Stuart Parkinson, Chris Langley – SGR, Resumo executivo, 4 p.


A organização não governamental Scientists for Global Responsibility (SGR) realizou um estudo aprofundado sobre as relações entre a pesquisa científica e o mundo corporativo. O que aparece com clareza, é que as pesquisas que interessam à expansão das corporações são dinamizadas, e as que são de interesse mais amplo da sociedade são travadas.

“Uma marca fundamental da ciência é que está sofrendo erosão na sua liberdade de definir a agenda da pesquisa pública de maneira a que sirva ao interesse público…Como resultado, a agricultura de “baixo-insumo”, que requer uso mínimo de fertilizantes químicos e de pesticidas, e é mais barata e mais útil para agricultores mais pobres, encontra-se amplamente abandonada. Da mesma forma, pesquisa sobre como melhorar a distribuição de alimentos recebe apoio inadequado… Para dizê-lo de maneira direta, grande parte da ciência financiada publicamente já não se faz segundo o interesse público.” 

O estudo recomenda a apresentação transparente dos arranjos financeiros entre a academia e as empresas, uma mudança das políticas governamentais que priorizam a pesquisa com retorno comercial de curto prazo acima de tudo e outras providências. A apropriação da ciência pelas corporações já não se dá apenas através da apropriação dos resultados (ver o artigo Da propriedade intelectual à sociedade do conhecimento, sob “Artigos Online” em dowbor.org) mas também através da apropriação da própria agenda de pesquisa, financiada com recursos públicos, e depois apropriada através de patentes.

O impacto particularmente dramático na área farmacêutica é bem conhecido, mas o presente relatório vai muito além. É um aporte muito significativo e bastante esperado. Tanto o resumo executivo como o relatório completo estão disponíveis online em: http://www.sgr.org.uk/SciencePolicy/SGR_corp_science_summary.pdf  (L. Dowbor)