Fidelity and Infidelity in Animals and People (Fidelidade e infidelidade entre animais e pessoas)

David P. Barash e Judith Eve Lipton, Freeman and Company, New York, 2001, 0-7167-4004-4

Alexandre Dumas, o filho, considerava que “as correntes do casamento são tão pesadas que são necessárias duas pessoas para carregá-las, e às vezes tres”.

Felizmente, a ciência nos oferece às vezes coisas divertidas. É o caso deste livro sobre a monogamia e a fidelidade.
Sem o mínimo sentido de discrição, os autores dedicaram anos a espiar como são as relações conjugais entre os insetos, as rãs, os passarinhos, as marmotas, os macacos, e até os homens. A nossa visão geral seria que os homens, criados á imagem e semelhança de quem sabemos, teriam um comportamento mais digno do que, digamos, os animais.

As novas tecnologias, que já bagunçaram bastante as nossas vidas, estão permtindo hoje, através do exame de DNA, uma visão bem mais precisa da sexualidade. Segundo os autores, “graças aos recentes avanços em biologia da evolução combinada com o que há de mais avançado em tecnologia, simplesmente não se coloca a questão sobre se o desejo sexual por parceiros múltiplos é “natural”. Ele é. Da mesma forma, simplesmente não se coloca a questão sobre a monogamia ser ou não “natural”. Não é.”

O livro é sério, bem documentado, e foge das bobagens e lugares-comuns. As resenhas sobre o livro, que acessei no www.amazon.com, se dividem entre alguns comentários indignados, e uma torrente de pessoas que acharam o livro excelente. É compreensível, pois se trata de uma área onde é difícil separar a ciência da moral.

E como a sexualidade, convenhamos, é razoavelmente importante nas nossas vidas, porque não ler finalmente alguma coisa séria sobre o assunto? É uma visão de biólogos, sem frescuras nem preconceitos, e com profundo respeito pelo que dá sentido a tudo isto: o amor. A forma? Sim, é muito bem escrito, e em vez de se esconder do fato de estar mexendo com tabus, os autores optaram pelo bom humor, e por uma forma carinhosa de tratar das nossas fragilidades. Boa leitura.