Dicas de Leitura

Ladislau Dowbor: O alto custo do sistema financeiro (resenha/artigo)

epstein_montecinocapaÀs vezes precisamos de um espelho. Com o grau de deformação ideológica dos argumentos quando se trata da realidade brasileira, é bom dar uma olhada como todo o debate sobre o resgate do sistema financeiro está se dando no resto do mundo. Não somos uma ilha, e muito menos o nosso sistema financeiro, ainda que aqui algumas deformações sejam muito maiores. Hoje já não podemos ignorar o sólido acervo de pesquisas, que deslancharam após a crise de 2008, e que mostram a que ponto o sistema financeiro se distanciou dos seus objetivos iniciais de financiar o investimento e o crescimento econômico. Aqui apresentamos a excelente pesquisa de Epstein e Montecino sobre o sistema americano, organizando as ideias chave, e este espelho gera um impressionante efeito de ver na imagem refletida a sombra dos nossos dramas.
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Joseph Stiglitz – Rewriting the rules of the American economy: an agenda for shared prosperity – New York, London, W. W. Norton &Company – 2015, 237 p. – ISBN 978-0-393 -25405-1.

16-stiglitz-rewriting-the-rulesJoseph Stiglitz organizou um documento muito forte, que representa uma agenda para os Estados Unidos, hoje presos numa armadilha de elites que insistem em combater políticas sociais, promover mais desigualdade e atacar políticas ambientais. Invertendo radicalmente as velhas visões, o amplo grupo de economistas que participam deste relatório rejeita "os velhos modelos econômicos". Segue uma ampla agenda prática de desenvolvimento inclusivo. O documento coincide praticamente com o "The Next System", lançado em março 2015 por Gar Alperovitz, Gus speth, Jeffrey Sachs e outros. Os economistas americanos estão acordando e construindo novos rumos. Aqui estamos tentando voltar ao que eles estão abandonando. Os dois documentos constituem instrumentos preciosos para repensarmos a economia política.
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Arun Sundararajan – The sharing Economy: the end of employment and the rise of crowd-based capitalism – Cambridge, MIT Press, 2016, ISBN 9780262034579

16-arun-sundararajanArun Sundararajan publica uma das melhores análises abrangentes da economia do compartilhamento, The Sharing Economy, livro tão essencial para entender as novas dinâmicas como por exemplo A sociedade de custo marginal zero de Jeremy Rifkin. A internet das coisas constitui em geral uma atividade comercial que aproveita a conectividade ampla das pessoas e agentes econômicos, com uma grande variedade de arquiteturas organizacionais. A grande vantagem aqui é que o autor sistematiza de forma muito legível o que são as atividades, os desafios econômicos, culturais e legais, os impactos no emprego, as formas de regulação. O fato de dar numerosos exemplos explicando como funcionam ajuda muito.
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Economia das Dádivas – Marina Pechlivanis – Alta Books – 2016

O mundo não vai parar de repente e tomar outros rumos. Toda ideia de transformação que ajude a construir dinâmicas mais construtivas é bem vinda. Marina Pechlivanis traz neste volume respostas a "uma demanda mundial por um novo formato nas relações de troca, comerciais ou não, trazendo à tona determinados valores que, com o poder da monetização e da plastificação das relações, estavam esquecidos." O mundo corporativo está aberto para isto? Otimista, Marina considera que "Gift Economy é um conceito que tem relevância tanto para o comportamento individual quanto para as empresas. Está sendo conduzida por poderosas tendências macroeconômicas e por um novo ethos, preocupado com a justiça e com a igualdade." O eixo central, ir "para além do sistema de “compra-consumo-descarte” amplamente promovido nos últimos anos" ajuda a mostrar novos horizontes. A contribuição de Ladislau Dowbor é uma curta nota sobre como as novas tecnologias e a economia imaterial contribuem para as mudanças, confira a íntegra da nota (em PDF).
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George Monbiot – How did we get into this mess? – Verso Ed., London, New York, 2016, 340p. – ISBN 13: 978-1-78478-362-4

Monbiot tem o dom da palavra, e associa este dom com uma impressionante lucidez. Eu em geral não gosto de livros em que o autor reúne artigos, mas no caso dele a qualidade dos textos, a variedade das questões tocadas, a capacidade de ir direto onde dói e de explicitar os nossos dramas culturais, sociais, econômicos e políticos constitui um refresco. O que os artigos têm em comum aparece exatamente no título: como é que fomos nos meter nesta encrenca? E haja encrenca. (L.Dowbor)
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Wolfgang Streeck – Buying Time – The delayed crisis of democratic capitalism – Verso, London, New Left Books, 2014 (original: Berlin, 2013)

O trabalho de Wolfgang Streeck analisa essencialmente como o capitalismo gradualmente restringe os espaços democráticos. Na sua visão, não é o fim do capitalismo, mas sim o fim do capitalismo democrático. O estado que cobra impostos para prestar serviços públicos é substituído por um estado endividado que transfere os nossos impostos para os grupos financeiros que o endividam, enquanto o acesso ao que eram serviços públicos passa a depender cada vez mais dos nossos bolsos. Streeck, alemão, tem claramente a Europa em mente, mas a mensagem é mais ampla: trata-se da erosão da democracia no contexto do capitalismo. (L. Dowbor)
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Pasi Sahlberg – Finnish Lessons – What can the world learn from educational change in Finland – Columbia University, New York and London, 2015

