A decisão Europeia de proibir por dois anos o uso de insecticidas baseados em neonicotinoides tem grande importância, pois a Syngenta suiça e Bayer alemã promoveram uma autêntica guerra, inclusive com ameaças a membros das comissões de análise. Este tipo de pesticida gera o colapso das colmeias no mundo. O que esta em jogo ė muito grande, e acompanhar esta luta mostra o tipo de pressão política que se usa, muito parecida com o que foi desenvolvido ha algum tempo atrás relativamente a nicotina, cuja relação com o câncer foi vigorosamente negada pelas empresas. A decisão da Uniao Europeia desloca a pressao para os EUA. O Brasil autoriza cinco variantes do produto. A repercussão da decisão é forte na imprensa mundial. O The Guardian britanico apresenta uma série de artigos, inclusive sobre as ameaças a pessoas, busque Syngenta  ou neonicotinoids em guardian.co.uk A nota abaixo faz o ponto de maneira resumida. (L. Dowbor)

 

Comissão Europeia suspende uso de pesticida acusado de ameaçar abelhas

Última Instância, 02/05/2013

Temor de impacto na agroindústria levou autoridade do continente a proibir por dois anos uso de neonicotinoides

Inseto é importante polinizador de culturas de girassol, milho, algodão e frutas
A Comissão Europeia decidiu nesta segunda-feira que irá impor uma proibição temporária no uso de três dos pesticidas mais usados no mundo, a partir de dezembro, todos à base de neonicotinoides, por causa do temor de seu prejuízo à cultura de abelhas. A comissão propôs a proibição em janeiro, depois que cientistas da União Europeia (UE) haviam declarado que os produtos químicos representavam um risco agudo para as abelhas que polinizam muitas das culturas cultivadas comercialmente no continente. A moratória será de dois anos.

A decisão desta segunda-feira ocorreu apesar do fracasso dos governos da União Europeia em concordarem com a questão. Os neonicotinoides são mais eficientes do que outros agrotóxicos no controle de pragas, produzidos principalmente pela alemã Bayer e a Syngenta, da Suíça, mas cobram um preço alto. Eles afetam o sistema nervoso de insetos polinizadores, o que restringe sua área de atuação e, assim, o rendimento de diversas culturas. Resíduos de agrotóxico foram encontrados em culturas de girassol, algodão e milho, onde há uma grande presença de abelhas.

Fabricantes de pesticidas e alguns cientistas dizem que nenhuma ligação foi comprovada entre o uso dos neonicotinoides e um acentuado declínio no número de abelhas na Europa nos últimos anos – um fenômeno conhecido como “colapso das abelhas”.

No total, 15 países da UE votaram a favor – dois a mais que a última vez que os governos votaram sobre a questão, em março – mas eles não conseguiram alcançar a maioria necessária para adotar a proibição total e, por isso, a decisão passou à Comissão Europeia.

A proibição se aplica ao uso de neonicotinoides em todas as culturas, exceto cereais de inverno e plantas não atraentes para as abelhas, como a beterraba sacarina. A proibição entra em vigor cinco meses mais tarde do que o inicialmente proposto pela Comissão.

Nos EUA, as abelhas estão no centro de uma disputa judicial por causa dos neonicotinoides, cuja fórmula conta com nicotina sintética. Ambientalistas e apicultores entraram com uma ação contra a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) do país, exigindo que o órgão crie um registro dos agrotóxicos que provocam danos aos insetos.

O Globo, com agência Reuters, 29/04/13.

N.E.: No Brasil estão registrados cinco inseticidas do grupo químico dos neonecotinoides: acetamiprido, clotianidina, dinotefuram, imidacloprido, tiacloprido, tiametoxam. Três deles tiveram a autorização para pulverização aérea temporariamente suspensa pelo Ibama em julho de 2012, com o intuito de proteger as colmeias (veja o comunicado). Mas o órgão ambiental não demorou a ceder à pressão da indústria de venenos e, em outubro passado, voltou a liberar a pulverização aérea, consideradas algumas condições. Em janeiro último, a restrição de uso foi flexibilizada ainda mais, resguardando apenas a floração das culturas.

 

Fonte: http://aspta.org.br/campanha/627-2/

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