Introdução Teórica à Crise – Brasiliense, 1981

Ensaio teórico sobre o núcleo dos nossos desequilíbrios econômicos, sociais e políticos, a desigualdade. O pior, é que em termos econômicos a desigualdade funciona. Se a renda é muito concentrada, ampliando o consumo de luxo, os processos produtivos se adaptam, e produzem de acordo com o perfil de consumo dos mais ricos. O capitalismo se organiza em função da capacidade aquisitiva, e não das necessidades. Hoje, em 2012, isto se traduz por exemplo na expansão dos medicamentos para idosos de alto poder aquisitivo, e pouquíssimo investimento em medicamentos para a malária e outras doenças de pobres. Investe-se em hospitais de cinco estrelas, e muito pouco em saúde preventiva. Mas disto resulta um desenvolvimento dito de “base estreita”, politicamente cada vez mais instável. O presente ensaio foi escrito em 1980, há trinta anos. O seu interesse hoje reside essencialmente na visão desta discussão numa perspectiva histórica. E o drama da desigualdade, que hoje numerosos países tentam enfrentar, continua no centro do embate. Não haverá equilíbrio enquanto não adotarmos sólidos sistemas de redistribuição de renda, e consequente mudança dos sistemas produtivos.