Quem vai ter de resolver somos nós mesmos, e com outras propostas.

O artigo de capa do Business Week de 8 de fevereiro de 1999 é importante. A lógica geral da análise é extremamente simples: os investidores estão abandonando os países emergentes (Brasil e Cia.) onde há altos retornos mas muita insegurança, e estão buscando lucros menores mas mais seguros no longo prazo, através do investimento recíproco Estados Unidos / Europa. A nova moeda européia abre fortes oportunidades, e com isto a importância global das economias emergentes sofre um forte recúo. Com os problemas das economias asiáticas, o que seria um “século do Pacífico” no século XXI passa a ser visto como um “Atlantic Century”.

Os efeitos para as economias emergentes são dramáticos. Os fluxos líquidos de créditos privados para esta parte do mundo foram de 196 bilhões de dólares em 1996, baixando para 121 bilhões em 1997, despencando para 39 bilhões em 1998, com previsão de uns ridículos 10 bilhões para 1999. O subtítulo interno é claro: “Companies no longer need the developing world for growth. Deregulation is opening new opportunities in Europe and the U.S.”

Isto significa que o conjunto da orientação dominante do nosso governo, de buscar o bom-mocismo internacional, atrair capitais externos por meio de juros astronômicos e outros malabarismos simplesmente não vai funcionar. O país vai ter de encontrar os seus rumos aqui dentro mesmo, numa visão não autárcica, mas autocentrada, onde as relações externas deverão jogar um papel complementar.

Esperar que os capitais externos venham nos desenvolver, e gerar o sufoco econômico e social do país para nos tornar mais “atraentes” constitui simplesmente uma incompreensão das tendências internacionais. O recado não pode ser mais claro, e o Business Week, principal mass-media dos executivos internacionais, não é nenhum pasquim de esquerda:

“For the foreseeable future, investors on both sides of the Atlantic are likely to shun sort-term high returns in emerging countries in favor of lower but less volatile rewards from each other’s capital markets”.

Basear a nossa economia na atração de capitais especulativos com juros fenomenais, e na venda de propriedade estatal a preço de banana, não só constitui uma proposta absurda: já não convence nem lá fora.