Dicas de Leitura

Ladislau Dowbor – Pikettismos (8) – uma utopia útil? – junho – 2014, 2p.

Piketty desanca a desigualdade, os folgados que vivem de renda, os preconceituosos de diversos tipos, traz no decorrer de todo o texto o sentimento de estarmos acompanhando um pesquisador que tem cabeça aberta, e profunda compreensão dos mecanismos econômicos, inclusive da hipocrisia com a qual elites justificam as suas fortunas. É claramente um humanista. Mas classificar a sua obra além disto resiste às nossas divisões ideológicas tradicionais. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos (7): o imposto progressivo sobre o capital – junho – 2014, 2p.

A visão mais ampla em termos propositivos está na linha de um imposto progressivo sobre o capital acumulado. Já que os mecanismos de mercado, neste caso, em vez de gerar equilíbrios, geram um processo cumulativo de desigualdade, uma espiral descontrolada de enriquecimento cada vez menos vinculado à contribuição produtiva, uma intervenção institucional para organizar a redistribuição torna-se indispensável. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos (6) – A armadilha da dívida pública – junho – 2014, 3p.

A dinâmica particular que vemos aqui, e que aparece na parte final do estudo do Piketty, é que os sistemas de gestão financeira que aplicam as grandes fortunas desenvolveram um segundo mecanismo, que consiste em se apropriar dos recursos públicos por meio da dívida pública. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos: a origem das fortunas (5) – junho – 2014, 3p.

origem das fortunas, e por sua vez das desigualdades, nem sempre se localiza numa garagem, e muito menos a sua reprodução e ampliação ulterior. Basicamente, se trata de herança, de aplicações financeiras, e dos mega-salários utilizados em algumas grandes corporações. As dinâmicas, naturalmente, são frequentemente articuladas. E joga um papel importante o controle ou capacidade de pressão sobre os governos. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos: riqueza e merecimento (4) – junho – 2014, 3p.

A riqueza dos ricos é merecida? Quando os gestores ganham 300 vezes mais do que os trabalhadores na base da empresa, distância impressionante e que cresceu dramaticamente nas últimas décadas, podemos sem dúvida nos colocar questionamentos éticos. Eles, naturalmente, não têm 300 vezes mais filhos. Ninguém precisa de tanto dinheiro, tanto assim que o essencial destes ganhos se transforma em aplicações financeiras, que simplesmente drenam recursos das atividades produtivas para assegurar rendimentos financeiros. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos: renda e patrimônio (3) – junho – 2014, 3p.

O fato do livro do Piketty se basear na distinção entre o fluxo anual de renda e o estoque de riqueza acumulada, permite deixar muito mais claro o processo cumulativo de desigualdade que se construiu na sociedade moderna. Como além disto o poder político dos mais ricos permitiu passar leis que desregulam a especulação financeira e que reduzem drasticamente o imposto sobre a fortuna ou sobre transmissões de herança, fica clara a falha estrutural do sistema em termos de equilíbrios de longo prazo. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos: o lugar da ciência econômica (2) – junho – 2014, 2p.

Um dos aportes fundamentais do Capital no Século XXI, é o de recolocar a economia no seu devido lugar, como uma das áreas das ciências sociais, voltando com isto a ser “economia política”, como na sua origem, ou seja, o estudo da dimensão econômica dos diversos processos da reprodução social. Com isto, o estudo dos mecanismos econômicos volta a ter pé e cabeça, ao ser compreendido nas suas complexas interações com a política, com os mecanismos de poder sob suas diversas formas, com os valores sociais das diferentes épocas e culturas. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos: a desigualdade na mira (1) – junho – 2014, 3p.

A verdade é que Thomas Piketty, com a força da juventude e uma saudável distância das polarizações ideológicas que tanto permeiam a análise econômica, abriu novas janelas, trouxe vento fresco, nos permitiu deslocar a visão. Se bem que o problema da distribuição da renda sempre estivesse presente nas discussões, a teoria econômica terminou centrando-se muito mais no PIB, na produção de bens e serviços, e muito insuficientemente na repartição e nos mecanismos que aumentam ou reduzem a desigualdade. (L.Dowbor)
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Ladislau Dowbor – As tensões planetárias no limite – maio – 2014, 4p.

