Dicas de Leitura

Wolfgang Streeck – Buying Time – The delayed crisis of democratic capitalism – Verso, London, New Left Books, 2014 (original: Berlin, 2013)

O trabalho de Wolfgang Streeck analisa essencialmente como o capitalismo gradualmente restringe os espaços democráticos. Na sua visão, não é o fim do capitalismo, mas sim o fim do capitalismo democrático. O estado que cobra impostos para prestar serviços públicos é substituído por um estado endividado que transfere os nossos impostos para os grupos financeiros que o endividam, enquanto o acesso ao que eram serviços públicos passa a depender cada vez mais dos nossos bolsos. Streeck, alemão, tem claramente a Europa em mente, mas a mensagem é mais ampla: trata-se da erosão da democracia no contexto do capitalismo. (L. Dowbor)
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Pasi Sahlberg – Finnish Lessons – What can the world learn from educational change in Finland – Columbia University, New York and London, 2015

Estamos acostumados a ver muita coisa sobre o sistema educacional na Finlândia, como algo muito diferente. Neste pequeno livro, a vantagem é que não se trata de mais um estudo de alguém que visitou, mas de um relatório por parte de um protagonista que ajudou a construir o sistema, e continua ativo nos novos desafios. Na leitura, constata-se a que ponto a redução das desigualdades, a equidade no acesso, a convergência das políticas educacionais com as de ciência e tecnologia, e a própria cultura, geram uma dinâmica de construção interativa e colaborativa de construção do conhecimento.
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Nicholas Shaxson – Treasure Islands: uncovering the damage of offshore banking and tax havens – St. Martin’s Press, New York, 2011

O livro de Nicholas Shaxson é uma ótima ferramenta de trabalho, vem enriquecer um conjunto de pesquisas que desde a crise de 2008 vão desenhando como funciona o caos financeiro mundial. O livro é de 2011, e com aprovação em outubro de 2015, por parte do G20 e da OCDE, de uma série de resoluções, ganha muita atualidade. Continua sendo uma leitura básica para entender o caos financeiro, inclusive naturalmente os impactos para o Brasil. (L. Dowbor)
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FrançoisMorin – L’hydre mondiale: L’oligopole bancaire – Lux Editeur, Québec, 2015, 165p. – ISBN 978-2-89596-199-4

FrançoisMorin – L’hydre mondiale: L’oligopole bancaire – Lux Editeur, Québec, 2015, 165p. – ISBN 978-2-89596-199-4   Ladislau Dowbor 1 de setembro de 2015   François Morin, ex-conselheiro da Banque de France, autor de uma dezena de livros sobre a organização dos sistema financeiros, entende realmente do assunto. E escreveu agora… Leia mais

Ladislau Dowbor – Entender os mecanismos da crise ou bater panelas? – setembro – 2015, 2p.

François Morin, ex-conselheiro da Banque de France, autor de uma dezena de livros sobre a organização dos sistema financeiros, entende realmente do assunto. E escreveu agora um pequeno livro que é uma pérola, em termos de descrição de como funciona o oligopólio dos 28 gigantes financeiros do planeta.
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Ellen Brown – The Public Bank Solution: from Austerity to Prosperity – Third Millenium Press, Baton Rouge, 2013, 471p. ISBN 978-0-9833308-6-8

O aporte de Ellen Brown é diferente do de Thomas Piketty: ela destrincha o funcionamento concreto dos bancos, de como se organiza no dia a dia esta apropriação de riqueza por quem não produz. A orientação dela é clara: o setor público tem de recuperar o controle da emissão desses “direitos”, e assegurar que o financiamento sirva a financiar o desenvolvimento.( L. Dowbor)
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Renato Meirelles e Celso Athayde, Um país chamado favela: a maior pesquisa já feita sobre a favela brasileira – Editora Gente, São Paulo, 2014

Este pequeno livro é precioso, pois abre uma janela muito expressiva sobre um universo, a favela, que em geral povoa a nossa imaginação com simplificações e as besteiras da nossa mídia televisiva. Aqui não se trata de mais uma pesquisa de prancheta e tese acadêmica, nem de preconceitos midiatizados, mas de uma análise sistemática das transformações, vistas de dentro, e baseadas em números complementados pela vivência dos autores. De certa forma, não é mais uma visão da casa grande, e sim da própria senzala, que está assumindo os seus destinos e abrindo passagem. (L. Dowbor)
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Elinor Ostrom e Charlotte Hess – Understanding knowledge as a commons (Entendendo o conhecimento como um bem comum) – Cambridge, MIT Press, Cambridge, 2007

Estamos entrando de forma muito vigorosa na economia do conhecimento. E as regras do jogo mudam, não só para a economia, mas para o conjunto de relações de produção que nos regem. O estudo organizado por Elinor Ostrom e Charlotte Hess é uma pequena pérola para nos ajudar a trilhar estes novos caminhos. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Há riquezas que são de todos: os bens comuns – abril – 2015, 2p.

