Tese de doutorado em Psicologia Social, PUC-SP, Junho de 2007 – Participam da banca os professores Peter Spink (orientador), Odair Furtado, Jacqueline Brigagão, Ilka Camarotti e Ladislau Dowbor.

Biblioteca da PUC-SP, Programa de Pós Graduação em Psicologia Social, ou com a autora marilene.zazula@utp.br

Economia solidária constitui uma alternativa sistêmica ao caos gerado na sociedade pela guerra econômica generalizada? É interessante notar o surgimento de conceitos como economia social, processos colaborativos (em contraposição à simples competição), gestão social, reprodução social (além da reprodução do capital), desenvolvimento endógeno e assim por diante. O conceito de economia solidária situa-se no largo espectro  da busca por relações de produção que funcionem. Porque hoje sabemos que modernizar as tecnologias não basta, temos de reinventar as relações de produção. A própria força do surgimento das organizações da sociedade civil, com soluções organizacionais extremamente diversificadas, aponta para a necessidade de novas soluções.


 


O trabalho de Marilene exsplora o potencial da economia solidária, sistematizando as propostas, e confrontando-as com o entendimento de uma comunidade produtiva, suas dúvidas e dificuldades. Torna-se assim clara a distância entre o discurso oficial e o entendimento no nível dos produtores, e a necessidade de ampliar o processo.


 


A dimensão do problema é hoje clara para quem quer ver. O Ipea no seu estudo Brasil 2006 – Estado da Nação – estima que o setor informal representa no Brasil 51% da PEA. O Banco Mundial avalia em 4 bilhões de pessoas os que não têm acesso ao que o relatório (IFC/WB – The Next 4 Billion) chama de “benefícios da globalização”, e cuja inclusão produtiva está por ser organizada. Estamos falando de mais de 60% da população mundial, literalmente deixados por conta. Se juntarmos a polarização planetária entre ricos e pobres, o aquecimento global e a destruição ou esgotamento de recursos não renováveis, damo-nos facilmente conta de que a busca por relações de produção decentes, ou minimamente modernas (e não em ilhas corporativas priviligiadas) está na ordem do dia. A simples competição, apresentada como mecanismo regulador que leva à sobrevivência do mais apto – leva-nos a impasses estruturais insustentáveis.


 


É neste plano da avaliação de um dos mecanismos alternativos em construção – a economia solidária – que o trabalho de Marilene constitui um aporte muito significativo, pela qualdiade da sistematização dos argumentos, e pelo enfoque tranquilo e realista no pesar os argumentos.


 


Para os que participaram da pesquisa “Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local (ver p. 33 e ss) é interessante ver a “ponte” entre o conceito de economia solidária e a necessidade de se criar uma ambiente favorável às iniciativas locais de desenvolvimento por meio de redes de financiamento, de comercialização, de apoio tecnológico e assim por diante.


 


A tese é de psicologia social, orientada por Peter Spink, que trabalha essencialmente com formas alternativas de gestão da sociedade, e o tema central trata de formas alternativas de organizar a produção. Isto nos traz com toda clareza a necessidade de olharmos os probmemas de forma mais ampla, cruzando tranquilamente as fronteiras das áreas científicas tradicionais. A realidade fatiada em disciplinas faz-nos perder de vista a riqueza das interações, o processo dinâmico das transformações. A baixa auto-estima dos excluidos dos processos econômicos é um problema que se resolve no plano pscicológico?


 


Estamos todos confrontados com as diversas dimensões de um drama que nos atinge a todos, ainda que de forma diversificada: processos elitistas que excluem as maiorias, processos predatórios que destroem o planeta. A visão tem de ser sistêmica.   


 


A tese está disponível na PUC-SP, pós-graduação em Psicologia Social (11) 3670.8400, ou com a autora marilene.zazula@utp.br

Autor: Marilene Zazula Beatriz