“O nosso mérito não depende do nosso ego, mas da nossa contribuição”.(380) São palavras simples, mas que tocam um problema essencial: a grande mudança em termos de visão humana, é que o sucesso não se medirá mais pela capacidade de uma pessoa arrancar mais vantagens que os outros, e sim no quanto ela terá contribuído para o planeta, para a vida, para os valores que nos movem.

Neste planeta de frágil densidade organizacional, onde a maioria das pessoas quer simplesmente viver uma vida digna e se possível criativa, uma corporação grande, hierarquizada e disciplinada adquire grande poder, e tanto pode trazer benefícios como gerar desequilíbrios insustentáveis. Sobretudo, ao se tornar muito poderosa, a corporação deixa de prestar contas. Os exemplos são inúmeros, e vão desde as grandes corporações do agro que compram políticos e sustentam o desmatamento da Amazônia, às corporações de especulação financeira que geram desmandos planetários, às empresas farmacêuticas que se concentram apenas nas doenças de terceira idade de paises ricos (a malária não rende, a vacina reduz a clientela), até as empresas que extraem petróleo e empurram uma economia suicida, sem falar das empresas de publicidade que nos massacram com visões idiotas de realização pessoal. A truculência, rebatizada de “competitividade”, está gerando um espaço descontrolado.

Estamos de certa maneira assistindo, como que saindo de um deslumbramento generalizado com as tecnologias e o dinheiro, a uma progressiva tomada de conhecimento dos nossos limites, e da beleza dos limites, numa vida que volta a valorizar a beleza do entorno, o prazer do convívio, o gesto de amizade ou de solidariedade sem advogado e sem firma reconhecida, o sair de casa sem arreganhar os dentes, o ouvir uma música com amigos sem precisar tirar o cartão de crédito.

Peter Senge não é nenhum revolucionário nem subversivo, mas a transformação dos processos econômicos, sociais e culturais que está em curso lhe parece constituir uma revolução. Revolução necessária, no título inglês (The Necessary Revolution), “revolução decisiva” na tradução brasileira. O eixo central do livro está na sustentabilidade, conceito que com imenso atraso e lentidão está penetrando no mundo corporativo. Em termos propositivos o autor apresenta, através de inúmeros exemplos, a lição de casa que as empresas estão começando a fazer.

Um executivo da Coca-Cola da Índia, ao constatar que puxaram a água dos aquíferos com mais eficiência que os outros, o que significou lucros a curto prazo, mas secou as fontes, comenta que “realmente não importa a eficiência se não há água” (78). Sòmente a burrice da corrida de todos para ver quem agarra mais explica um comportamento onde a base da produção acaba faltando para todos. Absurdo? E o que estamos fazendo com o petróleo, com a vida nos mares, com a madeira nobre, com minérios escassos?