Estudo de Antonio Corrêa de Lacerda e de André Paiva Ramos, da PUC-SP, mostra que os gastos do governo federal com o financiamento da dívida pública devem ser quase nove vezes maiores do que os investimentos realizados pelo Executivo nacional neste ano. A estimativa é que as despesas com o financiamento cheguem a R$ 379 bilhões até o fim de 2017, enquanto os investimentos não passarão de R$ 44 bilhões. Ou seja, os nossos impostos, em vez de servirem para investimentos, são desviados para os agentes financeiros que detêm títulos do governo. São cerca de 7% do PIB tirados da economia real.

O estudo foi tema de reportagem no Valor Econômico, “Gasto com financiamento da dívida será quase 9 vezes superior ao total investido” (17.07.2017) que pode ser acessada neste link: http://www.valor.com.br/brasil/5040654/gasto-com-financiamento-da-divida-sera-quase-9-vezes-superior-ao-total-investido

Confira abaixo ou acesse à íntegra do Boletim Acompanhamento Macroeconômico da PUC SP, em pdf, clicando aqui: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2017/07/Boletim_Macro_Juros-x-Investimentos_Julho17.pdf

 


Estudos Pós-Graduados em Economia Política do Departamento de Economia da PUC SP – Pesquisas sobre Desenvolvimento Econômico e Política Econômica


Boletim Acompanhamento Macroeconômico 


Juros da dívida pública federal equivalem a 9 vezes o investimento

Antonio Corrêa de Lacerda
André Paiva Ramos

As despesas com juros, que representam o custo de financiamento da dívida pública brasileira, têm apresentado expressivo crescimento. A média de gastos anuais passou de R$ 258 bilhões (4,8% do PIB) no período de 2012 a 2014 para R$ 429,3 bilhões (6,9% do PIB) no período de 2015 a 2017, considerando a projeção de R$ 379 bilhões a uma taxa Selic de 8% a.a. no final do ano (Gráfico 1). Ressalta-se que em 2015 as despesas com juros tiveram um aumento acima de 60% em relação ao ano imediatamente anterior e corresponderam a um montante anual muito elevado em comparação aos anos anteriores. O total dos gastos com juros verificado nos últimos anos é inviável e insustentável, sendo o principal fator da deterioração das contas públicas.

Na comparação entre os gastos com juros e os investimentos realizados pelo governo federal, pode-se verificar uma grande discrepância. No período de 2012 a 2014 a média anual dos investimentos foi de R$ 66,7 bilhões (1,2% do PIB) e no período de 2015 a 2017 a média deve ficar em torno de R$ 54,8 bilhões (1% do PIB). Logo, na comparação entre os períodos, houve um aumento das despesas com juros e uma diminuição dos investimentos. (Gráfico 1).

(p) Projeção para 2017 considerando a taxa Selic de 8%a.a. no final do ano.
Fonte: BCB; STN / Elaboração e projeção dos autores.


Em 2015 o montante de despesas com juros chegou a ser 9 vezes o total dos investimentos do governo federal. Já para 2017, a projeção é que as despesas com juros cheguem a representar 8,6 vezes o montante dos investimentos (Tabela 1). Vale pontuar que, no atual quadro recessivo, aumento dos investimentos públicos seria essencial para conter e reverter a deterioração da atividade econômica. Ou seja, os investimentos públicos são muito importantes para impulsionar a economia, sobretudo em um período de crise.

 

Antônio Lacerda é Professor Doutor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia Política da PUC-SP e líder do Grupo de Pesquisas sobre Desenvolvimento Econômico e Política Econômica (DEPE). Contato: lacerda.economista@gmail.com

André Paiva Ramos é Economista e mestre em Economia Política pela PUC-SP e membro do Grupo de Pesquisas DEPE. Contato: paivaramos@hotmail.com