Susan George, Boitempo Editorial , 2002.

O Relatório Lugano apresenta uma projeção sistematizada de para onde vamos, como sociedade, se as atuais tendências forem mantidas. O resultado é extremamente interessante.

Temos uma forte tendência a pensar apenas o curto prazo. E se olharmos um pouco para o futuro? Para já, com uma base atual de cerca de 6,3 bilhões de habitantes, e uma taxa de crescimento de 1,4% ao ano, estamos falando num planeta que deve abrir espaço e recursos para cerca de 100 milhões de pessoas a mais, a cada ano que passa.

E esta população, a cada ano que passa, é obsessivamente empurrada a consumir mair, a desperdiçar mais, a “estimular a economia” por demandas cada vez mais absurdas. Geram-se assim situações insustentáveis em termos de água (p.196), de alimento (p. 201), de doenças (p. 224), além dos problemas gerais do consumo, do solo etc.

Os argumentos trazidos não são propriamente novos.Mas a sistematização permite gerar a imagem de conjunto do planeta que estmos construindo, ou destruindo, se olharmos de forma organizada uns 20 ou 30 anos para a frente.

Susan George optou por uma apresentação divertida. Em priimeiro lugar, inventou um título um tanto “007”, misterioso, e inventou um misterioso grupo de pesquisadores comprometidos com a defesa do sistema neoliberal. Isto permite um raciocínio muito intressante: imaginando pessoas profundamente interessadas em manter o sistema neoliberal, quais seriam as ameaças no médio prazo?

Passo a passo, Susan George mostra assim como o sistema patológico de vale -tudo irresponsável que hoje vivemos, o chamado darwinismo econômico, está gerando impasses dramáticos.

“Coloquei-me a tarefa de ver os fenômenos do ponto de vista daqueles que por êles são responsáveis, dos que mais se aproveitam das disposições existentes…Eles não podem deixar de ver os sinais de alarme que estão se acendendo” (p. 344).

A visão da própria Susan George, é que as laie do mercado devem ser substituidas por um tipo de contrato social que nos permitam construir um planeta viável.

Em termos políticos, a sua visão é clara “A única maneira de encontrar os fundos para eradicar a fome, reconstruir o meio ambiente, despoluir a água, melhorar a saúde e assegurar a educação para todos – é de se tomar os recursos onde eles realmente se encontram: nos cofres das empresas multinacionais e nos mercados financeiros”. (336)

Uma belíssima leitura, ainda que um pouco simplificadora nas partes propositivas, mas que ofrerece uma excelente visão atualizada do nosso futuro comum.

ps: eu utilizei a edição francesa, e por isso as páginas mencionadas não vão coincidir se você ler a versão inglesa ou portuguesa.