O Nobel de economia de 2009 conferido a Elinor Ostrom resgata um pouco este tremendo atraso nas chamadas ciências econômicas, que é a preocupação com a gestão dos nossos bens comuns, além de resgatar um pouco de outra dívida óbvia: é a primeira vez que este prêmio, que aliás não vem do fundo Nobel e sim do Banco da Suécia, é concedido a uma mulher. Ostrom está contribuindo muito para a construção de uma outra visão. O seu livro Governing the Commons (governando os bens comuns) retomou uma discussão antiga, colocada na mesa por Garrett Hardin, ainda nos anos 1960, em artigo que se tornou um clássico, The Tragedy of the Commons.(L.Dowbor)
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Jeremy Rifkin – The Zero Marginal Cost Society: the internet of things, the collaborative commons, and the eclipse of capitalism – março – 2015, 2p.

Jeremy Riflkin pinta as transformações da nossa sociedade com traços amplos e ousados. Seria irresponsável se ele não fosse tão bem documentado. O presente livro é muito ambicioso, pois tenta delinear as mudanças geradas pela era internet e pelos novos paradigmas energéticos. Como sempre, apoia os seus argumentos com inúmeros exemplos, que vão desde as formas como o contato peer-to-peer permite sair fora dos intermediários de crédito, até as transformações na área da educação, da logística, da energia e outras áreas. Livro recente, de agradável leitura, traça no horizonte a visão de uma economia menos dominada por gigantes verticalizados e evoluindo para sistemas colaborativos horizontais. Nesta era de transformações confusas e multifacetadas, este tipo de recuo e de ampla visão ajuda muito. (L. Dowbor)
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Hilary Wainwright – The tragedy of the private: the potential of the public – (a tragédia do privado e o potencial do público) – agosto – 2014, 4p.

Propostas para a gestão municipal participativa. Um estudo particularmente interessante, de Hilary Wainwright, e publicado pelo Public Services International em colaboração com o Transnational Institute, organiza de maneira muito feliz os argumentos no sentido de se reorientar as parcerias público privadas do seu sentido Estado-Empresa para uma visão de articulação mais rica entre o Estado e as diversas formas de organização de usuários e de sindicatos. Para um país como o nosso, que acaba de aprovar o marco regulatório do setor e uma Política Nacional de Participação, estas ideias têm muita relevância. Intitulado The Tragedy of the Private: the Potential of the Public (A tragédia do privado: o potencial do público), o estudo vai no contrapé do famoso Tragedy of the Commons dos anos 1960, frequentemente utilizado para justificar privatizações. Resenha de Dowbor publicada por Outras Palavras, 4 p., Bens Comuns: da privatização à democracia real (Novos Arranjos Institucionais). http://outraspalavras.net/brasil/bens-comuns-da-privatizacao-a-democracia-real/ (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Las tensiones planetarias en el límite – julho – 2014, 4p.

Consideraciones a partir del libro interesante de Eduardo Matias, sobre los límites del planeta. El proceso decisorio de cómo utilizamos nuestros recursos está en el centro del debate. La culpabilización es fácil, y siempre habrá dedos a apuntar a los responsables, a canalizar rabias. Pero la búsqueda por procesos decisorios que hagan que la sociedad funcione de manera sostenible exige la comprensión de mecanismos y deformaciones. Nuestro problema no es de falta de recursos, sino de políticas públicas, responsabilidades corporativas y nuevos pactos sociales que este pequeño planeta precisa construir. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos (8) – uma utopia útil? – junho – 2014, 2p.

Piketty desanca a desigualdade, os folgados que vivem de renda, os preconceituosos de diversos tipos, traz no decorrer de todo o texto o sentimento de estarmos acompanhando um pesquisador que tem cabeça aberta, e profunda compreensão dos mecanismos econômicos, inclusive da hipocrisia com a qual elites justificam as suas fortunas. É claramente um humanista. Mas classificar a sua obra além disto resiste às nossas divisões ideológicas tradicionais. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos (7): o imposto progressivo sobre o capital – junho – 2014, 2p.

A visão mais ampla em termos propositivos está na linha de um imposto progressivo sobre o capital acumulado. Já que os mecanismos de mercado, neste caso, em vez de gerar equilíbrios, geram um processo cumulativo de desigualdade, uma espiral descontrolada de enriquecimento cada vez menos vinculado à contribuição produtiva, uma intervenção institucional para organizar a redistribuição torna-se indispensável. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Pikettismos (6) – A armadilha da dívida pública – junho – 2014, 3p.

A dinâmica particular que vemos aqui, e que aparece na parte final do estudo do Piketty, é que os sistemas de gestão financeira que aplicam as grandes fortunas desenvolveram um segundo mecanismo, que consiste em se apropriar dos recursos públicos por meio da dívida pública. (L. Dowbor)
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