Estamos acostumados a ver muita coisa sobre o sistema educacional na Finlândia, como algo muito diferente. Neste pequeno livro, a vantagem é que não se trata de mais um estudo de alguém que visitou, mas de um relatório por parte de um protagonista que ajudou a construir o sistema, e continua ativo nos novos desafios. Na leitura, constata-se a que ponto a redução das desigualdades, a equidade no acesso, a convergência das políticas educacionais com as de ciência e tecnologia, e a própria cultura, geram uma dinâmica de construção interativa e colaborativa de construção do conhecimento.
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Nicholas Shaxson – Treasure Islands: uncovering the damage of offshore banking and tax havens – St. Martin’s Press, New York, 2011

O livro de Nicholas Shaxson é uma ótima ferramenta de trabalho, vem enriquecer um conjunto de pesquisas que desde a crise de 2008 vão desenhando como funciona o caos financeiro mundial. O livro é de 2011, e com aprovação em outubro de 2015, por parte do G20 e da OCDE, de uma série de resoluções, ganha muita atualidade. Continua sendo uma leitura básica para entender o caos financeiro, inclusive naturalmente os impactos para o Brasil. (L. Dowbor)
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FrançoisMorin – L’hydre mondiale: L’oligopole bancaire – Lux Editeur, Québec, 2015, 165p. – ISBN 978-2-89596-199-4

FrançoisMorin – L’hydre mondiale: L’oligopole bancaire – Lux Editeur, Québec, 2015, 165p. – ISBN 978-2-89596-199-4   Ladislau Dowbor 1 de setembro de 2015   François Morin, ex-conselheiro da Banque de France, autor de uma dezena de livros sobre a organização dos sistema financeiros, entende realmente do assunto. E escreveu agora… Leia mais

Ladislau Dowbor – Entender os mecanismos da crise ou bater panelas? – setembro – 2015, 2p.

François Morin, ex-conselheiro da Banque de France, autor de uma dezena de livros sobre a organização dos sistema financeiros, entende realmente do assunto. E escreveu agora um pequeno livro que é uma pérola, em termos de descrição de como funciona o oligopólio dos 28 gigantes financeiros do planeta.
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Ellen Brown – The Public Bank Solution: from Austerity to Prosperity – Third Millenium Press, Baton Rouge, 2013, 471p. ISBN 978-0-9833308-6-8

O aporte de Ellen Brown é diferente do de Thomas Piketty: ela destrincha o funcionamento concreto dos bancos, de como se organiza no dia a dia esta apropriação de riqueza por quem não produz. A orientação dela é clara: o setor público tem de recuperar o controle da emissão desses “direitos”, e assegurar que o financiamento sirva a financiar o desenvolvimento.( L. Dowbor)
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Renato Meirelles e Celso Athayde, Um país chamado favela: a maior pesquisa já feita sobre a favela brasileira – Editora Gente, São Paulo, 2014

Este pequeno livro é precioso, pois abre uma janela muito expressiva sobre um universo, a favela, que em geral povoa a nossa imaginação com simplificações e as besteiras da nossa mídia televisiva. Aqui não se trata de mais uma pesquisa de prancheta e tese acadêmica, nem de preconceitos midiatizados, mas de uma análise sistemática das transformações, vistas de dentro, e baseadas em números complementados pela vivência dos autores. De certa forma, não é mais uma visão da casa grande, e sim da própria senzala, que está assumindo os seus destinos e abrindo passagem. (L. Dowbor)
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Elinor Ostrom e Charlotte Hess – Understanding knowledge as a commons (Entendendo o conhecimento como um bem comum) – Cambridge, MIT Press, Cambridge, 2007

Estamos entrando de forma muito vigorosa na economia do conhecimento. E as regras do jogo mudam, não só para a economia, mas para o conjunto de relações de produção que nos regem. O estudo organizado por Elinor Ostrom e Charlotte Hess é uma pequena pérola para nos ajudar a trilhar estes novos caminhos. (L. Dowbor)
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Ladislau Dowbor – Há riquezas que são de todos: os bens comuns – abril – 2015, 2p.

O Nobel de economia de 2009 conferido a Elinor Ostrom resgata um pouco este tremendo atraso nas chamadas ciências econômicas, que é a preocupação com a gestão dos nossos bens comuns, além de resgatar um pouco de outra dívida óbvia: é a primeira vez que este prêmio, que aliás não vem do fundo Nobel e sim do Banco da Suécia, é concedido a uma mulher. Ostrom está contribuindo muito para a construção de uma outra visão. O seu livro Governing the Commons (governando os bens comuns) retomou uma discussão antiga, colocada na mesa por Garrett Hardin, ainda nos anos 1960, em artigo que se tornou um clássico, The Tragedy of the Commons.(L.Dowbor)
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Jeremy Rifkin – The Zero Marginal Cost Society: the internet of things, the collaborative commons, and the eclipse of capitalism – março – 2015, 2p.

Jeremy Riflkin pinta as transformações da nossa sociedade com traços amplos e ousados. Seria irresponsável se ele não fosse tão bem documentado. O presente livro é muito ambicioso, pois tenta delinear as mudanças geradas pela era internet e pelos novos paradigmas energéticos. Como sempre, apoia os seus argumentos com inúmeros exemplos, que vão desde as formas como o contato peer-to-peer permite sair fora dos intermediários de crédito, até as transformações na área da educação, da logística, da energia e outras áreas. Livro recente, de agradável leitura, traça no horizonte a visão de uma economia menos dominada por gigantes verticalizados e evoluindo para sistemas colaborativos horizontais. Nesta era de transformações confusas e multifacetadas, este tipo de recuo e de ampla visão ajuda muito. (L. Dowbor)
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