Este novo livro de David Korten, O mundo pós-corporativo: a vida depois do capitalismo, é um livro de economia centrado essencialmente nas alternativas ao domínio do que ele chama de Big Business, das grandes corporações da mídia, da especulação financeira, da manipulação polítitica.

Enquanto o seu livro anterior, Quando as corporações Regem o Mundo, que teve grande impacto nos Estados Unidos e também no Brasil, demostrava como se estrutura o império das grandes corporações, dando conteúdo concreto à denúncia da globalização, este novo livro apresenta uma filosofia de resgate da cidadania e do controle sobre como o mundo se transforma e se desenvolve.

Korten mostra que mais do que um monopólio do poder econômico, o neoliberalismo nas suas tendências atuais leva a uma generalização da filosofia do materialismo, do consumismo obsessivo, do dinheiro como critério geral de valores e de toda ação, com o abandono da ética, da criatividade, do espiritualismo, da iniciativa individual, e inclusive do próprio mercado que este Big Business diz defender.

As linhas de ação alternativas são expostas de maneira extremamente clara: favorecer a auto-organização e a decisão no nível mais próximo possível da população; desenvolver a capacidade de organização de vilas e bairros em torno dos seus interesses, criando espaços de socialização e de reconstituição do tecido social; trabalhar o planejamento em torno de regiões auto-sustentáveis em termos ambientais, particularmente energéticos; aproveitar as novas tecnologias para desenvolver as relações inter-comunitárias e uma sociedade mais horizontal, articulada em rede.

Korten mostra a que ponto a monopolização das atividades econômicas, finanças e mídia por grandes grupos, reduziu radicalmente a expressão do mercado, que pode perfeitamente ser resgatado para favorecer a pequena produção, a autonomia econômica, se for adequadamente combinada com sistemas de tributação que favorecem a produção local, o consumo local, a valorização dos fatores materiais e humanos de cada região.

A ampla parte final do livro traz centenas de exemplos, bibliografia, contactos internet, para se contactar as diversas organizações que estão inovando na diversas partes do planeta, seja através de crédito comunitário, seja através da criação de cooperativas, de resgate da vida comunitária, da criação de capacidades de comunicação modernas mas ancoradas nos espaços comunitários e assim por diante.

Korten não é um teórico, trabalhou décadas na Ásia, na Nicarágua e outros lugares, implantando programas deste tipo. Para um país como o Brasil, onde há uma forte corrente de iniciativas locais, de experiências exitosas municipais, de lutas pelo resgate da cidadania, o livro traz uma visão refrescante de como esta visão se sustenta em termos teóricos, e como está dando resultados práticos em diversas partes do planeta.

Ótima iniciativa da Vozes de publicá-lo no Brasil.