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Dissertação de Mestrado em Administração, PUC-SP, defendida em outubro de 2009, orientação de Ladislau Dowbor. Banca com os professores Arnoldo de Hoyos Guevara e Ângelo Palmisano. Contato com o autor para obter cópia ffoguel@terra.com.br

O estudo de Flávio Foguel retrata a evolução de uma comunidade pobre em dinheiro e rica em idéias. Foi expulsa do litoral onde empresas estrangeiras estão investindo em turismo de luxo, e deslocada para um lamaçal. Em 35 anos esta comunidade de 32 mil habitantes fez uma reviravolta nos seus destinos que a tornam objeto de numerosos estudos. O enfoque do Flávio é sobre a dimensão de “redes de colaboração” que esta experiência constitui. Iniciaram pelo mais urgente, o saneamento, portanto organizando-se em torno do que a população sentia como essencial. Uma vez organizada, a comunidade passou a desenvolver outras infraestruturas, atividades produtivas, até criar um banco comunitário de desenvolvimento e até moeda própria. Na era da globalização, mostram como o essencial do nosso cotidiano pode ser regido pelos espaços locais. O conceito chave talvez seria o de “apropriação” do processo de desenvolvimento.

 

A experiência desafia naturalmente tudo o que se tem escrito sobre a “viabilidade” das pequenas comunidades, ou o problema da escala do desenvolvimento. Através dos seus canais de financiamento e de comercialização, escapam dos intermediários e dos seus custos. Utilizam sim redes de apoio e solidariedade de outros movimentos sociais. Fazem uso de aportes técnicos de consultores, mas escolhidos por eles e de acordo com as necessidades indicadas pela comunidade. Hoje são conhecidos não só pelo banco comunitário de desenvolvimento (já há 48 iniciativas semelhantes no Brasil,) e a moeda própria, mas pelo seu cartão de crédito “Palmacard”, as suas roupas “Palmafashion”, o seus produtos de limpeza Palmalimpe, o seu polo de pesquisa Palmatech, suas iniciativas de agricultura urbana. O mercado interno provou ser amplo, e fonte de identidade. A moeda própria assegura que a economia gire em função das necessidades da comunidade, e não de pressões corporativas. A moeda e o banco próprios geraram um processo social de produção e troca articulado como o entorno econômico de Fortaleza, mas essencialmente endógeno.

 

No trabalho, tanto encontramos a apresentação de como esta comunidade evoluiu e se organiza, como as “pontes” teóricas com os conceitos de economia solidária (Paul Singer), de redes (Castells), de capital social (Putnam), de desenvolvimento local (Dowbor), de empreendedorismo social (Yunus). Vale a pena.

Autor: Flávio Henrique dos Santos Foguel