Lester Brown – World on the Edge: how to prevent environmental and economic collapse

Ladislau Dowbor

16 de setembro de 2013

Para os que se interessam pelo desenvolvimento sustentável, temos um bom instrumento de trabalho, o último livro de Lester Brown. O autor é provavelmente hoje o melhor “sistematizador” da problemática sócio-ambiental do planeta. Trabalhando de maneira extremamente dedicada durante décadas, no quadro do Earth Policy Institute, ganhou simplesmente uma credibilidade excepcional. Com livros publicados em 40 línguas, inúmeros prêmios, e disponibilizando toda a sua produção online em regime de livre acesso em www.earth-policy.org, tornou-se uma referência mundial. Tipo de médico de família do planeta.

Lester Brown escreve em estilo direto, é eminentemente legível, não enrola. “Como podemos, escreve ele, considerar que o crescimento de um sistema econômico q    ue está reduzindo as florestas da terra, gerando erosão dos solos, exaurindo os aquíferos, levando os recursos pesqueiros ao colapso, elevando a temperatura, e derretendo as camadas de gelo possa ser simplesmente projetado para o longo prazo no futuro? Que processo intelectual suporta estas extrapolações?” (p.9)  Esta questão leva ao autor a examinar ponto por ponto as principais dinâmicas que ameaçam o planeta, e a apresentar as soluções que estão na mesa, com os seus custos. Trata-se de um grito de alerta e de um guia de respostas.

As ameaças, na visão do Brown, “não são as agressões armadas mas antes a mudança climática, o acesso à água, a pobreza, a elevação dos preços dos alimentos, e os Estados em falência (failing states)”. Nesta era em que se elevou o terrorismo ao patamar da principal questão do planeta, levando inclusive à retomada dos gastos militares e à geração de um sistema policial planetário em nome de nossa segurança, é bom lembrar que do jeito que vão as coisas não haverá mais planeta a proteger. Nos países árabes o setor informal representa três quartos das atividades econômicas. Milhões de pessoas que não podem assegurar a sobrevivência das suas próprias famílias, enquanto vêm o petróleo ser exportado a rodos para alimentar o consumo de luxo de elites colocadas no poder pelo chamado “ocidente”, podem pensar o quê? Pessoas reduzidas ao desespero reagem de maneira desesperada, é tão simples assim. “Temos de redefinir a segurança para o século XXI”, escreve Brown.(xi) Na realidade, o autor propõe sim uma economia de guerra, mas no sentido de se reorientar os recursos para onde são realmente necessários, com urgência e determinação.

Exagero? “O Paquistão é hoje uma potência nuclear pobre, sobrepovoada, devastada em termos ambientais, onde 60 por centos das mulheres não sabem ler nem escrever”. Estranha mistura de poder nuclear e de miséria. As dimensões humana e ambiental se cruzam obviamente com o nosso futuro econômico: com o nível atual de consumo, teríamos de ter 1,5 planetas disponíveis. “Se utilizarmos indicadores econômicos para avaliar a nossa situação, então o declínio global do sistema natural de suporte da economia – o declínio ambiental que levará ao declínio econômico e ao colapso social – já está bem avançado”.(7)

No conjunto, Lester Brown está mais preocupado com a dimensão propositiva, em particular com o resgate da governabilidade de países que estão perdendo a sua capacidade geral de controle. Precisamos resgatar a nossa capacidade de orientar os recursos segundo as necessidades das populações, e com isto resgatar a capacidade de governo. São hoje dezenas de países, e gigantes como o Paquistão, a Nigéria ou o Congo que estão se tornando ingovernáveis.(87)

O autor apresenta um conjunto de soluções, na linha do bom senso. “Além das tecnologias de economia de energia, uma grande quantidade de energia pode ser economizada ao se reestruturar setores-chave da economia. Desenhando as cidades para pessoas, e não para carros, é um bom lugar para começar.”(99)

Não é o lugar aqui de reproduzir os argumentos do autor. Basicamente, queremos chamar a atenção para o excelente instrumento de trabalho que Lester Brown nos fornece, pela simplicidade, confiabilidade e boa organização dos dados. Nas universidades, em particular, mas também em escolas técnicas e de ensino médio, poderá ser um trabalho de referência.

Estamos sugerindo a publicação em português, se já não foi empreendida. Uma publicação como esta precisa estar em formato de livro para se tornar leitura generalizada, mas também em meios magnéticos, em Creative /Commons, para consulta fácil por movimentos sociais e o sistema escolar em geral. Por enquanto, para quem lê inglês, boa leitura.