson estão sistematizados em Calvert-Henderson Quality of Life Indicators: a new tool for assessing
national trends - Bethesda, USA,
2000, www.calvertgroup.com – Um raciocínio
ajuda a entender a importância da mudança das metodologias de avaliação dos
nossos avanços: com os critérios estreitamente econômicos do Banco Mundial,
somos a 9ª potência mundial; ao olharmos as nossas condições reais de vida, na
perspectiva dos Indicadores de Desenvolvimento Humano, o nosso lugar baixa para
um modesto 69º. [9] Os exemplos são inúmeros. Há
algum tempo, ajudamos a elaborar um livro chamado Cities for Children, que apresenta idéias so [10] Sobre este tema, ver L.
Dowbor, O. Ianni e Hélio Silva – Os desafios
da comunicação – Vozes, Petrópolis
1999, em particular o nosso Economia
da Comunicação [11] Joseph Stiglitz – A Globalização e os seus descontentes;
Hazel Henderson – Construindo um Mundo
onde Todos Ganham, editora Cultrix; Davida Korten –O Mundo Pós-Corporativo - Editora Vozes, Petrópolis, 2000; J.K.
Galbraith – A Sociedade Justa – Editora
Campus, Rio de janeiro 1996; para escritos recentes de Peter Drucker, ver www.pfdf.org |
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