Estamos atingindo limites em vários planos. Para já, somos muitos: 7 bilhões de habitantes, 80 milhões a mais a cada ano, e todos querendo consumir mais. E se não quiserem, aí está publicidade para moldá-los, desde crianças, em máquinas de consumo obsessivo. (L. Dowbor)
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Samantha Geimer – The Girl: a life in the shadow of Roman Polanski – Atria Books, New York, 2013

Ficou famoso o caso de Roman Polanski com uma adolescente, Samantha Geimer, nos anos 1970. O fantástico é que o assunto não sai de cena. Abusada com 13 anos de idade, a menina não teve paz durante a sua vida, pois sexo anal misturado com proibições, personagens famosos e Hollywood é matéria prima para promoção de jornais, comentaristas de TV, juízes e advogados. Décadas após os fatos, Samantha decide colocar os pontos nos "is": a tragédia não foi o que Polanski fez com ela, e sim o que fizeram da vida dela a indústria da mídia e a máquina do judiciário. Tudo em nome da moral, naturalmente. (L.Dowbor)
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John Gerard Ruggie – Just Business: Multinational Corporations and Human Rights – W.W. Norton, New York – ouctober – 2013, 225p.

O resultado dos trabalhos de Ruggie, os “Princípios Norteadores”, não é um texto jurídico, e sim um texto ético definindo regras funcionais. É o que se pôde fazer, e já constitui um grande passo. Nas palavras do autor, “não há leis/regras com poder de autoridade para empresas, nem corte suprema internacional para decidir quem está certo” (p.16) Mas o relato das negociações, conteúdo deste livro, constitui uma precisa radiografia de como se articulam as relações de poder neste mundo tão escandalosamente discreto. (L. Dowbor)
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Fábio Konder Comparato – A civilização capitalista – editora Saraiva, São Paulo, 2013 ISBN 978-85-02-20034-0, 312p.

Fabio Konder Comparato se livrou claramente a um exercício prazeiroso. Já pagou seus impostos escrevendo numerosos trabalhos especializados, que fazem parte da nossa cultura geral. No presente livro, se dá ao luxo de desenhar, com grandes e agradáveis pinceladas, os nossos desafios, retomando as origens do capitalismo, nas suas diversas fases, em torno dos grandes eixos que o caracterizam: o seu espírito (mentalidade coletiva e sistema ético), a estrutura de poderes que organiza as instituições sociais, e a base geoeconômica. (L. Dowbor)
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Lester Brown – World on the Edge: how to prevent environmental and economic collapse – W.W. Norton & Cy, New York, London, 2011, 240 p. – ISBN 978-0-393-33949-9 (O mundo no limite: como prevenir o colapso ambiental e econômico).

Lester Brown continua a nos abastecer com excelentes visões de conjunto dos desafios ambientais, sociais e econômicos. Velho guerreiro do processo, tem a escrita leve, e os seus livros permitem entender como os diversos desafios se articulam. E como sempre, prioridade à dimensão propositiva. Estamos nos limites das irracionalidades e das tensões planetárias. Excelente leitura, que vem complementar o seu Plano B 4.0 já amplamente divulgado. (L. Dowbor)
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Kofi Annan – Intervenções: uma vida de guerra e paz – Companhia das Letras, São Paulo, 2013, 461p.

Kofi Annan escreveu um livro de leitura extremamente agradável e de riqueza informativa impressionante.  Digo isto, porque os textos de pessoas ligadas às Nações Unidas tendem a ser tão cuidadosos, que frequentemente  não dizem nada. Tipo do político ou do empresário, que questionado sobre um desastre afirma que será rigoroso,… Leia mais

Jonathan Haidt – The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion – (A mente moralista: por que boas pessoas são divididas pela política e pela religião) – Pantheon Books, New York, 2012, 420p. – ISBN 978-0-307-37790-6

É difícil traduzir a expressão inglesa “self-righteousness”. Expressa a profunda convicção de uma pessoa de que domina os outros da altura da sua elevada postura ética. Em geral leva a comportamentos estreitamente moralistas e intolerantes. E frequentemente vemos atos violentos justificados com fins altamente morais. Não há barbárie que não se proteja com argumentos de elevada nobreza. Sentimento que permite soltar as rédeas do ódio, aquele sentimento agradável de odiar com boas razões. A Marcha da Família com Deus pela Liberdade representou um marco histórico da hipocrisia na defesa de privilégios. Vêm mais marcha por aí, a hipocrisia tem pernas longas. As invasões de países se dão em geral para proteger as populações indefesas, as ditaduras para salvar a democracia, os ataques sexuais são feitos da altura moral de quem usa os buraquinhos como se deve. (L.Dowbor)
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