Em escala sem dúvida muito menor que o Brasil, a Inglaterra enfrenta também as pressões da agiotagem no seu sistema financeiro. Em termos práticos, as famílias, e em particular as de menor renda, quando contraem uma dívida por alguma razão, se veem presas em intermináveis juros sobre juros, passando a viver durante anos com apenas uma parte do seu salário.

No caso dos empréstimos descontados no salário no fim do mês (pay-day loans), a agiotagem foi reduzida por uma lei simples, de janeiro de 2015, que libera de qualquer ônus alguém que já tenha pago, com juros e eventuais multas, o dobro do que pediu emprestado. Mas no cartão de crédito (revolving credit, crédito rotativo) a agiotagem continua.

No documento abaixo, a New Economics Foundation, junto com outras instituições, apresenta em curto artigo como o processo de enforcamento das famílias em dívidas intermináveis ainda persiste. As taxas de juros são na média 20% ao ano, uma brincadeira se compararmos com as nossas na faixa de 300%, mas ainda assim insustentáveis.

O artigo mostra em particular como o endividamento se tornou uma forma estrutural de extração da renda das famílias, o que trava o consumo, e portanto a atividade econômica em geral. É a dimensão britânica do fenômeno que estudamos no nosso A Era do Capital Improdutivo.

Antigamente tínhamos dinheiro sob forma de papel e moedas, era difícil alguém tirar do nosso bolso. Agora temos no bolso um cartão com sinais magnéticos, e o magnetismo atrai misteriosamente o nosso dinheiro para os bancos. O artigo é em inglês, mas sem tecnicalidades, muito claro, e sobre algo que é essencial para todos nós. Confiram abaixo:

https://neweconomics.org/uploads/files/End-the-debt-briefing-july2019c.pdf