A desigualdade constitui de longe a grande questão nacional. Com toda a riqueza desse país, deixar tanta gente de fora, tantas famílias sofrendo por não ter acesso ao básico, é simplesmente desumano. Essa nossa oligarquia, que pensa que seus privilégios são merecidos e que o povo é vagabundo, precisa se civilizar. É o povo trabalhador que sustenta os privilégios dessa oligarquia que matou Vargas, que derrubou Jango e Dilma. O que o Brasil produz hoje equivale a 11 mil reais de bens e serviços por mês, por família de quatro pessoas, o suficiente para todos viverem de maneira digna e confortável. Todo brasileiro tem esse direito.

Para nós que trabalhamos por um Brasil melhor e não por elites mais ricas, é muito importante dispor dos dados básicos sobre como está a desigualdade no Brasil e como ela evoluiu nos anos recentes, entre 2002 e 2015. O trabalho organizado por Tereza Campello e outros nos traz um instrumento básico organizado de maneira extremamente didática, indo direto ao que importa, como acesso à educação nos diversos níveis, saneamento básico, eletricidade etc.Cada dado concreto apresenta a evolução no conjunto das famílias, nos 20% mais pobres e nos 5% na miséria. Não é estatística complicada, são dados.

Para nós, este trabalho é ferramenta de trabalho e de compreensão do que foi feito e do que falta ser feito. A economia e a política precisam ser organizadas em função do que é necessário para o país e não em função do bom ou mau humor do mercado financeiro, muito menos do ódio mal direcionado da nossa oligarquia.Precisamos vitalmente de mais gente que entenda os dados básicos sobre a nossa caminhada.

A íntegra do documento está disponível em: http://flacso.org.br/?publication=faces-da-desigualdade-no-brasil-um-olhar-sobre-os-que-ficam-para-tras