Dissertação de mestrado em Administração, na Puc-SP, sob orientação de Aldaiza Sposati, 2002, 238 p.O trabalho pode ser encontrado na biblioteca da PUC-SP, no programa de estudos pós-graduados em administração da PUC-SP (11) 3670.8513, ou com o autor 

A responsabilidade social das empresas, a responsabilidade ambiental, a governança corporativa, a ética empresarial – são  temas que hoje encontramos por toda parte. E há boas razões para isto.

 

Nas grandes empresas, há uma autêntica diluição de responsabilidades. Antigamente, uma empresa familiar ainda podia querer zelar pelo seu nome, e evitar certas indecências. Hoje, o que interessa é a taxa de retorno para o acionista, que em geral nem sabe onde o seu dinheiro está aplicado, pois passa por investidores institucionais que fazem a intermediação. O resultado são as Enron (1800 empresas fictícias sustentavam as fraudes no momento da quebra), Worldcom, Xerox, CityGroup, Bayer, Monsanto e tantas outras onde impera o vale-tudo por dinheiro, quando não o gangsterismo como no caso da indústria do tabaco.

 

No caso brasileiro, o comportamento cartelizado dos grandes bancos (juros de 60% para empresas, de 100% para pessoas físicas, de 180% para cheque especial), das empreiteiras e de tantos outros grupos econômicos não fica atrás. No conjunto, somos colocados frente a um dilema claro: vale tudo, conquanto não seja contra a lei?

 

Esta atitude leva simplesmente a uma corrida entre advogados empresariais que buscam detectar furos na lei, e legisladores que inventam novas leis. O resultado é um sistema que se torna cada vez mais engessado. E a alternativa é, obviamente, uma maior responsabilidade das próprias empresas.

 

Hoje temos no Brasil um movimento incipiente mas vigoroso destinado as atividades empresariais mais amigáveis para a sociedade, mais decentes no comportamento. Organizações como Ethos, Gife e outras já permitem articular estes esforços de uma parte do empresariado que busca construir uma nova cultura.

 

Um dos problemas práticos é que o comportamento de uma empresa que, por exemplo, joga os seus resíduos no rio, pode ser mais rentável no curto prazo do que o de ume empresa que instala filtros. A primeira externaliza os custos para a sociedade, que terá de pagar, via impostos, a recuperação da água poluida. A segunda assume estes custos. Uma das formas de se recompensar o comportamento responsável, consiste em dar visibilidade a este tipo de esforço, orientando inclusive o comportamento do consumidor.

 

O trabalho de Paulo Rogério Lima estuda uma das formas de gerar esta visibilidade, através do Selo Empresa Cidadã, da mesma forma como há o selo Abrinq para empresas que respeitam crianças, ou o Selo Verde para comportamento responsável na área ambiental, e outros.

 

Em si o tema é muito relevante. Mas a qualidade principal do trabalho de Paulo Rogério consiste numa excelente sistematização da discussão a respeito da responsabilidade social e ambiental das empresas, que o tornam uma leitura importante tanto para a academia como para o mundo empresarial e as ONGs que buscam dinamizar as novas tendências. O trabalho foi publicado pela EDUC, da PUC-SP, em 2005, com um prefácio de Ladislau Dowbor.

 

Autor: Paulo Rogério Lima