O “Planeta Mídia”, de Dênis de Morais, vem suprir uma forte lacuna que tínhamos de uma visão abrangente e atualizada das macro-tendências da comunicação, com ênfase para as implicações para o Brasil. Todos sabemos, ou intuimos, o peso decisivo que as comunicações adquiriram no nosso cotidiano, na disputa pelo poder político, na luta pelo controle social. Mas em termos práticos, mesmo dispondo de excelentes livros para a avaliação da dinâmica internacional, pouco havia em termos de Brasil.

Preencher esta lacuna é sumamente importante. A meu ver, há um contraste gritante entre a importância que este setor adquiriu, o muito que ele comunica sobre tudo e qualquer coisa, e o pouco que existe de informação sobre ele. Ficamos frequentemente enfrentando libelos pouco fundamentados sobre a Globo, apareceram alguns artigos bons sobre a relação entre a mídia e a política, mas a a realidade é que é tudo insuficiente.

O trabalho de Dênis é bom, bem documentado, fácil e agradável de leitura. Dá uma boa visão mundial do setor, analisa as tecnologias que tornaram a recente “explosão” das comunicações possível, sistematiza de forma bem acessível as ramificações internacionais de algumas das mega-empresas (por exemplo da Telefónica, que aprendemos tão bem a conhecer aqui em São Paulo, ou da rede Globo).

O autor traz também sólidas visões teóricas sobre “o modo de produção que se ancora na economia da informação”, sobre as novas dimensões do imperialismo (citando David Rothkopf, da Kissinger Associates, que explica que “para os EUA o objetivo central de uma política externa na era da informação deve ser o de ganhar a batalha dos fluxos de informação mundial, dominando as suas ondas, da mesma forma como a Grã-Bretanha reinava antigamente sobre os mares”), ou ainda sobre “a informação vir a substituir a propriedade dos meios de produção como fator discriminante da nova segregação social”.(páginas 50 e seg.)

Dênis trabalha com o conceito de infotelecomunicações, ou seja, a macrotendência que articula o telefone (voz), a informática (informações) e televisão (imagem)para formar um novo setor econômico de primeira importância. É bom lembrar que o Business Week informava há dois anos atrás que a “entertainment industry” já substituiu a indústria automobilística ou a indústria bélica como motores da economia norteamericana.

Para todos nós, esta análise é muito importante. A cultura já não é mais, neste enfoque, uma super-estrutura, ornamento das classes dirigentes, ou engodo para as dominadas, facilitando os negócios do capitalismo, justificando a apropriação privada dos meios de produção. A produção hoje é, e será cada vez mais, a própria cultura.

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